sexta-feira, 22 de outubro de 2021
Constituição
segunda-feira, 17 de maio de 2021
O mundo do ar
O pé talhado na terra úmida,
marca afetiva do labor
germinando;
o vento toca a ponta do céu
com cuidado,
levando o afofo de beira,
para chorar a ribanceira
das nuvens que vão se
aprumando.
Trago forte na chama verde,
trabalho coletivo construtor;
o sumo da sobra é barro a se
modelar,
forjando no ardor da fogueira,
a vida altiva e arteira,
ciente, sem peso e indolor.
Planeta esse, pra qual rumo?
Sonho cadente é fácil de
achar:
Não se esconde, mas incita
revelação;
floresce em cada fileira,
supera toda fronteira,
dos cantos do mundo do ar.
André Café
De madrugada a gente questiona: zero
| Link original |
Já não são trocas de turnos,
cada dia mais a paciência com
sono é uma derrota previsível.
Sonhos desfigurados em poucos
segundos
não sustentam mais o corpo:
morada da sede infindável.
Quanto tempo leva para se
esquecer o instante?
Dobram-se ao meio e aos
quartos partículas de quintessência
enquanto a massa de pesares se
avoluma e toma espaço,
faz-se percalço que se
alimenta do amanhecer.
Segue mais um dia, respostas
sem questões e condições contraditas,
melodia de um réquiem às
avessas que regozija da aflição:
sons secos do amargo calor,
que respingam no peito com vontade,
invadindo a mais vil
sobriedade, semeando o mais coerente dissabor.
André Café
Anoiteceu; anos 2000 na cidade brutalizada
Fim de tarde ou de noite,
aquele abrasador conhecido;
vento de paragem, céu sem milhagem.
Aponta para o universo o
incerto destino de andança;
apenas mais um jovem nas
aventuras de devorar praças e passagens.
O ardor sempre esteve, mas
adoçado com calmarias:
da Frei pro Mocambinho, Saci
ao Promorar,
cai a noite nas calçadas, pra
esperar a brisa do norte,
o fervor no último gole para
depois a gente sonhar.
Passa ponte, pinga lento, o
menino ganha as ruas;
ainda sente o verde, o cheiro
manga rosa, o detalhe de cidade.
Não que o urbano capitalizado
já não devorasse sentidos, espaços, pessoas,
não que o aperto imposto não
sangrasse nossa vivacidade.
Tão pouco tempo levou à
quimera e transrupção;
a cidade engole as crias, no
silêncio e invisível.
Atua para as torres mortas,
amua para contradição:
amor, ao concreto; blasé, aos
ritos dos povos vivos.
André Café
terça-feira, 23 de fevereiro de 2021
Contra-atacar
Por terra, lágrima e
sangue,
fatiados em todo turno de
nossa gente;
ardor, vigor e fé,
ainda que o pisar
dolente.
Às crias, as águas e
montes,
encarcerados antes dos
olhos;
mas livres, por sermos
seres,
ao fardo dos
intransigentes.
Ao natural, criado e
destruído,
com fome de essência e
equilíbrio;
ainda que rasguem os céus
anis
de progresso pungente.
Para o sul, pelo entorno,
toda palavra é
aprendizado,
cada prática é uma
formação;
façamos ferver a
contradição,
subvertendo, arrebentando
a frágil normalidade;
sobrará pouca saudade
daquilo que queremos
olvidar.
São tranças de tempos
difíceis
que se complicam em
nossas fragilidades,
arquitetadas em preditas
formas.
Porém, do mais alto
torpor,
nasceram as ruínas:
sedimentos fundais
dos sepulcros finais
gerados em contra-atacar.
Visão dessa paixão
Vejo o seu mundo com a verdade desse olhar,
que meus olhos trazem nesse ar que o vento faz.
A Coragem diz-me que sou capaz de realizar e terminar:
esse lindo acreditar.
No Desejo desse medo,
que torna a feição uma ficção nas dores do meu coração.
Na Viagem dessa imagem,
que brilha nessa ilha: A Lua e o Mar dentro desse Amor
O meu Sabor.
Isabela Pazeto
Carinho de Amiga
La vem a Chloe,
para quem não conhece:
É a luz dos meus dias.
