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quinta-feira, 21 de março de 2013
De profundi clamavi
Salvar os maus escritos da feroz ação do tempo.
Não há mais palavras onde a terra
não banhou-se de luminosidade e lágrimas...
Uma dor circunflexa
curva as horas
em derredor.
Não há silêncio
Ataviado
por falsas flores
caiadas por medo,
furor distinto,
gravidade maior.
Não há...
Alma perdida,
De profundis clamavi!
E a frase retumba e
se adensa.
O sol é parco,
O calor precário,
A noite imensa!
E não há tênues linhas nas congruências da dor.
A mão e a esferográfica e
o verso
prosseguem rumo à posteridade,
pútridos e pós-modernos.
Inefável Maldito
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Um poema antigo ...
A Musa no Circo do Palhaço Triste
Com mãos de malabarista
Pegaste o tempo para teus malabares
(O tempo deixou-se levar...)
Equilibraste todo o espetáculo
E quando irrompeu-se o trapézio
Acrobatas e animais
desenvolviam a melhor das
performances...
(O domador decidiu ser platéia)
Nem mesmo o Ilusionista
acreditou na inefável contemplação do
respeitável público.
(As luzes voltaram-se para o
centro do Picadeiro)
E com sensibilidade de bailarina
que contorcia-se enamorada
A Musa,
misto de versos e espetáculos,
foi ao palhaço
– que soube fazer rir mas não aprendeu –
e enxugando-lhe a lágrima que
escapara de seu coração palhaço!
entregou-lhe
seu riso de bailarina...
Uma dança foi então concebida!
Eles dançaram até o fim das matinês e marmeladas
e todo o respeitável público pode
chorar risos de bailarina,
lágrimas de Palhaço
– apenas o poeta não assistiu ao espetáculo.
Inefável Maldito
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
De um lado
De um lado, um tipo médico – daqueles que seu nome é “CIÊNCIA SOBRE TODAS AS COISAS” (e sobre ele próprio, é claro) –; e ao seu lado um suicida. Eles estão de pé, no terraço de um prédio de oito andares e olham lá pra baixo. O suicida vê o ar entre seus olhos e o chão e sabe que dali até lá poderá sonhar um bocado sem prestar contas a ninguém. O médico olha seu telefone celular e liga para o legista.
Inefável Maldito
domingo, 19 de agosto de 2012
Os rios II
I
Bonito ver como estes versos aos poucos vão me matando...
II
Mas se chove,
vou poder chorar sorrindo
se não há outra maneira de chorar.
III
A pior das dúvidas
é quando se perde a rima, o ritmo, a história, o século...
e não se sabe onde começará o próximo
verso.
IV
Vaga vaga vida
Vaga vaga vaga
Vaga vento vaga
Vaga vento nada
Vaga.
V
E lembre-se...
Jamais perder o verso
aquele!
molhado de chuva...
VI
Devo de ir chorar em paz
Mas...
por que não em sono?
VII
Os pulsos ainda revelarão um rio...
Pedro Sena
MÚSICA II
Um dia,
tocarei todas as árias de meu destino.
Baladas desta vida descuidada.
Acalentos de um sonho imenso.
Nem mais as horas descuradas,
Apenas o vento que não se conquista mais...
Rumores de minha antologia
– A varanda de meus versos quer ser fresca e cálida.
Tocarei meu destino ao violão
Tendo a chuva a solar.
Pedro Sena
quinta-feira, 19 de julho de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
O que o cu tem a ver com as calças V
O medo e a contramão
(o que o cu tem a ver com as calças V)
O lápis e o motivo partem
do mesmo princípio...
Cascalho,
pó,
galhos e só...
E o desejo aumenta.
Sem sentido e contramão
Ou tem-se medo da cidade
ou tem-se boca para devorá-la.
- Ao inferno todas as vísceras digestórias!
E se aumenta meu desejo:
Atropelar todos os carros...
Quem tem cu tem medo
e vai ter gente comendo
bosta.
