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quarta-feira, 4 de maio de 2016

O presente é melancolia


Ela me abordou de repente,
e espalhou ansiedades e calmarias;
grifou que o presente é melancolia,
sem saber por que sente

Quis calar; falando, explodindo
ou saudade, ou certeza; conformação
tempo, amargura de ilusão,
brinca com quem vai resistindo

Eu, me abracei ao tiro dado,
oras, o dito é minha existência
que cada pranto pronto não dá a ciência
da força enquadrada num grito calado

Li, como se espelho fosses;
na busca de encurtar o dilema,
fiz risco, placebo é o poema
pro abraço de infinitas dores

André Café e  Raíssa Cagliari




segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Eu fui


Sou universo
Sou mulher
Sou mar, sou terra
sou pura água
Digo...
sou mulher
sou fera.

Sou bicho-homem
imundo, carniço
sou vestes que desnudam
sou palavras miúdas
que o tempo se encarrega de esquecer.

(Raíssa Marcelli)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

PINGO D'ÁGUA


Da chuva que toca a pele
Queima.
Lembra, rasga o peito
em um afago
um beijo
intentos de desejo
contra o muro
na rua escura
mãos doidas
O vinho na boca,
perde-se como louca
um doce ébrio ao fazer poesia
entre alguns pés, outras coxas.
Vai chuva, gélida que evapora
ao tocar duas almas escuras
e queimar o coração de ambos.

(Raíssa Marcelli)

quarta-feira, 17 de abril de 2013



A impossível nostalgia dos dedos
Desnudos do tempo, dos cheiros
Amarra o peito dos meus pés
Que já dançaram desvairados.

Raíssa Marcelli

quinta-feira, 21 de março de 2013

domingo, 28 de outubro de 2012

MORFEU




EU NEM DORMI, ACORDEI HÁ POUCO, SÓ SENTI... NÃO TEM JEITO ESSA DOR NO MEU PEITO, A SANIDADE... E NEM FUI EU, NEM MORFEU, ACHO QUE FOI A SAUDADE...

POR ALDERON MARQUES E RAÍSSA CAGLIARI
DIA 28/10/2012

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Ih ...

De coração aberto.. - Susana Gonçalves


Você me pede ajuda
E eu lhe deixo um verso
Anoiteça o que anoitecer
De româtica que sou
Lhe entrego o coração aberto.

Raíssa Cagliari

Sobre ontem



Bebo o barulho da chuva
Amor que morde a nuca
Acho que dói
Acho que dá prazer
Acho que ne ajuda a escrever.

Raíssa Cagliari

quinta-feira, 27 de setembro de 2012



Provar minha existência
É necessidade constante
Então mastigo novidade
À cada instante.

Raíssa Cagliari

segunda-feira, 20 de agosto de 2012



Ai de ti, minh'alma!
Que de tão afoita, apaixonaste
Justo por um poeta sem poesia,
E agora, desvairas sem causa.

Ai de mim, que ei de provar
maior poetisa, p'ele não há
E que talvez, possa lhe dar
Maior amor que d'outra qualquer.

Ai de ti, minh'alma!
Que em desespero, suplica por calma
ao provar-lhe ser mulher
[Não a arfante menina]

Ai de nós, minh'alma!
Nosso amante, um canalha
destoa n'outro amor sem dó.

Raíssa Marcelli

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Menina



Deixou a madrugada entrar de mansinho
Escutou o segredo das horas
fechou os olhos
ouviu a música
deitou no parapeito
avistoi estrelas
caiu no reflexo da lua
e por lá lhe deixaram ficar...

Eita menina!
Tão cheia de vida
Fez seu mundo na lua
de braços abertos...
dançou semi nua
com os dedos de luvas
riscou paredes e a rua
com a tez tão fria e suja
daquela quente mancha rubra.

(R. Cagliari)

Só é



O amor deixa-se enaltecer pelas madrugadas
sua máxima por excelência é o não contido
é a falta, o vazio, o desabrigo
mas o amor, se ele é, também há de ser o seu contrário
é a contradição mesmo da sua experiência falida
é o êxito de não ser
o amor não é.

(Raíssa Cagliari)

Haikai da glória



Com os ferros dos mistérios
lá vai deus,
ferrar os dois hemisférios!

Raíssa Cagliari

sexta-feira, 20 de julho de 2012



Ambos seguravam o tempo com todas as forças que tinham nos dentes. Eram uma geração inócua, desprendida, desprotegida. Vivendo sob o arranha-céu do sucesso dos outros.

A primeira, nunca se parava para tais criaturas, a não ser quando um se entregava ao mundo apenas para saber que existiam e provavam assim, que eram a engrenagem do mundo mesmo vacilando, descalços, numa imprópria sensação de poesia maldita. Seus corpos frágeis dançavam um samba de Noel Rosa e mesmo a noite sendo calma e melancólica, nunca pararam...