É a Amizade que me guia,
nos caminhos da minha vida.
Sou a sentinela dela.
O que ela pensa?
É o que os meus olhos não podem ver.
Mais posso crer.
É a razão do meu viver, todos os dias
É o motivo da minha felicidade,
que dá sentido aos meus dias.
Isabela Pazeto
quinta-feira, 17 de setembro de 2020
A NAVALHA E O FIO
![]() |
| Fernando Vieira - Fio da Navalha |
Áureo João
Teresina, 22 de junho de 2019.
Navalha é caos, sem o qual a vida pára na ordem estagnada;
O fio tece o que deve ser tecido;
A navalha corta, recorta, decompõe e separa o todo e as partes do todo;
O fio sutura partes entre partes e partes com o todo, quando inseparáveis;
A navalha talha a vida e coisas da vida que a compõe, separa coisas da vida e a vida;
O fio conecta coisas da vida que dão sentido à vida e a própria vida; laços conexos que religa fil a fil;
A navalha penetra o caos, perfurando-o, retalhando a confusão, sua ordem e sua desordem;
O fio tece a luz à ausência de luz, a lucidez ao caos; o fio ao fil;
A navalha é o medo da vida e a ruptura com o medo;
O fio é o tempo da vida, a vida no tempo, sem o medo da vida;
A navalha é o desassossego da ruptura;
O fio tece a vida, as coisas da vida; e o gozo na vida;
A navalha é corte, recorte, talhos e retalhos, análise e crítica;
O fio sutura e tece o que sobrou do corte da navalha; é síntese do texto, do contexto, do poema e da vida incessante, sempre por uma navalha que corta e um fio que tece fil a fil!!!
Jacarandá
A noite me envolve
num giro e devolve
querendo meu tempo para revelar.
Que eu tenho um segredo,
mas pode ser medo
que sem teu chamego, eu vou me afogar.
Noite de Lua, sereno faceiro
eu sinto teu cheiro aonde quer que eu vá
Água da chuva fazendo salseiro
e o amor florescendo no Jacarandá
Vem a saudade,
me envolve e invade
e eu sinto vontade do teu balançar
Mesmo distante
teu dengo é a fonte
que chega no instante de anunciar
Todo sabor com o cheiro da terra,
o vento não erra os gingados do mar.
A poesia que faz de repente,
se sabe, se sente o amor regressar
André Café
Nos moldes dos caminhos
Olho mundo; chama cria:
os encantos do pirografar em centelhas de cosmogonias;
as raízes, suas histórias e louvores,
cantam modos, ensinam versando, rimando magias.
Carregamos a flâmula, somos arte e olaria:
da lama, caos, convicções e ética:
cinzas que adubam o florescer
no solo da consciência e prática
Lume move e fortalece,
pelas mãos de nosso labor.
"Afervilha", expande, aquece
a premissa do pavor
Rebuliço, alvoroço, cerração;
é barulho que antecede a brisa.
E o pavor sublimado ao alívio,
num fio de fim de tarde que avisa:
O fogo que atiça o pavio,
agora prepara o alimento;
foi faísca de combate e ruína,
mas é molde de base e firmamento.
André Café
Nos caminhos
quarta-feira, 16 de setembro de 2020
Poeti-se
Poesia entre e se apresente
terça-feira, 12 de novembro de 2019
O bem mais precioso
Do alto-falante oficial,
esbravejam engasgadas palavras em conservas;
é um "fica tudo como está", "é seguir pra desenvolver",
é "um bem comum" estrangeiro ...
Alardeiam, esperneiam, aos quatros cantos,
de nova ordem, de proteção, de pátria, de lugar divino.
Nem o mais tenro menino ouve, nenhum lugar ecoa o sibilo,
nem baixas frequências reproduzem este brado.
As ruas sem beiras, com canções e flores,
a passos assertivos, à marcha fulminante, ao porto escondido,
as veias abertas, dos grilhões vencidos, do prazer demorado,
em uníssona voz, ao algoz agora arrependido, num tempo sem perdões.
Os inimigos espreitam; mas há força, num mútuo fazer ebulição.
