segunda-feira, 11 de julho de 2011

E não poder


É estranho me sentir tomada por esse sentimento sem nome
Quando fecho os olhos parece que te vejo aqui. Não, não vejo... Ouço sua voz, estranha, calma e seu riso, forte, que me transmite tanta alegria
Minha vontade é rir... Rir do mundo que não sente o que eu sinto. Rir para o mundo mostrando a alegria que tem dentro de mim
E não poder me sentir merecedora de um sentimento bom
Querer sentir e não poder

(Isadora Carvalho)

Sonho Acordado

Blog de almalivre :Alma livre, Sonho Acordado
O vento chega, o sol desaparece, a noite dá boas vindas,

e eu me pego pensando na vida, no que já passou,

naquilo que poderia ter acontecido, e o desejo agora

 é sempre de sair sem rumo e encontrar uma direção

 no meio do caminho, uma luz, um sorriso, uma lembrança,

alguém que possa me trazer de volta o que vivi dias atrás.

 E então os cálculos me vêm na cabeça, calculando com

que idade tudo teria se sucedido e com qual eu serei feliz por completa,

 se é que é possível. Penso,que o objetivo de cada indíviduo

 é ser feliz mesmo que seje difícil e dificultoso,

mas cada um tem de cumprir sua sentença

de alegria e carregá-lá como seu tesouro,

 logo porque estamos aqui de passagem

e a chegada de cada um sempre é a próxima.

(Hildeana)

domingo, 10 de julho de 2011

Hipertensão



Vou vivendo a vida de vez em quando.
Um dia de cada vez, de viço em viço,
vício a vício alimentando veias tão fracas
de sangue ralo escorrendo pelos meus mesmos lugares:
eram certamente problemas de circulação.

tic tac bum.



bar lotado à meia luz, muitas mesas, muitas pessoas, som ambiente, cervejas estupidamente geladas, você, sua namorada, outros novos amigos, eu, sozinha com meus novos amigos...

uma taça, outra taça e mais outras taças, um riso aqui, uma olhada ali...

nervosismo? desconforto? nada nada...

era o que então?

e sobre o tempo em que dividíamos o mesmo horizonte? e sobre o tempo em que teu nome era o único a pulsar em meu peito? e sobre o tempo em que todas as tuas lágrimas eram por minha causa? e sobre o tempo em que tuas palavras de amor a mim eram eternas e imutáveis?


é exatamente essa a questão entre nós...


o tempo.

(Fernanda Costa)

180 º




tudo.
o ar, o céu, a terra, o calor, o fogo.

nada.
o frio, a leveza, as costas, o abismo.

eras meu tudo, hoje és nada.

quando foi que o mundo deu toda essa virada?


(Fernanda Costa)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Poeira ao Vento


a vida em sociedade é uma coisa por demais interessante.

você já viu a infinidade de insanidades que surgiram nesses últimos tempos na internet para as pessoas passarem (perderem) seu tempo?

facebook/twitter/orkut/blog/formspring/skoob/lastfm/flickr e mais um carai de asa aí.

e isso tudo pra que?

é tudo um grande placebo para curar solidão, carência.

tenho aqui que concordar que parece que os tempos estão diferentes, fluídos, efêmeros, fragmentados, etéreos. não quero aqui bancar a pós-moderna mas sinto que as pessoas não tem mais tempo pra sentir as coisas de verdade. 

- ah não tenho tempo pra estudar!(e sem perceber passa três horas seguidas postando fotos no albúm novo do orkut)

a coisa toda é muito bem feita. as pessoas nem ao mesmo percebem que estão assim, sei lá, diferentes.

bonito? só com efeito
amizade? só no msn
aproximação? só pelo orkut
exprimir sentimentos? só através do blog


e daí?
isso é bom ou ruim?

sim, não, muito pelo contrário.

a questão é que eu acho que tudo 8 ou 80 faz mal (olha só, logo eu, 8 ou 80 em pessoa falando uma coisa dessas) mas é verdade.

precisamos de mais contato, tato, pegar, cheirar, sentir, ouvir, ver.