Salvador, Biblioteca-dos-sem-livros, 09 de abril de 2012
Inefável maldito
quarta-feira, 16 de maio de 2012
O QUE O CU TEM A VER COM AS CALÇAS III
Depois que inventaram o mal-estar
(o que o cu tem a ver com as calças III)
É assim...
A gente vem do Sertão
com sua intensidade, ao seu modo, suas brenhas...
Mas aí vem a cidade,
força sua intensidade, sem modos e embrenha...
Termino deslocado
Contrariado de meu lugar-comum
Preterido do refugo da humanidade.
(E abre-se o parêntese para os cassetetes
saírem das bundas em reverência ao desprazer.
Pedro Sena
quinta-feira, 3 de maio de 2012
CAOS, CANÇÃO E RIMA
Caos, Canção e Rima
De ilusões assediosas
e ritmos desreconexos
se faz o cenário
dos concretos
metálicos
e a FUMAÇA-neblina
artificial para
a montagem paralela da
ficção
sem palavra eloqüente
que lhe faça
distinção...
O caos
penetra os olhos do
poeta
atravessa por entre
sinapses
e vai arrancar-lhe o
sossego
que a história literária
teima em garantir
antes
o verso
amante
do reverso
O Universo
foi deslocado da
possível contradição
enquanto isso...
O sertão providencia as condições
para que se cumpra a
profecia
quedadas as fronteiras:
sertão
e mar,
mar
e sertão,
cantiga
bonita,
do
meu coração...
... e no Congresso
aplaudem
a rima...
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Adéga do Entressono
Os pesadelos atormentam
para que se possa viver bem
durante o dia
– Carpe Diem, é a expressão –
De tão fechada,
a alma abre janelas
intransponíveis.
Do extremo ao externo
Sempre fundo e reto.
Não há estradas onde eu
não tenha passado
E nem precisarei me fazer ferir
de todas as lâminas...
Agora...
vai equilibrar rochas...
em toda atitude menor,
metafísica...
Pedro Sena
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Abstinência e manifestações (o que o cu tem a ver com as calças II)
Senti uma forte dor no abdômen
E acho que era na barriga.
Estranho...
A dor que me ocorria parecia vir do fígado!...
Ah!
o poema saiu sem ritmo
e todos os bares da vida haviam se fechado
Correram os da revolução,
aqueles da primavera e de umas outras estações
Explodiram de manifestações!
as ruas e os becos-dos-prazeres
as bocas-seminuas e as despidas-de-poderes
Excomungados,
saíram guardas e policiais
militares e o exército-maior em caminhada para
conter a manifestação!
De uniforme despidos
De cabeças coronhadas
E cassetetes na bunda.
Pedro Sena
Sossegado
O gás-lacrimogênio, a bomba-neurótica e a puta-que-pariu...
Não dá pra ficar sossegado.
O hálito dos alvoroços,
As baforadas de combustíveis fósseis.
E me querem ainda sossegado.
E as profecias do fim-do-mundo (fim-de-quê?)...
O melhor mesmo é ter cólica menstrual!
O “foda-se quem puder!”,
O jegue na praia...
- Tá tudo conforme o plebiscito do inferno...
E não dá pra falar em civilização, tecnologia, globalização,
Bebidas não-alcoólicas e não ficar angustiado...
E gás-lacrimogênio, E bomba-neurótica, E falta de conceito
E gás-hilariante,
E a bunda do Congresso.
Pedro Sena
De ambigüidade se fazem todos os segundos do mundo
Preciso de um segundo irreverente
Não que eu não tenha momentos irreverentes, mas,
acontece que fui o primeiro...
Pedro Sena
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
DO AMOR E DA METÁFORA BARATA
Vou dizer que o medo que tem
Queimando a história dos dias
inversos
Os desleais foram passados.
E a pergunta densa...
- Agente se vai sem saber que amou.
Esses olhos são imencionáveis.
O sertão das muitas voltas
E o vazio de todas as vielas
Sem segredar,
o desafio se confunde.
Medo do medo
Muitas vezes...
- Agente se vai sem ter amado.
