terça-feira, 22 de outubro de 2013

Corpos


Vivos, mortos
Corpos humanos, imundos e puros
Selvagens podados...
Corpos lineares e dignos
Ou talvez irregulares adoráveis

Corpos despidos
Uma delicia de ver e até comer...
Comer o corpo com os dedos ou com os olhos???
Um delicioso questionamento...

Outra opção é se deixar devorar
Por dedos,olhos e bocas
Pois o corpo é desejo de todos
E o que seria de mim e de ti sem desejo?!

Apenas pedaços de carne morta
frios, presos e fracos.
De sangue, fúria e desejo vive o homem!
O pão é dispensável...

Então vamos dilacerar a carne
Sentir o pulsar dos vasos
E também o arrepio da derme
Sejamos profanos e bossais

Deixemos o sentimentalismo de fora
Só por hoje...
Logo porque, corpos apaixonados são lindos
Sutis ,delicados
Até mesmo no entrelace de pernas.

Corpos...
Duros, rígidos e sóbrios
São tão monótonos
Prefiro os quentes
Que nos fazem suar com um único olhar.

Só posso desejar uma coisa:
Que os corpos sejam livre
Plenos e nunca santos
Pois neste dia seremos realmente
Puros.

Yara Silva

Amor
Amor a primeira vista
Amor apaixonado
Amor de verão
Amor sem paixão
Amor voraz
Amor a distância
Amor de colégio
Primeiro amor
Amor livre
Amor revolucionário...
Amor, apenas amor!

(Miguel Coutinho Jr.)

Senil


Esta sensação
De gravidade
Nada mais é
Senão a idade

Que chega maliciosa em seu
Tempo de areia movediça
Te puxando pro fundo
De todas as suas premissas.

Qualquer dia, quando notares
Estarás imerso até o pescoço.
Só te sobrarão lembranças
De dentro do teu olhar absorto.

Neste instante, a memória lhe será
Tão cara quanto carne e osso.
Benditos serão os pensamentos
De quando tu eras moço!

Ravenna Scarcela

Mentir . . .


Eu minto, você mente e no final todos mentem.
Mente aquele que diz "odiar mentiras"
Pois a mentira faz parte do ser humano
E o peso da racionalidade...

Mentimos por diversão, por consideração e por tesão...
O ser humano mente até para si
Para ser aceito, acolhido, amado
Os racionais amam se iludir...

A boa parceira de cama é a que finge
O bom garanhão é o que brinca com os sentimentos
Como já dizia o ditado: "É das bandidas que eles gostam mais."
Nada mais romântico do que a mentira de amor...

Que os moralistas cortem os pulsos
E que as beatas arranquem os cabelos
Pois o fim do casamento está na sinceridade do dia a dia!
Os amantes existem para saciar a necessidade de ilusão de uma vida monótona

Um conselho de facínora qualquer:
Minta com cuidado
Pois esta será aquela que levará seu amado ao céu...

Minta com calor e loucura
Jure fidelidade, diga que o seu hálito matinal é esplêndido.
Pois de certa forma mentir é amar com cuidado.

Yara Silva

O amor passou


É como se de repente eu percebesse
que o que eu abri mão um dia
Se tornasse essencial para mim
Para comer, respirar, amar, viver...

Como é desesperadora a incapacidade
de voltar no tempo e reparar os erros...
Reparar qualquer duvida idiota que tive
qualquer minúcia de erro cometido.

O Amor passou... Com o rosto virado talvez.
E eu, desatento, não pude vê-lo, percebe-lo, senti-lo.
Passou talvez me encarando e eu tolo, não o reconheci
naquele rosto de pureza, inocência, mistério...

O Amor passou e eu o perdi
como se perdem todas as chances...
Como se perde a vida!

Tarcisio Bastos

Apenas Mulher


Um animal racional que sente
Talvez este seja o problema...
Sinto os olhares que rasgam minha roupa
As mãos que me sufocam
Até mesmo a sordidez da indiferença humana...

