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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Sombras



Oh sonhos sombrios,
Oh sarcófago de meus desejos,
Oh soturnas chamas de brios
Fugas nas sombras pérfidas
De meu ser e não-ser.

Deixa-me esvaziar das lidas
Falazes nos abismos de Severus
Que confino-me para Letes!
Oh acerba alma que eu abismo
Aos bosques de Dríade
Ao meu desejo ou suma loucura,
Desvario! Oh sorumbática fortuna!

Esvazia meu coração
Que o verme mundano
Putrifica em meu espírito
E petrifica-me o âmago.

Davys Sousa, 2006

O rosto



de Davys Sousa (07/07/06)
-
Marcado pelo tempo, atravesso noites e dias
Às vezes ledo, às vezes triste.
Triste fosse a quimera de um homem
Antes em suas fugazes horas.
-
O choro abafado atrás da parede
É senão prece ao que se parte,
Desta resignação melancólica.
-
Não sinto lamento às coisas fugidias
Pois, a todo momento me desfaço
Mesmo que minha alma venha a ter mil rostos
Expostos sob sua superfície, e mesmo
Assim vejo somente um único rosto refratado entre os mil.
-
Sinto o tempo no rosto,
E olho a um horizonte imenso:
- Que triste não saber florir!

Fly



Pássaro ferido,
avião que bateu no chão,
figura antepassada,
porque agora já descansa
na paz de sua cama
feita da terra,
abudo, crateras,
bactéria.

Não quero dizer
que não vive,
mas, sei que vive
em cada dia
a quem possa
lembrá-lo,
quem possa a sala vazia
o esperar
como soído soi-disant...

Bem! o que aconteceu...
já aconteceu.

Agora lá!
Migra aonde as almas
são deixadas.
Pássaros com asas quebradas.
Chora...
Choro...

[Lágrimas contidas].

Deixa lembrete,
Rende o que teceu.

Aconteceu!

Sorre?

Sorria

Não riria

Mais.

Migrauma virtude,

Talvez!

A vez chegou,

Hora já marcada,

Atitude

Não teve.

Contar?!

Não disse nada.

Agora, voa.

Fly! fly...

Fly away

Vai aonde almas solfejam

By, meu lembrete!!!

Fly away...

Fly away back!

-----------------------------------------------------------

Quem esqueceu?

A quem não doeu?

Correu? Cresceu??

-----------------------------------------------------------

Escreveu!

Criou uma "Alma Mater".

Lerá:

Ferreo

Estima

Raiz do seu

Narcismo,

Ardor

Na busca,

Delimitado

Orgulho...

Finis!!!!!!!!!!

Davys Sousa

Ao teu abraço



(Poesia dedicada a Ex-My Sweet Lover - C.F.J. - 23/02/06 às 01:30 a.m.)
...
Quero-te em vivo ardor de meu estado,
Em atribuições românticas, pairando-me
Em teus traços, em tua boca como aquele
Que a beija e almeja as carícias.
...
Amo-te suave em estado de graça!
Seria este, o amor que continuamente sonho?
Respiro dentro de mim desejos
Cujo amor me subjuga aos anseios
De sentir-te em carícias e afagos abertos
Deflorando-os em teu rosto.
...
Perco-me em ti
Como a água no deserto
E há amor que cresce em mim
E é quase eterno para ti.
...
Respiro desejos.
Respiro-te em sonhos
Para me justificar em tua ausência.
Respiro a tua geografia em essência.
Porque amar, no entanto, é tudo
Mesmo, ainda, sem esperança de sempre estar.
...
A tua boca à minha boca
Que se cala, apenas, ao desejo que me empresta
E subjuga-me num ardil beijo
Com chupadas em que me converteste ao teu abraço.

Davys Sousa

sexta-feira, 1 de março de 2013

Em busca da perfeição



Passando adentro do modelo de perfeição
Que engendramos em nossos conceitos,
Em nossas intermináveis buscas, não,
Estaríamos, nós, em um sentido obscuro
E persuasivo já que o que transferimos
Em nossa essência e convivência com as demais
É um incompleto e insatisfeito desejo?

Quer o que busquemos sempre queremos
Que isso nos complete totalmente.
Essência e matéria!
Mesmo que digamos que uma é mais importante
Que outra.

