quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

TODOS OS DIAS ESTARÁS EM MEU LEITO

Sei que seus pensamentos
Encontram-se perdidos em outro alguém.
E de pensar me sentencio a encarar a dor
De não ser aquele que arrancou
De seu íntimo os suspiros
Mais fortes e mais intensos de amor.
É um martírio que devo carregar
Em minha longa jornada
Em busca da paz de espírito.
Mas quem não já andou sob o pesado fado
De uma vida castrada pela metade?
Deveras, não a verei mais
Quando olhar para minha cama ao amanhecer
E nem à noite ao deitar.
Meus momentos de refeição serão solitários,
E os filmes que com prazer assistia a teu lado
Talvez percam o sentido de outrora.
Ainda assim, carregarei no peito
A alegria de viver na mente
 Que todos os dias estarás em meu leito.
OLHOS FITOS NO FIRMAMENTO

Olhos fitos no firmamento
A procura de um sinal sem Lamento.
Mas apenas ecos mudos de nada
É o que eu escuto até o cair da alvorada.
Mas uma vez regresso à casa assombrada
Com a frustração e a dor n’alma enraizadas
Sem esperança de que o porvir em algum momento
 Me traga de volta a felicidade demasiada;
E varra para o vale do esquecimento
O tormento que se alimenta dos meus lamentos.

HÁ QUANTO TEMPO

Há muito tempo
Não sentia na alma
Sensações iguais as que aqueciam meu viver
Na minha doce mocidade.

Tu és o anjo enviado por Deus
Para trazer-me de volta
O brilho da juventude
Que ficara perdida no passado.

Teus olhos são como luz divina
Mais intenso que mil raios.
Teu sorriso, como o jardim do firmamento
Cheio de encantos.
Tua voz, o mais belo cântico divino.

Deveras, a chama do amor febril
Agora aquece meu coração
Porque a luz intensa do teu ser
Ilumina minha’alma
Que não mais sabia
O doce gosto do bem-viver.

Ímpeto do perfume Torpor



À espera de uma atitude sublime
inevitavelmente fatal tão quão saudável
improvávelmente o suficiente para me satisfazer
em minha inviolável e abominável estação

Mas mesmo assim te permito que repita
em voz clara e em boa entonação
que o que escondera foi apenas alusão
de pensar consigo numa manhã escupida
como se fosse admitir e induzir certezas

Não a permito que faça uma versão
do achar sem ser procurado
em um refúgio de palavras sensatas
se alastrando pelas vielas mentais

Oh! minha donzela, façais algo!

Tão breve como neve em um dia de sol
derretendo ao calor do vapor
em um queimar que reflete as cinzas
do passado tenebroso que ficara pra trás

Faças um ímpeto desesperado
desabrochar dessas suas belas mãos
entrelaçadas e atadas em vós
Espero que dote um manar lúcido
que exprima um incessante fôlego
convertendo-se em uma ofengante expressão

Oh! milady, façamos algo!

Sei que falta algo aqui, aqui, dentro de mim
Talvez as vozes que me atacavam de todos os cantos
Não a sua voz em coma
Que se alimentava de gestos
Para sair do real vegetativo
E reviver em nossas manhãs

Contraiamos o perfume da sabedoria do amor
Volte antes que me perca entre os cachos
Do meu vazio cobertor
Sente se acalme e sinta o torpor
Para que não me negue por duas vezes
Para que não nos percamos entre a dor

Venha e se vista
Com a mais bela vesti
Externa de um amor eterno
Juntos internos brilhante feitiço de cor.

Carlos Augusto & Myrla Sales

29 de fevereiro de 2012, às 14h30

Não-regresso



(Mayara Valença)

Inefaveis evidências




Eu não quero uma presença que me arranque da cama ou que me faça despencar das nuvens quando sonho...
Eu não quero uma presença cheia de “não me toque” e nem precisa tocar meus ouvidos com sua voz...
Eu não quero que afague minha pele, nem me faça subir em montanha...

