terça-feira, 3 de novembro de 2015
Quando Quimera fugiu de Anatólia
Ao caminhar sobre velhas calçadas de lajota de uma florida rua do meu bairro, sem me preocupar com os vizinhos que retornam cansados do trabalho e com as crianças que brincam sob árvores, voo até o meu lugar mais bonito e me encontro entre pessoas azuis. Com roxos chapéus de magos, solitários arqueiros pedem-me poemas de amor sobre uma terra distante. Declamo sem pestanejar. O azul se torna mais anil. Seus arcos se transformam em violinos que acompanham algum canto élfico. Sou assim desde pequena: prefiro andar pelo teto e desbravar outros planetas a me prender a toda essa normalidade nauseabunda. Nas rodas de ciranda, eu era a menina que se dizia viking. Na roda de amigos, eu era a jovem que se intitulava Joana d’Arc. Na roda da vida, eu rodo ao contrário. Talvez por isso tenho de dormir sob um apanhador de sonhos. Quem sabe o motivo de minhas buscas esteja aí: nas quimeras. Para mim, o propósito sempre foi experimentar. Budismo. Xamanismo. Anarquismo. Comunismo. Faltam ismos neste mundo. Voo até encontrar.
Laís Grass Possebon
De.pois
Ele exibia expressões de arrependimento
de uma vida advinda de seu bovarismo
plenamente cego por seu ego frágil e só.
Apesar da exterioridade diminuta, que
dissimulava o arquétipo do século, ele
desconhecia a maioria dos livros e dos
filmes que valiam a pena. Seus medos
insanos – penosos e infantis – afirmavam
sua fragilidade de menino em busca de
autoafirmação. Deixo minha confissão:
Eu também fui assim quando tinha aqueles
dezenove anos, boy. Hoje sou outra. Crua.
Sou a mulher que nasci para ser, e jamais
abrirei mão de minha personalidade agreste.
Não precisa mais treinar frases pacóvias
em frente ao seu espelho de menino casto
nem chorar quando desabar no seu próprio
vazio. A vida flameja sob o firmamento e
o tempo enxuga seu líquido férvido com
as escolhas enxutas de cada indivíduo.
Preferências que por diversas vezes se
assolam em um destino frívolo de uma
limitada existência: sequer em palavras
remanescem metafóricos sentidos afoitos.
Nas frases cotidianas, a língua portuguesa
resplandece em meu esmalte vinho clássico,
declarando aquela sua mania cretina de não
isolar o vocativo com uma vital vírgula, boy.
Meus olhos míopes e astigmáticos – isentos
de misericórdia – proferem: je suis desolée.
Só para você ver: a questão – tão abrupta
proclama seu martírio infuso no melodrama
da coluna social de uma choldra jornalística.
Uma televisão multicolorida não afaga o
tormento oriundo de suas novelas mentais
e de seus hábitos inteiramente falidos.
Talvez algum versículo grifado em suas
pálpebras obscuras não permita que seus
intentos se realizem de modo vertiginoso
ou que cortem aqueles forçosos efeitos.
Sem epílogo remanescente:
Há o som de um trompete noturno.
Audível.
Silenciosamente musical.
Sensível.
Um espaço para partituras.
Repare bem em tudo o que não foi
escrito.
Laìs Ha
Irmã Dulce
![]() |
| Imagem: www.sigivilares.com.br |
A mãe dos necessitados.
A cuidadora dos aflitos.
Um anjo encarnado.
Uma mulher guiada pela fé.
Movida pela solidariedade.
Instruída pelo amor.
