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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Rios Secos suspensos no mundo do Ar VIII

Rios de palavras, 1987. Acrílica sobre lona, Leonilson

Infiltrada em minhas veias
corre solta sem licença
ora fala de receio
e até do que é alheio
sem saber toda sabença

E circula provocando
dando vida aos meus medos
mas também às alegrias
daquilo que se anuncia
pela língua dos meus dedos

É do meu ser um pertence
que jamais me pertenceu
se provoca sobre mim
sobre meu não e meu sim
mas o dono não sou eu

Te respiro gota d'água
tu preenche o meu viver
entre letras se aciona
faz chorar e emociona
poesia, que bom te ter

André Café

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Rios secos suspensos no mundo do Ar VII


Conta o conto deste mundo
nada além do bem sem mal
era um tempo assim profundo
muito mais que o absurdo
de qualquer sonho banal

Plantas multicoloridas
vidas pra onde quer que eu vá
ares, flores aquecidas
fontes bem abastecidas
de essência de xixá

Pássaro de quatro asas
louva-a-Deus de proteção
peixe vive fora d'água
cada bicho tem sua casa
com mureta e portão

Estas fontes sem textura
são suspensos rios secos
no mundo do ar, criatura
que gera tudo em ternura
das psicodelias achadas em becos

André Café

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Rios secos suspensos no mundo do ar - VI


O fervor do clareado
chamando pra mais um dia
em cápsulas de nostalgia,
café com pão e manteiga

E eu e dois e cinco
no corre a caminho do trem
pega mochila, aperta cinto
recria o desesperado

É turvo, é cinza, é cobre
disforme, quadrado, losango
zumbido do olho fitado
nervado de anestesia

Para, põe, pulmão, viga
intervalo, entre vala, valhacouto
viga, pulmão, põe, para
o ardor do encerrado

No piso que me aciona
a vida passa sem sentir
não tenho o que me emociona
procuro não me atingir

e seguir, seguir, s

                             e

                                 g

                                     u

                                         i

                                             r

André Café

terça-feira, 12 de junho de 2012

Rios secos suspensos no mundo do ar V


O riso num surto sumiu
nesta lágrima que cai sem pensar
teoria aqui não serviu
pôs o homem no posto servil
descaminho insólito pesar

Leveza da lembrança doce
apagada em voracidade
não tinha razão que cessasse
a ca minuto encera-se
a tácita fúria saudade

De quê e por que não se sabe?
chorou como se o olho piscasse
invadido no fio do desabe
nada tinha para o acabe
com a dor, foi feito enlace

André Café

terça-feira, 15 de maio de 2012

Rios secos suspensos no mundo do ar IV


No traço do lápis em risco
se escreve sobre mil mundos
aquilo que era rabisco
na mente feito chuvisco
é arte em poucos segundos

Poeta de letras e sons
extrai suas inquietudes
explode em diversos tons
azuis, verdes e marrons
do amor ao humano rude

As páginas parecem chorar
nos versos de tantas histórias
daquilo que ficou pra lá
ou ainda do que será
alimento para memória

No fim, se é que acabou
suspenso, o poeta some
pra vida, não se calou
o nada, se tranformou
reflexos do bicho homem

André Café

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Rios secos suspensos no mundo do ar III


A luz de longe vinha
em corres delirantes
parece que advinha
o meado de linha
dos fatos conflitantes

Pois dia amanhece
num ritmo danado
o Sol ligeiro aquece
e tudo estremece
no corpo alimentado

É água que reanima
purifica e acalma
a luz que me ilumina
se faz adrenalina
pra fome da minh' alma

O calor requentou tudo
vem o dia sorrateiro
mas por nada fico mudo
lumiado de absurdo
sigo a vida mandingueiro

André Café

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Rios secos suspensos no mundo do ar - II


Corrente de água mesmo sendo doce
trouxe uma pitada serena de sal
e aquela gostinho é como se fosse
o rio chorando pelo natural

mergulho pra ver o que acontece
no fundo, surpresa, nem acredito
sirena no pranto que lhe estremece
visagem aquela que só era mito

mas ela chorosa e os peixes de lado
parece que ouço o que vão dizer
não chore sereia pelo estrelado
é longe um bucado não poderá ter

a linda criatura tristonha olhava
pro céu alumiado pela estrela
olhava, sorria e já suspirava
porque nunca poderia tê-la

foi quando me viu, no susto nadei
e de uma só vez sai do riachinho
mas ela seguiu as braçadas que dei
e logo me viu beirado no ninho

me diga seu moço como fazer
aquilo que brilha, lá bem no alto
quero uma só, pra poder ver
se é falso ou verdade, se é brilho de fato

olha sereia vou lhe falar
aquilo lá longe já está bem aqui
você pode ver nas estrelas do mar
nos pés de juá e nos pés de oiti

o brilho de pérola dos animais
nas coisas das águas e tudo na terra
o mundo é criado por forças astrais
o brilho de tudo nunca se encerra

não viu o que brilha de longe a sereia
mas riu e acenou antes de seu mergulho
deseja e admira a coisa alheia
mas daquilo que tem, também tem orgulho

André Café

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Rios secos suspensos no mundo do Ar - I


Nos cabelos dos raios de sol, o dia floresceu

na pétala pálida, semblante de tristeza

alimenta as abelhas com nécta de sua beleza

o orvalho na amanhecença da flor escorreu


Um voo com maestria, pairou no ar o beija flor

avistando a flor tristinha, fazendo trança no cabelo

enxugou suas lagrimas e a felicidade fez um apelo:

'venha de onde estiver nas rimas de um cantador'


As tuas tristezas já não quero mais ve-las

levanta a cabeça e te presentearei com

Vestido de nuvens bordados de estrelas


E quando triste tiveres e pra baixo olhar

Montada na garupa de um cometa

Voando alto com os seus sonhos vai estar


(MarcoFoyce)