Certo dia me fiz mulher, Pintei a cara ,penteei os cabelos e sorri.
De repente, um ser desprezível me olha, me analisa e intimida
Este seria talvez um futuro amor, mas na realidade meu algoz.
Aquele homem , puxou meus cabelos e disse
"Tu és apenas uma mulher , um ser que me pertence !"

Naquele instante indigno, em que meu batom ficou borrado
Cabelos desgrenhados e corpo violado pensei:
"Sou apenas uma mulher ! Talvez um pedaço de carne sem valor!"
Depois de lavar meu corpo e lamber minhas feridas
Minha alma gritou: "Eu ainda estou aqui!''

Neste intante percebi, sou apenas uma MULHER
De lutas, sonhos e ternura
De corpo livre e alma viva!
De hoje em diante serei mulher, leoa e flor
Das lutas contra o opressor não irei fugir
Para que meu rosto seja de amor
E nunca mais de dor.

Yara Silva

Soneto sobre um crime


O meu esqueleto traz os indícios
De um crime obsoleto e fugaz,
Que outrora suscitou suplícios
E exauriu toda a minha paz.

Eu – em um balé romântico;
Tu – felino com sete vidas;
Dei-te um amável cântico,
Retribuíste com idas e vindas.

Saciei os teus anseios de paixão
E entreguei-me aos teus galanteios.
Naufraguei nessa tola ilusão
E findei num universo de receios.

Hoje sobrevivo com a cicatriz
Que fizeste neste arcabouço infeliz.

(Laís Grass Possebon)

ALMA DE UMA CRIANÇA


A alma de uma criança
é branca como a neve
é transparente como a água,
em um copo de cristal bruto.
Tudo quanto se reflete
e ali se inspira
se cristaliza em segundos e não se apaga mais.
Desejei que todas as crianças estivessem a minha volta,
agora e sempre, pois delas é o reino dos céus.
Elas são as chaves.
E aquele que não estiver acompanhado por uma destas crianças não entrará no reino dos céus.
Elas são as chaves...

Autor: Dhiogo José Caetano

Nudez


Em papéis a expressão corporal, espiritual.
O meu avesso.
A minha alma.
Estou desnudo.
Através da escrita a exposição da exteriorização da arte que vive em mim.
Tudo que não cabe na alma é expresso em versos livres.
Explicitamente me coloca a disposição da arte.
Das minhas entranhas, do meu sangue a arte de poematizar a vida.
Tudo pela arte.
Sobre uma plataforma invisível a nudez poética de um aprendiz das letras.
O desejo é liberadamente apresentar as costuras, emendas, remendos, falhas e imperfeições.
Sou um eterno aprendiz... um aprendiz sou!

Autor: Dhiogo José Caetano

Quando o não posso é bem maior que o não devo
E a certeza menor que cansaço
Quando a mente flui n'outros espaços
E medo te faz perder o compasso

É tempo de parar... e respirar

Quando vida parece não está nada fácil
E o futuro te lembra uma grande janela nublada
Quando o passado te cobra uma resposta
E o medo deixa tua coragem largada.

É tempo de parar... e respirar

Talvez a fumaça obstrua tua mente
E a respiração se torne ofegante
Mas talvez nem lembre dos dias descontentes
Porque é tudo uma questão tempo. Perto ou distante.

[Luan Matheus]

Sorveu o néctar dos deuses
Provou da ambrosia mística
Do amor em seu esplendor
A magnífica alegria!

Preso em sua própria agonia
O bicho se assoberbou de amar
Fez pouco do sentimento
Não tardou a se suicidar

Depois do dia do espanto
O animal se viu humano
Ciente dos dissabores
E de todos os desenganos

Fora o amor seu encanto
Seu remédio e seu veneno
Da vida, levou somente a morte
Mas não morreu, ficou pequeno!

Ravenna Scarcela

Na minha escrivaninha a transcrição de singelas produções literárias. A busca pela eternização dos ecos existenciais.