Ah, estes dois! Eram os poetas cujo o espirito mal cabia na carne. Dormiam, acordavam e morriam estrofes, doces ou amargas. E seu tédio não era a quietude do corpo (afinal, não paravam nem para seu descanso, desvencilhando assim a morte), era a quietude da alma que sempre se calara diante da imensidão de pecados dos corpos em carne crua.

Raíssa Cagliari

segunda-feira, 25 de junho de 2012


Rimo teus olhos com boca
tua boca com cheiro
teu cheiro com beijo
teu beijo com vontade
tua vontade e meu desejo
assim escrevo
poesia em dose
maldita
de rima e lira
cruel de saudade
do teu cheiro de nicotina.

Raíssa Cagliari

Da chuva que toca a pele
Queima.
Lembra, rasga o peito
em um afago
um beijo
intentos de desejo
contra o muro
na rua escura
mãos doidas
O vinho na boca,
perde-se como louca
um doce ébrio ao fazer poesia
entre alguns pés, outras coxas.
Vai chuva, gélida que evapora
ao tocar duas almas escuras
e queimar o coração de ambos.

Raíssa Cagliari

quarta-feira, 20 de junho de 2012


Sou efêmera como aquele pequeno inseto, que de tão pequena vida, tratada em segundos, nem a boca para comer o mundo... tem.

Para o universo,
somos fáceis
somos frágeis
e breves
breves, abreviados
avoados...

Por que a vida é mesmo rara,
peça que dura pouco,
ave de rapina que canta breve
e logo voa.

Voa, dente-de-leão
que num sopro pelo vento
flutua como bola de sabão...

E o mundo gira, gira, gira!

Fagulha de brasa apagada
fogueira de São João que arde
cinza nos olhos azuis do mundo...
Depois do incêndio.

Bolhas que ardem
bolhas que preenchem vidas vazias
de tantas primaveras.

Porque sou folha de papel em branco todos os dias, porque perco meu fio de memória... Porque minha felicidade dura segundos até encontrar outra felicidade ou outro fio de tristeza latente... Porque a peça da vida me faz coadjuvante de uma poesia mal escrita num guardanapo... Porque minha sensibilidade vai e volta, e vem de novo e bate com o coração arreio no pensamento daquele que me é alheio.

Raíssa Cagliari

terça-feira, 19 de junho de 2012

Para, sem nome


Tu me perguntas: Que tipo de presente és? Bem, conforme você já confessou, começa-se primeiro a escrever, mesmo sem saber o que sairá. Estou deixando as palavras me puxarem, me levarem, enquanto os ouvidos transmitem ao cérebro uma paz causada pela música e, bem, que tipo de presente é você? É um presente de natal atrasado, na verdade, eu deveria ter esbarrado contigo numa esquina lá no centro há anos atrás. Ou poderia ter encontrado o link do teu blog, teria comentado daquela mesma forma e você ficaria curioso de encontrar a dona do comentário e daria vontade de passar férias no interior. Mas, também pode ser um presente de dia das mães! Não sabe como? Tipo assim, as sogras piram sabe. Sim, eu sei, a cantada foi "phoda". Então tudo bem, você pode ser um presente de sexta-feira 13, porque um doce desses só pode ser uma travessura do destino. Nossa, eu não sabia que era ótima em piadas de pedreiras feministas! Acredito também que você pode ser um presente de domingo 10 ou terça 12, e de semanas em 365 dias, bem como de anos bissextos. Poderia ser o presente das férias, quem sabe? Mas convenhamos, também poderias ser um presente de páscoa, do tipo coelhinho da páscoa, amarradinho e feliz, em ovos de chocolate e "eggs farofa’s". Apesar de tudo, presente também é uma questão de prefixo. Pré-sente.

Raíssa Cagliari

sábado, 2 de junho de 2012

E daí que dá?

Linha obtusa, eletrocardiogramática,
contorno de um céu impuro, de tosse
densa névoa que seu corpo recobre
acompanha, em sombra laranja, o caminhar.


Eis que o tempo, ainda que exíguo
Capaz de prolongar os mais desérticos sofreres
Traz-me a branca nuvem, poética, letrada
Flutuante nas notas que dedilha
inconstante nos arroubos de falácias
estonteante
A cada passo
que dá.




Raíssa Cagliari completamente louca; 01/02

terça-feira, 15 de maio de 2012

Madrugada






Essa madrugada,
tão calada
deixa no peito uma marca
de algum outro amor sem fim. 


Essa madrugada
tão sincera
faz de mim jóia esmera
para findar a tua dor. 


Eis que madrugada tão quieta
tão calada, tão sincera
trás pra mim mais um temor...

Minha pequena, doce, quieta e triste madrugada
que faz da lua, a tua namorada
e o sol teu amante e pudor. 


Eis a madrugada tão sincera
tão calada, e tão quieta
marca o peito outra dor... 
Minha pequena, doce, quieta e triste madrugada
faz de mim outra desvairada
e me escreve um poema sem cor.




Raíssa Cagliari; 15/05