Dhiogo J. Caetano
Quando me vi entre Oneiros
| Gonçalo Franco |
Quando já não entrava vento por aquela parte entreaberta da vidraça da janela, quando não mais se ouvia os garotos, que bebiam conhaque com café do outro lado da rua, pedirem beijos às garotas que saíam da escola de balé que ficava em um antigo prédio cor de pêssego na esquina, quando já nem se via prédios velhos pelo bairro e muito menos bailarinas, foi que percebi seu sumiço de meu quarto. A janela ainda estava entreaberta e, na calçada do outro lado da rua, havia uma garrafa de conhaque vazia. Mulheres caminhavam apressadas, arrastando seus filhos pelos braços, enquanto homens subitamente atacavam os táxis que trafegavam acelerados. Meus livros, que já se mostravam amarelados, diziam dez anos. Talvez quinze. Acho que sumiços nos causam isto: a perda da contagem do tempo. Apenas esperamos. Sentamos. Fingimos ler. Fingimos ligar a tevê. Fingimos cuidar o trajeto dos ponteiros do relógio. Fingimos respirar. O tempo, por vingança, acelera quando fingimos não sentir, e profundamente os sentidos se afloram até nos darmos conta de que sobreviver não é o mesmo que viver. E a maioria apenas sobrevive. Lembro-me de que em uma noite qualquer você me disse para deixar minha mente vazia, pois assim não ficaria rolando durante horas pela cama e conseguiria dormir mais rápido. Talvez por isso tenho pensado que, se todos esvaziassem suas mentes e somente acumulassem memórias diárias, as coisas funcionariam de modo mais fácil. Quem sabe desse jeito, dissimulando e esquecendo, sentiríamos apenas uma vez na vida, e assim seria mais simples para viver: hoje não me recordaria daquilo que ontem senti e amanhã sentiria algo novo que apagaria o que foi sentido hoje. É engraçado: tentamos fugir de tudo o que nos torna vivos por medo de que isso venha a nos matar. Por exemplo: hoje, após uma década sentada em um canapé sem me dar conta de seu sumiço, resolvi devanear para tentar esquecer o que perdi quando percebi que o perdi, e assim continuo perdendo – perdendo-me. É que o caminho das fugas sempre me pareceu mais prático. Permaneço fugindo de mim em mim. Perco-me em mim.
Laís Grass Possebon
O Sabor da Liberdade
Uma sensação obscura invade-me.
Entre celas, a opressão da liberdade.
No olhar o grito de socorro dos encarcerados.
Em meio a um ambiente fétido, a esperança ligeiramente surge.
Os indivíduos ali confinados tristemente narram a sua realidade.
Jovens, idosos, mulheres sentem na pele a "justiça" humana.
Os agentes carcerários esboçam uma expressão de superioridade.
O Judiciário decreta e homologa a sentença.
Estão pagando o erro, com a privação da liberdade. Essa é a solução?
Em uma visita para coleta de material biológico, pude sentir na pele os efeitos da prisão.
Um jovem olhou nos meus olhos e disse: "Que bom que você veio, não queria sentir o gosto da liberdade".
Em uma cela ao lado, outro jovem meneou com a cabeça, dizendo: "Quando saímos, somos humilhados. As algemas e a própria viatura policial nos crucifica como bandidos, marginais, monstros".
"Ninguém vê a possibilidade da mudança. Todos querem julgar!".
Meu coração em prantos instigava-me a perguntar a mim mesmo: Como poderia ajudar, o que fazer?
Em uma pequena cela, um grupo de indivíduos, que por infringir as leis humanas foram exilados do contexto social.
Mas quem são os condenados? Quem são os condenadores?
A solução é o aprisionamento, ou a reeducação?
É chegada a hora da revisão de todas as estruturas instituídas para a vigente ordem da vida social humana.
O primitivismo deve ser banido da nossa perspectiva intelectual e filosófica.
Progredimos, mas arrastamos a origem instintiva até os dias atuais.
Muitas das nossas atitudes são difundidas de forma irracional.
O materialismo de conluio com o egoísmo fecunda o autoritarismo que dita as regras humanas.
Existe um universo desconhecido à nossa volta, não podemos morrer nas profundezas da incompreensão de uma razão tola.
Dhiogo J. Caetano
Apoema
![]() |
| Derek Bridges |
No meu pequeno pedaço de terra
que outrora foi desmedido e verde
ainda permanecem vivas as chagas
produzidas pelos coléricos do norte.
Neste corpo juvenil e neste espírito
ancião, expressivos, vigorosos, há
os traços dos pecados ditos sagrados
feitos pelos santos do eurocentrismo.
O meu sangue escarlate, os milênios
destruídos, as crianças recém nascidas,
as mulheres violentadas e os dízimos já
pagos ao sacro euronarciso vazam de
meus vasos nativos, humanos e divinos.
No meu peito aborígene, na minha face
terráquea, na minha alma cósmica, sem
divisão de vidas, eclodem sentimentos
inefáveis que cicatrizarão as feridas
ainda abertas neste pequeno pedaço de
terra que outrora foi desmedido e verde.
