quarta-feira, 25 de julho de 2012

Diga não há drogas


Áureo João de Sousa. Teresina-PI, 24 de Julho de 2012.
 
Enquanto há tempo, Diga não às drogas:
Só Jesus salva à toda a humanidade de todos os cantos da terra,
Ele é o único e verdadeiro;
É o único caminho,
A única verdade.
Sem Jesus, Nada Prospera, Nada Pode, Nada é e Nada Será!!!
... 
Diga não às drogas, com a voz de fogo ardente:
Minha religião é a única verdadeira de Deus;
Meu templo, o único lugar que a divindade se manifesta;
Meu ritual, único e certo, sem o qual o mundo caminha errante e falível;
Minha oração, meu mantra, a única linguagem que o sagrado atende;
... 
Diga sempre não às drogas; a todas elas:
A Ciência tudo pode prescrever:
A origem, o meio e o fim,
as partículas que ligam a vida e os limites da morte.
Fora de sua verdade, do seu método e tradição, nada está seguro.
Sem a Ciência, Nada Prospera, Nada Pode, Nada é e Nada Será!!!
... 
Diga não às drogas, sem censura:
Só há saber em meu saber,
Só é lugar o meu lugar,
A história é a minha história só;
As culturas, os modos de ser e de fazer,
Minha cultura basta.
... 
Diga não às drogas, quando puder:
Ao consumo que te consome,
Ao Deus que te come a vida e saboreia tua morte;
À Ciência que te reduz e te aniquila!!!
Ao modo que te molda presa!
Diga não e diga sim, pela melhor escolha
que puder escolher.
... 
Referência:

SOUSA, Áureo João de. Diga não às drogas. Disponível em <http://aureojoao.blogspot.com.br/2012/07/diga-nao-as-drogas-poema-poesia-e.html>. Acesso em: 24 Julho.2012.

Brasília



Um comunista vai a Brasília
Não há pobres nessa cidade?
Grande cidade de concreto
Onde a natureza mesmo é desenhada

Claro que há! Quando não mais
Houver classes sociais
Certeza que o mundo não vestirá ternos
Nem andará em carros lacrados

Não estão no prédio
Bonito do Banco do Brasil
Não estão na Esplanada(não há casas lá!)
Nem nos ministérios

Não estão na Catedral
Nem naquele prédio onde fica o presidente
Em nenhuma obra de Niemeyer
Estão os pobres

Vejo alguns na rodoviária
Onde se come a 2,50
Vejo alguns construindo o estádio
Da copa que verão pela TV
Ainda assim são poucos
Onde estão?

É verdade: há ônibus lotados
Mas para onde vão?
Há pichações
Quem as fez?

Não pude vê-los
Em minha rápida passagem pela cidade
Mas sei que estão lá
Sei que sofrem, sei que morrem
De fome, doença banal, ou mesmo medo

Se alguém os vir
Por favor avise
Que um comunista veio em sua cidade
(sim, SUA cidade)
E que sentiu sua falta

Ernesto Allende

Diz Sion Ário




Dicionário que não me entende!
Dicionário que não me entende!
É minha rima que canta por rimar
ou a não rima que se amassa num estalo

Dicionário que não me compreende!
meu pleonasmo é doce na ponta da língua
de metáforas neológicas sem semântica
canta, canta dicionário!

No erário de cobrança e soberba
não me entendes dicionário! o horário
de palavras certas em discursos equivocados
armado, acuado, me acusa dicionário!!

Dicionário não te entendo, dito-te, incompreendo
quem te faz de estaca rebentadora
dourada verossimilhança contraditória
simplória, imposta, mão tácita de sutileza assíria
mira na minha ignorância, sou discrepância da normatividade
sou 'calidade' sou enveneno, no suco atômico seno
meu norte é o sul, é o nu, é o sujo de sua abóbada branca de narcisismo

André Café

Figurinha repetida completa álbum?