Nosso desejo inconsciente e incontrolável!
Nisso, vivenciamos nossa inquietude,
Nosso desconsolo, a busca sempre contínua
Do outro e este movimento sempre é incerto.

(Davys Sousa, Teresina-PI)

Alma mulher



Vivo de fases como um coração
Que reflete a alma da lua,
Como a onde e a brisa cálida
Que passeiam livremente.

Sou como a serenidade de um amar.
Às vezes, calma, vivente da paciente esperança
Que acoima meu coração
E as lembranças, que guardo.

Todos os sonhos, algum dia,
Partem como imagens de um adormecer.

Toda mulher nasce da sensibilidade
E sutilidade recalcada da essência
E sua presença, nela uma fera adormecida.

Sua alma arde ducilmente
Em suspiros de vida.

Toda mulher flui e respira
E expirar o amor,
Porque mais que um ser amoroso,
Ela inspira e transcende o Amor.
A poesia reina sobre seu coração e alma.
Simples, silente, singela.
Quem ma dera, Poesia, em seu canto livre
Deleitar em seu berço de sabedoria.
Todo poema, toda poesia ensina.

(poesia dedicada às mulheres, evocando-se o “eu feminino” – Davys Sousa, Teresina-PI)

Poema elaborado

Gregory Eanes - The Poet


Todo poeta é crítico.
Toda poesia, objeto concreto
Árduo labor de elaborar
Tal seiva crítica ao escrever,
Deleitar em palavras
Que esvaem,
Vazam em cada veia poética,
Cada singularidade de um ser
E multiplicidade
Dentro deste ser.
A busca do ser o outro
Emergido no crer poético,
Auto-dicotômico.
Todo poeta é exotérico
De todas as verdades que reinam
No ser.
Ser!
Se que flui,
Enverbece...
Todo poema
Tem um ser de concreto e de abstrato.
Todo poeta constrói
À própria metamorfose
A efusão poética.

(Davys Sousa, Teresina-PI – poesia feita quando eu estava no ônibus indo para casa, então, são sei concluir que horas eram, apenas 21 e pouco do dia 25 de Junho de 2008)

Elegia ao Rio Parnaíba



Oh, Rio Parnaíba!
Oh, meu Rio Parnaíba não és, tu, muso
O qual tão sublime ascende
A alma do poeta e a voz altiva
Que deleitam inspirados
A bradar tão relutantemente
Tua gloriosa história, tuas calmas margens?
Não és o meio de vida de teu povo
Por mais que te matem e matam
De tanto desamor?

Foste, outrora, berço de tantos acontecimentos!
És, no entanto, a elegia de teu povo
Que te mata, devora teus sonhos
Que tens para que se realizem
Em gerações futuras.
Hoje, em estado lastimável!
Misérrima paisagem!
Dantes suas águas claras banhavam
As coroas, agora, degradadas, obscuras,
Sombrias, sombras, solitário rio!

És, tu,
Um ritual de vida,
Mito e fantasia em seu leito
Glorioso de Mortal beleza,
Mas jaz-se, agora, ofuscado por feridas
Que te degradam,
Que te calaram o orgulho ferido de teu povo.

Meu Rio Parnaíba,
Porto de minhas lembranças!

Não!
Não te vás embora, agonizando abandonado,
Pois há aqueles que te podem salvar
Do cruel leito d’ morte
E voltarás a tua saga majestosa
E terás muitos admiradores.

(Davys Sousa, 22 anos, Teresina-PI – 26 de Junho de 2008 às 11:12)

Eu, perdido na sombra de um outro eu



(Parte I)
Uma tristeza cai em meu coração:
Mais um dia!
Mais um dia, sinto-me só
E ausente de mim mesmo
Por eu me deixar mais só, ainda,
Por viver sonhando.
Típico sonhador soerguidos
Entre nuvens de pensamentos,
Fábulas, sonhos, mitos...
E esta solidão tão amiga,
Tão presente em minha vida
Em quase áspera pena.

(Parte II)
Esta tristeza tempera
Com lágrimas langues
Os meus olhos tão calmos.

Meus pensamentos fluem
Como pulsos involuntários
De minha inflamável moléstia,
E vejo-me tão triste,
Tão triste gênero de vida,
Estereotipo mórbido de existência.

Uma tristeza cai em meu coração,
Na alma, embora, tenha um vívido ardor
Pulsando dentro de mim,
Há, também, uma inquietude que me cala.

