segunda-feira, 18 de novembro de 2013



Ao som de Zeppelin
Escrevo, apago, acendo mais um cigarro
Memórias de outrora já vivida
Em tantas vidas
Tão viva
Essas memórias
Sentado uma taça de vinho ao lado
Refresca minha cólera
Inundando a mente cegamente
Eloquente, entorpecente
Sinto a nefasta mão do tempo
Segurar meu ombro
Avisando que a hora já chagara
Partir em busca do desconhecido
Mundos paralelos me esperam
Para serem explorados
Novas terras, novos ares
Sempre os mesmos velhos lugares
Quando a música acaba
Tudo volta ao normal
Infeliz de mim que tinha apenas cinco minutos e trinta e quatro segundos
Pra escrever esse poema
O Zeppelin já se despede
E com ele minhas palavras
Quem dera estivesse escutando alguma música
De vinte e poucos minutos
Daria mais tempo pra terminar a minha aventura pelos
Mundos paralelos
Quem sabe em outra canção

Halysson Arrais

Levita


Parece que o mundo se acaba
Como se a vida não fosse viver
Onde a vontade desagua
Desce úmido o prazer

O desejo ateia fogo e os olhos veem tudo
Vendo revirado
A dor geme no afago ofegante
Nu o corpo em febre, abraçado

O paraíso é pecado
E o céu vira inferno no instante
Um corpo no outro desmaiado
E a vida se revela em excitante

Ari Veras

Corida


No meio daquele chão
Era uma rosa
Linda, cor viva e resistente
Ao redor tanta dureza
E ela firme, imponente

Entre algumas pétalas caídas
Dura e teimosa
Poucos olhares à via
Ainda assim curiosa

Parecia com nada
Apenas vida e vaidosa
Perfumando aquele espaço
Era vista, desconhecida e chocosa

Com folhas secas e verdosa
Entre passos exprimida
Tinha uma rosa
Naquela avenida


Ari Veras

Estou velha!


Cabelos negros...
Cérebro esbranquiçado
Poucos amores...
Coração quebradiço.

Estou velha!
Já não me excito ao som do blues...
Sinto apenas tremores ao ouvir boleros
Não possuo ingenuidade
Mas no lugar está a malandragem divina...

O corpo ainda é rígido
Mas já não me agradam como antes...
Sou uma jovem idosa!
De ossos fortes
E coração fraco...

Se por acaso morrer
Todos saberão, será de velhice!
Velhice de emoção...
Pois esta jovem matéria
Padece de jovialidade.

No próximo inverno
Talvez, quem sabe...
A juventude reaparece
Nos olhos de alguém...
Neste dia, serei outra
Serei nova!

Yara Silva

Em seu rosto cansado repousa tua vida.Estavas bem na minha frente fazendo seu último seminário e de uma hora para outra na terra fria...
Lá está alguém que eu mal conhecia e tencionava conhecer,
Mas chegou seu momento, sua vida teve um fim.
Triste dizer, mas você se foi.Simplesmente impossível crer que estás do outro lado...

Marta de Paula

domingo, 17 de novembro de 2013

DEPOIS DA CHUVA




Parece que chovia
Quando invadi aquele jardim
E implantei aquela rosa

Parecia que era rosa
O mundo depois da chuva
E das certezas abençoadas

Pareceu ter sido bênção
Quando a chuva caiu na manhã
Depois de uma noite de lua

Pareci que era sua
Quando me entreguei nua
Ao teu sorriso impostor

Parecera
Até que desapareceste...
Até que: “hoje não chove mais...”


