domingo, 29 de julho de 2012

Quarto de fingir.




Dos tantos quartos que passaste, imaginaste, confabulaste.
Dos tantos cheiros que purificaram os quatro cantos da tua vontade 
Tu, apenas tu, sem mais ninguem, e por querer sem mim...
Mal imaginava que o meu remédio pra não viver teus sonhos
Era engolir fio a fio o sono de absinto que tua boca me tragava na madrugada sem fim.

sábado, 28 de julho de 2012

Para o início de mais um dia


Luz que brinca com meus cabelos
Ilumina os espelhos
Reflete no quarto 
Acordando-me de sobressalto
Assustada, é mais um dia
Mais uma vez, mais poesia
Será então que será igual?
O sol iluminando, queimando o frescor matinal
Girando e acordando meus seres internos
Meus eu's líricos, poéticos, estéticos
Histéricos...
E tecendo vou, poemando tudo em mais um dia de vida.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Da menina para o menino (ou vice-versa?)



Esse menino 
Que dá ideia
Que faz a festa
Na mente desta menina doida
Que tudo rima
Que fica afoita
Nas melodias 
Pequenas poesias
Pelo menino inspiradas
Indiretamente causadas
Endireitadas?
Jamais! Jogadas!
Esse menino misantropo que rouba os sorrisos da menina aberta.

Comfortably Numb?

O.K.
Just a little pin prick
There'll be no more...aaaaaaaah!
But you might feel a little sick
Can you stand up?


Um monte de dores lancinantes                              
E mais uns punhados de contorções
Eis a menina errante
Que não parava de se remoer
E de mastigar emoções
Estas mesmas as machucaram
Física, psicológica, qualquer-coisa-mente
Os resultados não desmentem
A dor era, de fato, real história.
E então ela foi, 
E a deitaram, pedindo calma
Abriram a boca
Fecharam-se os olhos
E uma ponta entorpecente a penetrou
A desacordou
A enterneceu para sempre
Até a hora de acordar e ir pra casa
Confortavelmente entorpecida




Turvas cores, cores do nada



Imagine imagens turvas 
Ofuscando a mente e calando palavras
Calando com nada
Apenas imaginando 
Na curva
Daquela imagem turva
Toda a cena vivida (ou criada)
Imagens embaçadas
De foco alterado
De vidro em fumaça
De cor serelepe
Brincando com a retina
Dando imaginação à vida
Servindo de estepe
Ao nada
Que é viver de realidades prontas.

Infinitamente infiel



Infinitos escritos
E por tantas vezes ditos
Prometidos
Enlaçados
Infinitos que fizeram
Eu perder a cabeça
A noção do real
Do que seria tangível
Atingível
Ao alcance de minha vida
Ao alcance da minha finitude humana
Infinito traiçoeiro
Arteiro
Que traiu os sonhos de uma pobre qualquer.

quinta-feira, 26 de julho de 2012



o mundo lá fora corre tão depressa.
e o meu é tão meu, lento.
não sou chave nesses tempos.
não sinto encaixe.
não sei derrotar golias dia-a-dia
porque ainda estou pensando como atacar.
mas o mundo é tão depressa.

só sei amar.
e no amor, esperar
que o mundo ao meu redor gire um pouco mais devagar.
ele não vai.
são passos tantos os que estão próximos...
e a respiração é pouca
não consigo alcançá-los.
é quando exijo respeito do meu espelho.
mas é só meu quarto.
dos meus pensamentos e agonias.
o mundo continua rápido.

achei que na lentidão da partilha
os passos se acertassem.
não vão.
não sou chave nesses tempos.
não sinto encaixe.
vou sonhar, devagar.

Juliana de Andrade


Passarinho, diz teu nome, tu que vens aqui bater asas.
Passarinho, diz teu nome, tu que vens aqui encantar meu lugar e, trinando, deixa meu coração em brasa. Meu nome é cheiro de rosa, é pluma luar, ardor do céu, meu nome é amar!

Flora Fernandes


Cá,estou eu...alienada ao cansaço,
Esperando uma mão,um braço, uma perna,
ou até um desenho abstrato.

