quarta-feira, 26 de outubro de 2011

E no fim do túnel "um brilho fosforescente de putrefação''




                                                   E
                                               B    D
A       A       A                     O            E
   r  i    r    i         M           S                    S
     e        e          O                                     C
                          V                                          E
                          E                                          E
                          D                                          E
                          I                                            E
                          Ç                                           E
                          A                                            .
                                                                        .
                                                                        .
     E
    Me
 Engole
Sem parar.


(Está sendo complicado conversar dessa maneira. Mas, mesmo assim, vou tentar dialogar um pouco).


Quando pequena decorei Camões sem entendê-lo muito bem.
Hoje, o declamo como se fosse uma oração.

Me afundei no que minha mãe chama de Banho Maria e, fico mergulhada aqui por algum tempo, até que - vez ou outra - alguém me 'pesca', afirmando eu estar precisando de uma respiração boca a boca pra ver se, enfim, serei salva desse buraco de neve. Mas nunca sou...

Por isso, não vejo a hora de ter um chão concreto entre os meus pés.
Bom, pra falar a verdade, esse foi o presente que sempre quis. Falando em presente, meu aniversário está próximo.
Nesse ano persisto em querer algo concreto em que eu possa, finalmente, jogar meus pés sem medo.
Ainda não fiz o meu pedido aos céus. Mas, de todo modo, vou lhe contar que chão, de fato, eu gostaria de ganhar:

Um chão de cimento seco.
Um chão de cimento seco.
Um chão de cimento seco.
Um chão de cimento seco.

UM CHÃO DE CIMENTO SECO, OUVIU BEM?

MAS, eis que, eis queee, eis queee :
se chegar o dia de soprar as velinhas e o Noel, novamente, não acreditar que eu sou digna de ganhar o que espero, vou pedir para ser uma gaivota...

Sem receio e sem nada...

É isso!  Se eu não ganhar o chão, farei isso no soprar das velinhas...

Fecharei os olhos e proclamarei em silêncio:

"Senhor, quero ser uma gaivota feliz"

Imagine:

"lá vai a Dona Maria Ninguém da Silva, lambendo as águas do mar sem se preocupar com a ‘fundura’...

Sem o castigo do pensar

Batendo as asas sem muitas razões,
Tomando vento no inverno
E ainda não se preocupando com destreza alguma".

É, Isso seria melhor que qualquer chão!!!!


Estou enganada?

Amizade



Amizade é assim,
Não tem briga,
Não tem maldade,
Só sei que tem bondade.

A qualidade é
Quando a pessoa
É assim,
Se gosta, tem contato.

Não se gosta,
Nem me fale,
Não sei nem quero saber,
Se você tem maldade.

Amizade é assim,
Não tem briga,
Não tem maldade,
Só sei que tem bondade.

Minha amizade é assim,
Eu gosto da minha amiga,
Eu sei que pode ser assim,
Nossa amizade não tem fim.

Áurea Valério de Sousa, 9 anos. Teresina-Pi. 07/10/2011





O Homem quando envelhece, vira passarinho.
E assobia bonito!
Cantar encolhido, macio e quente.
-Canta, sabiá,
canta até que o céu te leve.

(Laelia Carvalhedo)


Queria a sua pele aveludada de péssego junta a minha
Nem a melhor ambrosia tem sabor perto dos seus lábios,
Seu corpo tem um doce perfume de rosas, que me embebeda
Exala um almíscar pedante e voluptuoso de seus poros
A visão da sua chegada fica gravada nos meus olhos
O leve som dos seus passos e o melodioso som da sua voz me faz regozijar
Queria puxar de levinho seu cabelo,
morder delicadamente sua boca,
descer suavemente minhas mãos pelas curvas perfeitas do seu corpo
Sua pele na minha,
minha respiração no seu ouvido,
o som mais alto seria do seu coração acelerado pelo medo de sermos pegos
e o fremir dos nossos corpos se tocando
Minhas mãos passeiam pelos recantos mais escondidos do seu corpo,
me refastelo em suas pernas torneadas,
me perco em devaneios de o que fazer com você
sem pudor, sem pressa
Começo delicada, mais o meu desejo é mais forte
e meu ímpeto se faz valer
A noite, amiga dos amantes nos esconde
e encobre nossa teimosia de sermos sempre errados,
sempre na contramão da sociedade
Nosso desejo nos impede de seguirmos regras
E insistimos em fazer do modo que choca as pessoas
Quero seu gosto de fruta doce,
seu gostinho de morangos
O sabor que tentam me impor,
sabores fortes, de graviolas e cajús
é bom, mas as vezes (só as vezes) cansa
o seu é mais singelo e suculento
Nada me importa se puder te tocar,
Te beijar,
Te ter,
Te absorver
Nem que seja só um poquinho,
a noite não vai deixar ninguém saber
Mas você se esquiva, se afasta
Tranquilize-se, espero o que for preciso por esse
momento
O que resta é continuar devaneando,
e é isso que vou fazer...

