segunda-feira, 13 de outubro de 2014

T-shirt


Quando ali a vi vestida na camiseta do Ramones e jogando-me aquele pseudocharme, quase que me apaixonei, até cheguei... uma pena que era tudo fingimento e pouco bastou para que eu me desapaixonasse de quem quase amei. Mas não a desiludi,  disse que logo voltaria com uma garrafa de Ramones, gelo e red bull! Só que não... prefiro Jack Daniels e não voltei!

Giva Santos

Espontaneidade


Abre a roda.
Vamos brincar?
Roda, roda sem parar.
Queremos é gargalhar.
Correr até suar.
E com as mãos dadas cirandar.
Você não me pega!
Vem contar uma história.
Cultivemos a essência de uma criança.
Façamos da pureza, da sutileza, da inocência; o bálsamo da nossa evolução.
Que possamos ser crianças pra sempre!

Autor: Dhiogo Jose Caetano

tomada um


jodorowsky levou-me ao topo da montanha sagrada
onde apresentou-me a um escritor e a um professor que
aguardavam tarkovsky enquanto ouviam uma sinfonia
do lôbrego tchaikovsky em uma vitrola antiga e oxidada
observei pessoas do jazz que chegavam de new orleans
e pessoas coloridas que traziam flores em suas vestes
e pessoas que fitavam o céu com sofreguidões de titãs
eu pude ver o resplendor dos beatniks que tocavam
bongôs e se embebedavam com antimaterialismo e
eu avistei kerouac e ginsberg nus em busca de neal
cassady e suas mulheres e vi burroughs e alguns gatos
e algumas drogas e ouvi doors e o poeta morrison e
então começou a chover e a água inundou as poesias
simbolistas que estavam penduradas em um varal
que ligava rimbaud e verlaine ao flâneur baudelaire
jodorowsky abraçou-me e disse que frida e dalí não
se atrasariam e que guevara já estava sentado ao lado
direito de marx e logo vi que rosa luxemburgo também
estava ali com lênin e stálin e resolvi abrir uma pequena
porta e encontrei arendt & heidegger e beauvoir & sartre
e fechei a porta e caminhei observando todas as situações
que se criavam na minha frente e ouvi alguém chorando
e segui o som do pranto até encontrar um homem que
estava sentado em um canto e percebi que era nietzsche
e nada disse
apenas sentei-me ao seu lado
e chorei
e jodorowsky nos dirigiu

(Laís Grass Possebon)

À mão


pôs-se a dançar escondida
nela somente rendas e pedraria
e o encanto à mão esculpido

e a lua por trás das colinas
invejava sedenta sua libido
e sua nudez quase protegida

que a qualquer momento
se revelaria, fogo posto
crime contundente

apenas sutil, nada inocente
que quanto mais umidade
muito mais se acende

Eliane Barreto

À noite a saudade ronda, indecorosa,
a minha, a nossa esquina,
querendo um dedo de prosa.

Não dou confiança, finjo de morta
rejeito as lembranças, faço uma prece...
Não tem jeito, a danada vem bater à minha porta!

Ravenna Scarcela

Agora estou tão forte que
Desta força eu me admiro.
A saudade que doía
Hoje só dói quando eu respiro.

(Igor Roosevelt; 22/11/2012)

Ó minha alma, porque estais tão inquietas?
Por que te deprimes, dentro de mim?
Sarai-me, porque o desejei ardentemente
Sarai-me, porque o desejei perdidamente
Agora me veres neste leito, leito de dores
E se um dia alguém por pena visitar-me
Por ventura direi: que o amei
E peço pra nunca mais voltar.
'Ainda lembro-me do teu olhar'

Araújo, Bruna Caroline

Um “ser” lindo!


Confraternizando com seres de luz.
Em meio à Terceira Guerra Mundial, garimpemos seres de paz.
Criaturas do bem.
Disseminadores da boa nova.
Mestres do amor.
Conectemos com a natureza.
Entoemos o grito planetário de esperança.

Autor: Dhiogo Jose Caetano

Finjo


Finjo,
Finjo até não sentir dor
Entorno mais um gole da mais amarga cachaça
e choro pela dolorosa lacuna

Bebo vários goles
entalando-me de angústias
Tragando um porre de cigarro
Achando que minha murmúria vai passar

Finjo
Mas meu fingimento maior é fingir meus fingimentos
tão mal fingidos que um gole de cachaça desmascara-os pra humanidade

Pavel, 2014

Abraços livres


De vez ou outra me vem uma vontade de abraçar
Abraçar aqueles que em conflito vivem
Sentir o calor da humanidade
Absorver o calor dos sonhadores e dos bon vivant
Compartilhar os sonhos e inquietações dos revolucionários, dos revoltados, dos conspiradores

No bater dos ponteiros cresce a vontade de sorrir para os sintetistas
de afagar os bakuninistas
de camaradar com os comunistas
e quem sabe beber com qualquer outro anti-capitalista

Sem perceber seja um sentimento de coletivismo e fraternidade
que permeia os anarquistas
De ver em todos um pedaço de si
de caminhar como seres da mesma natureza humana
irmão da mesma genética, filhos da mesma terra

Poderia eu abraçar um dia qualquer indivíduo com o calor da humanidade?

