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quinta-feira, 21 de março de 2013

Espetáculo urbano


O desfecho é bem conhecido por todos, individualizado apenas por algumas variáveis como o onde o quando e o como...
No mais bem que caberia um fundo musical adolescente do tipo Legião Urbana...ou de repente, até o hino nacional.
Eis o ridículo da tragédia humana! Ou seria a trágica da comédia humana? E lá se foi mais umas vítimas!
O cortejo foi veiculado por toda a imprensa, inclusive um bloco inteirinho no Jornal ...e assim mais um espetáculo cuja matéria é o sofrimento alheio.O sofrimento alheio?
Estava demorando! à esta altura o céu está mais alegre:Com os 230 estudantes de Santa Maria.
E assim a vida continua! O Brasil continua! e a Presidenta diz que nunca na estória deste país ...o Brasil teve tanto dinheiro! Poderia dizer também que nunca pagamos tantos impostos!!! Mas o que isso tem a ver, afinal, com o caso de Santa Maria ? E então o louco aqui agora passa a ser este cronista ...iniciante.
O engraçado é que centenas de casos como estes ocorrem todos os dias no Brasil, sem contar os casos aberrantes de pedofilia dos Padres, os professores espancados em sala de aula, a miséria no nordeste, a malária no norte, a prostituição nas BR’s, a guerrilha nas favelas...
Enfim sorte que temos uma programação de TV inteirinha pra nos alienar:o domingo legal que dá casas para os pobres ,a novela nossa de cada dia, o futebol sagrado de toda quarta, a grande família de toda quinta...só pra fincar em alguns exemplos.
Mas, meu caro, ninguém é de ferro então nada melhor que aquela cerveja gelada ou aquele churrasco!
E antes que eu esqueça meus pêsames à família de Fernada Lages! afinal alguém tem que levar isso à sério e não como mais um seriado da vida real,mais um reality show do tipo big brother ou “agora ou nunca”.alguém tem que se revoltar com a polícia incompetente, com a banalização da violência...e com a ignorância política do povo...
Falando nisso um detalhe em especial me chamou atenção no caso de Eloá:a fé da pessoas em deus! A senhora recebeu o coração de Eloá, em transplante, e atribuiu o fato à Deus. O irmão da vítima ao falar sobre o caso disse que Deus sabe o que faz. A mãe da vítima perdoa o assassino e diz acreditar na justiça de Deus. Deus! Deus! Deus! Será que as pessoas não vêem que Deus não tem nada a ver com isso ? É Impressionante como a resignação e a passividade religiosas entorpecem estes infelizes, quando na verdade a questão é meramente social!
Mas o fato é que a menina morreu e os coleguinhas aproveitaram pra matar aula.
O certo é que Eloá agora é apenas uma estatística e o povo aproveita pra encenar um pouco de compaixão hipócrita!
Por fim deixemos baixar a poeira de mais um espetáculo urbano como o foi o caso Daniela Perez,o caso Pimenta neves,o promotor Talys Ferri,o Champinha, a Suzane ...o caso da mala, e...como era mesmo o nome daquele caso?! até que finalmente vamos dormir de barriga cheia e cabeça vazia, atentos ao próximo espetáculo...da vida real.
Então deixo estes humildes questionamentos: Até quando vamos fingir que está tudo bem e reeleger políticos inescrupulosos? Até quando vamos preferir discutir futebol ou fórmula 1 à política ou sociologia? Até quando faremos das universidades passarela pra nosso pseudo - intelectualismo e pedantismo? Até quando vamos dar carinho aos gatos e aos cães e negar amor às crianças? Adeus, aos estudantes de Motos em Santa Maria!