parece que agora os verbos são outros, teclar, postar, acessar, visualizar, publicar, salvar...

mas e se não for esse contato virtual, o que será? estamos tão habituados a convivencia através de bites que esquecemos como nos relacionar à moda antiga, se não for isso, só nos resta ficar remoendo sentimentos ruins e a solidão.

talvez essa virtualidade seja válida pra evitar o ostracismo por completo, embora eu creia que a coisa ta demasiado pós moderna.

mas como diria o grande Karl: "tudo o que é sólido se desmancha no ar" - e é pensando nisso que percebo que precisamos reconstruir nossos paradigmas. dessa vez com aspectos menos abstratos e fugidios.

(Fernanda Costa)

Paulo Leminski - Excrescência Ornamental

Armadura, Amargura


Às vezes queria ter o poder de ver além do que os outros olhos podem ver
Poder perceber a real intenção que algumas atitudes têm
Seria tão bom se pudesse arregalar bem os olhos e enxergar as entrelinhas de certos pensamentos
Serviria como uma armadura contra o sofrimento
Mas como pesa uma armadura. É uma proteção com ônus. Nem sempre estou pronta para pagá-lo
Caberia, não tendo este poder, filtrar o vento dos pensamentos, refletir, e o que é?
O difícil é que existem muito além, sempre tem algo escondido nas entrelinhas
E há ainda outra questão: será que estou disposta a enxergar, a ver esta descoberta
Nada é tão bom que não possa melhorar
Nada é tão confuso que não possa confundir um pouco suas idéias...

(Isadora Carvalho)

Ventila- a-dor.





Sfuuuuu...fuuuuuuuuuuu.
Empurrei o ar e virou vento.
Vento foi e levou passados. Paaassados...Passados...Passou!
Vento chegou no presente que vira passado amanhã;
Chegou no amanhã que virou ontem.
Ontem eu vi o orvalho.
Hoje, meus olhos são falsos no orvalho do dia anterior.
Eu narro o falso que já foi verdadeiro.
Somos memórias.
Eu falo por alguns.
Ei, não posso falar por outrém.
Eu é que sou memória.
Vi agora um beija-flor beijando, desesperadamente, a flor vermelha.
Você lê uma mentira.
O ar ventilado, ventilado, entilado, tilado, lado, do, o passado, passooou!
Passou é pretérito perfeito.
O pretérito é imperfeito.
É presente, é ausente.
É nada e tudo.
Vazio e cheio também.
É suporte e desabamento.
O passado passa, o presente e o futuro também.
Presente não passa e não volta.
Futuro não chega. Passado chega.
Passado foi e vai.
Igual ao ar que faz e fez: sfffuuuuu!!!

(Tassi)

Lanterna do Mar





Ao longe na calada da noite o velho barquinho seguia, sua vela não brilhava nem o leme funcionava. Assim como quem espera uma porta qualquer se abrir, ele vagava e o dia não aparecia. Mas no fim daquela noite eis que surgiu a luz que ele buscava. Não era a luz do dia, era a luz do mar acesa em poesia, que caíra em sua rede arrastada ao longo do gélido oceano. Como quem tivera riso o barco sorriu, e assim que o dia veio ele esperou ansioso pela longuíssima noite tenebrosa, a fim de ter novamente em seu seio a luz da porta que se abriu.


(Emanuel Souza)

Meu aqui, ali e acolá


aqui ou ali
ali ou acolá
acolá ou aqui
onde estás?

aqui tinha nada
ali tinha vida
acolá uma estrada

aqui te vejo
ali te alcanço
acolá te pego

aqui ou ali
ali ou acolá
acolá ou aqui
onde estás?

aqui te sinto
ali te desejo
acolá te amo

aqui te encontro
ali te perco
acolá te localizo
aqui ou ali
ali ou acolá
acolá ou aqui
onde estás?

aqui te tenho
ali te deixo
acolá te resgato

aqui sou eu
ali é você
acolá somos nós


(Alderon Marques)

