segunda-feira, 25 de junho de 2012

O que fazem os ipês


Na folha do ipê,
flutuo acima do cheiro de sangue,
não o sangue tinto e leviano, desarranje
o sangue em partes de calamidade.

O olor dissabor, desmistificador me faz assim,
cogumelo com cheiro de jasmin.
levitar,

Enquanto o pôr-do-sol evapora a tarde
que se invade de noite e de boêmia
trêmulo dia, em gozos e possibilidades

O sol faz tremer,
a linha do horizonte só miragem,
o desespero pesa na bagagem,
milhas a fora para desbravar

Dança do calor,
caleidoscópio não existe mais,
anoitecendo por todos os vitrais
Deus a louvar,

Enquanto o pôr-do-sol evapora a tarde
que se invade de noite e de boêmia
trêmulo dia, em gozos e possibilidades

André Café, A girl with kaleidoscope eyes, Rômulo Vieira e Marcos Foyce

Grave


Grave,
a gravidade,  me nego,
pisa o piso raramente
meus pés tocam o céu e a gota de chuva
muda se enroscando no selvagem
pela milhagem no horizonte turvo,
me curvo e curvado, faço o inverso
terra molhada, os pés na lama, barro, origem
vertigem boa melinificada de conspirações
grave é não perecer ao inominável

André Café


Aquela canção


No playlist, numa surpresa encomendada
aquela música furtiva, aquele anseio marejador
enquanto um videoclipe rouba-me a visão
entre as árvores e paisagens, saltos de imagens em vida
às vezes bom, às vezes boom, às vezes anum de saudade
por pouco mais de 300 segundos, mil vidas e mil sensações
infinitas canções em apenas uma melodia,
o sabor da sinestesia, palpita na língua e no coração
...
fim da canção
frenesi da pele encharcado em nostalgia

André Café

Gruda 2


O surto poesia,
me enche em demasia,
de grito e alegria.
daquilo que sentia
com a força que surgia
em cores explodia
enchendo o que havia
vazio pelo dia
num misto de euforia
amor e cantoria
grudando poesia
liberto coração!

André Café


Qual me prende? *


Devaneio ... me leve
por locais de cais subversivos
um surto sentido de ser vivo
leve e inconsequente

Apenas me guie sem rota,
sem rosa-dos-ventos, perto do limite rendado
suspenso do medo,
do enredo com fim
nos confins do receio
leve-me ... devaneio

André Café

*Trecho da Música Mapas do Acaso - Engenheiros do Hawaií

Bzzzzzzzzzzzzzzzz


Meu gene da incerteza certamente foi desligado
não reconheço o euz, não a tiz mordaçadoz
num cózigo zimzples fui dezozificado
em um zozo de zerezia tranzmuzado
rezentazo
azo
bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

André Café

Seven months without you, dad.


Sete meses,
Ou sete dias?
Sete horas mal vividas.
Onde só via a morte.
Até te ver, sete horas depois,
Morto, faltou-nos sorte.
Sinto perda,
Dor, incerteza.
Medo por não estares mais aqui.
Mas sigamos, já se foram sete.
Depois chegam os sete anos.
E muito mais, continuo caminhando.
E a saudade permanecerá.
É uma pena, as sete horas,
Ao acordar
Não poder mais te encontrar.

domingo, 24 de junho de 2012

Pimenta



Pra dar mais um gosto na vida,
Pra despertar dessa letargia,
Pra calientar tudo isso.
Arde como menta,
Mas é pi-menta.
Corroi mais não destroi.
Frescor e leve dor.
Parece vc...
Que não mata, mas maltrata.
Que não odeia, mas também não ama.
Tão indefinido quanto a pimenta.
Ho-mem
Pi-men-ta
Não é igual!
Mas dá azia do mesmo jeito...

(Hercilia Raquel Mendes, 09/10/2011)

sábado, 23 de junho de 2012

Sobre um amor desesperado que me deixou saudade

Como te perder, se nem sei esquecer dos seus beijos; Se nem sei controlar meus desejos- que são seus também; Como te esquecer, se não sei se sou de mim ou de você. Como é que vais me perdoar, assim, meio que por ser desatenta, por te assustar no meio da noite, por te pedir abrigo, por te arrancar palavras sem sentido, que já virou mania de te amar.



Como é que vou me acostumar, se escondo teus pelos no cobertor- pra depois te admirar de perto-; Se toda a casa lembra você; Se as músicas que ouço eram escolhidas pro seu prazer. Devo dizer que não há como manter o costume de ter o par, já que o par não se sustenta sozinho; que a solidão é o melhor castigo pra quem não sabe acompanhar; E os dias serão piores, os bons ficarão no pensamento, na esperança de um dia acontecer de novo: os risos fáceis, os abraços inesperados- que sempre terminavam em beijos-; aquilo que eu queria que nunca terminasse, só enquanto durava o que era bom.
Talvez não tenhamos tudo de volta, talvez não tínhamos tudo ao nosso alcance, tudo ao nosso dispor. E tínhamos quase tudo, menos a nós mesmos. Hoje, nos aproximamos cada vez mais, de lados opostos, à mesma direção da solidão.

(Rosseane Ribeiro)

Sobre as nossas estações









Ah, os teus lábios doces!
Me perdi no labirinto
Dentre dentes e salivas
O teu sorriso cálido que embala a noite

Entre tantos corações e mãos suadas
O meu ser clama desesperadamente
Pelo o teu alento e tua canção de ninar
Que se seguiram em noite de verão

Depois de tantos erros e arrependimentos
O enlaço dos teus braços me prenderam
Feito nó

E o céu em coro declama
O quão lindo será os verões
Os invernos, outonos
E tantas primaveras!

(Gabi)

of the moon.


