sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Onde ser


Percebo olhares desviantes;
onde estou? Será mesmo o meu mundo?
há pessoas distantes,
lugares dissonantes

Tempos plásticos,
risos cálidos,
sons destoantes
erros ardentes

Por que aqui? Não noutro momento?
o mergulho profundo do eu
entre brindes, delírios e brincadeiras
não tenho eira nem beira
na vasta procura pelo breu

Sou eu ou todas as coisas?
todas as coisas em mim;
no fim,
apenas quero sede,
para deixa secar esse ardor profundo

André Café

quinta-feira, 22 de outubro de 2015



Ao Sol

Olhar quente e fervente
Certo e convicto
No por do sol
Mostra teu mel
Escorrendo
Teus lábios contra os meus
Me foge deste encanto
Descontente e cheio de lirismo
Em teus lábios
Que não me esquento

Victor Barbosa

domingo, 18 de outubro de 2015

Ouvindo



Me transporto para Teresina
Me transporto para a terra mágica
Me transporto para o calor
dos seus belos fins de tarde
Me sinto na cultura, 
na vida e em seus sentimentos
Me sinto acolhido
Me sinto envolvido
Me sinto mais
Me sinto possível
Me sinto quente
Me sinto em Teresina

Victor Barbosa

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

De madrugada, a gente questiona 5


Sobrecarregado,
cansa o corpo, pede o tempo
mas é infindável a sede dos dedos,
mirando o extravasar dos pesares
fala, aquilo que a garganta silêncio

Por muitos tercetos,
desorganizados, sonetos
Caindo os olhos pela manhã que se anuncia,
café doce, mas amargo; um trago sem sabor
tudo inerte ao externo extenso

Desconhecidos campos de incertezas,
aflorando sonhos e medos,
no mundo é cedo, pra ele, tarde demais
da fresta da janela: luz, calor e vida,
passagem de ida, pra contrassenso

André Café

E vive, e volta


Já voltei e vivi,
de campos que tragam a esperança:

O desespero semeia o solo,
e toda cor se acinzenta,
a alma toda arrepia,
e cada flor se lamenta;
do galho se arrebenta,
padecendo de agonia

O vento faz frio e lágrima,
da face, resseca o riso,
nos ombros o peso do mundo,
cabeça perde o juízo,
o corpo em desaviso,
de passamento profundo

As pernas cessam o movimento
a reação se acaba,
toda vontade se finda;
a vida que desaba,
como numa biaba
a beira da berlinda

Já voltei e vivi ... mas que descaminho sorrateiro
Cá estou desconhecido,
o mundo que vi em mim
de tudo estou esquecido
pois já havia partido
da orbe sem meio e fim

E tudo mais uma vez;
o frio que atormenta,
a sede que não cessa,
a fome que desmonta,
o pranto não suplanta,
a dor que nunca passa

André Café





Depressa não


Quis começar pelo fim;
não falar de origens e de fatos
consumados, consequentes;
a boca árida de conselhos pífios
não se amordaça pelo que não se sente

A verdade é que não era pra ser começo,
entorpeço, padeço, peco, pelos lábios arredios
num desafio de inibir o inevitável,
para arrancar de ti a desperança,
ou talvez me reconhecer inefável

Não era, mas fui; acabou e final?
as palavras tolhidas pelo não ser;
um abraço, um laço de distância, de afeto
silenciam o que não seria dito.
outro rito, despido de credo

Minhas mais sinceras vontades
do espelho que fujo, aquela que vai ao longe
diversos caminhos num só espiral
depressa não, qual é o ritmo?
do íntimo cadeado em visceral

André Café


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Nada aponta


O que me prende?
causa, vida, curta
nada mais fixa-me
nas rédeas do apego,
vestido de sossego
e madrugadas

Um pedaço, caco desprendido
do barroco reboco na parede do tempo
do pó, destino, que o vento, a sorte
pra quê tanto laço
em nós idênticos?

O que me prende?
sustenta, resfria
no calor de todas as relações
cada qual com seu verbo
e conjugações
não para um coração que pára
no abstrato de ilusões;
travestidas a ermo
no abraço de gerações

André Café

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

09


Ainda que chama pouca, mas existe. E chama, sempre clama, vem você também! Tem risos, cores,
flores e amores. Como amar é resistência poética em tempos tão destemperados. No meio de um incerto nascedouro, 2006 era o ano, e daquele com um sorriso mais acolhedor, se fez, surgiu, desceu para o mundo, se disse menina e abriu os braços para um abraço sem fim em permissão e coletividade.

