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sexta-feira, 24 de junho de 2016
Momento zero III
Estava a nossa frente Sofia, aquela que em vida, era a filha do Duque. Mais velha, mais forte, com a expressão marcada por um senso de disciplina, determinação e vigor. Embora seus olhos ainda demonstrassem aquela vontade de devorar o mundo. Aquela garotinha que era a representação da bondade, do bem real da Terra, viu o mundo e suas distorções, suas opressões em segundos. Duque mais uma vez em silêncio, embora fitasse sua filha concentradamente. Antes que eu pudesse quebrar a fala, Sofia se antecipará.
- Sim, Duque de Copas. Esta é quem era sua filha. A distorção do espaço e do tempo fez com que alguns anos passassem. A saída de Satan, que aconteceu aos nossos olhos, não aconteceu em poucos minutos, já se passaram anos, eras. Sua mente irá proporcionar tudo que você deu continuidade neste lugar, tudo o que você reproduziu e representa. E é por isso que essa insurreição de massas está aqui. Para por um fim nisso tudo. (...) Eu tinha compreensão na Terra do significado de minha essência, ou como descreveu Metatron, a expressão do bem da Terra. Mas essa alcunha está equivocada. O que chamam de bem, poderia ser muito melhor descrito como sentimento de justiça e de liberdade para o mundo. De certo que um tanto mais jovem, criança, com uma redoma de males e sangue me guardando, eu não tinha argumentos suficientes para questionar a ordem, o meu destino em nobreza, o mundo. Para cá fui enviada, ainda com a sensação de originalidade, como peça única. Qual não foi minha surpresa ao saber que tantas pessoas também carregavam essa vontade de construir um outro mundo. E olha no que refletiu nossas ações silenciosas e organizadoras. Estamos aqui a frente de Cocytus, para queda deste sistema.
- Você está bem falante Sofia de Copas ...
- Meu nome é Sofia de Spem. Não carrego a alcunha de quem tem o privilégio-mor desse sistema.
- Pois bem, Sofia Spem. E também nobre pensador. As lembranças desses 20 anos estão fluindo, embora tenhamos dados dois ou três passos nas escadarias do templo, vendo Satan e Metatron partirem. É um tanto cômico, um tanto perturbador lembrar de feitos que você não pode vivenciar. Quisera muito vivenciá-los, pois era exatamente dessa forma que eu seguiria a regência do Inferno. Realmente você não sabe Sofia, mas desde seu desenvolvimento, de sua capacidade quase como numa aura de transformar a realidade ao seu redor, já tinha ideia do que você representava e por isso mesmo mantive você sobre as rédeas dos muros de nosso palácio. Como o mundo iria lidar com tal conhecimento? Ora, bastava o que existia, nobre, humanos imundos, guerra e sangue. Não seria permitido para a humanidade ter outro destino. De lá eu já me sentia o senhor do Inferno, julgador de toda a raça putrefata que habitava feito praga o planeta. Nada mais sábio, nada mais lógico e correto está onde estou agora e conduzir estas pradarias com este sistema. Nenhum levante capenga será capaz de retroceder meu progresso.
Duque parecia não enxergar. Vociferava suas lamúrias e ofensas para Sofia, que mirava com desdém cada gesto ou palavra. A cegueira também dava conta do resultado do combate. Era visível quem irá triunfar. Por mais desgastados, mutilados e semi-mortos que pudessem parecer, toda trupe de humanos se revestiu da certeza da vitória, e lutavam com afinco e força esmagadora, derrotando tanto os humanos que se colocavam a favor do inferno, quanto as mais colossais aberrações demoníacas. Era uma questão de tempo. A massa tinha se organizado e se municiado bem para a ocasião. Até mesmo a distorção do espaço e do tempo fora estudada e bem utilizada para se escolher um momento exato. O sistema não era tão assim seguro e perfeito. Saberia Satan desses caminhos? Cada vez mais novas dúvidas surgiam. Meus pensamentos foram interrompidos pelo diálogo entre ex-pai e ex-filha.
- Não há motivo para continuar ouvindo ou especulando por uma rendição que não vai acontecer. Eu vim aqui para me certificar de que nada deve ser salvo, tudo deve ser eliminado para que possamos construir uma outra realidade. As proporções territoriais daqui são as mesmas da Terra. E aqui será o nosso lugar, o nosso novo lugar. E não há nada que possa ser feito pra mudar os rumos dessa história. Adeus.
- Não há tempo nem para um pequeno jogo de cartas Sofia? Observemos o resultado do jogo, enquanto jogamos este que com certeza será o último carteado entre a gente.
- Ora, acredita que irei suscitar a mesma história que Satan fazia por aqui. Desista, nada irá mudar o que está vindo.
- Nobre pensador! O que me diz disso tudo? Qual o caminho pra outras possibilidades?
- Creio eu, caro Duque, que chegamos no instante do caminho que não há retorno; estamos na fase irreversível de uma reação química. O que tiver de ser agora, será. Seu maior equívoco, penso, foi em não manter a sabedoria, o cuidado que era tão característico de sua personalidade. Ao alimentar-se do poderio do ser demônio, perder toda sua sagacidade e agiu com limitação, requentando velhas práticas. Um ponto isso iria estourar. Sinto muito.
- É verdade o que você fala Sócrates. E por isso ...
- Duque agarrou-se a Sofia e lançou-se para o meio do adro de Cocytus, exatamente o lugar do portal, que permanecia ativo (...) e nele sumiram ...
Poucos minutos, mais de 20 anos. No total, perde a noção de quanto havia passado. De tantos jogos que se sucederam, entre goles, convites no tempo e história para um chá de gengibre e coca. Meus escritos naquele lugar tinham chegado ao fim. Não um fim, finalista e encerrador de ideias. Mas tudo que poderia observar já havia sido documentado, refletido, absorvido. A condição humana de existência não pode ser estabelecida e vinculada com a própria auto-destruição. De certo que existem castas grupos que assim tocam os destinos. Consideravelmente quem está acima de um sistema hierarquizado. Onde morrem e sofrem gerações de pobres almas; muitas vezes sem pestanejar na caminhada burra; muitas vezes guerreando e se destruindo entre si. Tudo isso mantendo um grande Leviatã, o mesmo culpado maior de toda estrutura opressora estabelecida. Mas a condição humana não se apregoa, nem genericamente, nem especificamente a isso. A grande história está retalhada de resistência e de vontade de viver em harmonia. Em nenhum momento, infelizmente, todo sistema foi abarcado de tal forma que caísse em escombros irreversíveis. Mas não distante esse caminho parecia-me. E de fato, lá estava eu testemunhando o que observara. Por muito tempo a misantropia era pra mim uma certeza irresoluta. Conceito refletido a partir da solidariedade e vontade de viver em um outro mundo verdadeiramente justo. Acabava minha estadia no Inferno. Os soldados já passavam sobre as escadarias de Giudecca. Sentei na velha cadeira que tantas vezes me provocou esperas homéricas. Um gole de chá, um suspiro profundo e uma certeza. Há outros mundos e minha sede de saber nunca se cessará. (...)
