quinta-feira, 7 de julho de 2011

Logo ali, onde acabam as curvas



A hora não era a certa, nem o tempo era bom... mas naquele mesmo ar havia um tom que me sorria. Saquei do vento as palavras indiretas, falando aos sussurros, e quase em silêncio meu coração gritava de emoção, num espasmo desses que se tem quando se dá de cara com um anjo. Ah se não fosse tão longa a estrada... seria logo ali, antes da última curva que estaria me esperando o fantasma da felicidade; de pele branca... cabelos negros, a olhar com seus olhos de homicida, e quando um sorriso dela chegasse... despejaria minha alma em seus braços


(Emanuel Souza)

CaraCoroa.

Sou várias.
Às vezes digo que sou três: eu, meu coração e minha mente.
E não é que eu seja bipolar ou uma "metamorfose ambulante", apenas escolho qual forma de eu é mais interessante usar em determinados momentos.

A questão é que quase ninguém sabe disso.

(Tassi)

Engana, cigana!

Só uma cigana pra escutar meu coração
E descobrir meus segredos escuros
Sem olhar meu passado
E sem escutar os meus pulos
Só uma cigana, sou uma cigana!
Mas eu não revelo o que eu quero
Eu não te desespero
Sou uma cigana, só uma cigana

(Rosseane Ribeiro)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Remendar cacos


São restos de algo que existia e se quebrou
Quem ama, tem que saber remendar cacos
Nada remendado fica igual ao que era antes, não se pode ter essa ilusão
Uma vez quebrado, mesmo que depois colado, sempre existiram as rachaduras e ranhuras
Não é impossível que se retome a beleza, a leveza, o movimento
É preciso remendar cacos, para re-amar tudo que existiu
Para perceber que mesmo remendando, mesmo já tendo sido quebrado, algo de belo ainda está ali
E se os cacos foram remendados, porque não continuar a ama-los?

(Isadora Carvalho)

Não a descortinem.


___Chora não, menina!

___Abraçam-na, por favor?  Por mim...

___Olha aqui, eu sei que é triste, mas eles vão arder em outros ares e você vai sorrir por vê-los felizes. Eles vão sentir a sua falta e dizer que sentem uma tal de SAUDADE e você vai dizer o mesmo, porque é exatamente o que você sente. Isso vai se dar por dias, meses (...)

Sim, a ausência vai doer – corroer – brincar por dentro. Algo como alguém pegar o seu coração, torcer até pingar a última gota de sangue e colocar ao sol para que seque por dias.

Dói, mas dizem que é normal.

Dói, mas dizem que passa.

É, talvez esse seja o problema...

(Tassi)

Ciranda Apaixonada





Coração apaixonado
com o mesmo defeito
pensando torto no jeito 
que o batimento não falha
como os pinote dum boi bravo
mel recém tirado do favo
as pancadas da alfaia
bumbando, dança... se esvaia
de pés descalços no chão
sem rumo nesse sertão
pelas estradas andar
nas cirandas a brincar
brincando pra esquecer
o embornal do meu sofrer
como fumaça me espalho
pulo de galho em galho
e não me esqueço de você

(Marcos Foyce)

Volta e meia


Continuo meu passeio à beira do lago.
Fumo um cigarro como se não gostasse
de perder meu tempo com o mundo lá fora.
Sento num banco, beira da vida ou o que vier.


Passo despercebida por aquele céu de andorinhas,
viajam solenes em busca de lugar qualquer
onde possam depositar as ânsias de um dia cheio,
ou onde possam simplesmente repousar.


Caem cinzas em meus pés, cansados,
mergulham suavemente o peso de suportar
a espera de uma estrada que não chega
antes que eu dê o primeiro passo.


Meu corpo me traz mais uma vez pra realidade,
este vício incontrolável que toda cidade tem.
Despeço-me dos pássaros com um sorriso,
esperando outra oportunidade para retornar.





Para Nayra Aragão


(Jorge André)

terça-feira, 5 de julho de 2011

Sobre o que me faz querer gritar



Quando falo aos sussurros que todo silêncio está condenado à escuridão, sou repreendido. Hoje sei, pelas marcas na minha própria pele que cada palavra em vão é, senão,a confirmação do que disse antes; e assim sei, mais forte ainda, pelas feridas da minha própria alma, que o silêncio provocado pelo olhar desenfreado de dois olhos apaixonados, é sim o não-sonido abençoado. Que muitos já viveram é fato, mas digo do sei em pensamento, em sentimento, pois em verdade lhe digo, meu olhar nunca esteve de frente com saltitante silêncio. Ainda não sei o que fazer com os saltos que me rasgam o peito... vez por outra escrevo. É o que me cabe. 
E tenho cultivado um amor belo, daqueles de filmes bregas, que cheiram a pipoca amanteigada, só pra te dar. Hei de ver nosso silêncio em teu olhar.





