quarta-feira, 9 de outubro de 2013
O meu e o seu, ou vice-versa
Guardo com muito carinho um certo coração
Que ganhei em uma dessas noites estreladas.
Esse não foi fruto de roubo, tampouco uma ilusão.
Peguei com cuidado, embrulhei com alguns sonhos e guardei.
Me perguntaram no dia seguinte:
E a moça ficou sem coração?
De pronto respondi: não, claro que não.
Dei o meu pra ela. Fizemos uma troca, uma transfusão.
Não que seja meu ou dela a posse, nem queríamos que fosse.
Tenho pra mim que assim não seria tão sincero.
São apenas dois corações.
Semelhantes, amantes errantes, enlouquecidos, fascinantes.
Em peitos diferentes, mas no lugar certo.
[Luan Matheus]
Menina do riso tato
E não precisa explicar,
muitas vezes nem dizer
do riso em qualquer lugar
só vontade de te ver
Uma madrugada de besteira
um ano de afeto inteiro
no mar cansado de folia
pelo caminho sem roteiro
Repouso tudo que sinto
Encontro umas alegrias
recanto os cantos que movem
nós e as flores, em fantasia
André Café
Simulacros Existenciais
Tudo se fez concreto, mas quantas abstrações foram necessárias para aprender a viver a vida.Nas folhas verdes do meu jardim pálido, as lembranças de um passado presente. Quantas primaveras de alegria.Obrigado senhor tempo pelas oportunidades.
Autor: Dhiogo José Caetano
Refúgio refugo
A poesia que me anuncia
ou me cala; és nada
ou meu refúgio
um subterfúgio moldado
sem traços ou figurativos fundados
Versos rasgados, de casa ou desconhecidos
do eu falam tudo
um mundo contradito
num rito camaleado
sem passos ou paliativos roubados
Me desperta da vida acordada
sou sonolência para o devorar
busco o Sol
num atol demasiado
escuro, vil: o espaço descadeado
André Café
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Haikai da chegada do amor
E vira mundo;
quando será que o amor vai chegar
pra tudo transformar
em menos de um segundo?
André Café
Transbordamos
| Katerina Bodrunova - Underwater tango |
para Hannah,
A impressão é que não basta
porque nunca se quis bastar;
se transborda,
não foi culpa nossa:
os olhos fechados não enxergam o infinito
apenas a sede em ter e sentir lábios mordidos,
calor em partilha, sufoco e silêncio fingido
Se o olhar se liga,
ele já se foi; como refém confesso
num expresso de admiração
na gota do suor que marca os corpos
pele embebida de aromas alheios nossos
tanto pode ser dito e também o contrário
mas de cá não se faz erário
para as contas do coração
André Café
Um fim para rotina
Tenho esquecido aquele vento que destoa
sou soma de saudades e tempos
enquanto invento fugas
pelas rusgas da felicidade vendida
E se passa toda vida
amizades que se anotam em lembretes
quando até o acaso soluça por passagem
mas o esquálido moinho não se movimenta
Pois se uma tormenta aqui reinasse
ruísse com muros e encastelados
quem sabe só um bocado
de amor rondaria nas praças?
André Café
Enquanto seu espírito for o céu
Que, incessante, eu busco
Voando alto, desgovernada
Numa procura desenfreada
Da tua palavra e do teu olhar
Que me livram do meu fel
Continuarei, intermitente
Cada noite e cada dia
Flutuando no seu limbo
Permeando a sua sorte
Fugindo, em vão, da escuridão
Que me consome desde sempre.
Ravenna Scarcela Angeline
Sinfonia da Arte
Quantos poemas...
Uma ciranda da arte.
Lá fora brinca a menina poesia.
A festa cultural se inicia.
A dança das letras.
A roda dançante dos versos e prosas.
A Lira Samba.
A métrica dança valsa.
A musa Lírica canta.
Na minha escrivaninha a transcrição de singelas produções literárias.
Autor: Dhiogo José Caetano
Efeitos do Tempo
O meu tempo se esvai...
Entre sonhos e realizações; o presente, o futuro.
Aquele medo do desconhecido.
Tudo se fez concreto, mas quantas abstrações foram necessárias para aprender a viver a vida.
Perdas, conquistas, transformações...
A vida reserva muitas surpresas.
Nas folhas verdes do meu jardim pálido, as lembranças de um passado presente.
Quantas primaveras de alegria.
O tempo consumiu tudo...
As minhas flores já estão mortas, o meu jardim está inóspito.
Obrigado senhor tempo pelas oportunidades.
Autor: Dhiogo José Caetano
Adeus
Pequenas coisas, grandes consequências.
Queria entender, mas é incompreensível, o melhor a fazer é seguir em direção do nada, do infinito, do além daqui.
Minha alma chora na vastidão da minha casa material.
Estou sem alento, quanto sofrimento.
Fui magoado, mas cruelmente magoei quem tanto amo.
As palavras ríspidas me levam a reflexão de tudo que vivemos.
É chegada a hora do adeus.
Minha alma chora na profundidade de um corpo desvanecido.
Uma aflição rompe com os limites do meu equilíbrio.
A boca fica seca, o estômago embrulha, uma ansiedade me consome por completo.
Enfim, é chegada hora...
Autor: Dhiogo José Caetano
Uruana, Go
Afinal de contas quem não deseja um amor revolucionário?
Aquele desejo que rompe as barreiras da normalidade
fixado na liberdade plena de, apenas, amar.
Afinal de contas por que fugimos do respeito mútuo?
Da real troca de sentimentos libertos?
Da confiança, do elo universal, da própria existência?
Ciúmes?
A falta de existência coletiva do dom de amar.
Onde paixões se confudem e misturam-se apenas a sonhos inalcançáveis.
Ou com a paranoia de não viver.
Afinal de contas por que não amar?
(Miguel Coutinho Jr.)
Olhos vidrados.
Luzes formam espirais
saídos de tubos infectos,
trazem ultimas noticias.
Eus em conflitos internos,
retalhados a golpes de navalha cega.
Paquidermes viciados
em tragédias sensacionalistas,
sentam-se em suas poltronas
excitados.
Sentem o cheiro da carniça,
anseiam a chegado do alimento,
do prato, putrefato.
Cheio de dor, sangue e agonia,
com uma pitada de caridade.
O prazer do vicio miserável
é sentido nas vísceras,
que vibram e gritam
a cada punhalada deferida,
a cada corte de peixeira,
a cada coice de metralhadora.
Sádicos!
Abusam do sarcasmo,
maquiam sua antropofobia
contraída a cada dose
do veneno corrosivo.
(Morgan Souza)
Tocando em frente
Pequenas coisas, grandes consequências. Queria entender, mas é incompreensível, o melhor a fazer é seguir em direção do nada, do infinito, do além daqui.
Dhiogo José Caetano
Veio antes
Nem em outubro
ou nunca se viu
que a corrente de nostalgia
foi de um apego assim:
surpresa
Eu que em cada ciclo
me acorrento
realmente me abati com teu ataque
inesperado, mas como sempre
frio, nebuloso
eu que de um passado desgostoso
só tinha lembranças ausentes
Você vei antes
e me deixou depois de tudo
num absurdo de reflexão
na amalgama do coração
André Café
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