terça-feira, 10 de setembro de 2013

poema de um cara do pós-punk


eu estava sentado em um canto qualquer do pub do bob bill
enquanto guerreava com o meu eu ao escrever um poema sentimental
a uma bela moça que conheci na casa do ringo em um domingo chuvoso
a poesia estava saindo aos poucos e dizia algo muito superficial
sobre uma neurose obsessiva que atacara um poeta leproso
que morria de amores por uma rapariga inventiva e sagaz

a musa do poema era a amiga do ringo
e eu obviamente era o poeta lazarento
a poesia ficou uma porcaria e assim
eu permaneci em um desalento
sem cura nem fim

esqueci de ir ao ensaio da minha banda de pós-punk
e pedi uma cerveja quente misturada com aguardente

reclamei em caneta e papel:

a moça era ardilosa
e me prendeu nos jogos
que sempre jogava

era uma guria dessemelhante
sua personagem era rutilante
e eu que sempre andei ébrio
embriaguei-me por este amor

eu a vi desaparecer em uma esquina
assim como outros já fizeram
foi mais difícil do que largar cocaína

ela não possuía manias e costumes
era uma moça que gostava de viajar
e então viajou de coração em coração

ela não tinha vícios nem hábitos
fumava e bebia quando queria
e eu penso que
se nem em cigarro ela viciou
por que em pessoas viciaria?

(Laís Grass Possebon)

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