Mereces gratidão
Louvor, reconhecimento
Pois adentra em meu pensamento
Sentimentos de admiração.
Agradeço por tu inspirares,
Em qualquer que seja tua forma,
Com inigualável beleza, grandiosa,
Versos pobres, na boemia, nos ares.
Oh! Musa da poesia
Em músicas tantas,
Diviniza-te e encanta
As noites nossas de cada dia.
Mesmo que iluminada
Divides o brilho,
E teus pseudofilhos
Vivem perdidos à admirá-la.
Sou apenas, dos humanos, um
A admirar "tua" luz
Que, do sol, reproduz,
A querer conhecer também
The dark side of the moon.

Ego Brain


Dois humanos conversam,
Jogam na mesa seu pensar.
E começaum duelo
De ideias formuladas,
Enraigadas.
E o combate apenas começou.
Por que é tão difícil o consenso?
Oh! Humanos,
Por que tão convencidos de si?

Sangue, fogo, e uma pitada de algo mais.


Carrossel da vida,
Perigoso brinquedo deste parque de diversões.
Diversão? Para quem?
Complexo modo de viver, vivendo emoções.
"Fogo que arde... Sem se ver?"
Carrossel que gira perigosamente, entonta corações.
Girem, pobres pulsantes!
Bombeando sangue, fogo, loucura, criações.
E me deixem, enfim, descansar.




Queria poder viver todos os dias
Olhando as estrelas desenhando um sorriso no céu
Destilando em cada taça uma dose de felicidade
Para brilhar sem fim a nossa mocidade

Nesses dias ainda são incontáveis os goles
De venenos que escorrem feito as lágrimas
Que tocam o chão sem render mazelas
Numa canção custodiado em cela

sexta-feira, 22 de junho de 2012

ACORDADO




ACORDAR
DESACORDAR
FAZER ACORDOS
REFAZER ACORDES
QUEBRAR ACORDOS
DEDILHAR CORDAS
E DESPERTAR
...
ACORDADO!

ALDERON MARQUES
DIA 21/06/2012

NE(SS)E(C)IDADE




NECESSIDADE
NESSA IDADE
NESSA CIDADE
MAIOR IDADE
COMPLEXIDADE
E HOMBRIDADE

NECESSIDADE
FEMINILIDADE
CAPACIDADE
FERTILIDADE
FUGACIDADE
NESSA SEDE

NESSA IDADE
NESSA CIDADE
NE(SS)E(C)IDADE


POR ALDERON MARQUES
DIA 21/06/2012 CIDADE

NADA, NADA




QUANDO NEM SE PENSA QUE PODE, PIORA
EXALA DO SEU CORPO SUAS NECESSIDADES
A FOME, SEDE, O SONO, SEXO, CADÊ NEXO?
E COMO HÁ DE SUPRIR TANTAS EXIGÊNCIAS
MINORAR A DOR E O SOFRER SEM DEMORA
SEU CORPO CONVULSIONA, GRITA E CHORA
VIVIDA A IMPERFEIÇÃO, ENCETA O BUSCAR
ETERNO MOVIMENTO, LIGEIRO PARALISAR
O AGORA É O MESMO OCORRIDO ONTEM

METICULOSO SABER QUE NÃO TE ACALMA
AO CONTRÁRIO SÓ MAIS AGITA TUA ALMA
NEM MAIS SE PENSA SOMENTE SE DEBATE
O QUE? NÃO TEM ESPAÇO PARA RESGATE     
SEM PALAVRAS QUE PODERIAM LHE DIZER
ALGUMA COISA! SÓ VAZIO ADVÉM AGORA
FRUSTRADA AS NECESSIDADES CONTORCER
A FOME, SEDE, O SONO, SEXO, NADA, NADA
SUA NECESSIDADE MAIOR É MESMO NADA!


POR ALDERON MARQUES 
DIA 20/06/2012

FALTA




VOCÊ EM MIM FAZ A FALTA,

PORQUE EM VOCÊ HÁ FALTA

DA FALTA QUE FAZ EM MIM!



POR ALDERON MARQUES
DIA 20/06/2012

CARTA-POEMA DE UMA HISTÉRICA PERMISSIVA



SIM, EU ADMITO QUE SOU HISTÉRIC(A), NÃO DAQUEL(A)S QUE FICAM PARALISAD(A)S OU MESMO QUE SE DIVIDE EM DOIS PEDAÇOS, MAS DAQUEL(A)S QUE ACEITAM A INCOMPLETUDE, ESSA TAL ESSÊNCIA DA EXISTÊNCIA HUMANA.

SIM, EU ADMITO QUE SOU PERMISSIV(A), NÃO DAQUEL(A)S QUE ADMITEM QUALQUER COISA, MAS DAQUEL(A)S QUE ACEITAM A VIDA COMO ELA É! E CONSEGUE AMAR MESMO EM MOMENTOS MAIS ADVERSOS ESSA TAL ESSÊNCIA DA EXISTÊNCIA HUMANA.

SIM, EU ADMITO QUE SOU UMA HISTÉRICA PERMISSIVA.

POR ALDERON MARQUES
DIA 20/06/2012

HISTERIA PERMISSIVA




Humana compostura
Incomum representar
Sistematicamente ar
Temerosa alegrura
Enredado desfecho
Rebatar do desejo
Interior recalcado
A mulher histérica

Permite-se dançar
Élan sutil periférica
Resgatar da palavra
Magnificiente a lavra
Inteligência sem igual
Sussurrada ao ouvido
Suspende todo o mal
Igualmente à Cupido
Volteando o coração
Alma cheia de paixão

Por Alderon Marques
P/ toda(o)s a(o)s histérica(o)s
Dia 20/06/2012