Sem medo da mordaça que o povo vive
Abraçar... Como eu quero abraçar...

Free Hugs irmãos

Free peaples in the Earth!!

Pavel, 2014

Quero asas ...


Não asas de cera,
Quero asas de carne e osso
Que pulsem quando o vento bater.
Quero que estas asas se arrepiem
Quero que elas sejam quentes
Para que ao anoitecer
Elas me abarquem o corpo.
Dizem que Deus não dá asa a cobra
Mas ele deveria dar asa a alma
Para que pudéssemos atravessar o abismo sem cair.
Um ser de asas sente a dor de maneira diferente
Olhar a tristeza, a maldade de cima parece mais fácil.
As crianças alcançam os céus
Pois tem asas
As asas da imaginação .
Com ela podem buscar,
Amigos especiais
Nuvens, castelos e bondade...
Mas nunca vou me cansar de buscar
Minhas asas encantadas
Para que o amor esteja sempre no meu radar
E que as fronteiras não passem de chuvas fortes.
Para que eu só precise pousar para sonhar....

Yara Silva

Solitários


a tua solidão esbarrou em meu dorso
e embaraçou a minha brandura campesina
com a tua eletricidade isolada e todo o teu ardor
a minha solidão esbarrou em tuas costas
e se emaranhou em teu entusiasmo solitário
fluindo entre a minha prosa e a tua nueva trova
as nossas solidões se esbarraram em um corredor
qualquer e quem diria que duas criaturas sozinhas
neste tempo e por este ar iriam se esbarrar tão bem
como nós fizemos
as nossas solidões se esbarram todos os dias

(Laís Grass Possebon)

Coração de escambo


Sempre que imagino
Sempre que reciclo
Acabo no mesmo lugar.
Neste teu olhar
Encontro um meio,
Uma forma
De prender este sentimento.
Quando penso que me libertei
Que a tua sombra não existe mais
Esta tua essência aparece,
Com gosto de despreso.
Mesmo sem te ter por perto
Sem ter teu corpo
Entre um gole ou outro
Tua face vem me atormentar.
Maldito!
Me jogaste na solidão
Sempre quando penso ter me livrado de ti
Reaparece como fantasma.
Amor desgraçado este meu...
Decidiu te seguir
Aos trancos e barrancos
Com dor e solidão.
Coração burro
Deveria se dedicar
Aos que seguem tuas vontades
Mas não, sisma em querer quem não te quer
Quem maltrata, esgana e suga!
Queres aquele que usa o corpo
suja a alma
e mata a sentimentalidade.
Passa ano sai ano e sempre a mesma coisa,
Tristeza e frustração
Homem maldito!
Perdoa a pobre pagã!
Que teima em te querer
Em te esperar...
A luz da solidão
Que esfria a alma .
Mas façamos uma troca
Usa o meu corpo
Que te dou minha alma.
No escambo da vida
Vamos nos satisfazendo
Nos corroendo,
E esperando uma terna
Felicidade....

Yara Silva

Deixa a tua gira girar
Deixa teu corpo receber
Deixa teu Caboclo chegar!
Pois a tua alma é viva
Teu corpo é templo
E nunca se fecha um templo,
Te afasta do corpo e deixa entrar...
Quando passa na encruza
Salda o povo da rua
Dedica o primeiro gole pro santo
E vai!
O branquelo passou na macumba
Dizendo que lá só tinha capeta
Que ia rezar ave maria pela proteção,
Quando me espanto
La esta ele, tremendo todo
Caboclo puxando ponto...
Quando a gira começa a girar
O caboclo começa juremar
Espera a beleza que vem...
Atabaque, adjá e nêga baiando...
Neste instante tua alma pulsa
Tua boca seca
Pois a gira vai girar...
Pega teu filho pra ensinar
Que preto tem cultura
Que preto tem dialeto e linguajar
Ele canta em iorubá !
Te afasta do corpo
Deixa o erê pular
teu preto velho dizer,
Que a vida é pra viver
Que o sofrimento é passageiro
E que a alegria é a força da vida!
Pois quando a gira girar
E o Caboclo cantar
Tudo vai se assentar.

Yara Silva

Au revoir, Silêncio!