Uma semana? Uma hora havia se passado? Ou quem sabe 100 anos? O sistema ruirá, conselhos se formaram, para todos os lados ajuda e coletividade. Caminhei para o adro de Cocytus. E lá mergulhei para o infinito.
Sócrates
terça-feira, 21 de junho de 2016
Momento zero II
A luz intensa, os pés descalços no frio inverno eterno do inferno. As massas energizadas, resolutas, adelante. Metatron trocava palavras suaves com Satan.
- Então você não tinha ideia que isso aconteceria Satan? O que diabos você estava fazendo aqui esse tempo todo? Comete um erro banal como esse! Nosso plano não funcionará pois nós não sairemos daqui.
- Metatron você está assim tão ansioso? Tão temeroso que não conseguiremos dar conta de Deus e seus asseclas? Acredita mesmo que o nosso maior problema é lidar com essa massa bestial? Como disse ao nobre pensador, sabia sim de pequenas reuniões. Sei da presença enorme de agitadores que cá estão por eras a fio, sem palavrear ou discursar, apenas saboreando o limite da dor e agonia, desejando morrer, mas já estando mortos. Cada castigo imputado a mais era a precaução para que não houvesse possibilidade de falhas como esta.
- E então ao que você atribui isso? Estão organizados. Com armas rudimentares, tochas de fogo, um semblante desbravador e de irreversibilidade. O que você não fez que permitiu a leva desses moribundos se articular e se colocar diante de nós com tamanha energia?
Satan, um ser que jamais compreendi, ou talvez o entendera por demais. Ele torna a simplicidade complexa. Ele faz da complexidade algo simples. Parece ter a onipresença, a clareza das coisas e de tudo que está ao seu redor, mas joga, instiga e semeia a dúvida de que não está a par de tudo. De uma forma que, não sabemos até onde estamos imergidos na sua habitual diversão de controle de destinos. Ele mantinha o mesmo semblante. O mesmo sorriso sarcástico, a mesma fala serena, mas também macabra, pelo tom de voz próprio do demônio. E com a mesma 'leveza', respondia:
- Realmente Metatron, há uma coisa que eu não pude antecipar. Por pura subestimação ou por estar tão envolto nos sentimentos de tortura, meu deleite, passatempo que tinha por aqui. A capacidade de compreensão da dor do outro e a motivação para suprimir essa dor. Isso é até engraçado. Nós, objetivamente sempre olhamos para essas reles existências como seres com um final bem definido. Eles se matam, eles governam uns aos outros, criam estruturas podres desde o início e exaltam as mesmas, exalam uma cultura pobre, hierarquizada, divididora, fraca e completamente assassina. Não haveria outro fim para esta raça. Nós, que possuímos o poder de previsão, não pestanejamos em resenhar esse caminho. Nossa existência primeira passa pela ordem desse caminho. Quando tentamos aconselhar e quando julgamos cada um destes párias. Era resoluta nossa ideia de imperfeição. Não digo que isso é sinal de perfeição, mas idealizei tanto a lama da destruição que eles mesmos se jogam e se lambuzam, que não poderia imaginar; digo, até imaginava, mas talvez não num agora. Conceber tal possibilidade, nas condições em que eles se jogam e que nós os deixamos, era de tal maneira impossível. Muito engraçado. Porém ...
- Porém? O que? Você confessa sua falha de observação que pode por em jogo todo nosso plano, toda a nossa peleja em chegar esse momento de desnivelar a força daqui com a da armada que ainda guarnece Zion e Aldebaran. Como há um porém, como há um semblante de vitória e de pouco interesse nesse levante por sua parte? O que ainda tem guardado Satan?
- Não saber que isso aconteceria neste momento, não significa dizer que não tinha me preparado para tanto. Ou porque estaríamos nessa partida? Nós não precisamos participar da fúria da humanidade consigo mesma. A humanidade que se vire. Não há justificativa para que eles não possam se destruir ou se resolver. Ou caminham para um outro horizonte, ou repetem aqui aquilo que têm reproduzido na Terra.
- O quê? Então jogaste um humano para ser sacrificado pela massa, juntamente com os teus antigos servos? Por que isso caberia e daria uma chance para nós não nos envolvermos na batalha que surge?
- Mas pra quê se envolver numa batalha que nada nos diz respeito?
- Ora, mas aqui são seus domínios! A fúria é contra você!
- São meus domínios? Por um acaso aquele é o regente do inferno. Um humano. Representa exatamente as forças opressoras da existência do mundo real deles. A fúria é particular? Não, a fúria é contra toda estrutura. Não era desde o início de seu objetivo findar com esse mundo, como forma de mascarar nossos movimentos para caminharmos à espreita dos fatos? Metatron, agora você me surpreende com tamanha ingenuidade.
Satan elaborou tudo, sem saber se tudo aquilo iria acontecer. Mas sempre se preocupou em colocar um plano escape, algo que não atrapalhasse seus planos originais. Planos? Qual seriam na verdade? Essa aliança com o General dos Anjos, a busca pela conquista de Zion e Aldebaran não me parecia lógica para alguém que já era senhor de terras infinitas que causavam tanto prazer ao seu regente. Isso não dava abertura para achismos. Eu ponderei muito nas minhas observações, mas uma organização das pessoas do inferno me parecia algo inevitável. Mas saber o que passava na cabeça de Satan para não balançar em nenhum momento instigava-me mais e mais. Naquele instante muito mais que o motivo que me levara a morar no inferno. Não resisti:
- Satan! Isso é ilógico não acha? Não digo que você perderia a batalha, não sabemos ao certo as táticas dessa massa que chega irá utilizar. Temos ideias é verdade, mas nada com certeza. Mas isso não é motivador suficiente para que o senhor destas terras fuja, corra como se já tivesse perdido uma guerra sem lutar. Nem mesmo encontro lógica nessa caminhada para conquistar outras terras. O que você realmente está pretendendo? Apagar sua existência? Ela não faz sentido? É vazia por completo? O que me diz então? A cartada final é essa jogada pífia? Pra onde vai essa aliança, pra onde vai toda sabedoria?
- Nobre pensador ... desconfiava que tinha recuperado sua humanidade. Sente essa força e razão característica, única de vocês? Nós não a temos. Nem conseguimos produzir. Há naquelas massas uma disciplina, uma energia coletiva fortíssima que nunca conseguiríamos sintetizar com perfeição. Somos seres perfeitos, indeléveis. Mas quaisquer manifestação nossa de virtudes ou sentimentos não é genuína, é apenas perfeita.
- Mas você rompeu com esse estigma criado em sua gênese.
- Sim, mas de forma perfeita. Nunca da forma humana. E isso não se trata de invejar a existência destes abjetos, nunca será por isso. O plano de perfeição tem suas nuances sobre o que vocês entendem ou buscam em perfeição. Ele permite a queda, o erro, o sentir. Tal qual como fiz e por várias vezes fostes testemunha. Mas embora haja a permissão, as virtudes de perfeição coíbem as possíveis margens de falha e trabalha no sentido de retomar ao equilíbrio. E é exatamente isso que tira todo prazer da coisa.
- Então tudo isso é porque queres poder errar?
- Não, quero fissurar as estruturas tomadas como sólidas dessa existência. O engraçado é isso. Há entre minha vontade e a vontade daquela massa, proximidade. Que vocês se resolvam nobre pensador!