E a menina cresceu, em uns anos ficou quietinha, tantos outros esbravejou até arder os olhos em poema, que escorriam nos coretos e paredes, ônibus e lugares da cidade. Mais uma vez tá quietinha, escutando um bom som subversivo na rádio, num cochilo, num suspiro, numa eternidade, numa lucidez, num crescer. 09. Se serão mais, se será talvez, de vez acabe, de começar.

09. Na ciranda de ida e volta, sintam-se parte, quem partiu, quem pariu, quem partou, quem permanece, quem aquece. Num grude, mas grude, abusa, pinta, grafita, histeria. A cidade, pelos cotovelos, ecoa na beira do Tucuns um chamamento. Vamos ressignificar? Vamos sentir, sentir-se, além de todos os espaços possíveis. Criança ainda, mais de andança muita; Pulou riachos, cercas e quilômetros; no Espírito Santo fez e tem morada e viaja até Vanuatu. Nós, expressão; produção aos ventos; liberdade, crítica, maturidade. Menina transgressora.

09. Pra mais anos num barco ao sabor da água da inspiração, se movendo e removendo arestas, obstáculos, descansos. Muito prazer, quem sabe numa passagem de segura, todas as vibrações em rebeldia e arte, retornam e explodam em giros, saudade e piração.

André Café

Educa e se sinta a vontade para aprender. Fala daquela rima que canta o dia a dia de trabalhadoras e trabalhadores; em uma poética sofrida, viram canções, brados e exemplo pra luta. Junta tudo num verso coletivo e chama o povo, pra ver a banda passar, pra ser a banda que passa, pelas ruas, luas, tuas, minhas e nossas; sejam bossas funkeadas, todos os sons para juntar todas as vozes.

Organiza-te, num terceto, soneto, sextilha; afina os instrumentos e os discursos, corre junto para o povo, pois dele tu é parte. Invade as ruas e seus nomes; praças e colégios, façam aparecer os desaparecidos. Olha pra história, vê o curso da história e não te esquece jamais. O caminho é de luta, na rebeldia e na arte, para invadir tantos corações.

E num ataque mais radical, para, greva, emudece os rumos tortos da sociedade e grita pelos cantos que quer raiar a liberdade, a autonomia, através de apoio-mútuo, de coletividade, de cuidados, de rimas e versos, em cadernos velhos, de escritos de antes e de agora,traduzindo sonhos e esperanças de que um dia um mundo se horizonta, pra estontear cada cabeça viva de felicidade, e semear o melhor que há, pra no raiar o dia, tudo respirar poesia.

André Café

domingo, 19 de julho de 2015

Malinagem

"O diálogo entre a malina e o escritor"

N - E um belo domingo, na calada da noite, uma criatura malina interpela o escritor, na rede social:
M - E nosso projeto? O livro?!
E - Sairá da prancheta, virará realidade!
M - Nos vemos na livraria, para um gostoso café?
E - Sim, sem dúvida!
M - Pois está marcado, à tarde, naquele horário!
E - Estarei lá!
M - (Pensa) (... Não falte, seja pontual e leve algo novo pra me mostrar!)
E - (Reflete) (...Tomara eu encontre material pra mostrar a tempo e logo! Porque ela escreve bem...)
M - Boa noite.
E - Muito boa noite, para você também.

***

(Próximos detalhes no próximo post...)

terça-feira, 14 de julho de 2015

Daquele abraço forte e a certeza que juntos, lutaremos e voaremos


Nos teus braços sinto força;
seja num abraço apertado
daqueles que só você sabe dar,
seja no meio da roda
mostrando que ali é seu lugar,
seja mutuamente nos apoiando
com disposição pra ajudar,

Me sinto pequeno, acolhido
envolto nesse laço fraterno
que nenhum tipo de força repressora
será capaz de quebrar

Sinto aconchego, reenergizo minha vitalidade
pra poder fazer de sabores e saberes,
entre o fervor do fogareiro ou no grito de luta,
uma outra sociedade, contigo, construir e partilhar

