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domingo, 19 de agosto de 2012
Em dia da chegada de amigo de onde as coisas correm eternas.
Tem gente que chama mundo das idéias, uns acham que é outra casa.
Apesar da partida vem de visita e também, igual ao dia em que se mudou, hoje serenou saudade.
Chove também dentro da gente mas a chuva também faz flor brotar e nem o mar de saudade avança por que hoje vem em forma de amor e lembrança.
De cada amizade, presente doado, juntos vai ser como estar com o amigo lado a lado.
p/ Victor Marchel.
Flora Fernandes
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Oração de guarda forte
Mandinga forte não pega em mim, meu pai protege, ele quis assim.
Meu santo é forte, entende de vida e de morte e traz a sorte que os anjos sopram dizendo amén.
O caminho do bem não tem atalho, se falho a fé levanta.
Praga rogar, inimigo, - não adianta! - que o som do pensamento firme não existe mal que entorte
É seguindo a melodia do amor que cada dia eu fico mais forte!
Flora Fernandes
quinta-feira, 26 de julho de 2012
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
saudade é um bichinho que a gente alimenta com memória. Pode começar bem pequena e fofinha, arranhando as portas e mordendo as pernas das cadeiras. Cabe no colo e faz um barulhinho quando dorme. A distância as vezes faz crescer, não importa de que tipo e se está longe ou perto, quando a saudade está com fome também come distância. O alimento é justamente a maior fonte de cuidado porque saudade alimentada com medo ou tristeza pode arranhar, morder ou engolir o dono. Ser engolido de saudade é angústia. Quando bem alimentada, no entanto, cresce, coloca no colo e aconchega pra dormir. De tão vistosa as vezes parece deixar de ser ausência e se tornar companhia e presença. A minha saudade é o que me liga ao que me faz lacuna. A minha saudade não é um vazio e sim uma presença que embala.
Flora Fernandes
15.08.11
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Prosa a favor de blocos de anotação
tenho uma caixa de pensamentos, e é o que realmente possuo. guardo tudo. tudo mesmo. palavras.passado.males. caramelo.arte.dor.e o tudo acumula. aguardando até cair ao final, no esquecimento. pra que tanta memória?
Flora Fernandes
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
E no meio do caminho
Enxergar o óbvio deveria ser como descalçar sapato trocado, tirar roupa apertada, cisco do olho.
Queria que o óbvio caisse bem nas minhas mãos com surpresa, mesmo com a surpresa de uma topada. Com a unha arrancada, mesmo assim, eu não iria reclamar - eu digo, não iria reclamar muito...
Mas, o óbvio é o mais difícil de ser ver, eu não vejo.
Tropeçar no óbvio deve mesmo parecer com tropeção em pedra - você fica meio quase caindo, ou cai, e xinga alto-sonoro por que não viu antes - tem que xingar, faz parte! A pedra bem ali, do seu lado e você não viu. A maldita pedra lá o tempo todo.
Dia desses eu tropecei numa, dessas que alguém ou providencia divina largou por ai. Conversei com ela e tudo, achando que era óbvia, mas era uma pedra, e só.
No meio do caminho tinha uma pedra, e era óbvio que eu iria topar, fiquei com o dedo sangrando nada das revelações.
Guardei a pedra no bolso, sei lá, vai que preciso pra jogar em cachorro ou ela resolve falar.
(Flora Fernandes)
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Das reuniões sem convite nem data
Mordam-se discursos e notas musicais, engasguem! Silêncio é o único privilégio egoísta direito universal. Na droga do silêncio, que é universo, cabe tudo. Ele te salva quando não há como falar, não há mais o que falar. Pede preço, sim, por que tudo tem - uma alma em troca, pode ser a sua ou não. Ele não decide se é vilão ou mocinho.
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Por trás das caras torcidas,pintadas, queimadas, botoxizadas e duras de sol, de sal ou de fel, lá está, roendo a pobre da alma - coitada! Tanto aproveita todas as situações, fica com quase todas as fatias das entrelinhas por onde o verbo costuma passar. Palavras são rótulos tão pequenos que não abarcam tudo, aliás, abarcam quase nada.
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Mas, chegará o dia que as caras torcidas, queimadas, botoxizadas e duras de sol, de sal ou de fel, com o silêncio escondido roendo a pobre da alma - coitada!, sentirão um tremor mandado pelos pelos pés e logo sairão à praça.
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Caindo máscaras no chão, os não-falantes-desmascarados - mãos dadas - gritarão todo o silêncio que tem e arrastarão todas as mágoas e louvarão todos os amores, amaldiçoarão todos os amores, consciências pesadas, alma trapo, com risos e chistes e soluços presos e as letras de um serão as letras de todos, e a minha dor será a tua dor, até que o silêncio volte a ficar mudo.
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Logo as caras voltarão ao lugar de origem, por fim!
e o silêncio temendo os tremores nos pés.
(Flora Fernandes)
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Do por vir
quem não fala está sem palavras
sementes de pouco tempo e casca dura
de uma ou duas nasce um jardim...
inseticida pras elipses cheias de espinho
(Flora Fernandes)
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Do exílio

Passei um tempo fora, no ostracismo.
Fui, deixei tudo suspenso, amarrado com
um cordão só pra ver o que se aguentava.
levei pouca coisa, pra não pesar, ficar fácil guardar
- escova de dentes, três mudas de roupa mas nenhuma foto.
Lembrei das coisas de cabeça, as vezes de coração.
Estive longe, saudade só eu sei.
Construi minha casa com as próprias mãos,
provisória e precária sem ser humano, sem ser humana.
Tudo o que doeu sei agora a quem pertence.
Se chegar e estiver quebrado e tiver jeito mando arrumar,
boletim de ocorrência se roubado e carta de adeus se também tiver partido.
Eu tou voltando, pra pegar o que é meu, tirar o pó do chão, arrumar a bagunça. Fazer festa!
(Flora Fernandes)
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