(Parte III)

Assombrado coração que se lança
Ao imensurável ocultismo das artes.
Eu, ser rastejante noctívago
Na tríade crônica de meu ser.
Eu: homem, poeta e sua sombra,
Generocida de mim mesmo
Na temporicidade edaz e fugidia!
Eu – parte do passado,
Ente do presente e do que há por vir.

Eu, termo interminante,
Intransferível, mutável por natureza.
A natureza, toda transformação
Individual do ser...

A minha alma enterra
No seu profundo ser,
A lida de um outro ser,
Nela, a dualidade inerente
A toda minha irrisão e enlouquência
De homem e sua sombra.

Necromantes pensares vão além do ser intermediante...
Sonhares, em vão, me assombram
Por quase sua perfeita imitação à vida.

Vivo sem viver a vida!
Filho da carne e sangue!
Decrépito, jazo em meu decadente ser.
Meu coração, inverno completo
Como ilusões que fenecem
Na ruptura obsoleta.

Tenho em mim, iracundo ser
Que fecunda abruptamente
A consternação do amor
Que sinto ao voluptuoso
E lânguido adormecer,
De não querer viver,
Dilacerando todo ébrio engano:
Esta Mundo feito de aparências.

SOMBRAS
(Davys Sousa)

Minha vida não tem sentido.
Só sombras e medos me invadem
Como fantasmas.

A dor no peito que me aflige
Foste, tu, a hesitação de viver
De modo mais mal sofrido.

O amargo parasita da vida,
O sofrer.
Foste a inocência estuprada
Ou abandonada,
Sem mãos, sem pés, sem braços,
Sem luz, apenas, uma sombra
Do que já foi.

Manchei de escuridão
Minha alma, minha fé.
Foste devassa, tu, doce ilusão da vida.

Uma vida sem calor humano,
Desentendida.
Foi a dúvida, companheira
De meus medos.
Como perder a vida
Foi o enterro de minha esperança
Que consumia o ardente sol
De cada manhã.

Foste, tu, uma ilusão de encontrar
Um verdadeiro amor.
Agora, o espírito definha-se em trevas,
Em volúpia e fogo,
Nos bosques dos homens,
Do que só restaram sombras.

Davys Sousa

sábado, 26 de janeiro de 2013

Incertezas



Incertezas são coisas em que o coração
Acredita sonhar e viver como a plenitude
De um sonho vão crescendo na multidão
De seus desejos mais profundos,
E elas vão se dissipando com o seu sonhar
Nas nuvens de sentimentos próprios.

Incertezas são segredos que a alma
Derrama em nossos corações
A forma mais contestável
E quando o amor chega
Há uma razão incerteza para se enxergar
Uma límpida senda de paixões,
Trocas de olhares, beijos e corações.

De onde é que vem o que se agita no coração?
E que Amores são estes?
Que vêm e vão como flores
Surgindo na Primavera
E se desmanchando no Outono
E quem falou que podem
Outros amores surgirem?

E cada amor é como o primeiro beijo
Que arde no peito.
E que Amores são estes?
Que se intitulam amar e ser amado
Se o tempo range como um ditador.

Depois, só o que restam?
Beijos, lágrimas e lembranças
Que se enlaçam na esperança
De alguém o coração governar...

Lembranças gentis de quem éramos
É só o que restam...

(Davys Sousa, Teresina-PI – 17 de Janeiro de 2009)

Humanidade



O que você espera do Mundo?
Vivemos, sonhamos, esperamos,
Brincamos, amamos, sentimos...
Para que mantemos esperança?
Para que mantemos os sonhos?
Tudo na vida tem seu tempo.
O homem tem seu tempo...
Mas outrem pode roubar sua esperança,
Destruir seus sonhos,
Tirar a sua essência.

Não nos pré-julgamos chamando a nós mesmos
De seres humanos?
Humanos, por qual natureza?
O homem é o lobo do homem.
O Mundo sangra pelo que o homem cultiva
É como uma hemorragia se colocando para fora,
É como um aborto espontâneo visceral
Chocando-se contra a natureza.

O que cultivamos para nós?
Deletério, o homem vê sua hora,
Sua estrela, seu caminho,
O homem vive, embora,
Ele se mate a cada dia
E mata a vontade de outro.
Às vezes, sonhamos acordados,
Mas, continuamos sendo vitimados,
Esquartejados, dizimados em nossa dignidade,
Moral e ética.