(Emanuel Souza)

EMPREENDENDORISMO CULTURAL NA INTERNET



(Dalila, Wherica, Mariana)

SE AMEI?



Bem,
Se amar é sentir sua falta
Eu amei
Mas, se é não ficar um minuto sem te ver
Eu não sei.

Se amar é sorrir
Eu amei
Mas, se é nunca chorar por ti
Eu não sei.

Se amar é sentir tua voz
Eu amei
Mas, se é crer em tudo o que dizes
Eu não sei

Pois, pra mim, amar é corromper a timidez
Deixar na pele a emoção.

Bem,
Se amar é ser feliz sem ter você
Eu amei.
Mas, se é a todo custo te querer
Eu não sei

(TATY GUIMARÃES EM 29-03-1995)

Sete Profecias Dissolvidas no Esgoto




sonhei que falava em sete línguas,
sete profecias para o mundo
de sete países distantes
que estavam em conflito interno
palavras cortavam como espadas
os peitos sangravam e alegravam-se
mostravam grande interesse
em acabar com os conflitos 
e viverem uma vida de paz

porém, 

moscas sobrevoaram com ar de soberba
reinando sobre a enorme podridão
que habitava o teatro dos palhaços
tudo que era semente de felicidade
floresceu caos transtornado em ódio e desprezo
as palavras da profecia que trouxeram a promessa
foram ignoradas pelos camponeses 
que pastam com os urubus procurando alimento

as sete línguas dissolviam-se em minha boca
escorrendo com as cores da bandeira de cada país
cores resumidas a uma só: sangue
velhos homens tornando-se criança em grande pranto
sonhos jogados nas valas junto com os cadáveres
que apodreciam ao sol de meio dia
evaporando criando nuvens de lágrimas 
que fizeram transbordar os oceanos mundo a dentro!

olhos cegos, falsidade, mudos, invisíveis e incompreensíveis!

acordei

(Marcos Foyce)

Ao bichinho geográfico!



"Tassi não tinha paradeiro
Nem história, nem nada
Apenas aparecia às vezes
Com seus olhos fulminantes
Pulando de uma estrela cadente para outra
Queimando
Na importância desesperada do agora"



Ele tecia as minhas asas
Feito uma aranha construindo seu lar
Fazia isso sem compromisso, ‘admirava’ de longe,
Os olhos eram de: “qual será o próximo passo?”.
Semblante leve e ao mesmo tempo tão concentrado. Aquilo me intrigava!
Parecia distante, mas não, ele sabia o que estava olhando, só não entendia o que era.

Eu ficava estática, não compreendia o que se passava, apenas sorria cautelosa.
Queria compreender os seus olhos, mas isso era impossível.
Depois descobri que era poeta.

(Tassi)

Inexistir




Então por que existir mesmo?
da couraça ríspida e metalizada dos corações humanos, 
nada se transmite senão o desprezo e a soberba


E eis que se fez o desuso da humildade
a prevalência da realeza
a incerteza de um bom amor


Eu sou a pompa, eu sou o meio
Até a terra ou o fogo te consumir
e sua passagem com os pés no céu
fora meramente de figurante
Ser andante movido pelo vazio das almas
embriagado pelo descaso de vitrines
onde se percebe o reflexo da incerteza
da condição não humana de existência


Eu te amo, mas você abnega-se a amar
Eu cuido de você, mas você insiste em descuidar
Eu te levo pra roda, mas você sempre a desenrolar
Eu me disperso e me projeto atacado pelo receio
você fora do ar, mergulhada em devaneio


Pra quê existir? O que eu tenho a oferecer ao mundo
é o profundo, mas raso caiado no ralo do esquecimento


(André Café)



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Es-tra-nha mês-mo



Está tudo virado. O avesso é quem comanda essa ordem paranóica que faz o desatino dos meus olhos desaparecerem. Estranhas vontades e desafetos rondam meu espaço. Parece que a verdade deu um nó  e não separa mais o pó mágico do encantamento com o vidro do mundo real.  Se a tesoura desfaz o produto eu deslizo na mesma direção. Criei minha teia para chegar mais longe do chão.  Agora, eu molho a areia para decidir como faço com os sinos perdidos.