André Café
domingo, 27 de outubro de 2019
Resumo
Cena e sangue em uma meia-noite fugaz;
o corpo náufrago na timidez insólita,
a ver navios num silêncio de espasmos ...
Vermelho inferno, tingido de fogo e sabor;
nas horas de réquiem desarranjado,
segundos, percalços, palavras que presumo.
Tinto, amarga ternura no sal de lágrimas;
talvez, anterior tão lógica desistência,
pela deselegância de qualquer aprumo.
Tempestivo gole de equívoco;
temperadas formas que me resumo.
André Café
terça-feira, 24 de setembro de 2019
Sonhos

Todos os sonhos do mundo,
como uma mensagem clichê de fim de ano,
palpitam nas últimas badaladas em meio peito.
Caberiam agora, neste solo fúnebre?
Venceriam, nestes términos tristes?
Alcançaram, ainda vivos, outra época,
que talvez desconheça a fina flor do mutualismo;
vagueiam, quiçá, atrás de uma canção solene, mas ao mesmo tempo, arrebatadora,
que possa ser um silvo para os gritos de um mundo outro, desabrochar de cinzas e metal;
mesmo que a secura inflame o peito
na vontade de não respirar.
A dor e o tempo, o caso e a solitude, remédio e o preço,
a febre e o laço, o sumo e vazio, o encalço e o espaço.
Para qual terra, para qual gente compartilhar este punhado maltrapilho de amanhã?
Cessa o pensar, no autômato andar, que podem sugerir o último silêncio ...
ou o começo do fim, no fim do começo.
André Café
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
Nunca só

Não cabe pensar só na distância,
mesmo que ela devore as horas de "sabência"
há de se ter serenidade,
nas inquietudes que correm pela vida.
No expresso só, mas nunca sozinho,
são várias talhas pelo caminho,
os ombros são o peso de cada irmandade,
carregada com orgulho nos altos e descidas.
Ferve o tempo, trazendo desafios,
um gole de café, ou o prumo do alambique,
pra que clarifique a mente e o organismo,
nunca só, sempre audível no pé da mente,
as força e camaradagem, dos que resistem ainda.
André Café e Glauco
sábado, 31 de agosto de 2019
Ali verve

Passos arrastados pelo vão do porém;
cacos pequenos trazidos a tona,
é só mais uma surpresa cotidiana,
no impulso de se dizer amém.
Segue o tracejado clamando sabedoria;
tatuadas rotas, na tez tacanha,
mesmo a resposta dada se acanha,
pois grita na veia o sorvo de poesia.
Risca e se imagina, letra após tempo;
mais marcas indesejadas em sorriso,
sóbria, pinga seco o regozijo,
esfarelando o alicerce firmamento.
André Café
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
Invencível
Um arrepio de chuva e sabor,
torpor, adormecido em sobressalto,
não esperava ver mais um amanhã,
montando a vida para o próximo ato.
Enquanto as criaturas que nos perseguem,
medo, dor, desesperança e sofrimento
orbitam no sono profundo,
vamos até a boca do mundo
olhar para o infinito em movimento
e catar bons punhados de coragem.
Tudo dela em explosão
mas a carne amua a ferida;
somos sós? Não neste lugar:
Há ênfase no cuidar;
na camaradagem despida,
existe arder de ousadia e paixão.
Um arrepio de chuva ao sabor
é sol e sal, pelos lábios tingidos
uma manhã de ferro e desafios
num lado a lado invencível.
André Café
Caleidoscópio
A clara tez, firmeza em luz;
furtiva ao tato, resiliente.
Ora beijo, ora nunca mais,
ora cais de porto, nau fugaz.
Intensa ao tango e vinho;
um sapateado e até breve.
Tão logo, tal longo caminho,
escondido em dose de carinho.
Enevoado em sombra e distância,
fluxo "me aperte" e "me condene".
Um passo a mais, sabor da dança,
é o pulso ardor de intemperança.
André Café
sábado, 3 de agosto de 2019
Par

Despedaço;
cada naco, num descompasso,
se ardis, cadafalso;
se feliz, desatado, desalinho, ao avesso
Só me teço em incerteza,
cada parte é arte e fim
miro os olhos, estremeço
em todo meu corpo, falta um traçado de mim
André Café