Eis me aqui neste quarto esquecido
Tantas vezes na agonia eu havia sentido.
caminhos errados de uma mente estranha
tenebrosos desejos que meu coração apanha.
Sinto uma enorme agonia no peito
Procuro sua voz no meu sonho deitado em meu leito.
Uma alma perdida buscando sua paz
O que o mundo pensa pra mim tanto faz.
Procuro uma maneira exagerada de consegui um amor
Por mais que eu tente não consigo seja onde for.
Nestes versos e frases eu me deleito
Procuro minha resposta seja de qualquer jeito.
Tenho um sonho a ser realizado
Porém minha mente conturbada têm me calado.
Tristezas,mágoas,arrependimentos
Tortura minha mente se alimentando de meus sentimentos.
Tudo que me resta é meu passado vivido
Esse texto foi feito por um desconhecido..


Cristian Muchilla

sábado, 20 de setembro de 2014

Na voz do Vaqueiro



Tirei versos de saudade
desse meu coração bobo
na lua encontrei versos
sou passarinho, gato e lobo
mandei bordar numa fita
minha flor é mais bonita
que as atrizes da globo

Me jogando no seu jogo
uso da força motora
meu coração é sem freio
ela é coordenadora
Dando norte pro meu dia
rendido em sua magia
de Deusa encantadora

Beleza ímpar, sedutora
me atrai sua alegria
seu cabelo é de ouro
tem cheiro de poesia
elas nasceu para brilhar
só ela pra me inspirar
sorriso que contagia

E na sua companhia
toda porta é aberta
Independente, sonhadora
iluminada, é completa
eu já li o seu sorriso
todo amor que eu preciso
minha estrada correta

No rodar do mundo louco
demorei pra me encontrar
Sei que Deus me fez poeta
O mundo pode confirmar
Nascido pra fazer versos
Consciente, o progresso
Meu destino é só amar

Na força do teu olhar
vejo o mundo colorido
o teu corpo perfumado
é o meu jardim florido
A Rainha da floresta
Nascida pra fazer festa
Nesse meu coração sofrido

Cavalga, tempo corrido
Mundo gira com demora
preso em minha vontade
de ta nos seus braços agora
Tempo se fez de opressor
do meu coração sensor
que vive contando hora

Manifestação sonora
no ouvido só carícia 
bem-te-vi encorpado
versejando a primicia
vem pra aliviar a dor
falando do meu amor
veio em trazer notícias

Sou um rio de versos
Em cachoeiras se derrama
manifestado em calor
aberto quando se ama
só é bom ficar ligado
e tomar muito cuidado
pra não incendiar a cama 

(Marcos Medeiros)

domingo, 14 de setembro de 2014

Um vento morno deste teu peito velho


Tristeza ...
moinho silencioso de versos gritantes
nas tuas voltas gigantes,
o desgaste que abala o leito:
um vento morno deste teu peito velho
fazendo um punhado de risco na terra;
úmida, embebe o queixo, o pescoço e o chão

Tristeza ... assim, só pra ser poesia
te calar, um dia só, poderia?
inverso; rasga o seco do palavrear
das coisas não ditas em olhares
dos beijos malditos de pesares,
escavando a tez do juízo
sem aviso, numa caça perdida ao coração

André Café



Qual tristeza me leva?


Há um quê de mutação nesse sentir
traduz-se de cinza e retrovisor
com um calor de quem está por perto
mirando naquilo que vai distante
dum reflexo roto, num abismo frio

Muda, o caleidoscópio de dor
num afastar dilacerante do eu
para onde for o que não sei,
da tristeza que se dizia antes
durante o cair do silêncio

Transformando-se a cadafalso
eu me guio para direção errônea
o que seria antídoto, é placebo
mirando naquilo que vai distante
alheio profundo, meu medo do mundo

André Café

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Quando o sol em mim se por



Os olhos do passarinho
por te achar tão bela
fez versos de aquarela
numa forma de expressar
A vontade de cantar
Repousado em tua rede
quase morto de sede
de no teu fogo se saciar 

Nas cores desse passarinho
encontro o mapa do caminho
das paisagens douradas, mais belas
Rosas de ouro, flores amarelas
Oasis, encantos do norte
No ponto brilho mais forte
teu sorriso de luz entre elas

Explosão do sol, chega a arrepiar
olhar de esmeralda, o mais lindo
por do sol rosado, você sorrindo
Vento das flores a te soprar

Voa suave, borboleta dourada
Riqueza da graça, cor derradeira
Frasco de doçura da cachoeira
Graciosa presença de fada

Pluma dourada da primavera
Transbordada entre a pureza
Manifesto de luz da natureza
Sorriso da criança mais sincera

Sopro de amor e serenidade
Partícula da fauna e da flora
Dourada de dentro pra fora
Beleza fluída em verdade

Uma vontade meu coração belisca
Sol me queimando por dentro
coração feito de terra, do centro
Criatura do olhar de Faísca
Flor do Sol, misteriosa constelação
Universo de paz e alegria
desaguado em verso e poesia
com efeito do raio e trovão

Luz que brilha onde eu for
caminho das flores e clareza
o mundo se renova em beleza
quando teu sol em mim se por

(Marcos Medeiros - 03.09.2014)