As vezes eu o olho e acho que amo.
Infelizmente nós jamais daríamos certo.
Um buraco abriria no meio do mundo com
nossas brigas ou com o seu bater de pé.
Seu bebalismo exagerado me faria chorar mais
umas 500 vezes e mesmo assim ainda desejá-lo
a ponto de pensar estar louca, completamente biruta.
Ele me machucaria novamente segurando com força
o braço, deixaria marca. Não lembaria no dia seguinte
e diria aos outros que eu estava mentindo. Nao seria
capaz de me machucar.
Porém, seríamos tão completamente iguais em
certos pontos que as pessoas poderiam se confundir ao encontrar
com a gente na rua.

- Oi, D , tudo bem?
- Desculpe-me , sou o C . Vou muito bem obrigada.
O D , já nao dorme o tempo todo como anos atrás.
Arranjou em emprego, ficou mais interessante.
As vezes penso até que invertemos de papel.
Sei lá, pode chamá-lo de C , se quiser.
Eu fico sendo o D, o D de dois anos atrás.

Cami Rabêlo


Para você um amor que eu não aceitei sentir,
mas do qual nunca pude fugir;
Então fui aos poucos me render
e comecei então a tecer
em fios finos de ouro
um amor como nenhum outro.
Não posso negar
que sempre que volvo meu olhar
para qualquer lugar ou momento
é você que está em meu pensamento
e não adianta tentarem tirar de mim,
esse sentimento levarei comigo até o fim.
Cheia de rimas pobres,
pouco nobres,
vou transcrevendo em rimas dispersas
à procura da forma certa
de te mostrar de vez
que nenhum amor nunca se fez
tão forte e tão puro,
nunca se transcedeu tanto em meu mundo
e nem me roubou assim o chão
e nem tomou tanto de mim meu coração.
E apenas pensando e escrevendo
vou aqui transparecendo
todo o sentir
que ao fluir
me deixa inquieta por saber
que sou toda pra você.
E sempre fui, só não quiz ver...

Para um passado que me fez feliz.

Brown brown



Há tempos o homem adoece
A grande mãe nos enlouquece
Cocaína com nitroglicerina
Parece Heroína não esquece

Deitado ao sol do deserto
Pele secou, Papoula murchou
Mais esperto que antes
Não quero mais diamantes

A mente focada
Pupila dilatada
Olho seco, nariz escorrido
Pés no chão, pólvora na mão

Brown brown trem da morte
Nesse breu nem holofote
Sem rumo disparei
Ei, Rei!Também errei

Criança sem pão
Circo sem leão
Uma AK na mão
Revolução

(Marcello Guedes)

Girassóis




O destino vai ajudar
E a sorte me levar
Para perto do fogo
No olho do furacão
Na mente a solução

Estou na praia certa
Estrada louca do poeta
Meu cabelo não tem mais caracois
Estrelas, as pessoa são girassóis
Sóis
Sois
Sois...

(Marcello Guedes)

Menina



Deixou a madrugada entrar de mansinho
Escutou o segredo das horas
fechou os olhos
ouviu a música
deitou no parapeito
avistoi estrelas
caiu no reflexo da lua
e por lá lhe deixaram ficar...

Eita menina!
Tão cheia de vida
Fez seu mundo na lua
de braços abertos...
dançou semi nua
com os dedos de luvas
riscou paredes e a rua
com a tez tão fria e suja
daquela quente mancha rubra.

(R. Cagliari)


Falo, falo, falo, falo, falo, falo, falo, falo...
Atos falhos
Objetos fálicos
Eu falo
Eu calo
Eu penso
Eu faço