- Espere aí Satan, isso não tem nada a ver com a nossa aliança. Como assim você não quer tomar o poder?
- Metatron, só você não enxerga o ciclo eterno que isso leva. Vou bagunçar algumas coisas sim. Não pelo poder puro, mas para poder ver mais sangue.
- O quê? Eu não consigo compreender!
- Não culpem ao Diabo, Sócrates.
Satan mergulha num portal. Metatron ainda um tanto atônito, como se baqueado por um golpe certeiro, titubeia por uns instantes, mas segue, junto com a armada alada e um sem número de demônios. Mais atrás, começam os urros na luta de humanos contra humanos e demônios, agora servos do Duque de Copas. Este, em silêncio diante de todos os últimos atos. Mas de pé. E com um sorriso cadavérico. Em poucos instantes, o silenciar é quebrado.
- Previstes isso tudo nobre pensador. Sei que não para agora, mas sabia que isso era uma realidade possível. Será que pelos mesmos motivos que eu?
- Acredito que você se mantem irredutível sobre a condição humana e pensa que a guerra ali embaixo é consequência da sede insaciável da humanidade em guerrear, dividir, submeter seus pares a uma situação de ultraje, de tortura e de morte. É isso?
- Exatamente. Não há nenhum outro caminho ou outro tipo de organização no futuro dessa corja. Não é assim que está gravado em seus papiros?
- Duque ... você vai perder essa guerra.
Num estalo, Sofia se coloca diante de nós ...
Sócrates jogando poker em Cocytus sem Satan
segunda-feira, 20 de junho de 2016
Momento zero I
Satan e Metatron retornaram seus olhares para trás. O Duque de Copas, ou o que poderia se chamar dele, mais próximo de um 'Neo Satan', e eu, estávamos mais afastados, porém acompanhamos o movimento de retorno. A luz naquele exato instante estava bem forte. O inferno tem seus espaços de fogo e lava, mas muito longe das pradarias que nos encontrávamos. As trevas e o frio eram quase tudo na esfera de Cocytus. Mas a luz, que parecia o resplandecer da armada celeste, ficava mais intensa, parecia movimentar-se, próxima e mais próxima. Pouco a pouco a luz se desvendou em chamas: tochas e fogueiras feitas pelas milhões de pessoas que se localizavam no inferno e caminhavam para a entrada do palácio de Cocytus.
O inferno sempre fora bastante povoado, com algumas leis universais que só traduziam a vontade de carnificina e diversão do seu regente. Sempre foi um coletivo de pavor, terror e medo. Humanos não andavam lado a lado, eram sempre divididos, dilacerados, sempre com tensão pelo pior. Até porque conviveriam com a estigma do castigo mais ardiloso e bem pensado pelos agentes do mundo inferior. Aqueles que conseguiam permissões para algum tipo de função, já estavam no mesmo caminho de transformação do Duque de Copas. Mas ali se expressava um fenômeno único, peculiar, jamais visto naquele lugar. Algo que poderia reverter a onda de terror imputada à humanidade, para aqueles que as ordenavam. Satan, no entanto, não se espantava; sequer mudou sua expressão, nem seu tino de sarcasmo:
- Ora, ora. Pelo que vejo, conseguimos mais que adestrar as bestas pecadoras. Grande sábio, por acaso sabe o que é essa romaria? Sabe qual motivo leviano esses seres sem quaisquer inteligência estão a fazer andando como correntes estendidas? Não me conte uma piada sem graça dizendo que é um motim.
- Bem Satan, confesso que nada soube de nenhuma organização para esse intento. Mas não tenho os olhos voltados para cada pedaço de pedra e fogo deste lugar. Espanta-me não saberdes o que está acontecendo. Julga que são bestas, mas estas bestas agora te surpreendes.
- Ora nobre pensador, evidente que conheço as tais reuniões secretas, de ponta a ponta desse lugar. Coisas de três ou quatro infortunados que sonhavam mais alto que o próprio Deus. Algo irrelevante. E sabiamente lembrado em cada chibatada e açoite. E também conheço o seu olhar, que não tem alcance ou poder como o nosso, mas que não é de forma alguma inexperiente. Lembre-se do porquê de estar aqui.
- Você sempre me tomou de maneira difusa Satan. Mas sei sim o motivo principal que para cá me trouxe. Para elaborar exatamente os que seus sentidos precisos e objetivos não pudessem captar neste espaço, nas relações e sobre o intrínseco das pessoas.
- E eu sei que é exatamente isso que vocês está fazendo a procurar por algo perdido em seus papiros.
- Mais uma vez, certo.
- Então vamos ver até onde o que você viu e registrou se materializará.
Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan
quarta-feira, 15 de junho de 2016
Analítica de Sócrates I: Tamo tudo junta
Nesta nossa linguagem
Tudo que há de mais certo
São infinitas possibilidades
Disputas de sentido, curso repartido,
Não tem explicação,
Aparece apenas o já sabido
Vida cheia de veias porejando.
Conecta com a poeira do cosmos,
Olha indubitável vários rostos,
Procura ter segurança no dizer.
Fala subterrânea, escondendo
Enquanto isso vai subvertendo
Castelo de cartas desviradas.
Sócrates, ainda em poker
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Prólogo II da saída de Cocytus: breve diálogo entre os alteregos
Caminhavam num passo mais apressado, Satan e Metatron. O templo não tão distante, mas enorme como a soberba e maliciosa sabedoria do seu regente. Ao meu lado, ainda num silêncio instigante, o Duque, aparentando uma ansiedade mórbida, entre manter o niilismo exacerbado de sua marca e algum tipo de euforia pela conquista próxima. Mas o diálogo não demoraria iniciar-se:
- Julga-me, nobre pensador? Pausa para um silêncio cá do meu lado, para depois o mesmo continuar. As palavras não sentiam mais um peso.
- Não querem a continuidade da orbe, mas serei um sustentáculo para que este paradigma perdure um tanto mais em firmamento. Satan abdica do trono do qual enclausurou-se, deleitou-se nas miríades de sanguinolência e morte gerada ao seu bel prazer, superiores, imanes comparativamente ao que prezaria uma dita normatividade destes campos. Eu, também estava confinado a uma existência vazada, espreitando a sorte de todos os pecados e maldições impregnadas nas ações, no respirar, na adução dos fazeres e favores da humanidade. Pressenti obliquamente este fadado destino. E de alguma maneira, busquei auferir ser parte determinante no processo de julgo e execução de cada ação de risco dos homens. Lancei-me as guerras, para tentar saciar meu intento. Mas a minha condição carnal era um limite para tão arrojadas e grandiosas pretensões. Eu almejava mais. Meu querer se expressava na máxima obliteração do rastro destes abjetos seres.
- Então já considerava a existência desse universo e das possibilidades que poderiam ser doadas par você?
- Evidente que não meu caro. A correspondência a mim chegou numa fase decisiva entre descrença em tudo. Foi o lume necessário para reavivar minhas expectativas de conhecer potencialidades distintas e díspares da resumida vida na Terra. Minha jornada não estava arquitetada e concatenada com as mirabolantes fissuras que Satan aprecia e deseja. Tão somente vim, pela curiosidade etérea do sabor do chá e pelo deslumbre de um objetivo há tempos olvidado.