Dalila Cristina (24/10/2011)

Seguir o coração?



Corre um zum, zum
Que ele foi mais um.
Mais digo a qualquer um
Meu coração mansinho batia
Mais apareceu aquele doce
E meu coração bateu dum dum
                                                    Eu vesti-me de flores
                                                    Procurei outros amores
                                                    E meu coração batia dum dum
                                                                                                    Eu dancei sonhos


Chorei de alegria
Fiz mil poesias
E meu coracao dumdum
E passava as horas
Conhecia outras historias
E meu coração dum dum
Então conversei com meu coração
Disse a ele: O mermão, esse tal de dum dum não passa?
Ele respondeu : Nao!
Contrariei meu coração
Escrevi inté uma oração
Mais o danado explicou o dum dum
Não passa não!
Eu contrariada  fiquei...
E meu coração bate dum dum ate então.

(Lídia Damasceno)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

"Quem mexeu no meu Brasil?”


Um dia, fomos convidados para um banquete democrático,
Muitas caras pintadas de alegria se fizeram
Promessas por mesas, que não se acabavam
Cadeiras e mais cadeiras, para todos os representados

E de orgulho o peito logo se encheu,
mas de vergonha, no peito morreu

Daquela imagem,
apenas miragem
Da euforia,
Apenas a agonia,
De um Todo que quis,
só o resto vi

Quem mexeu na minha liberdade?
Quem mexeu na minha dignidade?
Quem mexeu na minha humanidade?
Quem mexeu no meu Brasil?
Quem mexeu no que achei ser meu?

Acalma-te, eles disseram
Que o que é seu está bem representado
Pois mais justo acharam
socializar o banquete
Com aqueles que em e$pécie ajudavam
Àqueles que à espécie (sapiens) ajudavam

E desse banquete
Os ternos se lambuzam
E migalhas nos emburram

Mas resto não me satisfaz,
Mas resto não te satisfaz,
Mas acomodar não nos satisfaz

Nós vamos mexer na tua pizzaria!
Nós vamos mexer na tua tesouraria!
Nós vamos mexer na tua soberania!
Nós vamos mexer no teu Brasil!
Nós vamos ter o nosso Brasil!

(Suzianne Santos)

Amarelo


Nesse céu de nuvem escura
a cura inexiste pra visão
perdão cada passo distante
perante o dessossego vil
servil amalgamado
triste, em riste
a sofreguidão opera
devora, quimera, tortura
a procura pelo sim
mergulhado em não
então
alcança-se fim
assim, ilumina a retina fria
o dia se faz quente
na festa se sente, do Sol, farelos
filetes de alegrias amarelos

(André Café)


Eu queria só teu abraço agora
Nada mais!
Mas tu preferes me atingir com punhais de palavras
Me ferir com tua incompreensão
E abrir feridas que não sagram.
Mas também não saram.

Eu queria só teu abraço agora!
Nada mais!

[Luan Matheus]

Concordâcia



Nós concorda do jeito que nós quer.
Se nós quer falar assim...
Então ninguém impede nós.
Pois a boca é da gente,
E se a gente queremos falar assim,
Então nós vai falar
Do Jeito que nós quer.
Concorda?!

(Ítalo Vinícius)

IMPERFEIÇÃO


Ainda que por cima da carne seca,
Secas são as pesoas orgulhosas.
Ainda que à sombra e água fresca,
Mesma é a sorte que aos soberbos sobra.

Ningúem tende à perfeição.
Pois, mesmo é o anseio que a todos faz pecar:
Da busca do divino perdão, ou da balança o pesar.

Tendes  à perfeição?
Tendes vós a Perfeição?
Ou mesmo é o calar da voz?

Um silêncio ecoa pelo campo dos soberbos;
De sua altivez, agora, só vejo o pejo.
Mas quanto à imperfeição...Não estamos sós.