Vicente Vince


O segredo de se estar vivendo de acordo com a valsa vienense das regras humanas que não precisam estar escritas. Regras fundamentais? Nem sempre. Muitas vezes banais, nada contundente. Estampadas e decoradas de acordo com a sociedade
ocidente, que se faz "superior" por falta de tato para provar se, de fato, está certa. Eu jogo palavras vazias, que não levam a lugar algum o pensamento, mas o que se toca é o sentimento, pois afinal quem nunca se perguntou "POR QUÊ?" em tantas
dessas situações... Ah! Mas eu respondo à essa minha afirmação duvidosa também. Creiam, são muitos aqueles que aceitam a verdade mastigada. E isso não é novidade! Mas estes não vêm ao caso. Afinal, estes mesmos não se tocarão pelo feeling das
palavras aqui linhadas. E aqueles que enfim enxergam? Que bom, pois para ter chegado até aqui já podem ser tratados da mesma forma que um que já está com os olhos abertos para o mundo. E que mundo! Este mundo que te joga sem perdão
para apostar uma única vez na roda da vida, de acordo com suas normas, para desde o primeiro minuto consagrar o grande vencedor. Sorte? Isso não existe. É o próprio sistema que te proporciona o ganho, para enganar, dizendo que alguém é capaz
de mudar de rota, e principalmente, que ele permite que o façam. Sorte será ser o escolhido. E nem sempre é questão de sorte. Talvez oportunidades e relações sejam o foco. E assim vai seguindo até que sua vez de dançar a valsa chega ao fim, a
vida o troca por outro par e o piano é deixado ao pó.

Outro texto desenterrado de anos atrás.


Menina Vadia



De traço e ponto
Borda teu pano
Nas praças e nos becos
Nos postes e nos pontos

Menina que tece poesia
Fio de ousadia, beleza e encanto
Arte costurada na bocas sujas
Na pele e no poro de cada encontro

Veste-me com tua bandeira
Faz minha a tua orgia
Gira a poesia, grita a rebeldia
No raio do por do sol por vir

Alice Alencar

Só é



O amor deixa-se enaltecer pelas madrugadas
sua máxima por excelência é o não contido
é a falta, o vazio, o desabrigo
mas o amor, se ele é, também há de ser o seu contrário
é a contradição mesmo da sua experiência falida
é o êxito de não ser
o amor não é.

(Raíssa Cagliari)

FOME



(F)aísca sem fumaça,
(O)rquestra tua sina em mim,
(M)e conduz em teu abraço
(E) sacia com afagos sem fim

Suzianne Santos

Poema para Ester...



Penso como muda...
O mundo com coisas absurdas, surreais, abstratas, toma cor toma nada!
És tê- lá ... És-trada de Ester em minha caminhada
És alegria, És calçada, És dia, És fachada
De púrpura, de pólvora, de rosas de flechadas.
És doce, tão doce que amarga.
Que cria vida à palavra... Ao dom da cantada
Enche de mistérios e de fascínio que encanta e És encantada!
ÉS Ter Minada de rimas e de graça! Inebriante...inebriada!

Lorena Trindade

Actuare

Fabinho Valadares - 2009



Saudade dos textos
Das luzes
Da tensão
Das horas de Viagem
Saudade
Do figurino
Das brigas
Dos bons momentos
Da platéia
Dos amigos
E aplausos

Bernardo Moraes

Poemoney




Mário lacorrosivo


E doendo vai
Tecendo meus gritos
Dilacerando vai
Destruindo meus tímpanos
Dor, topor, horror
E o costume com isso
Não aguento mais o que neste momento vivo.

Para uma dor que não passa.


Eu? Eu sou meu eu lírico, eu diria...
E quem este eu lírico seria?
Seria uma mulher perdida
Um poeta abandonado
Uma revolução contida
Um gozo prolongado
A efemeridade da fumaça
O estardalhaço do carnaval
A paz da alcova
O sorriso enviesado
Não pergunte mais... guardo comigo uma cicatriz profunda!

Vicente Vince

Fome de ti




Queria viver de ti
e te comer e beber
e namorar o teu corpo
e a tua mente

me alimentar com teu mel
me embriagar com teu sal
presa em tua teia
em teus lábios mais uma vez

Alice Alencar

Homoamor

Para Vicente



Rasgo o véu da poesia que te envolve
Abraço teu corpo ainda quente de palavras
Beijo tua boca pra compreender as entrelinhas
Sugo tua saliva pra extrair a última rima
Calo teu frenesi pra sufocar o que te contei

Sinto a dor de ver teu corpo desfalecer pro nosso poema surgir desse homoamor sem fim.

(Gustavo Athayde)