- Aceitastes rapidamente aquilo que te imputaram. Agora sois, ou será em instantes, o senhor do inferno. Por quanto tempo? Não saberemos das intenções totais daqueles dois seres e sua horda de seguidores. Não sei como lidarás com a intenção de Metatron em acabar com este recinto. Ou estaria eu enganado em perceber que a legião não tem a mínima intenção de combater o novo regente?
- Cirúrgico nobre pensador. Entendamos a presença das tropas celestes por dois vieses ...
A fala, o caminhar, os traços e trejeitos de Duque não mais se assemelhavam ao ser que há pouco tempo brindava comigo. Não que anteriormente ele transparecesse mais humanidade, emoções de apego ou algo similar. Mas todo seu turno na caminhada da entrada de Cocytus até o templo, o demonizara. Em continuidade e conformidade com minhas observações, encerrava sua fala no tom sarcástico e satânico.
- Cá estão todos serafins e querubins para a provação dessa nova ordem da existência. Cá morreram aqueles que não seguirem disciplinarmente o tracejo pontilhado e arquitetado por eles dois. Esse é o primeiro ponto; o segundo, mesmo que tu te afastastes da presença humana, é exatamente no sentido de coibir pequenas insurreições que possam ser geradas entre eles e a regência, embora, pelo que suportara conviver em vida, mas fácil eles se destruírem antes de qualquer rebelião.
- Encerra-se o Duque de Copas então ...
- Não pensador. Agora que ele se faz essência.
O brilho distante despertara minha atenção ...
Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Prólogo I da saída de Cocytus: Sócrates envolto em reflexões, observa o brinde
Um brinde demasiadamente delirante; com risos intactos e certeza de vitórias ideologicamente construídas. Mas como chegaram a estes acordos? Saberia a divindade, pela suposta onipresença, de tudo o que aconteceu até então?
Satan, este sim, parecia carregar mais esta alcunha do que seu próprio criador. Com seu devido limite, evidente. Da mesma forma para com a divindade. Mínimo se pensar que é de uma contradição de proporções espaciais tudo saber e observar o jogo de carnificina que se desenrola pela existência da humanidade e não fazer nada. A divindade deleita-se sobre os destinos traçados? Onde entra o livre arbítrio na onipresença?
Estes pensares atravessados, transversalizavam minha mente, que procurava compreender todo o processo que nos guiou até aquele exato momento. De como ações minhas, deliberadamente feitas de acordo com minha liberdade no inferno, contribuíram, foram peças chaves para as condições se apresentarem daquela forma.
A carta enviada para o Duque de Copas foi o elo principal, o selo definitivo para que o plano maior de Satan e Metatron alcançasse êxito. As motivações minhas não foram irrelevantes. Ao longe eu observara o Duque e seu desenvolvimento em misantropia. E como o via como condição para minha cosmogonia, o próprio aleatório se mostrou organizado. Outros também demonstraram um potencial. Tanto para a esperança, quanto ao caos. Mas observavam também os seres alados e infernais. O vento temporal que levara minha mensagem pudera ser controlado? E minha vagueando no instante mais destrutivo da existência humana.
Minha provocação reverberou mais que o esperado ao destinatário. Ele se encheu de fome e sede por reconhecer toda a realidade dos outros mundos e afirmar, pela ponta da espada e do linguajar, o caminho finalista que a humanidade construía. Que não haveria sangue o suficiente que pudesse fazê-lo ver as cores, sentir-se com ânimo. Mas que assumir a cadeira mais alta e imponente do inferno lhe parecia um delírio a ser sentido. E só agora, embora antes desconfiava, isso vinha em meus devaneios com mais convicção.
Os braços erguidos; as taças no mais alto patamar de glória. Sem expressão vacilante. Refleti sobre minha existência naquelas terras; tanto me movi para uma pretensa cosmogonia da história humana, mas obtive muitos elementos de fontes genuínas das origens de alguns sentimentos e virtudes. parecíamos, naquele último ato, quatro deuses, entre o respeito e a destruição iminente.
O brinde findado, garganta embebida. Satan, Metatron e Duque, rumam para o centro do palácio do regente ... Uma luz emana sobre nossas sombras ...
Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Brinde macabro: o plano, o contra-plano e a alma da menina
Não havia outra sensação rodeando o pequeno ambiente da mesa, cartas e copos naquele momento. Previa, a qualquer instante, uma batalha homérica entre o céu e o inferno. Os olhares se cruzavam. Duque também o mirava parecia saber exatamente o porquê desta reunião. Jamais conjecturei
que o dia do chá de coca e gengibre com meu alter ego fosse transformado num enebriante, confuso e caótico encontro. Como sempre, Satan demonstrava confiança, com o riso sarcástico no rosto. Saberia ele o final deste acontecimento? O silêncio é quebrado, enquanto as cartas são distribuídas.
- Então Metatron, hoje foi o dia escolhido por vocês, anjos, para a reconquista dos tempos de paz? Como tudo foi arquitetado? Deus já está ciente de todas as coisas ou vocês realmente creem no mito da onipresença?
- Não possuo motivo nenhum para falar sobre o que nós planejamos, mas se tanto te preza saber destas coisas, também não me oponho. Sabes muito bem das regras que são impostas para os seres e suas dimensões. O encontro de dois humanos vivos no inferno foi sim nossa porta de entrada e por isso mesmo aproveitamos esse dia. Engana-se sobre o objetivo do plano. Não viemos reconquistar nada, nem ninguém. Queremos acabar de uma vez com esta tripartição, e seria muito interessante não haver resistências. Sobre Deus, você o conhece muito bem, já esteve ao nosso lado por muito tempo, então não há o que dizer.
- Realmente pareço conhecer mais Deus que vocês. E pelo visto, nada mudou naquele céu paradisíaco e perfeito. Mas não me diminua tanto. Eu também imaginei que tantos alados assim no inferno não viriam somente colher boas almas para salvação. Não me ache tão tolo. Penso somente que isso
não é determinação do seu senhor. E tenho certeza que você não conseguirá este feito.
- Não me retirarei de um possível combate.
- Eu sei disso, e é isso que espero.
O tom subira de uma hora pra outra tornando alarmante e tensa a situação. Nada poderia ser feito então? Era esse o objetivo dos céus? Seria o fim. A garganta rasgava traços de humanidade nascidos de meu medo. Medo, sensações. O que era aquilo que rogava por retorno? Para salvação em não cair nestes devaneios, minha fala jogou-se na zona de conflito.
- Caro Metatron, embora não saiba exatamente da força e eficácia do seu plano, teria você feito a leitura mais correta e precisa para vencer esse embate? Não julgas importante a existência de teus irmãos para jogá-los assim no ardor da morte?
- Nobre pensador Sócrates, desta vez você me subestima. Evidente que estas preocupações foram tomadas. Não haverá embates. Te preocupas com a vida das tuas pessoas? A Terra não tem mais sentido. Não com a existência humana. Se não há razão da vida de carne existir por que este inóspito lugar deveria ser poupado? Para que o círculo nunca quebre? Para algo ter sentido? Não. O desenrolar dos tempos tem sua continuidade. E para um grupo de seres que não adquiriu a capacidade de evoluir, não haverá piedade.