Alice Alencar

HEMORRAGIA



Ribomba o sangue cá dentro

Tempestades neurais magnética

Bombeiam toda a estética

Desse esvaziado que não mais aguento

Hemorragia do líquido aqui

Sem tempo, sem corpo, morri


ALDERON MARQUES


06/11/2013

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Prefiro


Eu prefiro;
sou muito mais me espantar a cada dia
sobre as rodas do mundo
a descer o gole de café fúnebre
e sem fraternidade na pré-dita normose

Sou muito mais ter a pele queimada ao Sol
e o rosto metralhado por gotículas de chuva e afeto
a desfeita de me encerrar depois da meteorologia

Sou muito mais a tensão e o medo das ruas,
por mais cruas que sejam e devorem em mim
punhados a sentenciar pela voz se faz o verbo inflexível,
no véu da história sobre aplausos

Eu prefiro; ferindo-me em curto sangue
a um oceano diário por ostentações

Prefiro canções aos silêncios póstumos
prefiro equívocos a certezas desertas,
ventos e trovões, conspirações

Sou muito mais amor, a cor, ardor e o desmérito
da lágrima que fito, desfaço o concreto

André Café

Por que poesia?


Eu não queria
há tantas no mundo
que se moveram pelo tudo;
o silêncio indesejado
de certa forma, descontrole
e a poesia salta feito precipício

Pudera me mover apenas por sorrisos
mas o tiro que se abriga a cada dor
toma conta, possuído por um ímpeto indomável
rabisco até o que eu não sei
sobre o que eu não vivi
mas que me aperta o mundo
sufoca a voz em tristeza e melancolia

Por que poesia? Por que poesia?
eu não te quero pranto
eu não te vejo sofrimento
mas você é toda tua
ora minha vontade,
ora o impossível

Eu não queria que a tristeza me movesse
mas já se vão tantas escolas e poetas
que assim lacrimejaram seus passos
e um universo por vir desse sentir
não te quero assim
mas assim se fez
não será dessa vez
que de ti me desfarei

André Café

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Esqueci o verso


Escapou de mim por um trisco de afeto
e se espatifou, eu, verso
sem um terço de ternura
na rua amargurada de minha saudade

Jaz poesia
pois mesmo que tu te despeças
e tropece num talo de esquecimento
é dele, que neste momento,
refaço o poemar

André Café

Rotas de fuga

Foto: Butterfly

Vem a mim, com o perfume óbvio de armadilha
e se aposenta sobre meu colo
rodeando ouvidos, apoiando-se em meus ombros
canta-me as melodiosas palavras insuspeitas

Risca suave minha pele
como de deslizasse uma pedrinha de gelo sobre a mesa
me serve daquilo que se entende o sumo do ver e do querer
agarra minhas culpas para provocar a fome

A minha garganta coça e engasga o tempo
vem a cada dia mais linda e cada vez mais longe
por vezes me disperso em seu torpor
mas não o bastante para fundir-me

Vem a mim, com o perfume óbvio de armadilha
me faço ilha, pra outros nortes
vem a mim a normose, com um encanto fácil
mas que desfaço o cortejo

o que vejo ou o que quero
às vezes é o que espero
ou mesmo o desespero
de não saber ser, 'certeiro'

André Café

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Rastros


Os rastros arrastados em curva
dos descalços passos que me alimentaram
o vazio quebrando em silêncios
dos sonhos que me abnegaram

Quão fortes são meus pensamentos
para tanto caminho só?
seria desatino ou apenas suplício
por negar o querer de sua voz

Aquela sede ...
revirando doces tormentos
numa relva de solitude
em migalhas de lamento

André Café

Possivelmente uma noite dessas...




De nada e de leve, quem sabe outra madrugada
De salves e corres, litros de cerveja no chão do tempo.
Por nada me deixe, quem sabe mais uma rodada,
Girando pela noite até cair no sono.

Insone vontade de consumir os gostos,
Olhando nos rostos e vultos de quase-presença.
Sentença de morte, que nada! De vida,
Pedindo pra ser vivida na mesa do bar.