Laís Grass Possebon
Só
Luz ao frodo
teus dedos
selados
nos meus
teus lábios
sanguíneos
nos meus
teus selos
sinetes
nos meus
teus pés
sambando
nos meus
teu sorriso
sereno
no meu
teu corpo
suado
no meu
teu porto
seguro
no meu
teu afeto
silêncio
no meu
meu apego
segredo
no teu
nosso amor
sufrágio
meu e teu
Laìs Ha
O Corpo da Minha Alma
| Azhar Latif |
A arte me faz sobreviver em meio aos fluxos da dor.
Nas entrelinhas da vida o desejo da transmutação.
A movimentação do teatro preenche-me de sinergia.
As poesias narradas alimentam a minha alma.
Os versos proclamados me despertam diante do meu inverso.
As performances promovem o equilibro do meu ser.
Tudo inspira o nada que conspira em mim.
Diante da lente de uma câmera, uma criatura que busca transver as realidades.
A arte é o codinome do corpo que coabita a minha alma.
Dhiogo J. Caetano
O inefável universo dos adoradores de chá
Havia resquícios de sentimentos dentro de seus livros. Havia resíduos de amores no interior de sua gaveta de meias. Sobejavam partículas de macróbias confusões sentimentais pelos corredores de sua casa. Ao lado de cinco pequenos vasos de margaridas, que estavam sobrepostos em uma estante de madeira de carvalho, existia um antigo espelho oval, no qual podia se ver refletida em uma remota imagem cândida. Silenciosamente lívida abriu suas portas para que seu Anjo-amor adentrasse musicalmente. Ele entrou em seu lar e caminhou sem pressa pelos cômodos, apagando os fragmentos de velhas consternações ignóbeis. De modo inefável, sem prescrições galênicas, ele preparou um chá de canela para que ambos pudessem absorver as doçuras do fado. Após navegarem pela magia líquida do chá, trocaram pacíficas palavras de devoção e recolheram-se à alcova. Durante o sono, sonharam juntos e acordaram para dentro. Reconheceram-se no interior de cada um. Nunca mais deixaram de sonhar.
Laís Grass Possebon
Cruzeiro das almas perdidas
O gondoleiro do tempo já passara,
num deslize suave e lento,
sequestrou quem podia,
abarrotando a embarcação do tormento
E com mesma suavidade, desaparece,
no esquecimento das pessoas, padece ...
Para onde então seguir?
Em qual norte se flutua?
Qual o caminho do por vir?
Em qual sentir não se amua?
O vai e vem das horas
pelos séculos me transportam;
de outrora, nem resquício
em suplício, inexistimos
O despertar das pequenas chamas,
que velam por outro destino, iluminam,
transmutam a sorte fadada,
para as almas que vagueiam sem direção
Pois quando será a hora,
das luzes guias de outros caminhos
para aqueles que em carne viva
seguem tortos, perdidos, sozinhos?
André Café
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Brinde macabro: o plano, o contra-plano e a alma da menina
Não havia outra sensação rodeando o pequeno ambiente da mesa, cartas e copos naquele momento. Previa, a qualquer instante, uma batalha homérica entre o céu e o inferno. Os olhares se cruzavam. Duque também o mirava parecia saber exatamente o porquê desta reunião. Jamais conjecturei
que o dia do chá de coca e gengibre com meu alter ego fosse transformado num enebriante, confuso e caótico encontro. Como sempre, Satan demonstrava confiança, com o riso sarcástico no rosto. Saberia ele o final deste acontecimento? O silêncio é quebrado, enquanto as cartas são distribuídas.
- Então Metatron, hoje foi o dia escolhido por vocês, anjos, para a reconquista dos tempos de paz? Como tudo foi arquitetado? Deus já está ciente de todas as coisas ou vocês realmente creem no mito da onipresença?
- Não possuo motivo nenhum para falar sobre o que nós planejamos, mas se tanto te preza saber destas coisas, também não me oponho. Sabes muito bem das regras que são impostas para os seres e suas dimensões. O encontro de dois humanos vivos no inferno foi sim nossa porta de entrada e por isso mesmo aproveitamos esse dia. Engana-se sobre o objetivo do plano. Não viemos reconquistar nada, nem ninguém. Queremos acabar de uma vez com esta tripartição, e seria muito interessante não haver resistências. Sobre Deus, você o conhece muito bem, já esteve ao nosso lado por muito tempo, então não há o que dizer.