Dos olhos mirrados, miúdos
de sono, de charme, de observação
entre o ponto do silêncio
e a fala decidida, para nos conclamar

Tu, poesia brutal, doçura em fervura
sorriso amigo, "batom vermelho girassol"
eu digo, sem medo e receio
bom estar lado a lado contigo
na luta, na canção, em verso e sempre
no coração e mente, no punk ou no repente
juntos, nos abrigamos, e avante! Revolucionar

André Café, poema para Cibele Andrade

Parcelas suspensas no mundo do Ar: Convergência de um futuro mórbido, primeira parte


Pedaço;
desmedida metade
um traço
de veracidade
Mormaço
e meias vontades;
Um punhado caiado de sobriedade

Caído,
em catarse

Nebuloso espaço:
andarilhos, andaimes e andares,
o berço do Sol em solitude;
no asfalto, inefáveis aflitos
o homem enfim finito,
na palma da cada mão,
a terra e sua fertilidade

Reverso,
mas sem êxito
Retorno,
mas tudo desfeito
Imploro,
para todos os mitos
Um punhado esquecido de coletividade

André Café

Um riso preso


Alguns sorrisos,
entre meus tragos e leves
passos descalços no fogo frio;
fumaça por cima das vontades

Risos furtivos, doces desejos,
amargos nas cinzas de ressentimento;
vem turva a tarde tênue,
num corpo tomado de tinto

Tarde vem o tempo que nunca esperei;
o vento e as páginas do livro,
num movimento caótico
e um barulho ínfimo

Sou eu ou são as cores
que desbotaram antes do fim?
se espalham os caminhos no riso
se perdem os destinos em mim

André Café




No fio


Uma mente que gira,
volta e meia tempo;
memória, sede e suspiro

Tácito escancarado,
na mente que grita
no ápice do giro

Nessa roda sem dança,
quereria calar
e descer desse mundo

Navalha lembrança
não vale falar
do silêncio profundo

André Café



Negras tormentas I


No sopro quente do braseiro
que agitam o feijão borbulhante;
calor, sabores e saberes
pela queda de senhores,
pelo fim dos horrores
do sistema dominante

Pelas quebradas, o caminho;
há flores que resistem no sertão,
olhares, que agitam o coração
palavras, lágrimas e canção
que nos levará para um mundo distante

Longe, inverso e avesso,
de tudo que se vê
perto, em verso e organizado
com todo nosso querer

André Café





sábado, 13 de junho de 2015

Sobre esquecer os versos


As poesias caladas agora gritam por companheirismo;
por várias noites a lágrima fora o registro,
das palavras que se perdiam no esquecimento
na tentativa de ser memória pelo tempo

Minuto resquício de rabisco;
enquanto a tinta seca
num tácito papel

Muito se espera do risco;
mas não que seja mito
dum conto além do céu

Falam-me os versos em silêncio;
sobre o sentir, sobre o sabotar
as palavras que se perdiam no esquecimento
pra que não lembrasse assim, da dor, do ser, de amar

André Café

Coletiva poética


O papel tem fome,
eu sinto urgência
em derramar-me para sobreviver
num sopro desgostoso de querer

O Sol encastelado,
é meia-vida;
passam carros, ideias, amigos, certezas
não importam as cartas sobre a mesa

E tudo me sorve,
por qual bueiro sedento serei tragado?
a sobrevivência resiste, até o próximo verso
e eu sem saber como esses inversos me reversarão

Sobre a história do mundo;
esse mundo que não queremos
mas sozinhas, jamais teremos
um lampejo sequer de outras possibilidades

Seguiremos, em sufoco
os ombros doem, mas a dor é fogo
garantimos, mesmo que em punhados, cuidado
não seremos nós que abandonaremos o lado a lado

Chora, despeja, abraça
o papel, o texto ou fumaça
cá estamos, em reenergia
para que o mundo possa ser um novo dia


André Café

Cessou


Um poema tem me engasgado os dedos;
e toda madrugada é desprezo,
num desejo desmedido
de desprender dos ombros
o que não deveria ter sido

Foi silêncio por anos
o que se passou em segundos;
um lampejo em desafio
pelo meio dos escombros
a surtar com os arrepios

André Café