Onde está o toque real, que mesmo pelo pensamento, me tira a base e mesmo sem dar pinta quase sufoca em uma palavra?
É o toque sutil, que tira o ar, o sono... tira o véu num beijo, num arrepio
Presença calma que estressa os órgãos, me deixa elétrico e bobo,
Tolo ao pensar que sem essa presença existirá só a morbidez...
Estou entre os meus melhores colapsos mentais
Brilhante eles me deixam seguindo a esmo
Sem imaginar no horizonte ,sem ter que precisar passar por isso sem sofrer
Hoje aquele não querer cheio de querer já não me pertence mais .
Penso aonde que errei para não te pertencer
Me desculpo ao saber que sempre serei assim
E ao mesmo tempo me contagio com a alegria que transborda em meu ego
Ao constar que estou sendo certo no caminho que escolhi.
Na verdade eu nunca queria essa falta de querer,
Mas eu posso evita-la e ao mesmo tempo arriscar pelo o que a por vir
Posso ter o poder de sorrir ao ver que você esta se precipitando
Com alguém que com o tempo só tentou encontrar algo de verdade e se redimir.
Com as minhas inefáveis evidencias concretizei
Que eu consigo,sozinho transformar meus grandes segundos
No mais real possível e sentir que você não é o meu bloqueio de simpatia
Sou bobo, sou leal , sou amigo ,sou o meu possível natural
Sou o que sou pra mim,sou o que sou pra todos vocês
Sou o que dentro do seu mundo
Sou feliz porque no errante dele eu escolhi viver
Sou o mórbido em trafego de manipulação
Tentando com o mais eficazes alibes
Que consigo ser feliz sem ter você para sofrer
Sou o que não me identifico mais
E entre os sou estou perdido
Ainda tentando te encontrar
Tentando saber que não quero conto de fadas
Nem mares indomáveis
Sem o sem do seu lado
Sem um você aos meus cuidados
Ainda sonhando em suas mãos conseguir aperta-las
Em seu lado morrer como o seu olhar
Aos nos deitarmos, a enfim te tocar
Estou a tempos enrolando tentando
Manipular as regras do meu próprio jogo
Mas sei que no canto de lá
Aonde nem imagino esta
Eu continuarei sozinho
Continuando dormir para ter a permissão de uma vez com você sonhar .

Myrla Sales & Tody '
29/02/2012



Eu que não sou dessas, nem daquelas,
tampouco me encaixo naquelas.
Nessa querela, sou consoante destoante.


Fernanda Costa

Sépia em cor




Uma novidade, para alegrar-me o dia
Uma pitada de sal a mais
Uma xícara só de euforia

Moeda no chão da esquina
Livro achado por acaso
O telefone daquela menina
Um copo de vinho raso

Qualquer coisa, que me desperte
Que me lembre que não é tudo o mesmo
Um gole do que não me deixe inerte
Um caminho que não seja à esmo

Um telefonema da China
Uma carta de amor do Usbequistão
Uma visita repentina
Um copo de café preto-ilusão

Uma cor, um sabor, um toque
Uma novidade que me aqueça e choque
Por que o que é comum, da rotina
Já me cansou os olhos, não sai da retina

E eu preciso de menos do mesmo.
E mais do que eu nem sei dizer.


Fernanda Costa


tanta tinta
tingindo tua tez
turvos tornam-se
traços teus
transcendendo o tátil
torpor do toque
por um triz

tira a tinta
and
self-sirva-se please


(Mário)
(Foto: Sofia Neto)


ideia boa em cabeça dura
tanto bate até que
cansa.


(Mário)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Bebericar

Mantive-me débil durante todo o dia. Ora olhando para fora da janela observando as casas, os passantes; ora bebericando qualquer coisa para me manter absorto na leitura, umedecendo o pensamento que, agora lido, segue seu próprio fluxo associando-se às minhas lembranças. 

Quando se permanece débil é que se tem o entendimento do fluxo, e o entendimento é um grande susto como o despertar com a porta sendo batida pelo vento. 

Muitos pensam no entendimento como a abertura sequencial de portas sem sequer levar a mão para girar a maçaneta, enquanto as percorre como Moisés atravessa o Mar Vermelho... o mar agitado sob uma barreira de contenção invisível, pronto para rebentá-la. 

Como disse antes, o entendimento é como despertar com o estrondo de uma porta sendo encerrada em seus limites. O corpo excita-se: as narinas abrem-se para que os pulmões resfoleguem, a adrenalina é liberada no sangue e as pupilas dilatam-se como um obturador ansioso por receber luz. É como renascer mais velho, mas apoiado sob nova ótica; a ótica do invisível, do entendimento fora da compreensão tanto espezinhada dentro dos livros. 

Fora isto, continuo usando a palavra bebericar, porque combina com qualquer coisa que está às mãos, enquanto se precisa de entendimento intelectual.