Meus amigos...quem são ?
Quem é o 'Próximo',santo cristo ?!
Vejo brigas na minha porta,
Ouço gritos da rua...
Será a Lua a denunciar as intrigas da noite ?
Pais separando,
Crianças chorando...!
Melhor parar de pensar !

Mas quando volto através do relento,
e livre pensamento,
vejo meu próprio espirito amargurado,questionando
"Quem é o 'Próximo' pra ser tão amado".

(Carolina Aizawa Moreira)

Máscaras



Não sei viver de máscaras
Mentiras e disfarces,
Sou eu mesmo
Adoro ser eu,
Agora estou sendo eu.

Noelia Alves

BALADA PÓS-ROMÂNTICA



Ela chegou de repente
Onde há tempos estava
Expulsando a sujeira
E o vazio da casa

Só vivia escondida
Nesses cantos da vida
E sofrendo calada
E chorando sozinha

A menina era bela
E estes olhos sabiam
Mas não olhavam pra ela
Como deveriam

E ela andava na noite
E cantava e sorria
Sua rara alegria
Qual se fosse madura

Como tudo era breve
Mais que a brisa mais leve
Seu amor tão escasso
Era breve também.

Não sei como eu sabia
Que da força do dia
Vinha um raio mais claro
Me fazendo ir além

Da distância tão grande,
Das florestas, dos montes
E de mil horizontes
Que zombavam de mim.

Ela era tão linda
E estes olhos sabiam
Que era assaz perigoso
Encara-la nos olhos.

Como a chuva que chega
Numa tarde de sol,
Como um barco que avista
De repente um farol,

Assim foi que ela veio
Onde há tempos estava,
Libertando minha alma
De tristezas escrava.

Mas uma coisa ficou
Nos seus olhos sombrios:
Seu coração é um porto alegre
Onde só cabem dois navios.

Mas ela era tão linda
E meu coração sabia
Quem sem ela por perto
Eu não mais viveria.

Mesmo estando tão triste
Como um rio sem leito
A lembrança no peito
Concedeu-me o perdão.

Ela foi se aninhando
Onde nada restava,
Anulando a tristeza
E o vazio da alma.

Ela é um receio
Que me torna mais forte.
Ela é minha vida
E também minha morte.

Ela é minhas asas
Quando pairo no ar...
Ela é, ela foi,
Ela sempre será.

Mas uma coisa ficou
Em mim sem ela saber:
Seu abraço é a terra
Onde eu hei de morrer...

Igor Rossevelt


Hoje acordei com saudades...
Eram tantas que não couberam apenas no peito,
Logo transbordaram e rolaram sutilmente por minha face...

Saudade da infância destemida,
Com a família na fazenda, onde passávamos o dia
A correr, a brincar, a cansar entre primos e primas, amigos e amigas
E, pessoalmente, não deixava escapar as correrias atrás das criações,
coisas de pirraça, coisas de artistas...

Saudade de quando íamos ao Rio Pindaré,
Invenções de meu pai,
Convidava uns amigos pescadores de fato,
E ficava só na espera, aguardando um pirãozinho e um bom caldo...
Panelas e isopor na cabeça,
Crianças mais medrosas pelos ombros, encarando a correnteza...
E eu...? no máximo segurava a mão de um tio e ia flutuando pelo rio...
Saudade desse pequeno gesto de liberdade...

Saudade de como momentos como estes,
Geralmente um dia, faziam minha vida uma completa alegria,
Saudade de como nestes momentos às vezes,
Olhava para o céu ou para o rio, ou mesmo a natureza ao nosso redor,
E imaginava: 'como será meu amanhã? Onde vou trabalhar? O que vou estudar?
O que vou ser quando crescer?'
E o que me levava a pensar sobre isso tudo,
era um simples fato de saber que, provavelmente,
aqueles ricos momentos estariam por um bom tempo, apenas em meu coração, apenas em minha mente...