(Ítalo Vinícius)

é... sem volta


Punhos abertos na luta

contra a fraqueza do luto,

sem forças nas mãos vazias

de quem nada pode fazer.

Sentimento de perda,

um olhar estagnado no tempo

tentando imaginar a estrada sem volta

de asfalto negro, sem vida.

Mais um historiador que se foi

deixando seu livro de boas lembranças

escrito em nossos corações,

agricultor de grandes e bons sorrisos.

Agora é a torcida organizada de luto

pra que esteja bem melhor

que todos nós que sentimos sua falta.

saudade bandida, é... saudade.


(MarcoFoyce)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Dia de Sexo



Nesse dia sem nexo
Em que procuro sexo
Saio e o que vejo ?
Vejo fumaça no ar
Mas isso é o que há
E nada nos impede de voar
Pois nossa vontade é de brincar
De amar, de lutar

Não sangra



Eu queria só teu abraço agora
Nada mais!
Mas tu preferes me atingir com punhais de palavras
Me ferir com tua incompreensão
E abrir feridas que não sangram.
Mas também não saram.

Eu queria só teu abraço agora!
Nada mais!


Me chamas ou em chamas?


Nem de noite, nem de dia
quintura em meu coração não pára
como Teresina não esfria

(MarcoFoyce)

Adeus




Ow minha passarinha
porque tu foi embora?
logo quando eu estava a cantar
cantando estava contigo rente
vendo tu ali doente
esperando melhorar

Tu és minha companheira
nao me deixe aqui sozinho
como é grande essa dor
guardo teu olhar de mel
que vai brilhar no ceu
na terra fazer clarão
tu nunca me deixe sozinho
se não tem carinho
dar-me tua luz

(MarcoFoyce)

Carnaubal


Minha boca rachada nao cala

carrego uma mala

de palavras de porte


Com o bucho furado de bala

minha boca na cala

a palavra é mais forte


A terra rachada nao fala

a língua dispara

a força do meio norte


Quando a morte vier

buscar meu corpo mortal

vou lhe fazer um pedido

pra eu nao ser esquecido

quero ser um carnaubal


Quero ser carnaubal

quando o vento soprar

por riba das verdes copas

fazendo meu cabelo balançar

vou fazer rima bonita

pra mata recitar

é verso da carnaúba

pra de tudo se aproveitar


(MarcoFoyce)

La partida












No me dejes caer
los temores a la oscuridad

Yo no estaría aquí tan floja
no sin sus manos eternas de la violencia

sin sus labios tan romántico
Cubro tu sonrisa, con este tonto

con todo esto,
Yo nunca voy a dejar

Que en mi lugar, yo no tengo a dónde ir

Sé que suena a otra cosa
Pero tengo que ir a poner mi armadura

no mentir para escapar
Que después de la final, he aprendido a amarte

(Rosseane)

pés rachados


É sangue no olho que se tem

que escorre no chorar

lágrimas para uma terra regar

lápis de cor verde não se tem


um braço fino como graveto

de cócoras risca o chão

boca rachada, o coração

e um 'A, B, C' de alfabeto


A noite enluarada numa rede

esperando o sono e um sonho bom

pensando, descobre seu dom:

sobreviver a fome e a sede


de joelhos, as mãos estendidas

faz o pedido, estende o chapéu

reza pra todos os santos do céu

pra sair dessa vida sofrida


(MarcoFoyce)

domingo, 23 de outubro de 2011

Era um vidro muito engraçado





Era um vidro, muito bonito
tinha pedrinhas e muito brilho
era seguro e resistente
tinha suporte, era valente

Um belo dia, veio um raio
um sopro forte, meio rasgado
e o vidro forte, não resistiu
caiu por terra e se partiu

Agora me diga, como eu fico?
meio assustada e amendrotada
ando pisando, muito de leve
pra não pisar, pra não quebrar

Mas ainda quero, um dia achar
um outro vidro, pra eu cuidar.


(Fernanda Costa)

Sem Estação




Sou o que fiz pra merecer
Retraio-me para não perecer
Do mal a pau que pago a sal
Feliz eu consinto em perder
 
Horas ermas tortas
Desse amor que perco as horas
E a lembrança desentranha
Embacia-se no fechar da porta
 
E a me colher, tolhido!
Vem meu benzinho
Pra me retorcer
Antes que perca o sentido
De me ver ascender
E o nosso amor
Se tenha jazido
Para me ter esquecer


(Vanessa Teodoro Trajano)