Cicero Juão

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Clandestino



Sou um clandestino foragido em meu próprio país
Embora digam que sou livre e igual...
Mas também disseram que eu deveria me alistar...
E me reservaram cotas na universidade
Meus ancestrais vieram na 3ª classe de um navio mercante
E os outros foram dizimados pelos bandeirantes
Mas na escola me falaram em heróis e em abolição...
E me ensinaram a rezar e a cantar...
Nas prateleiras dos supermercados há tudo que “necessito”
Mas por ironia não posso comprar nada
Então o presidente diz que a economia cresce...
Ou manda soldados e alimentos para o Haiti.
Enquanto isso bala perdida na terra do carnaval
Fome e malária na terra do futebol
Apagão aéreo na terra do mensalão...
E tudo acaba em pizza no país da futebol.
Os outdoors parcelam sonhos em até 36 meses sem entrada
E a televisão me diz o que devo beber ou vestir...
E ainda por cima tenho que sorrir
Porque afinal de contas estou sendo filmado.
Na universidade sou comunista, existencialista, anarquista, "badernista"...
Meus professores afirmam que Marx está superado...
Tenho até alguns simpatizantes mas, ninguém quer se expor
Porque a moda é passar em concurso e ser burocrata
Sou livre pra ir e vir por todo território nacional
Mas não tenho dinheiro nem pro aluguel
Apenas algumas teorias e um velho ideal
E sei algumas canções de Bob Marley
Sou um clandestino e “inimigo” do Estado
E todo mundo diz que é inútil... lutar
E que meus heróis estão mortos ou... no poder
"E que é normal. O Mundo sempre foi assim"...
Aí eu gosto de ouvir uma velha canção tropical
E choro baixinho pra ninguém ouvir
E escrevo uns versos ou uma carta suicida
E chamo por minha mãe e por meu pai que estão distante...
Estou exilado em próprio quarto
Clandestino foragido em meu próprio país
A polícia está a minha procura! Ao meu encalço!
Rasga esta carta! Diz que não me conhece...
"Sou muito perigoso, porque sei de mais."

Cicero Juão

?



Oh! Amigo

Não perca o seu tempo
Julgando minhas teorias
Também não gaste suas palavras
Tentando me dissuadir...

Eu não preciso de seu amor ao próximo
E sua piedade me ofende!

Não me venha com teologias
E promessas de Deus...
Apenas
Dê-me o privilegio de ser estranho
De ser feio
De ser triste...
Apenas
Conceda-me a desgraça de ser EU
E tudo aquilo que implica
Sê-lo
(Clandestino)

Cicero Juão

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Vou guardar você...



Vou guardar você em meu álbum de fotografias
Ao lado da família e dos amigos...
Até que o tempo desbote teu sorriso
E te apague de vez de minha vida

Vou guardar você em uma caixa de sapatos
Onde jazem cartinhas de amor
E poemas inacabados
Guardarei você como se fosse um segredo

Vou guardar você em meu coração arrítmico
E então vou doá-lo
Mesmo faltando um pedaço
Ou
Talvez
Eu o venda a uma loja de usados

Vou guardar você dentro de um livro antigo
Que um dia vou reler
Afinal
E pode ser que eu entenda
Ao ler nas entrelinhas
Por que uma história tão linda
Não teve um final feliz........

Cicero Juão

Se



Oh! Amigo

Não perca o seu tempo
Julgando minhas teorias
Também não gaste suas palavras
Tentando me dissuadir...

Eu não preciso de seu amor ao próximo
E sua piedade me ofende!

Não me venha com teologias
E promessas de Deus...
Apenas
Dê-me o privilegio de ser estranho
De ser feio
De ser triste...
Apenas
Conceda-me a desgraça de ser EU
E tudo aquilo que implica
Sê-lo
(Clandestino)

Cicero Juão

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Você quer vir comigo?



Em meio ao caos me faço algumas perguntas
E em uma vertigem nauseabunda vomito porquês:

Toda Miséria e Fome do Mundo, por quê?

Todas as Guerras e Racismo, por quê?

Toda Riqueza e Poder concentrados, por quê?

Não consigo definir uma resposta
Não consigo sequer chorar
É que isso tudo é por de mais banal
E perdi a capacidade do pranto

Tento fugir ao suicídio gratuito
Mas eles estão por toda parte
(Corpos decaptados vão ao salão de beleza)

O mundo está cheio de pobres alienados
E intelectuais arrogantes cuspindo suas teorias
E eu estou perdido em meio à massa
Clandestino

E tudo que me permitem são uns versos sem estilo
Onde vomito indigestos porquês
E enquanto a burguesia vai ao shopping de carro importado
Eu vou a pé
De encontro ao meu destino.