E onde está o Ser Humano?
A poesia fugiu do mundo.
O homem foge do homem.
Há uma corrida contra a humanidade.
Mas que humanidade?
É uma corrida truculenta, genocida,
Feroz e sombria...
Cruel, a face da sobrevivência,
Onde nada parece ser como deveria,
Onde o que governa é o caos, a ambição,
A morte sobre a vida, a inveja, a mentira,
As máscaras... Que identidade? Que essência
Podemos dizer que temos?
E o que nos resta? Que esperança?
Que humanidade?

(Davys Rodrigues de Sousa, Teresina-PI – 22 de Outubro de 2008)

POLÍTICA COMERCIAL DA REALIDADE



Vendo e compro sonhos!
Pai espanca criança até a morte.
Criança é molestada por amigo da família.
Vendo e compro sonhos!
Alguém quer?
Ecos do sistema!
Lá fora milhares, milhões de máquinas.
Máquinas não têm alma, não gostam,
Ferem com seus engendros de crueldade, de maquinizar tudo...
Todos!
Não pouco, mas muito!
Máquinas roubam!
Muitas máquinas mandam... Vendo e compro sonhos!
Alguém os quer?

Todo conhecimento é  fundamental.
Vendo sonhos...
Viver é perigoso.
Toda idéia revolucionária deve ser radical.
Bula dos velhos sábios!/ Toda palavra e expressão deve se despir.
Compro sonhos...
O Amor é uma faca de dois gumes.
Toda palavra reina sobre o homem.
Todo sistema é uma droga.
Drogas viciam.
Um reino
Uma palavra.
Um homem?
Vazios do caos!
O medo é subtração do que se é.
Todo sistema é imperativo.
Sente-se!
Coma!
Beba!
Ame!
Leia!
Mate!
Foda-se!
O homem mata, mata, mata.
Todo amor feri.
Todo ódio, também.
Vendo e compro sonhos!
Alguém os deseja?

Eu como poeta, por que iria falar das coisas boas?
Se não vivemos Mundo de Fábulas,
Nem poesia a vida tão pouco seria.
Não vivemos a paz
Nem tão indelevelmente sabemos o que é paz.
Apenas, somos a soma do vazio,
A sombra do nada.
Oferecemos ao Mundo, drogas, sexo, aborto, estupro, pedofilia,
Medo, latrocínio, morte, traição, destruição,
Solidão, preconceito, ódio, culpa, prostituição, sorrisos gozadores,
Imitações, guerra, ganância, inveja, humilhação...
E o que somos então?
E fazemos alguma diferença neste Mundo?/

Muitos tremerão pelo sangue.
Muitos tremerão pela carne trêmula,
Ferida pela guerra,
Apodrecida em uma primavera sem flores.
Esquecerão o amor, seus lares.

O homem e o escarro,
O homem e a leviandade,
Tudo da mesma laia,
Da mesma corja
Vendo!
Compro!
Sonhos?
A Realidade, nem fel nem mel.
Apenas, a verdade.
Mas que verdade?
A verdade a que não enxergamos
À pálida luz da vida.
Alguém vende ou compra sonhos?

(Davys Rodrigues de Sousa, Teresina-PI)

ERÓTICO



Corpos fluem
Espaço contínuo de espasmos,
Orgasmo, ritmia profunda do ser.
Corpos movem-se
Tocando-se, acariciando-se
Entre gozos e volúpia ardente.
Corpos tocam-se
Agitações, movimentos sincrônicos.
Corpos cintilam
Olhares, mãos, pernas, braços,
Coxas, coxas, pescoço, beijos,
Línguas, braços, pernas, coxas, coxas
Olhares, boca, mãos, afagos
Boca, beijos, erupções profundas de prazer
E gozo corpo-a-corpo
Momentâneo, espontâneo,
Silente penetração da carne
Na alma...
Sublimar estado!
Sedentos desejos...

(Davys Sousa, Teresina-PI – 28 de Novembro de 2008)

RUÍNAS DE MIM MESMO



Thanatos, descendente da noite e trevas
Golpeia em meu peito o desolar
Sombrio neste lasso coração a palpitar
Na fugidia passagem da vida,
Diviso sonhar no feto negro de meu cantar,
Inebriante ser infindo que se refugia de mim mesmo.
E traga-me ao sono eterno de Hipnos.

