terça-feira, 22 de julho de 2014
De 8 ao Infinito
Oito. Mas tanto tempo. Uma vontade, um desejo de pequena mudança, de uma rotina delirante, para delírios e voos sem limites, sem forma e medida.
Oito, menina criança, que dança e subverte; que desafina, que aconchega e que grita. Na mais surreal vivência, aos pés no chão do mundo do ar.
Oito, assim por assim dizer, número. Que seja exótico, quiça fantástico, certamente cirandado.
Da lágrima que fito, naquilo que acredito, sem prova ou veredito ao coração aflito: és mito que repito, que recito, ilimito.
Do 8 ao infinito
André Café
domingo, 22 de junho de 2014
Mordida
E num ombro desavisado,
a saciedade engasgada da boca
não pede passagem
avança sobre qualquer maldizer
numa doçura selvagem
Por afeto, por repouso, abrigo e luta;
ou só pra friccionar os dentes,
abrem-se mentes da vida,
prepara teu corpo pra sair da inércia,
que vem com sede, a mordida
E diante do susto, saliva
que atenua e convida pra mais
lado a lado, espelha a origem
incisiva, liberta e aguerrida
em ternura de causar vertigem
Mordo, do tempo e da inspiração,
pra esse poema ser canção,
pra ser cantada, na pele cravada
pra todo cansaço e tristeza
esvair-se pela dentada
André Café
Stacy
Quis começar assim,
com um pingo (gigante) de vontade de sonhar
mesmo que não, que nunca ou nem
saiba expressar
toda dor, vinda de mesmo causador:
este sistemático mundo opressor
Nela, quanto em tantas, juntas e aguerridas
só vejo vida, só vejo força, prevejo luta
muita labuta pra se destruir o que nem deveria ser
lado a lado, ombro a ombro, ouso dizer
inspira-me mulher, referência e sacode: "se liga nos vacilos, negão!"
e num pedacinho de palavras soltas
um rabisco de mim, que pra você aqui se versa
é conversa e canção: máximo respeito e adelante!
André Café
Valeu, falou e valeu de novo
para Jacque,
Em cada abraço apertado
quero te tirar todo o desassossego
meus clamores por carinho,
acho eu
respondem sozinhos
pelo que é nosso legado
Mas longe isso ser tristeza
cada embarcação voa por motivos próprios
seguem rumos ou ventos distintos
mas conseguem chegar em qualquer lugar
O abraço que te laço
não se reduz ao que quero
é partilha de calor e ternura
acho eu
avesso a destinos
amado em loucura
André Café
Cada letra sem tempo
Deveria ser o último, diante do porquê;
quimera.
poderia ser o antes, ante ao depois duma
espera.
Cada letra sem tempo. Nada voa ao vento
Cada risco gritante, num eterno instante.
André Café
De madrugada, a gente questiona 3
Mais uma luz me suga;
a tua fuga me traz
para o cais de repouso
ou para o mundo virar
Sou assim, absurdo
sabença de tu, vinda
milhagem que se finda
no deságuo de te encontrar
Num desabo em auto olhar,
lá profundo de além-mar
Num desarme de te amar
bem no fundo, rodopiar
André Café
terça-feira, 17 de junho de 2014
Neologus
Eu substantivo teu verbo,
num artigo viro numeral
e tal qual são as semânticas da vida
te quero tempo e agora
e que esse amor sem regência
se expresse em sinestesias de liberdade
me vicie em pleonasmos
enchendo a tampa das hipérboles
com doses de antíteses e concordâncias
seja apenas todas as danças
que nos mova do acessório à conjunção
seja feito de coração
toda adverbialidade intensa
seja sempre, seja muito ais, uis e até breve
André Café
terça-feira, 3 de junho de 2014
Monstro Rotulado
Sinta o cheiro
Mas não encoste
Somos rótulos
E rotulamos
Aceite o espancamento e o estupro de valores
Eles apontam para você
Querem que você seja um espelho de seus vermes interiores
Não seja!