- Realmente pareço conhecer mais Deus que vocês. E pelo visto, nada mudou naquele céu paradisíaco e perfeito. Mas não me diminua tanto. Eu também imaginei que tantos alados assim no inferno não viriam somente colher boas almas para salvação. Não me ache tão tolo. Penso somente que isso
não é determinação do seu senhor. E tenho certeza que você não conseguirá este feito.
- Não me retirarei de um possível combate.
- Eu sei disso, e é isso que espero.
O tom subira de uma hora pra outra tornando alarmante e tensa a situação. Nada poderia ser feito então? Era esse o objetivo dos céus? Seria o fim. A garganta rasgava traços de humanidade nascidos de meu medo. Medo, sensações. O que era aquilo que rogava por retorno? Para salvação em não cair nestes devaneios, minha fala jogou-se na zona de conflito.
- Caro Metatron, embora não saiba exatamente da força e eficácia do seu plano, teria você feito a leitura mais correta e precisa para vencer esse embate? Não julgas importante a existência de teus irmãos para jogá-los assim no ardor da morte?
- Nobre pensador Sócrates, desta vez você me subestima. Evidente que estas preocupações foram tomadas. Não haverá embates. Te preocupas com a vida das tuas pessoas? A Terra não tem mais sentido. Não com a existência humana. Se não há razão da vida de carne existir por que este inóspito lugar deveria ser poupado? Para que o círculo nunca quebre? Para algo ter sentido? Não. O desenrolar dos tempos tem sua continuidade. E para um grupo de seres que não adquiriu a capacidade de evoluir, não haverá piedade.
- Mas vejo contradições nesse intento. De certo que há muito tempo não ressoa em mim compaixão ou sentimento preciso. O embate, me parece inevitável, mas como a existência de uma raça traz inquietações desproporcionais para o paraíso e torna-se motivação para destacar-se numa missão onde perdas ocorrerão e todo um equilíbrio pode ser perdido? Não é este o motivo então. Não há como esta ser a causa para que esse desenrolar nos trouxesse até aqui.
- Faz este prognóstico a partir do contingente que trouxe comigo? Isso posso entender, mas não crê no que digo, quando falo que não haverá embate?
- Sim, o que você diz é verossímil e é exatamente isso que me inquieta. Porque não havendo esse embate, penso que outros acordos foram feitos antes deste momento.
- Novamente não falha sua perspicácia nobre pensador. Então você já conjectura o real sentido da chegada de Metatron e o Duque de Copas aqui.
Um silêncio se postou naquela mesa. Duque, ao ser mencionado, guardou um sorriso no canto da boca. Tudo começava a ter obviedade, todas as chegadas, tudo o que foi falado, todo processo no qual me inseri. Era incrível e extremamente sutil a nobreza e o sarcasmo de alguns atos de Satan e Metatron. Embora sanguinários. Mas não cabia a mim juízo ou coisa parecida. Trabalhava na perspectiva lógica. O deleite em juntar todas as peças fora interrompido pela fala de Duque.
- O estratagema então está montado e cá nos encontramos como peças de um tabuleiro de xadrez. É apenas assim que me tomas Satan?
- Pelo contrário caro Duque. Não vês a importância desse dia e de sua presença aqui? Foi exatamente por isso que você lutou. Foi tudo isso que você almejou.
- Não há como corroborar em totalidade com o que diz. Está sim em curso tudo aquilo que objetivei, mas as nuances programadas por você não me asseguram um desfecho de deleites.
- O que eu poderia fazer Duque? Eu praticamente não me movi. Tudo fez parte dos próprios passos de cada um aqui nesta mesa. Apenas algumas conexões foram colocadas para que pudêssemos saborear bem esta pequena conferência.
Satan bradava suas palavras ao Duque enquanto enchia as taças. Era chegado o instante.
- Brindemos então senhores, vitoriosos ou não!
Teresini-me 3
| mind=blown by UkletaHolandjanka (aqui) |
E o que sou,
forjado pelas tuas ruas quentes
não abrasa os obstáculos
nem aponta soluções
Mais uma vez,
pelo último turno ou suspiro
ensina-me a fluir,
com suas histórias, seus recantos
mesmo que eu não te reconheça,
mesmo que te façam descartável:
Teresini-me com teu calor, reaquecendo meu viver,
Teresini-me com o vento das 11 horas,
Teresini-me com cadeiras na calçada;
Teresini-me com o sabor das frutas no mercado;
Teresini-me com tuas vivências, contos, poesia;
Teresini-me pelos coretos e praça, me abrace pra eu resistir
Teresini-me por ruas e rios, por tempos mais brandos
Teresini-me, apenas te peço
Teresini-me em verso e prosa, no som do violão à meia-noite
Me refaça, a volta e o viver
me forje, me insira ou desanexe, delicie ou desabe
me faz o que sou, perdido pelas caminhadas
bom ou mal, de luta e de riso
pra tudo fazer sentido
Teresini-me
André Café
Des...