- Mas vejo contradições nesse intento. De certo que há muito tempo não ressoa em mim compaixão ou sentimento preciso. O embate, me parece inevitável, mas como a existência de uma raça traz inquietações desproporcionais para o paraíso e torna-se motivação para destacar-se numa missão onde perdas ocorrerão e todo um equilíbrio pode ser perdido? Não é este o motivo então. Não há como esta ser a causa para que esse desenrolar nos trouxesse até aqui.
- Faz este prognóstico a partir do contingente que trouxe comigo? Isso posso entender, mas não crê no que digo, quando falo que não haverá embate?
- Sim, o que você diz é verossímil e é exatamente isso que me inquieta. Porque não havendo esse embate, penso que outros acordos foram feitos antes deste momento.
- Novamente não falha sua perspicácia nobre pensador. Então você já conjectura o real sentido da chegada de Metatron e o Duque de Copas aqui.
Um silêncio se postou naquela mesa. Duque, ao ser mencionado, guardou um sorriso no canto da boca. Tudo começava a ter obviedade, todas as chegadas, tudo o que foi falado, todo processo no qual me inseri. Era incrível e extremamente sutil a nobreza e o sarcasmo de alguns atos de Satan e Metatron. Embora sanguinários. Mas não cabia a mim juízo ou coisa parecida. Trabalhava na perspectiva lógica. O deleite em juntar todas as peças fora interrompido pela fala de Duque.
- O estratagema então está montado e cá nos encontramos como peças de um tabuleiro de xadrez. É apenas assim que me tomas Satan?
- Pelo contrário caro Duque. Não vês a importância desse dia e de sua presença aqui? Foi exatamente por isso que você lutou. Foi tudo isso que você almejou.
- Não há como corroborar em totalidade com o que diz. Está sim em curso tudo aquilo que objetivei, mas as nuances programadas por você não me asseguram um desfecho de deleites.
- O que eu poderia fazer Duque? Eu praticamente não me movi. Tudo fez parte dos próprios passos de cada um aqui nesta mesa. Apenas algumas conexões foram colocadas para que pudêssemos saborear bem esta pequena conferência.
Satan bradava suas palavras ao Duque enquanto enchia as taças. Era chegado o instante.
- Brindemos então senhores, vitoriosos ou não!
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
É só o amor
Do exercício da argumentação
surgem conjecturações milhares
ou pesares, ou doutrinas, ou sentidos
elementos dum todo dos todos
Considera-se os extremos
e a multiplicidade inerente
que nos dá o porque de cada gente
sobre o querer, o sentir e o desaguar
Mas o amor, mesmo que se universalize
mesmo que se saiba o caminho
os descaminhos são mais doces
atraentes, humanos e contraditórios
Segue o amor, a mesma lei do aprender
mas algo fica esquecido pelo trajeto
o abjeto também ama
e o benevolente às vezes sangria
num conjunto de contraditos
mesmo a busca do igual é ser distinto
o amor labirinto
é o principal princípio de evolução
Aos que se apegam e não,
amor é mola e combustão
da forma que se manifestar
ao bem entender dos envolvidos
que infelizmente, negam ouvidos
ao simplesmente amar
Mais observações e pontos a averiguar no caminho pra frente de uma viagem em retroação da humanidade
Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Miasmas
São ilusões ou miasmas de realidades possíveis?
Descabível, hei de pensar sempre
mas aquilo que meu ser confessa impensável
vai além da mente e se toma como ente
No espaço-tempo sem forma
chegam tantas imagens e reflexos
refrações de medo e de saliva
com cheiro de sangue e solitudes
Mesmo de banho mórbido
mesmo sequer admitindo
o descompasso ao vivo das emoções
pede passagem diante da história e seus teoremas
aos problemas suplantando soluções
O inverso, o legado e o ódio
o mesmo caminho evoca
colhe-se tudo em exagero
para a alegria do lume e da forca
passo a passo, tempo e espaço
rabisco possibilidades
numa incerta conveniência de resolução
duma arquitetura da humanidade
Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan
domingo, 6 de outubro de 2013
Sócrates
Quatro faces com o mundo entre os dentes;
o som do carteado afinando as próximas falas
já devoradas pelos olhares em riste
insiste até que não se tenha mais tempo
a derrocada da carne perante a própria carne
arquitetada das tribunas do céu e o inferno
o que virá, como sair, o que dizer?
(...)
As cartas estão postas
gélidas em fulgor
aos perdidos que ao longe derramam-se
sorrisos em duas faces
mas qual seria a vitoriosa?
será correto falar em vitória sobre qualquer perspectiva?
O silêncio se abortará na primeira jogada
e junto dela
um futuro ou torto fim
Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Reflexão Atemporal - Sobre pensares desconexos, enquanto caminho no tempo
Cada passo numa caminha errante nestas terras baixas
colocam-me a par de instintos e pensamentos brutos
como pedra, flor e céu;
e que céu estaria fazendo hoje lá em cima?
O medo sugere obediência, bem como revelia
a total orgia supõe punição, assim como desejos
o que falo, faço? o que vejo, feito?
nortes e desnorteadores que buscam um sentir completo
E seria aí a convergência de esforços para a compreensão humana?
longe, longínquo, imane distância. palpável ou apenas abstração?
passos dados na terra vivamente escura
seriam as suturas para pensamentos absortos
A condição da existência; a condição do social.
elementos que distam de qualquer postulado
quando o fogo é matéria que molda
para o mal ou por prazer (...)
Um sentimento desumano respinga no meu íntimo
embora tão fatal destino conclusivo, pelo que vi
mas me é corrosivo, embora por perspectivas duvidosas
lógico: diante do caos, aplica-se caos e meio
Não me aquece mais o calor deste Inferno;
mas não me turvo inteiro
não temo a parte de me fazer um pedaço deste mundo
Engasga-me saborear o sentido desse mundo
asquerosamente fundamentado em sua existência
Sigo, pois não me basta concluir; necessito desistir dessa rota
Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Razoavelmente . . .
Razoavelmente . . .