Oh, meu ser arfante negligencia a si mesmo
Num silencioso anoitecer às ermas sendas
De meus truculentos pensamentos no absinto
Desta intoxicação d’ alma, e desce nela toda hirta
Irrisão quando ao vibrar de sua batida,
Mergulha-me nas brumas sepulcrais de meu combalir.

Quero no Jardim das Árvores Salas-Gêmeas viver
Levado pelo meu nirvana aos Bosques de Letes (esqueço-me!)
Sombras e fogos que suscitam fantasmas presentes,
E ecoa-se o alvitre no sono ao seu retorno.

Quimeras que ressurgem nas cinzas do eterno,
As sombras que se consomem nos templos de meus desejos.
E o Verme-Deus corrói estes templos incomensuráveis
Para a gênese de outra vida que se acende
Audi! As sombras se deleitam sob o dilúvio
Rosis delectant. E nesta fúria, o pranto, se sente,
Consome-se e opõe-me a sua natureza abstrata.

(Davys Sousa)

ROSAS PERDIDAS



Minha alma está em agonia profunda.
A lua ilumina meus esquálidos passos.
Minha alma, na verdade, meditabunda
Na índole em que ela já me diz: ‘- Lança-os!’

Respiro-a nas paragens, que ao longe, vem
De meus febris pensamentos. Eu, verme matador
De meus sonhos. Que louco estranhar de mim
Vem me deixar delirante posto ao repouso
De meus devaneios. Oh, ausente luar branco
Que jazem, minha presença diante do meu túmulo
De rosas que beijei e que se entregaram
Por tamanha devoção ao prazer e minha desesperança.
Oh, rosas bestiais! Oh, rosas divinas!
Corro em minha alma
Com os segredos, seus, escondidos na pele impenetrável
De suas frágeis geografias. Oh, que paixão sufocável!

Respiro-as até o último desejo que possuo.
Respiro suas doces saliências.
Oh, Rosas despertais, para meu coração pernóstico
E triste que exala dores de parto e despede-se.
Oh, Rosas de tal religiosidade.

(Davys Sousa)

ODE AOS POETAS MALDITOS

Adicionar legenda


Vinde, Poeta necrotérico sob a influência
Misantropa, deletéria da vida e da morte
Na dicotomia das inorgâncias ciências
Da dor e dos abismos da alma cujo forte
Chamado a amiga antiga transmite fluências
As artes necromantes de Mefistófeles.

Oh, Poeta deserdado no Templo de Bacó,
Flor do vale da sombra na legião de Anjos Caídos.
Príncipe Maldito! Vá a câmara do Faraó
E suscite vossas palavras ao presente
Da angústia e da dor. Eis, tua face
Cujos vermes a, então, corroem em alusão
Às verdadeiras ilusões de um homem.

Vide, Poeta Misantropo das artes secretas,
As verdades íntimas do Dragão da Castidade
E o verme deletério e itinerário da Irmandade
Operando nas tarefas dos iconoclastas,
A ciência Negra como Érebo.

Vá, Poeta Maldito com suas pragas
Contaminando seus rios e tão mórbido
Veneno de que a alma se enche.
Vá, Cavaleiro da Meia-Noite sob os sóis dos herméticos
E com a euforia de Mil Serpentes.
E vá aos calabouços da alma revelar as sementes.

(Davys Sousa, Teresina, 2005)

ESTUPRO

Georges Rouault, Homo Homini Lupus [Man is wolf to man]


Há gente que estupra nossa dignidade,
Se há de termos nossa essência.
Há gente que estupra nossa alegria,
Um sorriso para uma escapada para a vida.
Há gente que estupra nossos sentimentos,
Se deixamos nossos corações muito abertos.
Há gente que estupra nossos sonhos,
E assim abortamos a vida
Que arde em nossos coações, em nossa alma.

São pessoas frias, baças,
Sem gosto ou gozo à vida, às coisas da vida.
Além disso, elas estupram a si mesmas.
Filhos da carne!
Máscaras escondem seus rostos.
Esperança amaldiçoada
Como o negro feto morto
No útero de uma mãe,
Deixando a esperança de ter outros filhos,
Como um corpo frio devorado por vermes
A sete palmos da terra.
A humanidade sangra e está abandonada.
Filhos perdidos estupram a moral
E a única luz de um ser.