| Mind by moderntroll (aqui) |
CASA-DA
Mesma coisa:
Pretérito Perfeito, Imperfeições explícitas:
Estado estagnado
Ameaça ao corpo e à alma
Mais pelos, mais QUILOS
Menos tesão, mais tv.
Quarto, cozinha – cozinha, quarto.
Fim da linha, início da outra: [....], [....], [....]. Sem picos, salpicos.
Comidas, roupa lavada, banheiro limpo.
Sem quintal, sem varanda, ou abstração.
Sem rima, sem ritmo, sem qualquer coisa, sem vida, sem sexo, sem nexo.
Com-tudo, sen-tidos.
A poesia se perdeu em outras conquistas, em outros chãos.
A despeito dos defeitos, o amor rompeu.
Tassi
Pela praça, passa vida
A vida praça, passa pela praça,
passeia, pulsa, peneira, pirraça,
passa pela praça.
É vida boa, daqui de casa,
do abraço vizinho, do viver carinho,
'russo passa pusso agradece merci bocu.'
Rouba-bandeira, futebol de travinha,
pula corda, amarelinha,
ciranda e balanço, fim de tarde, descanso.
No passeio onde remexem a copa das árvores;
um sossego, um alento para um mundo
que só vê um tipo de desenvolvimento.
Uma resistência carregada de lembranças e sentimentos.
Faz parte da identidade cultural de um povo;
alegrias, tempos marcantes, memórias para sempre
André Café
Onde ser
Percebo olhares desviantes;
onde estou? Será mesmo o meu mundo?
há pessoas distantes,
lugares dissonantes
Tempos plásticos,
risos cálidos,
sons destoantes
erros ardentes
Por que aqui? Não noutro momento?
o mergulho profundo do eu
entre brindes, delírios e brincadeiras
não tenho eira nem beira
na vasta procura pelo breu
Sou eu ou todas as coisas?
todas as coisas em mim;
no fim,
apenas quero sede,
para deixa secar esse ardor profundo
André Café
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
domingo, 18 de outubro de 2015
Ouvindo
Me transporto para Teresina
Me transporto para a terra mágica
Me transporto para o calor
dos seus belos fins de tarde
Me sinto na cultura,
na vida e em seus sentimentos
Me sinto acolhido
Me sinto envolvido
Me sinto mais
Me sinto possível
Me sinto quente
Me sinto em Teresina
Victor Barbosa
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
De madrugada, a gente questiona 5
Sobrecarregado,
cansa o corpo, pede o tempo
mas é infindável a sede dos dedos,
mirando o extravasar dos pesares
fala, aquilo que a garganta silêncio
Por muitos tercetos,
desorganizados, sonetos
Caindo os olhos pela manhã que se anuncia,
café doce, mas amargo; um trago sem sabor
tudo inerte ao externo extenso
Desconhecidos campos de incertezas,
aflorando sonhos e medos,
no mundo é cedo, pra ele, tarde demais
da fresta da janela: luz, calor e vida,
passagem de ida, pra contrassenso
André Café
E vive, e volta
Já voltei e vivi,
de campos que tragam a esperança:
O desespero semeia o solo,
e toda cor se acinzenta,
a alma toda arrepia,
e cada flor se lamenta;
do galho se arrebenta,
padecendo de agonia
O vento faz frio e lágrima,
da face, resseca o riso,
nos ombros o peso do mundo,
cabeça perde o juízo,
o corpo em desaviso,
de passamento profundo
As pernas cessam o movimento
a reação se acaba,
toda vontade se finda;
a vida que desaba,
como numa biaba
a beira da berlinda
Já voltei e vivi ... mas que descaminho sorrateiro
Cá estou desconhecido,
o mundo que vi em mim
de tudo estou esquecido
pois já havia partido
da orbe sem meio e fim
E tudo mais uma vez;
o frio que atormenta,
a sede que não cessa,
a fome que desmonta,
o pranto não suplanta,
a dor que nunca passa
André Café
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