Perto daquilo que não foi dito
há mais mundo que o próprio lá fora
Reside no seio da normalidade
arcabouços de absurdo
desde o tédio ao medo
entre o fluxo e o derramamento
Razoavelmente . . .
definha-se o definir de quem vive ou perece
por preces, por práxis e paz ou pistolas
entre os aplausos efusivos de rendição
Regride no íntimo da sociedade
absurdos em arcabouços
do correto à contradição
sobre bases elucubradas
Razoavelmente . . .
há mais mundos lá fora
do que o comum onipresente
Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan
domingo, 3 de fevereiro de 2013
O Império da Misantropia por incômodos estapafúrdios
E ele surge, desviscerando-se do pedaço mais profundo do trato intestinal
não poderia nascer de outra forma; e vem ao mundo de pé, ardilosamente de pé
mas não se sustenta sozinho, como parasita de natureza, necessita de sangue
então, é esquartejado e jogado a sorte do céu, impregnando-se na essência de qualquer um que passa
e toma forma e deforma; cresce, mas não se nutre
quem se alimenta de seus serviços é na verdade seu hospedeiro matriz
que se sente feliz, riso roto no rosto, pois felicidade incomoda
lhe incomoda o modo de andar, o olhar e o luar
as ruas cheias de carnaval, as ruas cheias de protesto, as ruas cheias de vazio
lhe incomoda, lhe dilacera o sorriso, dentes brancos, amarelos, sem dentes em arco labial
há incômodos necessários? certamente. há incômodos medianos? do que se trata? há incômodos estapafúrdios? saia daqui!!
eu, meu instinto incomodado, meu lidar com incômodos, meu incômodo por incomodados inférteis
incômodo pois, misantropo também sou
André Café
O IMPÉRIO DA MISANTROPIA POR VONTADES ESTAPAFÚRDIAS
Ode ao hominídeo milenar, em sua cronologia de ascensão e queda
que me tragam o mais purificado vinho, num brinde ao por vir irreversível
Ora, humanidade, onde estão seus culhões agora? Se assim fizeram, o óleo fervente da fornalha não lhes parece quase o Éden?
Tuas vontades, ganâncias, por objetivos claros ou escusos, tua sedenta fome que arrebatava tua existência
Passaram-se tempos e corpos humanos, sob seus pés, sob a égide de morais e éticas supérfluas; sobre a saliva amarga estavam os mirantes olhares para inócuos tesouros
Tuas vontades. E aqui chegou. E queres sucumbir se teus percalços louvados encarregaram-se de trazê-los até aqui? Imundo, é teu pranto e sórdido será o que te espera.
E não me fale de misantropia. Estou a revelia da minha condição abjeta e carnal. Se sou anjo ou demônio pouco importa, mas não imputo a mim relevância por ser uma espécie que se racionaliza para justificar soberbos desejos de sangue. Agora é o teu sangue que será bebido. E não importa qualquer carnificina. O Château Lafite Rothschild 1787 me acompanhará suavemente na Ópera dos teus gritos.
Duque de Copas no caminho de Epizêuxis Semântica
O IMPÉRIO DA MISANTROPIA POR INCAPACIDADES ESTAPAFÚRDIAS
Enquanto um maior número de almas sucumbem no mesmo equívoco, ponho-me a refletir sobre os mesmos paradigmas que cá me trouxeram. Não ouço os gritos, mas eles existem; vejo a fumaça fúnebre ao longe, mas minha problemática insiste em me conduzir para meu íntimo sensorial. É bem verdade que os atos levam a consequências de acordo com o que se compreende como moralidade em determinado tempo. Mas isso substancialmente vai contra ao número mais absurdo de novos Cocytianos. Há de se refletir, pois está capacidade é de sabença e naturalidade humana. Mas o que conjuram? O que se diz e o que se faz sobre convívio? Observo no não espaço e no não tempo as distinções daquilo que se sabe e daquilo que se faz; daquilo que não se sabe e daquilo que não se faz; e das variações possíveis nestas assertivas. Mas, a incapacidade de retroação é magnânima. A verdade não é o que não se sabe, mas sim o que se sabe, embora não há certeza elucidativa completa, mas a incapacidade se desmonta e remonta vontades e incômodos. És dona do próprio destino humanidade. Se veio até aqui, procurou rotas de como chegar. Mas outras rotas eram possíveis. Atingíveis e passíveis de construção.
Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
2238? Fim ou futuro? A roda de conversas
Sentei-me como de costume a frente de Satan. Por vários tempos, por muitas vezes aqueles encontros eram um mero passatempo, um capricho diabólico para rotinas de sangue e caos. Outrora saberia recriar rotas de fuga para o instintivo prazer de tolher e dilacerar almas que o demônio possuía. Mas hoje sinto ser presa fácil. A presença de Duque alterara todos os sentidos. Mas, a revelia da pulsação, lá estava para adentrar neste novo jogo.
- Então, nobre pensador. Era este ser humano que você aguardou por eras e fora tempos?
- Satan, não poderia saber quem seria pois a carta foi jogada ao sabor do acaso. Se ele aqui está agora, mero destino.
- Hum ... não lembro desta intimidade sua comigo. Parece deslocado de suas significações nobre pensador. Esta ansioso por algo? Teme o que vai acontecer nos próximos momentos? Sempre interessante.
- Se mentir ou falar a verdade fosse solução prática neste ambiente, já estaria morto há muito tempo. Então decifre como quiser minhas ações.
- Sempre perfeito caro Sócrates. Mas vejamos, seja bem vindo Duque de Copas. Era sua vontade me conhecer? Diga, o que é mais difícil? Desconhecer este mundo e alienar-se em contos de paraíso ou não desprender-se da condição humana?
- Saudações regente real destes campos. E que belas pradarias foram aqui constituídas ... Obtuso, pontuo sem esboçar irreais palavras: alienação? condição humana? O crivo da natureza me impede de abnegar este corpo, mas assim que me coloquei nesta jornada, nada mais me parecia humanidade ou algo parecido. Este espaço tem sim suas intencionalidades e deve existir para aqueles que o procuram.
- Hum ... então você procura o Inferno, mas não se coloca sob a chibata de minhas leis. Mas, se julgas misantropo. Eu te direis. Ou melhor, mostrarei. Acaso conheces aquela alma?
Estava ao longe, mas destacada das demais, pequenina e frágil. Seguia o caminho de Cocytus para algum outro lugar. Os olhos de Duque fixaram-se assim como o silêncio devastador. Nem o vento era percebido. A imagem parada, algo perturbador, de iminente perigo. A situação não poderia estar mais caótica.
- Parece que seu convidado está estarrecido com o que vê nobre pensador. Será o inferno demais pra ele?
- Não possuo os elementos totais para compreender esta situação, mas quem seria aquela garota?
- Sofia, a filha única de Duque. Recém chegada.
- Então esta é a carta de trunfo que você tramara para submeter Duque às suas revelias e insanidades?
- Nobre pensador, poderia sim ter agido desta maneira, mas eu lhe digo: um prazer tão imediato como este não me satisfaria. Eu preciso sempre de mais do que o máximo pode ser ou se transformar. Para mim foi uma surpresa perceber essa ligação entre ela e Duque. Mas serviu para demonstrar o retorno aos arcabouços que nenhum ser humano se rebela em totalidade. Vede Duque, como seu pulsar demonstra tristeza e fúria ao mesmo tempo. E agora diga-me: a garota está seguindo a condição humana de existência e será devidamente recepcionada pelo castigo que melhor convir. Será deveras sofrível. E então, não é elementar que este sistema exista? Que todo humano padeça e pague pelos infortúnios outrora vividos? Diga-me como é doce e importante esta condição.
- ... sim, é para isso que existe este espaço ... e nada mais defenestrador do que esta cena que agora eu vi. Perplexo fiquei, não há como negar. Necessitava porém desta extirpação humana, precisava moer de mim este último obstáculo. E mais do que nunca este universo infindável de males é necessário, porque a Terra vive seu fim.
- Hum. Então me dizes que não te abalastes com a notícia da morte de sua filha?
- Se não sou humano, como terei relações enterradas em elucubrações culturais.