Mas já somos
Somos um monstro rotulado
Um grande ceifador de tempo e sonhos
Somos sociedade
Ame a sociedade
Seja
Vote
Aceite
Morra
E por fim será julgado por seus rótulos incompatíveis ao do grande monstro que somos
Viva a sociedade!
Bernardo Moraes
Rascunhos de uma poesia perdida
Achei perdido no bosque do velho porto
Dentre folhagens secas sem tom
Respirando o ar tóxico da vida
Sem saber o que era o dom
Lamentava cada passo, pensava que a vida era mesmo assim
Achei de um modo triste, tão calado que não me chegou a sorrir
Parecia buscar a solidão e engraçava-se com a dor
Colhi com luvas finas e dei abrigo entre meus cabelos e um pouco de calor
Foi um apego com braços e pernas abertos e com a alma calada
Sentindo aquele senhor do meu acaso que hoje é ele quem me acalma
Paula A.
Ah esse amor desmedido...
Que nos invade e se torna parte de nós mesmos.
E na individualidade, sentimos falta daquilo que somos quando estamos juntos.
Porque na unicidade, não somos dois, somos um, em nós mesmos.
Quando me perco, eis que me encontro em você.
E me reconheço como parte do todo que sou, com a parte que me completa em você.
Luciana Abreu
Queres aquela moça?!
Descuidada,esquecida
Que só pensa em fazer amor
Fazer mudança e rebelião...
Queres mesmo aquela moça?
Por que não fica com as mocinhas calmas
De alma pura e coração florido?!
Escolhestes aquela que fuma
Que bebi, fala alto e xinga
A mesma que traduz safadezas na igreja
Tu queres mesmo aquela moça?!
A que tira a tua roupa com os olhos
De maneira tão rasgadas que os outros sentem
Aquela moça ,que só anda de roupa curta
Cabelos soltos ao som do blues.
Tem certeza que queres esta moça rapaz?!
Ela só anda descalça pela cidade
Brinca com crianças
E discuti com os soldados ...
Essa moça te espera nua
Em meio ao chão frio
Sem vergonha ela escreve textos quentes
Pra atiçar o seu romance...
Yara Silva
RE-VI-VER
íris em rotação
sol partu(rindo) lua
céu compõe estrelas
chuva em ditongo
olhos torrenciais
boca convectiva
mãos em nimbo
passos e erosão
a rosa revive
Y.M.
Funeral
Fim
Recomeço
Pânico
Medo
Exílio
Cianótico
Sombrio
Flores
Canções
Lembranças
Recordações
Lamentações
Família
Amigos
Conhecidos
Inimigos
Fé
Hora mais escura
Clarividência
Corpo
Alma
Desconhecido
Espírito
Sentimentos
Angústia
Anunciação
Silêncio
O chamado...
Autor: Dhiogo Jose Caetano
Meu querido ex-namorado
Tentei te fazer minha maravilha com céu poente de noites passadas, a única coisa que consegui fazer, foi amassar rasgar o papel e engoli com saliva seca.
Eu quis te por no meu café, mexi com colher de ouro, mas que droga! Ficou amargo.
Querido, eu até colhi rosas de um cemitério perdido, mas nada adiantou porque o vigilante correu com a pá atrás de mim.
Te chamei pra brincar no parque, feito doida empurrei teu balanço e sem querer as correntes romperam, nem quis ver como ficaram aqueles seus restos
Mas eu ainda te amo tanto, só não sei fazer isso direito.
Paula A.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Foi lembrança
Me disse sem som
que os dias podem ser apenas tudo;
No traço da rotina, dum jogo de vidas,
que se deslocam e se desamam sem motivos;
um sibilo me trouxe para o sentir de novo o chão úmido,
o vento trôpego que me fez perder o cansaço;
um silvo breve, mais leve que a memória,
que me mergulhou saudade!
