quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O que não-falo e não-penso


Fito com a alma
aquilo que não quero estar
como se me transportasse para lá
e na realidade me regasse para o longe

Para um começo
sentimento simples
é a chegada ao fim de
ressentimentos e suas alcunhas

Fito com a alma sem vislumbre
existências de ar no mundo suspenso
aquilo que não-falo e não-penso
é o caminho para o áureo cume

André Café


Haikai zen


Para o firmamento ...
não estar com aquilo é não estar naquilo
para o fim do sofrimento

André Café

Sabores


Vez em quando me espanta
o sabor imprevisto
gostos degustados em momentos que não lembro
a saliva me transporta
pra deliciosas frequências
de dias recheados de nostalgia

Todos os sentidos em maresia
buscam me deter no tempo
para um movimento de retorno
sobram na mesa a vontade
e o riso rabiscado
engulo o sonho de ansiedade
na sobriedade que me chama
para o azedo
torpor de realidade

André Café

Zen


As coisas suspiram voz
não-voz, não-som
a mente que quer sobrepujar
em diversas essências
é voz dissonante
gritante e displicente

Quero que esses sussurros me cheguem
para não ouvi-los, não senti-los
não suplantá-los
num talo enraizado em flutuação
são todas as cores não-vistas
são tantos ganhos sem conquistas

No meu universo oclumente
florescem presenças do ausente
imaginado em não-mente

André Café



Limbo das laranjeiras


Lupa



Eliane Barreto

Ao Poeta que sangra lágrimas de juventude


Eterno é o seu gozo
Com o Brilho do teu rosto
Arrasta tudo ao deserto
De futuro incerto
Cheio de sabedoria e ignorância
O convida a pular o muro
Mesmo fadados ao fim
Não cansa de buscar o deserto de felicidade 

Victor Barbosa

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Domingo em Teresina em Sol menor


Não há o som arredio
nem o clima me importa
atravesso a existência
e me ponho no asfalto
nem os perigos me chamam
só o silêncio me grita
para a folha caída
para o verso encrustado
para o sol desmedido
para o tempo soprado
Não há o som do vazio
nem realidades tortas
me apego a essência
e no ambiente me tato

André Café

Domingo em Teresina


Até o vento acolhe o pedido do tempo
nesse ausente convidativo
rebusco o olhar de esquina
enquanto as folhas de outono caem em terras de verões
segue sua origem, num dançar vazio que me deixou levar
como assim seria delírio inocente
num ardor mais calmo e sereno
daquilo que dizem ser mundo pequeno
uma tarde de domingo teresinense


André Café

Haikai da desmétrica


Se não sou métrica
me ensina o mito da estética
pro meu universar

É só mito, e dito:
apegue-se ao sem rumo
no aprumo do palavrear

André Café

Axé


A gente mistura as duas partes
para colher o melhor sumo
tem sementes de saudade e frutos de axé
positividade e fé

Essa poeira vai baixar
num verso forte deste traço
desenho em letras nosso abraço
pra essa saudade se aquietar


Na falta do real sentir
engasgada a poesia cria
e desfaz feito o magia
o sentido de nos redimir

Yara Silva e André Café

Miasmas


São ilusões ou miasmas de realidades possíveis?
Descabível, hei de pensar sempre
mas aquilo que meu ser confessa impensável
vai além da mente e se toma como ente

No espaço-tempo sem forma
chegam tantas imagens e reflexos
refrações de medo e de saliva
com cheiro de sangue e solitudes

Mesmo de banho mórbido
mesmo sequer admitindo
o descompasso ao vivo das emoções
pede passagem diante da história e seus teoremas
aos problemas suplantando soluções

O inverso, o legado e o ódio
o mesmo caminho evoca
colhe-se tudo em exagero
para a alegria do lume e da forca

passo a passo, tempo e espaço
rabisco possibilidades
numa incerta conveniência de resolução
duma arquitetura da humanidade


Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan

Carta a Levi e Marcinha


É alegria, confesso, o maior desses 'sentir',
com o alvorecer de uma nova vida.
Represente o que for, em qualquer teoria ou ciclo que vier
mas o momento nos passa um calor, um carinho acolhedor, uma força que é suave

Veio, chegou, está aqui e já se faz poema
entre o gritou agudo do choro da fome ou da atenção
vem pra cá que tem colo e pirraça

Veio, uma figura quente, viva,
tão pequenina em descabidas mãos
Mas forte do que qualquer canção,
mexendo aí e aqui, com Marcinha, Levi
e o mundo inteiro

Chegou, choramos juntos
um pranto doce que contagia
uma presença que dá a certeza
da vida em amor, sorriso e folia


André Café

Mais um verso revelado


Estavam em sonhos e gavetas
no mais profundo altar
o desejo ímpar de existir
desejos pra se revelar

Entre um vento, o tempo e a razão
eis que tudo se desfez
refeita, a vontade era força
para se explodir tudo de vez

Veio lume, veio ao mundo
num salto de coragem
versos livres, delirantes
resultado de milhagens

Como se flutuasse no ar
a poesia tua e crua
todas as sensações, emana
para quem sofre ou ama
para quem busca um guiar
de qualquer dor que amua

André Café

Desilusão


Hoje me resta o sentimento de morte, a dor da perda,
acostumar-me ao pouco que sobra,
à tudo que fica, ao nada que resta.