Os olhos dos dois miravam-se. A conversa nidificou-se em duelo. Satan não possuía mas arma alguma para aproveitar-se da condição humana de Duque. Este ofegara inicialmente, mas parecia convicto de que não mais se abalaria por quaisquer situações. Dois seres endemoniados. No caso, três.
- Então ser sem classificação. O que te movimentas? Acaso quer me tomar o lugar?
- Não posso dizer que isso é fim, porque seria um só e não contemplaria todos os meus fomentos. A minha ideia passa essencialmente pelo propositor da concepção e existência desta raça autodestrutiva. Se minha Sofia cá está e não de ti surgiu o plano, então ...
- É muito simples de perceber. Tem outro, ou outros planos em curso. E ficar como mero expectador é deixar-se virar poeira. E então nobre pensador. O que diz?
A muito que meu copo, cartas e corpo descansara em névoas de aroma sulfúrico. Mas o pensamento retilíneo em labores não existenciais me colocou a par da certeza daquela conversa. Tanto Satan quanto Duque pensavam a mesma coisa. Duque se encontrou, se identificou com o sistema satânico. Satan por sua vez testou, brincou, mas pela primeira vez parecia fechar um grande acordo. Não poderia parecer mais diabólico.
- Pensar desta forma, expõe então o real sentido dos antagonismos. Embora pareça equilíbrio, você busca este embate desde os tempos. E encontrou numa existência humana a mesma condição.
- Exatamente nobre pensador. Mas não temos ainda a noção de elementos suficientes.
- E o que será sugerido então para que isso seja sublimado?
- Apenas mais um copo e um embaralhamento. Sente-se com a gente Metatron
Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Dünya*
Um dia inteiro,
recheio do dia
quem dera minuto por 72
em 50 parcelas por hora
devora,
é inócuo eu sei,
mas transborda de vazio
e faz arrepio azedo
o medo do dia ter fim
antes de mim
Um vento e meio
seletivo e entorpecente:
traga em jarras de 05 litros,
derramando o seco
no meio termo unilateral
agora,
o 27º estado
reproduz, recria, reprime?
faz do desconhecido terror
mas amor, abstrata abstração
do meu mundo lotação
André Café e Sócrates jogando poandker em Cocytus com Satan
* mundo em turco
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Um convite para um chá ou mesmo um gole rum, para toda humanidade; o antes do Inferno Socrático II
Talvez 2238, insignificante martelar diário que ronda meus pensares
já faz muito tempo; a terra que muda seus caminhos, o cheiro do óleo fervente provocando lume
névoas, venenos, castigos e prudências; maledicências e carnificinas ao redor e a todo instante
é desta parte que agora sou, mas sem ser, sendo.
Outrora um curioso jogo de cartas, para o deleite de Satan, brincando e apostando com vidas, mas de uma sensação estranha, pelo labor constituído nos diálogos, quando eles existem. Uma vida sedenta, de tudo, inclusive de luz Solar. Onde e em que perspectivas os deuses permitiram a criação de tal lugar? Foi o meu ver, assim que toquei o chão destas terras. Agora, sem uma hora e espaço definidos, já sei que não sei se isso é prazer ou função natural de evolução; avalio ainda algumas necessidades.
Mas o que me espanta são as rotineiras chegadas dos retumbantes hominídeos, milhares, milhões. Se o tempo e o espaço de dissolvem, muitas eras em Terra aconteceram. E mais e mais almas findam seu espetáculo de gozo por aqui. O que será inferno, o que será planeta, o que será ternura, o que será verdade. Não mais que um desafio, mas progressiva consciência de compreender este espaço, de dialogar com sua ilogia. Ao passo que os traços humanos se apagam, apago o fogo para mais um chá de gengibre e coca, conseguidos por um preço relevante no mercado inferior. Torpor é o que sinto? Não sei, não sei se saberei. Quisera eu apenas uma notícia da Terra, com os olhos e coração de alguém em vida. Os conhecimentos foram ao olvide? O que acontece naquele planeta?
Queria grosseiramente mostrar o que acontece aos homens cá neste miasma. Queria os olhos das pessoas ardendo para algum tipo de reflexão. Ou não queria, pelo entendimento prático de ação e reação. Labor que fomento e devoro. Queria relatos e fatos da condição humana de qualquer tempo, a tempo de construir considerações.
Um convite para um chá ou mesmo um gole rum, para toda humanidade,
Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan
Expositor de almas
Aflora o instante do meu turvo dissonante acaso
em que me degusto de desfibrilações
salvo engano o inconsciente
que fervido ao vinho e mente
retaliadas emoções
Ao tempo em que quero o esmero
abrasa-me o abraço do moinho
é voz rouca que se auto-censura
é o olhar que inspira ternura
se dissolvendo em desalinho
Tanto pra gritar pelas iniquidades
muito do pesar de esquecimento
as amarras que se encerram
saturadas que emperram
o expresso movimento
Ostenderit in clamor animarum carcerem pugna
André Café e Sócrates jogando póker em Cocytus com Satan
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Época desguarnecida de sentido; o antes do Inferno Socrático I
| Sócrates e seu Demônio, de Eugéne Delacroix |
Na vista, cúpula de soberbos, inocentes e incautos; senhores de sapiência elevada e de nula compreensão de vida.
Amedrontados e incertos do escárnio pensado dos deuses, não tiveram dúvida a Cicuta saída; vida;
que me tolhe ao passo de amar e de renegar aquilo que amo.
Algo me aquecia no sentido de posterior reflexão, ão de dar a face na parede e se embeber de dúvidas e ressignificações.
Então a isso, convicto e consciente, brindo, o gole certeiro, turvo ... (...)
- ... Sinto meu corpo formigar. Acaso o veneno não fizera sua parte? Espere ... meu corpo está sem pulsação; sinto os olhos abertos, mas cá não vejo em que recinto me fecho. O que é este recinto?
- Nobre pensador, filósofo conspirador e transruptor de consciências. Bem vindo a não existência.
- Quem fala aos meus ouvidos estas palavras serpentadas?
- Perdão a minha falta de zelo e consideração ao não me apresentar. Sou eu o princípio do fim e o fim do princípio; sou eu lume, metal, enxofre e agonia; o átomo do sem dia; eu sou o senhor da terra sem esperança; do óleo fervido na pele daqueles que se perdem em vida ... poderia dar definições mil, para dizer, muito prazer caro Sócrates; sou Satan.
- Não me recordo do seu nome em história, mas do que dizes sei bem do que se trata. Minh'alma foi debandada e esquecida no inferno afinal. Este é meu destino por convicção.
- Há equívocos nas suas lamúrias. Talvez hoje seja seu dia mais feliz. Nobre pensador, aqui é a não existência. Não atravessara ainda o caminho da vida para morte. Estamos no ápice desta transformação.
- Mas como isso é possível?
- Para mim, trata-se de mera brincadeira conseguir tal fato.
- ... o que um ser tão maligno pretende com isso?
- Ora, ora nobre pensador, é claro que iria contar os meus anseios. Mas suas lamentações são de um teor humano e fraco tão depressivos. Não sei ao certo se devo continuar.