 Acho que estou lendo demais sobre hipnose e café. É que ando escondendo minhas intenções. Ando desligando as pistas e esquecendo-me de dormir depois do adeus. Ando retraindo o rebolado, escondendo as mãos, esquecendo os anéis e os cabelos em  bolsos. Estou andando demais, e para trás. Desconcerto do inverso do avesso. Só uma rima para descrever essa agonia que enumera o ponto de diversão que acaba em confissão: Eu não sei por que eu ainda espero tanto das lágrimas cristalizadas.

 Se é que existe estado de repetição de individualidade, eis  aqui a minha. Um ser-e-estar que não acaba mais. Estacionou bem no ponto em que eu esqueço da luz do sol.  Caraca, eu não sei como destruir um pétala. Mas consegui ferir minhas veias várias vezes nos espinhos de todas as flores que recebi. É um jogo de tempo que faz confusão em minha decência.

  Não esqueci as dores e as cores que eu vi quando percebi que o jogo não ia bem.  Manias imperfeitas que espalham o resto de confiança e de desespero pelos cantos da casa, das roupas, e das folhas. As folhas que eu uso para secar meu desapego e confessar minhas vozes.

 Estou estranha. Antes eu sabia exatamente do que correr. Hoje eu ainda sei, mas demoro pra fugir do escuro, do mundo, do inseguro. Meu Deus! Sempre esqueço de deixar o silêncio inventar o resto da aposta.


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Eros e Psique - Texto de Fernando Pessoa

Dançando em brasa



Pegar uma navalha
e abrir o cotidiano
revirar pelo avesso
acelerar o movimento
pra essa calmaria
se transformar em vendaval
Pra ver o circo e meu corpo
pegarem fogo
A cidade em chamas
e você dançando em brasa



(Dine)

Vinho



A divina bênção dos deuses 
O grande pecado da carne:
Cálice de vinhoDesliza
Em teus dedos de bolero: 
-pureza, cristalina e tentadora...

Cala-te. 
E derrama teu vinho em mim!
 
Ah, divina bênção da carne
 
O grande pecado dos deuses...

Amém.

(Laelia Carvalhedo)

Areia nos pés






De que forma eu poderia escrever sem colocar um 'eu aí?
O egoísmo perpassa por mim de uma forma tão escancarada, mas ao mesmo tempo tão nas entrelinhas, que eu ruborizo(e novamente o eu aí) pelo jeito de como eu uso e abuso do 'eu. Mas, não sou egoísta. Só me preocupo comigo (auahauiahaih). É que eu me preocupo em encontrar o 'eu que não existe. O meu euzinho, que não existe para você. Pois você é o "eu agora e não eu.Entenderam? Eu não vou falar de você. Até porque, eu nem sei quem sou eu, tampouco sei quem você é. Por isso, deixa 'eu ser egoísta, sem ao menos ser. Até que é bom!
Ta, mas fugindo do assunto e entrando num outro bem diferente. Mas, ainda com os EUS.
Hoje, seguindo minha rotina matinal, caminhei...caminhei. E, depois da crise tomada por mim nesse mês, comecei a sentir novamente.
Senti o ventinho colocando um fio de cabelo para trás,
senti o anél entre os meus dedos.
Senti. Eu senti. E fiquei sentindo.
Ouvi os sons, sons do motor do ônibus,
som dos freios dos carros.
Barulho de um carrinho de nenem. Ouvi.
Eu vi, vi detalhes. Sem pensar.
To pensando agora, e pensei depois também. Pensei: E as outras pessoas?
...O que elas fazem quando andam?
Elas não sentem essa mútua consciência?
Elas não sentem essa existência?...Elas caminhavam...por caminhar?
Caminhavam pensando nos seus afazeres?
Por um momento eu pensei.
Pensei e agradeci por ser eu. Pensei e agradeci por ter tirado o pé esquerdo daquela crise.
Aquela crise que vai passar por completo e vai me deixar assim. Tipo agora.

Paz e gratidão.
love


(Tassi)

Desconcerto



O caos aproxima as mãos
Dilata a pupila que escorre entre os dedos
Empilha as dores
Suga os amores e as flores

Injeta a agonia em perfeita sintonia
Desliza em veias o entulho sanguíneo
Segura o medo e o desespero
Multila a imagem do espelho

É uma hiperbole revestida em sais, em ais
E sem mais eu confesso:
É uma loucura em demasia,
Que não aguenta mais esse coração.

(Rosseane Ribeiro)

Vi-me só

  
Tô com cheiro doce de flor
E é ruim quando você está só e com cheiro de flor
É ruim quando você tem um cheiro que não é seu
É pior que entregar seu coração pra alguém que não quer cuidar!?!
Não, nada é pior que isso.

(Isadora Carvalho)