Hoje sei que
Saudade(s) não mata(m)
Mas, que, deveras, deixa(m) profunda(s) marca(s)

Adália Tov




Foste a melhor amiga que eu não tive
Aquela com quem não andei de bicicleta
Não tomei sorvete nem dei corda
No relógio do tempo pela madrugada
Aquela para quem nunca mostrei
A grande dor que trago no sorriso

Foste a melhor amiga que eu não tive
Aquela para quem não emprestei
Meus olhos quando queias chorar
Ou meu peito para que sofresse
Quando de mágoas o teu não suportava.
Não te liguei para contar um sonho
Ou uma piada que acabara de inventar

Foste a melhor amiga que eu não tive
Aquela para quem nunca mostrei
No céu noturno a minha estrela favorita
E para quem os pássaros não são nada além disso
Nunca demos tiro de fuzil
No coração da tempo, nem o fizemos sair
Mais tarde de casa pro trabalho.

Foste a melhor amiga que eu não tive
Aquela para quem nunca dediquei
Um verso de Neruda ou uma canção dos Beatles
Aquela com quem jamais gastei o meu latim,
Para quem nunca fiz um chá de alho
Ou deixei que o sono arrancasse dos meus braços.
Aquela com quem nunca bebi tanto
A ponto de beijar estrelas
Ou fazer o mundo girar ao contrário

Foste a melhor amiga que eu não tive
E eu nunca te pedi dinheiro emprestado
Nem procuramos segredos em garrafas vazias
Eu nunca te expliquei Bertrand Russell
Mas para ti já escrevi milhões de versos
Em ti as paralelas se tocaram
O verbo fez-se carne o homem fez-se infante
Tu não sabes quando é meu aniversário
Não sabes que minha vida começou em ti.

Foste a melhor amiga que eu não tive
E nem sequer sabes meu nome ou sei o teu
Mas por causa tua meu dia é cheio de saudade
E eu vou te amar até o dia em que chegares.





Seria cruel
Seria criminoso
Castrar teu sorriso
Proibir teu gozo
Vá!
Mas volte no fim da noite
Para aquecer minhas manhãs frias

Vicente



NÃO APENAS VISTA,NÃO APENAS SENTIDA, A ARTE TEM O PODER DE ENCANTAR E TRANSFORMAR QUALQUER TIPO DE SENTIMENTO QUE PODEMOS TER..


Lucas Martins

Você não lê meus poemas

Eu não sei fazer poema
de uma ideia pequena
que me faça rir ou chorar...

Eu não sei fazer poema pensando
A letra não risca, a tinta não sai..
Eu não sei fazer poema feliz
Sentar na mesa e dizer: - “agora sai”

Eu não sei fazer poema pra dizer eu te amo
Prova disso é que você não me lê

Ou lê e não me ama?

(Rosseane Ribeiro)

QUERO VOAR













                        Poema Noelia Alves

Noite por noite
Dias após dias
Hora a hora
Fico aqui pensando,
Quando será o momento?
Da crisálida Soltar,
E eu ansiosa voar
O mais alto
Para junto de Ti ficar.

Quero voar
Quero voar
E livre cantar
Bailar, orar
Até ao céus chegar

E quando lá aparecer
Dizer:
Como é lindo te ver,
Meu Senhor
Dono do meu Ser,
Meu grande amor.

Haikai de Zion


Vitória, Lion
missão de consagração
nasce dia em Zion

André Café

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Alice



Áureo João de Sousa. Teresina-PI, 25 de Julho de 2012.


Magra
Magreza
Magrela
É Ela
Na passarela
Da vida
Todo dia.

Maga
Magia
Alice
Mulher
Maravilha
De noite
De dia
Todo dia.

Dança
Ginga
Mandinga
Serpenteia
Na teia
Na areia
No caldeirão
No colo.

Canta
Encanta
O ventre
Com vinho
O corpo
Voa
No vento
E no firmamento.
...



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Qualquer semelhança com fatos e pessoas reais, do mundo das magias ou das sociedades poéticas; com casos ocorridos ou por vir, isto é poesia, rebeldia e artes.
Gira !!!!.