Dias e meses de insônia, tristeza, frio...
E o tempo de espera, escuridão, vazio...
Toda mentira existente no amor
Toda falta de sentido da vida...

E apesar de tudo, tenho achado vida em mim
Depois desses dias sem sono, dessas noites sem dias

Tão noturnos dias, tão soturnas noites.
Noites de tão chuvosas horas, de tanto frio e erros...

Tarcisio Bastos

Como ecos ouço algo que vem de longe. Ele não tem nome. Ele não tem sorte. Assim sendo... não tem azar. Ele sou eu. Me chamando. Pois eu já não estou em mim. Faço coisas que me levam a desacreditar... independente do que. A falta da crença é a pior doença que se pode ter. Sem crença nada acontece. Como se materializará um talvez ? Como um quase virará um quarto pra nos deitarmos e deleitarmos de nós? com os nós livres. Pois já nenhuma razão nos amarra pelas pernas. Vivenciamos o mesmo teto. Mas não pisamos o mesmo chão.

Haschi Faria

Pontos do teu corpo de ontem


Tratavam-se de pontos.
Pontuava as coisas como se tudo encerrasse ali
tal qual um salto cravado de ginasta
embora sempre errante.

A verdade é que o seu ponto marcava o meu dia
chegando lúdico e intenso como um cometa visto de uma praça
e me tocava através das fissuras dessa armadura fajuta.

Pontuava-me como o dia pontua o horário da noite
e a noite, sempre ávida pelo escuro infinito,
saiu a contragosto para dar espaço ao dia
que chegava sem pontos, sem horários e confusamente aberto.

Suspirante, dizia-me silenciosamente que não havia
ponto algum e que a noite poderia chegar a qualquer momento,
talvez bêbada.

As suas vírgulas bonitas paralisavam os meus beijos
Que se transformavam em sorrisos esparsos
e aquela sua interrogação-para-si estancava algo em mim.

Fitava o meu olhar naquele cometa de letras de outrora e que, ontem,
encorpou-se em desejo.
O seu corpo segue a mesma ordem da conjugação das suas palavras
e a afirmação dos seus olhos me fizeram escrever
esse texto incompleto e propositalmente com sabor de ontem.

De quem engoliu, por pressa, os pontos e devolveu-me as vírgulas
todas fora do lugar
Posto que ainda toquei o teu o corpo quase-feito-menino-novo
como se, ainda no jardim da infância, aprendesse a esboçar uma letra ali.

Sou escritor de outras épocas
infantil, incrédulo e firmemente vacilante
descrever-me é impedir que chegue mais
e sei que não chegará
porque encontrei um ponto teu perdido
e coloquei aqui, nesse final.

Lourival de Carvalho

Aquela moça


O vento bate pela janela
temperado a luz do sol,
aquela jovem sorri.
Seu sorriso reflete a beleza que outrora primaveras jamais viram

Doce sorriso!
Jovem moça de cabelos negros e dona do mais belo sorriso dos sertões.
A mais formosa e exuberante flor da primavera sorri aos raios de sol
e encanta ao mais cético viajante com o dom de sorrir!

( Miguel Coutinho Jr.)

Por listras negras e brancas


Roupas, que apenas, delineiam seu corpo num "quê" indescritível
Saceiam desejos pecaminosos contrastados no íntimo desejo de, apenas, amar
Transcendendo o físico.
Indo além da alma.
Subvertendo fronteiras
E seguindo o simples desejo de, apenas, amar.

Olhos claros em meio uma batida "punk rock"
Fixamente olha...
Lindas íris contrastadas por listas negras e brancas
Enfatizadas por cabelos ondulados sobre os ombros!

Não há o que dizer.
Não há o que fazer,
Apenas rebatendo aquele olhar, quase virtual, com um desejo de, apenas, amar...

(Miguel Coutinho Jr.)

Poeta eu?


O poeta escreve a sena,escreve a sina
O poeta escreve a saga,escreve a sede
O poeta escreve o riso,escreve as lágrimas
O poeta escreve as viagens,escreve as paisagens.
O poeta escreve a vida,escreve o presente
O poeta escreve o futuro,escreve o que sente
O poeta escreve o passado,escreve assim e assado
O poeta escreve a felicidade,escreve o amor.
O poeta escreve o tudo,escrever é sua vida
O poeta escreve chorando,escreve no coração
O poeta escreve a fome,escreve a mesa farta do sim
O poeta escreve as grades,escreve no colo da solidão.
O poeta escreve a fé,escreve o que o que acredita o ateu
O poeta escreve o cordeiro,escreve o lobo mal e o bem
O poeta escreve o diabo,escreve a bondade de deus
O poeta escreve o parasita,escreve o simples eremita.
O poeta escreve a tempestade,escreve a mãe natureza
O poeta escreve o pesado fardo,escreve a sua leveza
O poeta escreve a beleza,escreve a meiga feiura
O poeta escreve a sombra,escreve a claridade.
O poeta escreve o calor,escreve o medonho frio
O poeta escreve o perdão,escreve muito obrigado
O poeta escreve a safadeza,escreve o carinhoso respeito
O poeta escreve a saudade,escreve a triste interrogação.
O poeta escreve

Geraldo Sadil