Água de poço



Água de poço
brota pura da terra
do fundo, no escuro
no silêncio, sozinha
humidade... 
casa de pequenas criaturas
nasceu, brotou para o bem
usada e apedrejada 
pedras espalham seu pranto
lágrimas em melodia 
ecoando no vazio para superfície
expressão entre paredes,
paredes sem canto. 
Um dia, um anjo luz 
jogou uma estrela cadente no poço
rompimento das trevas 
invadindo seu ser
um poço de luz e magia
todos queriam ver seu encanto
beber de suas águas
seres de luz saiam daquele buraco
morcegos iluminados e outras criaturas
seres das trevas jogavam-se de cabeça
com enormes pedras amarradas nos pés
sua luz agradava os céus
e iluminava o inferno

(Marcos Foyce)

Quero tudo



Quero casamento e emancipação com o mundo
e não ter que me preocupar em qual cama me deito
pois o mundo inteiro será minha cama
sem preocupação se sou dama ou meretriz
puta ou imperatriz
Quero todos os contratos
e por tê-los todos em minhas mãos,
não dar validade a nenhum
quero tudo,todos: nenhum



(Dine)

Reprise


Passe por aqui de novo, passe
com esses lábios cheios de sorrisos,
pedindo que a gente viva outra vez
momentos de prazer como na sessão anterior.

Beije-me com gosto, beije-me
intensamente, não será a última vez
(e quem disse que se entregar
é um ato puramente inédito?)

Deixo de repetir histórias mal contadas
apenas para garantir sua presença
junto de outros contos inacabados

que esperam, inclementes, mais linhas,
direções opostas, antes de tudo caminhos,
ansiosos pela chegada do teu complemento.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Piscina


Corpos mergulhados na água e em relaxamento
a alegria do respingar no rosto
um pensamento torto
o frio com o bater do vento
a noite que arrepia
beijo e sincronia


(Lorena Nolêto)

Estro, Gênio.




Mulher, me dá um absorvente?
Não tenho em minha bolsa.
Ando esquecendo tudo, até onde pus minha cabeça!
E estou naqueles dias;
-Mar Vermelho e Mar Morto morrem de inveja.
Ande, querida, procure aí nessa sua bolsa
Abarrotada de meio-mundo
Mais cheia que baú de avó centenária
Vá rápido que não me suporto!
E tenha pressa, porque o sangue me empata!
Vê ali, debaixo dos papéis
Entre talões e prestações
Entre o celular e o bloco de notas
Perto da agenda, mais ou menos ali ou acolá...
Ande, que tenho pressa!
Olha que ando tão esquecida...
Tenho dois planetas Terra de afazeres, minha amiga:
Um filho, um homem, um cachorro
E somente um cérebro.

Paulo Leminski - Inutensílio

Sinceridade seja dita



Ela era muda, ou ninguém nada lhe perguntava. O fato é: não havia interesse em saber o que ela trazia consigo. De certa forma, ela produzia um medo, um receio tão ensurdecedor pelo o que ao torna-se voz causaria, sendo em vista sua omissão a melhor saída. Mas ela nem sempre seguia o que todos queriam. Já saturada de seu peso, que sinceridade seja dita. Ela ecoou como um rompante estridente, alumiando o que esconder queriam e não mais podiam.
- A consciência tem dessas coisas...


(Suzianne Santos)

Goteira



Chuva que lava a alma

dessa cidade de sol farto

dá pra parar aí?

que tem uma goteira aqui no quarto

(Mário Lacorrosivo)

In-esperado



o nosso encontro foi fugaz
mas muitas marcas traz
a porta você abriu
e fechou
meu sorriso logo te cativou
algo novo despertou
o inesperado te atinge
e nos aflinge
nos fazendo perceber
e aos poucos conhecer
os nossos sentimentos.

insegurança, temperança
o mundo é maior
que nossas vãs esperanças

do ódio inicial
que você aparentas
o bem e o mal
uma estrada vicinal
te afeto, me afetas
a cada gestual

a sua mão eu toquei
num impulso irresistível
não pedias isso, corretível
e por tantas peripécias, te amei

sua suave voz me encanta
o que diz, como diz, principalmente
incita meu coração e minha mente
transforma meu ser e me alevanta!

o antes e o depois
é atemporal

(Alderon Marques)