A folha se desprende
Do caderno da memória
Da árvore do coração...
Da metáfora barata!
Algumas vezes...
- A gente se vai porque amou.
Pedro Sena
Uma noite na vida
Transporto-me para uma
tarde de domingo
O vento arrasta os maus sentidos
(os maus presságios são adorno
do espaço entre-prédios, carros e
efeito estufa).
Ufa!
Foi um pássaro não supersônico.
Você.
O outro.
Aquele.
Deita-se no colo da menina
Canta baladas ao violão
Beija-lhe o sonho...
Ah! e usa norma-culta.
O céu é mesmo impregnado
de incerteza e vaguidade.
A fila de automóveis para o espaço
contempla a miséria
carrega a bossa-nova
ao som metálico da guitarra
- Muito prazer senhora elétrica...
Volto à noite fatídica
Esta entre livros acadêmicos
e canções digitalizadas
“O trabalho é para amanhã...”
Meu relacionamento conjugal com a prosa?
A mim pouco importa agora
sou mau ultra-romântico?
e quem se revira no túmulo
é porque prossegue acreditando
na vida eterna!
Quebro
a caneta
o lápis
o papel
- Escritor,
darás mesmo
ponto final a
esta noite?
Salvador, Vão da biblioteca dos sem livros, 13 de dezembro de 2011.
Pedro Sena
Aos bons de rima...
Confissão e manhas do menino mimado
Está bem!
Não sirvo mais para trovas, sonetos e redondilhas
Sou poeta degredado.
Tiram-me a rima
Quebram-me a métrica
E quando sei que nada disso tive...
O deslocado é bem maior.
(Caio no mundo
Sei até rimar
– Não é Raimundo?
Sei até chorar...
Essa vida é mesmo ardente
Ares de controvérsia
À guisa de misto quente.
Regrado a cravo e canela
Poeira, tambor e arrastão:
Palavras desconexas
para
fim-de-coisa-alguma!
e eu prometo no fim do ano
do engano
da partida
!fechar meu parêntese maior...
Pedro Sena
A festa no país
Ah pobres fanáticos, faltam-lhes fonética
onde tudo que há de novo vem a ser uníssono!
Bebem das ignorâncias dos mundos alheios.
Furtam a miséria dos cofres públicos.
Loucos, são, porém, os funestos e torpes documentos .
Podre burocracia.
Insensato conceito.
Doce ilusão dos que não possuem intolerância existencial.
Se ao acaso em política falam,
Se ao acaso política não é feita.
Desfeitas serão as horas do tormento.
Das ceifadas alegrias.
Dos lamentos.
(Enquanto isso,
Muito se paga pelo pouco que se pondera.)
Se paga, se pondera, se paga, se pondera, se paga...
Pedro Sena
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
O ato inesperado
Minha mente,
Estrela estática no misterioso ato
de não escrever.
Um portifólio na memória:
Espelhos nostálgicos de sinistros instantes.
***
Em melodias, a alma transcende.
A musa da canção,
Chega a negar o ato
De não pertencer a afagos...
Por ser bela demais.
Por ser triste demais.
Por não lhe ser conveniente...
(Pausa e cólera).
E quem falou em conveniência?
São fios de fraternidade
Em meio a rosas, letras e acordes.
(Pausa e suspiro).
***
Não me concedas a paz.
Por meio de gestos e mecanismos.
Um mundo tão comum
Lhe é suficiente.
Dá-me porém teu silêncio.
Mas dá-me apenas quando
as flores eclodirem na primavera.
Quando o último vento frio,
A última das tempestades.
O canto da beleza invernal,
Sussurrar ao poeta merecedor:
- É hora de descansar.
***
As cortinas abriram-se.
A terceira cortina abriu-se.
Nada de ensaios.
Trancados os bastidores:
Luas ancestrais.
Estradas interditadas.
Epílogos vitais.
***
Sem aplausos.
Aplauso!
***
A platéia dorme.
As ruas neblinaram-se.
Um,
Dois ...
Pedro Sena
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