Todos pensam: por que sonhar?
Se tudo o que temos
Outro inveja e rouba.
E buscamos crer em outro, de verdade?

A natureza humana é de lobos famintos, sedentos.
E estamos entre eles.
Vampiros que sugam toda vida
E devoram nossos corpos cansados.

O que é mais digno para um homem:
Viver entre tanta vilania ou morrer tranqüilo?
As ruas espiam nossos lares.
Lá fora, nascem monstros escondidos na escuridão.
Que não valem à pena
Com suas vidas sórdidas, imundas e desumanas!

Não cantarei com alegria o futuro
Vendo tal ignorância, estupro à vida.
Não cantarei, não!
Não cantarei a vida,
Esta que estar por se dizimar.
Não louvarei a esperança,
Apenas, um silêncio aniquilador.
Ficarei mudo e mudo fenecerei,
Assim, com a vida.


(Davys Sousa, 02 de Setembro de 2008 – 15:04 p.m)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Vozes



Vivo sozinho no mundo,
Sem amor, sem companhia,
Apenas, o luar pálido a transfigurar
A inquietação e ausência.
Vivo em meu estado de zero absoluto da alma.
Sem esperança alguma
Ou sequer uma lembrança cálida e avivente...
Apenas, um retrato pálido
De alguém já morto em si,
Perdido em uma memória,
Apenas de si mesmo.

Vivo na imaturação temporal
E creio em nada, absolutamente.
Tudo está obsoleto
E transcende toda efemeridade da vida,
Do que é belo, imensurável e memorável.

Há um poema em mim,
Que vem à tona.
Há um poema em mim,
Há uma noite em mim,
Há uma vida que nasce,
Mas não morre.
Fica lá, no seu inotável cantinho.

O silêncio me perturba.
Não vivo, agora,
Só liberto um ser que vive.
Minha vida, apenas,
É algo de passagem.

Há um poema em mim,
Eu falo!

Há vozes em minha cabeça.
Elas não param!
Há vozes em minha cabeça,
Elas mandam,
Impedem.

Vozes confusas, estranhas.
Elas mandam eu me calar.
O silêncio é perturbador!

Há vozes em minha cabeça,
Mandando e desmandando:
Mate-se!
Pare!
O caos chega em minha alma.
Dubiedade!
Mecanismo de fuga!

Não sei quem sou.
O caos me governa.
O SILÊNCIO é perturbador,
Às vezes, não é?
Eu ouço vozes em minha cabeça.
Aonde ir? Quem sou?
Mente e corpo e coração
E alma dilacerados, retalhados
Como um corte profundo.

Há vozes em minha cabeça.
Elas não param.
Mandam,
Impedem a evolução.
A evolução!
Mandam, desmandam:
Mate-se!
Pare!
Dicotomias abertas, chagas negras do pensar...
Feridas da alma que não se cicatrizam...
O que é viver?
Tirano, o caos subjuga o espírito mais fraco.
Fraqueza! Não-evolução! Sobrevivência!

Há vozes, elas me chamam...
Há vozes, deletérias vozes... sussurram...
Elas não param...
Elas nunca param.
Vozes, ecos, sistemas...
O silêncio é perturbador, não é?
Vozes... vozes. Vozes... vvvvvozesss....
Sistemas de sucção...
Eles te apagam.

(Davys Sousa, Teresina-PI, 04 de Setembro de 2008 às 10:00 a.m)

A taste of sexy



Bodies flock in the sweet
Spasms
During the rhythmic movements
Between my body and yours

I do see
Desire, lust, vulnerable and naked seed
Kisses, harassment, innocence and virgin
Temptation and red apple
Power, dreams and sex
Filling me up
Making my skin feel hot
Blaming me into a desire.

I touch you
A naked and vulnerable
Fruit
When is touched
It’s a hot-blooded pleasure
A sudden divine taste.

Your hands
Your touches
Whispers make me exciting
Into a silent penetration of flesh
In my soul
Drunk in your body
Like a deeply complete eruption of pleasure
And joyness:
A taste of sex.

(Davys Sousa, Brazil, January, 22th, 2009)

O poeta



O poeta romantiza
O poeta mistifica
O poeta obscurece
O poeta erotiza
As coisas como elas são.

Davys Sousa