Originalmente postado em 
http://fazumpacto.blogspot.com/

CENTRO DA CIDADE



O CORAÇÃO DO MUNDO
É O CENTRO DA CIDADE
O ENCONTRO PROFUNDO
DE VAZIA RECIPROCIDADE

RAIAR DE SOL FECUNDO
DAS LEVES TROMBADAS
ATÉ RELAÇÕES RÍSPIDAS
RÁPIDAS APARIÇÕES DO SER
ARVOREDO NO AMANHECER
MENINO, INFÂNCIA PERDIDA
BANDIDA POSIÇÃO, INSTANTE
CONSTANTE RISO, ESTUDANTE
MULHER, COMPRINHAS EM LOJA
ANDORINHAS COSIDAS, SACOLA
PEDINTES QUE EXIGEM ESMOLA
E IDOSOS SENTADOS NA PRAÇA
CICLISTAS PEDALAM DE GRAÇA
POETAS QUE INSISTEM PANTOJA
DE VISÃO LASSA, INGENUIDADE

DE VAZIA RECIPROCIDADE
O ENCONTRO PROFUNDO
É O CENTRO DA CIDADE
O CORAÇÃO DO MUNDO

POR ALDERON MARQUES
DIA 28/02/2012

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

FIGURA INQUIETA



O HOMEM POETA
FIGURA INQUIETA
SIGNIFICANTE SETA
UM ESCRITO ENCETA
A PALAVRA INCERTA
DA VIDA CONCRETA
TENAZ ENCOBERTA
LOGO DESCOBERTA
PELA VIA INDIRETA
VERSA ÉTICA RETA
SUA MAIOR META

POR ALDERON MARQUES
PARA TODOS OS SÓCIO-POETAS
DIA 27/02/2012

Sobre o cantar nas conjugações

Conjugar ao cantar
Da melhor forma
Que poder entoar
Para o vento
Para o leitor
Para ser seu alimento
Te ajudar, ser o seu cobertor

Nem sempre as formas
Que veem nas conjugações
É a minha forma correta
Eu brinco
Eu acerto
Me desdobro nesse pseudo mundo
Mas não me aqueto
Por isso que da minha forma
Do meu presente
Eu consigo conjugar correto

Eu- posso cantar
Tu- pensas que cantas
Ele- pode ser que canta
Nos- talvez cantamos
Vos- quem sabe cantais
Eles- dizem que cantam

Mas so canta quem canta no canto
Ou em outro lugar
Que tem o dom de cantar cantando,
Contando canto para encontrar
As conjugações lhe mostra algo
Ate conseguir te iludibriar
Mas nem sempre elas indicam
Que voce saiba cantarolar

Myrla Sales

Parcelas suspensas no mundo do ar: Caleidoscopicamente


Pensamento sino
sibilando em silêncio
acordes dissonantes
de tino replicante
tac-tic-tlim, fim ao começo
do avesso
tlim-tic-tac, marque agora
no seu peito
sobre o feito desatino
vai surgindo e exaurindo
vai clamando e flamejando
faz-se frio, revelando
corpo nu, vestido em relva
imagem em espiral
reinventada,
ao fundo, mangaba
na beira do rio
tac-tlim-tic, o vento espalha o pensamento
sino ... duas horas à beira de se chegar distante
de onde se queria estar
nem o truque d'alvorada vai aliviar
o tac-tic-tlim, ressoando sempre assim
pra rimar com o pirilim
do pó mágico gritante
que digna-se ao errante
ceticismo alienante

André Café


Eis vazio



Dentro de mim há uma vida desmanchada em sangue.

E nem sorrisos, e nem andares, e nem Clarice. E nem dizer que todos somos iguais, que não se joga lixo no chão e que somos apenas marionetes tentando arrancar a corda que nos embala. E nem teorias eu aplicarei porque preciso estudar e não tenho tempo pra outra alma que não seja a minha.

" Quando acabará isso tudo, estas ruas onde arrasto a minha miséria e estes degraus onde encolho o meu frio e sinto as mãos da noite por entre os meus farrapos?" B. Soares