Pedindo mais um copo pra saborear
O néctar cremoso que sai da garrafa,
Que não mata o calor, mas ao menos abafa

As ilusões de um dia perdido,
As vontades de um momento permitido,
Mais uma dose, mais um lance de euforia.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

- Subversão

Foto

Num mundo restrito, o que queria dos diálogos?
Sem desejar abandonar o planeta ou a morte pré-dita de outrem
Antes de tudo é descompasso; é pé na beira de riacho,
são mãos construindo transformação

Correndo para o outro lado do sopro ardido
sou séculos feridos, num ato contradição
Num mundo restrito, o que queria dos diálogos? - Subversão

André Café

Assim: saudade


O dia amanheceu assim: saudade
o porquê adormecia
enquanto o alvorecer doía
minhas contas de verdade

O tempo quis e se fez
porto seguro para o mundo
enquanto gume forte e profundo
me rega torpor e morbidez

André Café

domingo, 3 de novembro de 2013

QUE PENA



QUE PENA

QUE NÃO EXISTE

MAIS AQUELA PENA

COMPONDO A CENA

QUE NO CONTATO

DO INCERTO TATO

COM O TINTEIRO

ALIADA À SUAVE MÃO

PRESENTE POR INTEIRO

ERA CAPAZ DE DEIXAR NO PAPEL

TANTOS POEMAS, UMA CANÇÃO

ROMANCES DOCES COMO O MEL

*

AGORA USANDO A CANETA

VIVO FAZENDO É CARETA

POIS ELA, ELA SECA RÁPIDO

E PARALISA O LIVRE NÃO

O ESCRITO TÃO BATIDO

A MESMA ÂNSIA VIZINHA

PENA QUE NÃO TENHO A PENA

DA PENA QUE ANTES TINHA

A TINTA QUE OUSOU MARCAR

ELA OUTRORA VIRGEM MÃO

COMO NUMA BELA ILUSÃO

NINGUÉM SONHOU UTILIZAR

*

QUE PENA, QUE PENA...


ALDERON MARQUES


DIA 03/11/2013

sábado, 2 de novembro de 2013

MAR DO OLHAR



ELA TEM SEMPRE AQUELE MAR DO OLHAR

ALÉM DO HORIZONTE, OLHOS MAREJADOS

PRÁ SEMPRE PERDIDOS, ENTÃO ACHADOS

DEPOIS DE MUITO E MUITO NELES VELEJAR


AVESSO DO AVESSO DESSE MAR DE GENTE

ANCORADOURO DA POESIA E DO ACALANTO

LANÇA-SE AO COLO DAS PALAVRAS, CANTO

ONDE DESEMBOCA A MENINA CALMAMENTE


É RENOVADO O RESPIRAR DE SUAS NARINAS

BEM ABAIXO DE 20.000 LÉGUAS SUBMARINAS

DESSA TEMPESTADE QUE ENFIM SE ACALMA

FINAL DA TORMENTA QUE ALIVIA TODA ALMA


ALDERON MARQUES

DIA 02/11/2013

A VIDA E OS SEUS NÓS



A VIDA É IMPREVISTA

ATRAVESSADA A PISTA

UNIU ALGUNS PONTOS

DEIXANDO-NOS TONTOS

DESUNIU OUTROS PLANOS

...

ATO-LHE E DESATO-LHE,

NÃO É MERO DETALHE,

TODOS OS SEUS NÓS...


ALDERON MARQUES

DIA 02/11/2013


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Pequena marota


Se eu sou assim de ti tomado
num lado que sou teu volume
perfume, tempero, cheiro e sabor
um labor de amor que existe

Eu sou assim de ti grudado
um registro que o vento brinca de girar
como eu pressinto tua pele
numa leve discordância de lei da física

Eu só, sou e fui, será tu, em ti sugado
nada guardado, devoro intempéries
quimera que sou no sul do teu remo
a ermo, não dista, pois somos conquista

Nega, eu sou um sumo do fruto caldado
de lado os infortúnios que insistem
que listem todas as memórias
glórias, que tu faz de mim, salsado

André Café