Cicero Juão

Metamorfose



Sou uma metamorfose de mim mesmo
Vivendo um passado presente
Manifesto em minha indiferente mudez gritante

Sou o primogênito único descendente
Herdeiro absoluto
Das terras ao norte longínquo de algum lugar
Que meu pai nunca teve

Sou da tribo dos poetas profetas
Mensageiros do velho evangelho
E canto em versos e versículos
O inverso da metáfora apocalíptica do juízo final

Eu sou a lúcida loucura
Herói condenado ao remoto esquecimento
Apenas lembrado como mártir
Da República utópica dos escravos da liberdade

Cicero Juão

PATRI(DI)OTISMO



Como amar este país
Que por 400 anos escravizou meus avós
E dizimou meus ancestrais?

Como amar este país que me negou educação e dignidade
E me relegou aos subterfúgios de uma história sem heróis?

Como posso me orgulhar deste país
que usurpou o torrão de terra
Onde meus pais cultivariam seus sonhos?

Como posso amar este país
que calou Herzog
e amordaçou para sempre o tupi-guarani?

Como posso me orgulhar deste país
Que não tem orgulho de sua própria história
E a maquia nas entrelinhas do discurso oficial
E na hipocrisia verdamarela?

Então como amar este país
Que ignorou os estudantes e os marginais
E deu voz de prisão aos cidadãos?

Portanto
senhores
não amo este país
E não cantarei uma sílaba sequer desta musa aleijada
Porque a minha pátria
É a minha pele

Cicero Juão

Vago



Vago
vago muito
Muito vago
Vago

Vago
Vago devagar
Vago de vagar
Vago

Vago
Vago por vagar
Por vagar vago
Vago

Vago
Vago cada vez mais
Cada vez mais vago
Vago
Vago
Vago
......

Cicero Juão

sábado, 26 de janeiro de 2013

O condenado



Qual prometeu no topo de um rochedo
Acorrentado, abandonado à sorte
Eu também sinto o cheirinho da morte
E tenho medo. Tenho muito medo

Todas as noites o fartum azedo
Da incerteza abre novo corte
E sangro e sofro e tenho muito medo
Do abutre negro e da negra morte

Todas as noites de melancolia
Antes do sono rabisco um poema
Como quem reza uma ave-maria

É a minha vida!é o meu legado
Nas entrelinhas duma elegia
O epitáfio de um condenado...

Cicero Juão

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Medo



Dentro de mim uma dor me dilacera
O peito. e me atormenta. E me devora...
Como se os dentes de uma besta-fera
Mastigassem meu corpo à toda hora

E a coitadinha de minh’alma chora
De medo. E estremece. E se exaspera...
Aí emudeço como quem espera
O último instante da última hora...

Fecho os olhos então ante o lampejo
Que me cega. De tão claro! De tão forte!
Então me arrepio do que vejo:

Letras negras prevendo minha sorte
Um clarão antevendo meu cortejo
E meus filhos chorando minha morte

Cicero Juão

Castigo



Quando a morte bater à minha porta
Vai encontrar-me deveras vencido
Porque da forma como hei vivido
Desde muito sou matéria morta

A minha vida é uma estrada torta
Cheia de atalhos onde andei perdido
E hoje sozinho e combalido
Somente o passamento me conforta

Vivi rodeado de luxúria
Tive dinheiro, mulheres, vaidade.
E hoje apodreço na penúria

Vou morrer triste. Muito triste. Triste...
Amargando o pior vinho que existe
“nunca ter sido amado de verdade”

Cicero Juão

Os meus versos ...



Os meus versos são o meu legado à humanidade
Filos sob a mira de fuzis
E sob o faro de cães...
Por isso são fortes como o povo nas ruas
Porque foram forjados com o metal das flores

Os meus versos são minha carta suicida
Também são feitos de morte
Meus versos
Cheiram a sangue coalhado no chão do quarto
E sangram como pulsos cortados...
Filos como se fossem os últimos

Os meus versos são o meu repúdio à humanidade
É o meu protesto ao falso moralismo e ao falso progresso...
Roubei-os de livros proibidos queimados na fogueira
Cheiram a vômito e a excremento

Os meus versos são minha declaração de amor à humanidade
São a prova irrefutável do quanto amei...
Filos com suor e sêmen...
E tudo o que há de mais terno...
Depois o traduzi para todas as línguas...
E o dedico a todos os amantes...

Cicero Juão