Flor que chamou, pela sinestesia, o perfume
arranhando-me prum acordar de riso quente
Foi-se o tempo, mesmo sem medida.
revoando-se nos seres vivos,
cores, e assim, um punhado de sentimentos únicos,
no papel, minha mão recobra o traço
dum abraço que conta história
desse laço de amizade
Me veio o tom
de todas as flores do mundo
que venha, ajeite ou desarrume
e que toda vida, se faça presente
André Café
domingo, 18 de maio de 2014
Sem compasso
Essas horas poemas?
pensei ter te perdido às nove horas
desci da condução conectado aos teus ditamentos
que foram feito vento, se espalhando na praça
Foi graça de uma sorrateira memória
daquilo que versei, o inverso fez história
lembrar de ti e daquela história
daquilo que se foi e o que disfarça
Que será esse sono que me letra?
nada tem a ver a poesia
que distante do alvorecer me cala
e fala assim, descompassa
André Café
Tire-me do chão
Vão ...
do tácito sabor dum beijo bem intenso
ao ponto que chegamos
ao momento do engasgo
que só o trago profundo
alimenta
Voou ...
aquilo que não se media em tempo
em memória ou história
era um quase todo
exatamente tudo
de contentamento
André Café
De novo, não
Não nasci para o intenso;
um raso rasgo, pelas mãos trêmulas
no mais cálculo sentimento
de irrelevâncias súbitas
Não sou eu ou foi o tempo
donde o fôlego até transbordava
hoje é seco de livre tormento
num cálice de face em água
Não, apenas um raro efeito
sobre todas as minhas angústias
sob o mesmo eu que nem sou
salvo o simples pesar em ternuras
André Café
domingo, 11 de maio de 2014
Carta de Mural Improvável - para Dalila Cristina
Carta de mural improvável
Dalila Cristina,
Me permita uma
deferência.
Se vossa mercê
usa de óculos/ não o é porque tenha defeito algum.
Entrementes, por
teu grau elevado/ – de modos e quero dizer o grau de acuidade visual mesmo – /é
que estas lentes filtram o que de mau e mal no mundo exterior haja e aja/ a não
importunar em sua íris e cristais foliculares e pupilares.
E, por seu outro
turno também e ainda,/ te oportunificam por melhores escópios antever/ as boas
cousas e os bens visíveis desta “brilhosa” vida tua,/ dessa existente essência
vossa.
Antes de tudo,
no entanto,/ os óculos enfeitam suas belas amêndoas coelhonetenses/ – e que,
aliás, o ilustre poeta/ que assim nomeia vosso gentílico próximo/ e que
enaltecera a Teresina,/ ao chamá-la Cidade Verde/ “bem gostaria é possível de
poder ter entreolhares contigo”/ – as tais que abrigam luminosas e meigas (mas
pernósticas, quando necessário é...!) castanhas médias vistas incríveis.
Mas peço-te, se
é porventuroso aqui:/ use, não tire, abuse dos óculos/ – que só adornam (à
francesa) sua bela face;/ mas por óbvio, é meu dever afirmar/: cuide tanto ou
melhor ainda da vista quanto da voz;/ ora pois os sentidos se completam/ e teu
equilíbrio é um bem natural místico!
E tenho certeza
que vossa mercê é uma atriz de quilate, à qual soma-se a esforçada
comunicadora, a tornar-se “comunicatriz”. Abram os sentidos que esta moça está
a passar.
Abram-se as
sentidas: que esta moça está a passar. E o carma é toda dela, não se iludam.
Poetiza tu; não,
poetize você! Poetizai vós, poetizem eles, poetizem elas, poetizas, poetiza.
À Dalila
Cristina, amiga e colega interessante – e até sou de poucas palavras, ela sabe
– nos desinteressantes e inconstantes interprogramas da mundania no abstrato
estado de cousas.
Segue-te, vida.
Por João Paulo
Santos Mourão.
02/04/2013
~06/04/2013
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