- Numa situação como esta, apesar de não saber como um ser bestial raciocina esta realidade, e, não saber o que é esta realidade impossível, afeta consideravelmente meu raciocínio. Mas me coloca num eixo em que tenho apenas uma consideração: minha matriz é humana e na humanidade reside o saber e o não saber, elementos que em um por vir, provocarão outras atitudes aos homens.
- Este é o ponto em questão meu nobre pensador. E para isso eu vim até aqui. Sabe, o fato de você continuar e aceitar o fadado destino, me inquietou. Havia uma esfera infernal preparada para recebê-lo. Eu estava contando com o prazer de sue sofrimento, mas o que de fato aconteceu abortou minhas expectativas. E cá estou com um outro desígnio para ti.
- O que seria tão importante para minha passagem ser interrompida?
- Não é questão de importância, apenas de desejos e prazeres. Venha em vida conhecer o inferno nobre pensador. Quero que veja a evolução do tempo e do espaço em energia e as conjecturações e impossibilidades da raça humana. Venha ver o que você almeja de futuro e ver se é isso mesmo.
- Queres que curve minhas convicções ao teu prazer ... cada jogo que o demônio faz por sangria.
- Ora nobre pensador. A vida a ti retornará. Não serás um sofredor que deve pagar pelos feitos em vida em minhas pradarias. Observará, passará por cima da carnificina. Terá um universo de labor para suas meditações e reflexões.
- Senhor, a isto não me empolgo, algumas leis devem ser sentidas e obedecidas. Se caos é este o destino de muitos, que se siga este percalço. Mas, me interessa o universo que desconheço, para não sabê-lo mais ainda. Esta é minha vontade. Irei.
- Sábia decisão pensador. Ressalvo-lhe apenas de três condições?
- Quais sejam?
- Não retornarás a Terra, nem insurgirá revelia à ilogia do inferno e terás sessões de jogos no instante de minha vontade.
- De certo.
- Vamos transmutar este espaço ...
Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Talvez 2238 ou fim de tarde no meio da incerteza; Giudecca, nobres e o observador
| Castle_Wyvern_by_Onanymous |
O caminho entre Cocytus e Giudecca parecia se estener para além da certeza. A visita que era o presente anacrônico agora, lado a lado e distante em demaisa. Sem indagações aos seus ensejos, mas um tanto absorto na sua marcha resoluta e conclusa.
- Há um semblantde de inquietude em seu olhar nobre pensador. O que seria? Ou me dirás que não semeia dúvidas neste recinto betumizado?
- Dúvida? Realmente aqui, não é o meu norte mais confiável caro Duque. Indago-me porém a algo por inexatidão. O inferno nevermente é silencioso. E neste instante é esnsurdecedor o som do nosso diálogo, demarcado pelos nossos passos.
- Acaso estás a incitar uma trama de Satan?
- Tudo aqui respira essa lógica; desde vossa chegada, o innstante pareceu se desdobrar em fissuras incalculáveis até este momento extemporâneo.
- Interessante considerar o todo o nada.
- Não acho que o sarcasmo cabe nesta situação. Talvez seja 2238, talvez. O ponto de insegurança é todo este solo.
- Ora nobre pesnador, me admira! Tu que já suplantado de tantas heresias ainda não se dominou com o perímetro de inesperados acasos? Não vê que este é Satan tentando retomar o princípio?
- É verdade que a isto não temo. Mas não creio nesta sua teroria, embora não saiba nada além do que este momento. Mas Satan começou a cartear antes de alcançarmos Giudecca.
- Hum ... vejo que sua pretensa teoria de desconfiança valha em alguma verossimilhança .
- Pois é justamente o inverso. Este é Satan, que observa. Nada mais é mesurável neste contexto.
E neste pensamento, o salão se trasnfigura. Uma mesa circular, ao lado xícaras, bule e uma garrafa de vinho. Giudecca e três cadeiras. E dois olhos de dimensão do instante, e um riso fumengando lume.
- Sentem-se nobres. Vamos jogar.
Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan e Duque de Copoas no caminho de Epizêuxis Semântica
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Cosmogonia de Zion III - No crepúsculo de Zion, o encontro entre sombras e espectros alucinógenos
- Era possivelmente um dia de
véspera
o sono do torpor etílico, realidade onipresente
guardava minhas lembranças para o melhor instante
dentro em breve de tempos passados chegaremos ao Duque
- Será provavelmente uma noite de
sátiros
os anjos do motor telúrico, mortalidade inclemente
brindava minhas mudanças para o sabor de antes
fora do tempo, sem noção da hora
fui ao encontro de sócrates
- Eis que a noite conjectura-se
na certeza mística de um outono imprevisível, não só o vento mormaço, ou as
rajadas mosaicadas de luz e sombra em tons de vermelho que assim anunciam a
despedida e a chegada de conspirações relevantes e reveladoras. Não há relevo
entre circunstâncias e idiossincrasias tuas ou coletivas. é o momento de
sentir, ao sabor e ao âmago aquecido em xícaras de chá d coca e gengibre.
- Há quem vibre num espasmo o
cheiro de êxtase que se propala aqui, entre o limbo de louvadeus e a lombra de
leva e traz? que aromas climatizam a esfera imperfeita desta terra sem medidas?
- Para além do inatingível ressurgem nossas questões emblemáticas e
neste mesmo não espaço, sorvem-se pelos caules das árvores e pelo calor do
sanue púpuro das criaturas místicas de Zion. E isto, ou o seu contrário, é o
que manifesta a fúria da leveza em cada ser
- E há quem aguente o peso de existir em tão cataclísmica simbiose? vejo
espectros ora dourados, ora translúcidos, no limiar da loucura e - dita -
sanidade. parecem criaturas que não há epizêuxis ou diácope, várias, várias
vezes, que consigam explicar a contento. Passeio e observo, irresignado.
- É de tua natureza caro Duque
esta insatisfação ilógica a tua vista. Aquilo que define este não lugar
difere-se muito de Cocytus de Giudecca ou mesmo de Aldebaran. Nada me vem como
um conceito definitivo, pois aqui vivo também na incompreensão existencial. o
plano ou os planos estabelecem uma relação viva, mesmo com a consumação de
nossa essência para o seu viver. Cocytus, apesar de viver, nada mais seria do
que as reinações indignas e maniqueístas de Satan, com a certeza da verossimilhança
divina. Zion? Limbo? Donde estamos, me repito, sei que nada sei, a cada passo e
olor, a cada imagem e pensamento.
- Então, companheiro
recém-descoberto na caminhada por esta camponesa terra de contragostos,
poderemos conquistar entendimentos ao longo das estradas. Vejo que tens nas
mãos as cartas que movem mundos, derrubam reis e rainhas. Aceita um trago?
E assim, contrapostos em mundos parecidos, Sócrates e Duque começavam
mais uma visagem entre sombras e alucinações. Nas mãos, um bom e velho jogo de
Poker. Aguardam Satan.
Como se fizesse sentido algum, pelo meu eu perdido no devaneio do tempo
indefinido aos aromas e aos ares, no trago, mergulhei e num sonho tateado e
viscoso, conectei-me com a terra úmida, percebendo mil vozes e sons, tons e arrepios,
num pulsar disritmado de sensações
Duque e Sócrates em Zion
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