Tassi

Achei um papel que me dizia o que não era o Amor


Um dia, caminhando rumo à escola, achei o que mudaria o sentindo de muita coisa na minha vida. Nesse dia eu tinha chorado, tinha sofrido pela primeira vez. Nesse dia presenciei papai e mamãe discutindo, brigando na cama do quarto. Foi terrível, os dizeres feriram minha audição como se fossem brasas entrando em meu ouvido, e isso doeu tanto que, Meu Deus!, nunca sarou. Ainda tenho aquela imagem deles dois afastados, com incríveis sinais de raiva e decepção no rosto. Acho que brigavam por alguma coisa chamada de confiança e dedicação. Isso devia ser muito importante pro papai, porque ele repetia o tempo todo que era disso que ele precisava e que foi a mamãe quem perdeu. Ah, mas se eu encontrasse-as...
Fui ao colégio, já era hora da minha aula de inglês. Fui sozinha, preferi. Só conseguia olhar pro chão, até parecia uma ação proposital. Olhava pro chão procurando salvação, só podia. E é o que eu mais lembro daquele insólito dia. Parei. Uma surpresa. Algo parecido com aqueles papeizinhos pequenos e finos que a gente encontra dentro de um biscoitinho da sorte e ele estava coberto por areia, e balançava um pouco, ação do vento; Cheguei mais perto e tive certeza, era sim um daqueles papeizinhos finos e pequenos que a gente encontra no meio de um biscoitinho da sorte, e nele estava escrito: '' Quando for amor, você saberá. E se for amor e ele se for, ele voltará". Li o papelzinho até o final da esquina, que me levava de casa pro colégio, e caminhei o tempo todo com aquela vontade de voltar lá em casa e dizer que eu tinha lido, que eu me importava com eles, que essa briga poderia ser perdoada. Voltei. Sai correndo pra casa, tive medo de não conseguir chegar, meus pés e mãos ficaram pesados demais, a respiração estava pra me matar.
Devo ter esquecido minha mochila no chão, mas segurava forte aquele pedaço de papel, ele parecia ser o que de mais sagrado eu teria lido. Era diferente daquilo que eu via todo dia lá em casa. Cheguei. Entrei no quarto e a cena era quase a mesma: mamãe ainda estava na cama, com incríveis sinais de raiva e decepção no rosto. Era como se realmente alguma coisa não tivesse dado certo. Foi quando percebi que ela não tinha nem notado minha presença, eu tive pena do seu rosto. Eu tive pena de vê-la. Foi nessa hora que estendi minha mão diante do seu rosto cabisbaixo. Apenas eu estava contente, alegre, querendo fazer algo certo naquela bagunça. Mas ela fez um olhar de indiferença, e eu ainda insisti. Ela levantou a cabeça e disse, num soluço: - "Ele se foi. Não há mais pai pra você, e o mundo acabou pra mim." Eu também falei algo, e falei sobre o que eu tinha lido: - "Mas ele vai voltar. E eu vou esperá-lo. Não vai demorar, a senhora vai esperar também!" O dia acabou ali. Ou eu não lembro do resto.
Só que eu espero até hoje. Nunca veio, nunca virá. Deixei a inocência da infância jogada na mesma cesta de lixo em que joguei o papel. Hoje espalho tirinhas finas e pequenas por esquinas que passo. Mas tive cuidado no que dizer. Talvez você encontre alguma te dizendo algo parecido com isso: "Não há amor que te faça esperar pra voltar"
(Rosseane Ribeiro)

Um Sonho Poético

Lauret Laveder - Sabine joue au ballon avec la Lune


Naquela noite...
Participei de um banquete dos deuses...
O espírito grego romano preparou a mesa onde os mais diversos paladares estavam presentes, quando do Olimpo ouvi aos ecos o som dos meus poemas.
Dionísio pessoalmente bebeu vinho do saber, quando repetia seguidas vezes os meus versos, poemas e letras como cânticos líricos...
Sarcasticamente as musas brincavam com as rimas.
Na terra os homens invocam os deuses.
A paz, a igualdade social avassaladoramente invadia as ruas, cidades e guetos.
Os versos pairam no ar e se tornam insufladores dos excessos através da história.
Vejo a luz de um novo mundo, que se inspira nos versos de libertação, amor e igualdade entre os irmãos.
Aquele momento era tão real, tão concreto...
Mas tudo se findou em um simples desperta...



Dhiogo Caetano
Uruana, Go


Plano eficaz que esconde toda a Grande obra,
a exata excelência dos paradigmas seculares,
repensados pela tempestade e o ímpeto,
por séculos novamente, inspiram.

Universo estético ou submerso, no nada
arrastando o belo e o tolerável, abismo de tudo
na grandeza das concepções,a replica do interior
representação do macro e do micro,o Nada que tudo tem

Apenas respirando, o suficiente triunfo martírio
a introspecção alusão a todas as quimeras do metafísico
olhando a vida, reflexo da subtração eterna

Árido e imenso, enfermo de tuas crenças crescentes
tão descrente, espírito ou físico inexistentes
ascendência do elo ou consciência materna

Importância das incertezas e conclusões
perguntarei – te no amanhã, sob desilusões
hoje fazem parte do ser, mesmo sem ser...

Pedrus S. Paz

Início



A cada instante me perco em meus devaneios
Me questiono
Diminuindo cada esperança
Jogando terra no fogo
Só que o amor
Nos laça como boi na vaquejada
me pego de um jeito, não sei me soltar
Eu não quero amar
pois sei o futuro
E sempre igual o termino
é inevitável
Pelo menos foi isto que eu vivi até hoje
Será que você é "aquele''
Que um dia eu tanto almejei?

Allana Káss (♥)