Dhiogo José Caetano

Esbulho


deixo-te livre com duas correntes no pé
olho com dois graus de miopia
como em duas horas de agonia
amo com dois dedos de pimenta

Yana Moura

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Fora



Corpo que não está,
Esteira de passar tormentos,
Lamentos de uma vida inteira,
Maneira de escorrer as horas.

Senhora à providência de um posto,
Suposto envolvido em contradições.
Prisões com grades em teias,
Veias abertas de sangue rubro.

Cubro o peito que arde em dores,
Amores que se vão no fim de tarde,
Alarde nas ruas de solidão.

Irmão que podia ser, de saídas em bares,
Lugares que nunca fomos, mas iremos,
Seremos um dia livres, quebra correntes.


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Nas asas de um Louva-a-deus


Cata-ventos roubam sonhos
pelo vento já se foi
um e dois e tantos tempos
despedaços desse fim

Caçam as mais belas cores
no alado risco de borboletas
enquanto meu gosto turvo
se eleva no voo grená

Alcance-me meu louva-a-deus
atira em mim aquilo que a relutância ignora
me banha num sopro bem morninho
um e dois e tantos mansinho

Mosaicado, desconexo,
o inverso na rima dissonante
vento leva e convexo
conclusiva e conflitante

André Café

Além do sonho


Serei abraço e manto
ou qualquer sorriso bobo.
Serei fuga e refúgio
ou qualquer brisa te acariciando o rosto.
Serei a alegria que te aviva a Alma e a doçura te visita os olhos
ou qualquer besteira que beija os lábios um riso.
Serei alarde no silêncio triste, silêncio se paz te falta.
Serei o canto que te encanta os dias e o sol que te amanhece a vida
ou qualquer semente que te nasça flor nas dores.
Seria se um dia fôssemos o que não somos, além do sonho ilustrados numa foto.

Nayara Fernandes

No tempo soo canto de mistério


Jamais serei quando sou.
Soo canto de mistério,
Misturo-me em sons diversos.
Versos mudos, silêncios alardes
Coração pulsante, Alma dispersa.
Quem sou?
Passado?
Presente?
Futuro?
Frustrada.
Menina?
Mulher?
Poeta e suas mil e uma faces.
Quem sabe?
Deus ou o diabo?
Brisa ou a tempestade?
Escuridão ou a claridade?
Veto realidades,
Invento verdades,
Chovo e evaporo.
Sou inércia ao mundo – intemporal ao próprio tempo.

Nayara Fernandes

Pudera eu ser poesia


Pudera eu ser poesia
como o vento, esvaindo-se no tempo.
Semente sendo.
Pudera eu ser poesia
como o tempo, – intento da ciranda sem ritmo certo.
Acertando sempre a música do peito.
Pudera eu ser poesia
me apoderando da sombra com motivo
de sobra para ser refúgio.
Reino dos alívios almáticos.
Pudera eu ser poesia
fogo esquentando o frio
e afeto afagando dentro dores insolúveis.
Pudera eu ser poesia
luz sem sombra devolvendo a leveza
somatória das doçuras muitas.
Quisera eu ser na poesia
o Amor dignificando a Vida,
exaltando a Alma dos amantes – estrelas dos versos eternos.

Nayara Fernandes

A escuridão dos bastidores


O dom de ser poeta é um buraquinho que Deus criou num canto da Alma para esvaziarmo-nos dos males da vida. Luzes, palco e plateia – tudo divinamente belo no teatro dos versos. Não sabem os outros a escuridão dos bastidores. Somos blefes de sentimentos.

Nayara Fernandes

BEIJO NA MÃO


De longe avistei aquela criatura.
Mesmo distante era possível interpretar o teu olhar.
Na face uma expressão suave.
Telepaticamente nos comunicava.
A sua alma saltava do corpo físico.
Com clareza eu via a clarividência da sua áurea.
Diante de mim um ser inesquecível.
Inesperadamente a criatura beijou a minha mão.
Um beijo que fico registrado na minha alma.

Autor: Dhiogo José Caetano