terça-feira, 7 de agosto de 2018

12

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Sempre falamos saudade,
e seguimos lembranças.
Não há erro, é presença,
que expressa nossa verdade.

Doze anos, de doses insistentes,
que enxergam a magia em letras soltas,
que percorrem a permissão por tantas rotas,
fazendo da coletividade algo presente.

Poesia, verso, canção, história contada, silêncio falante.
do pouco, do rito, da prosa e liberdade,
não se pretende ser a verdade,
mas produzir, pra fazer gerar o canto popular, adelante.

André Café

Indelével

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A gente te chamava de menina,
acreditando na dança que sempre seria eterna
e na folia que permaneceria,
fazendo você pequena pela eternidade.

Talvez até seja, mas o mundo devora idades,
o sistema se alimenta de sangue e suor,
nós seguimos, pra sobreviver, enquanto você se fez ideia
para quando sentíssemos saudades.

Passa história, vão e vem pessoas,
concreto, asfalto, cinza e calor;
nada parece convite, tudo parece granito;
que se desprende no grito da lembrança

E sempre vem; sempre gera, pra um suspiro de liberdade;
você, eu, nós, a cidade, o coreto, o passeio, o sem fim.
Mais uma vez no ligamos, mais uma vez nos abraçamos.
O sentido de finitude se esvai e permanece a convicção

Vem e vão destinos,
mas o que grudou nossas inquietudes
é indelével

André Café

12, mas 7

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Na conta de 12;
no peito de 7,
na vida de doses,
de tempos algozes

Quisera infinito,
de verso e poema
ao som de revelia,
regendo folia

Meu bem, me perdoa,
a chama de mundo grita;
reborda a cidade inteira,
sem pano, eira ou beira

Nua, pelo noturno olhar,
cada lugar no mesmo passo;
poema, cante a voz das pessoas
não se encastele à proa.

Posso viver ou sonhar,
lutar, sempre que respiro;
mesmo as batalhas sem fim,
mesmo que diste de mim.

Mas a letra fala do agora,
por hora, tem lembrança
Saudades do giro que fez,
quando foi aquela vez?

Que a gente, na sina,
encontrou a menina
e pairou sobre a liberdade do dizer:
que hoje são 12, mas no coração são 7.
conta errada, difícil de esquecer.

André Café

Volta e rente

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No fluxo, no rumo, no entremeio;
na despedida do acaso:
uma caminhada vertiginosa de mesmices;
sigamos, seguimos sequência.
e o lapso insurge, pra que olvidemos o inesquecível.

Ordeira jornada da mesma história,
empurrando o nexo para o fim,
de mim, de nós, das cores que acendemos
e ri triunfante, o domínio que se entregou.

Mas ele não espera, que nada se foi
ao passo marcado, tem piso torto,
tem memória aquecida, tem faro de verso,
tem sombra de rima, poema de esquina

Ela não se fez cinzas; amua na cabeça
e espera, mesmo que por um dia,
a gritaria desvairada solta e altiva,
na boca do mundo que fibrila

Vem e vai, volta e rente,
poesia daqui pra frente,
uma dose de fartura, pra vencer a amargura
intransigente

André Café

domingo, 13 de maio de 2018

Esse poema não é pra você


Fiz uma carta e espero que não leia,
montei uns versos e espero que não sejam pra ti,
escancarei as janelas para o fecho,
achei notas que não são tua canção, nem frenesi

Eu viajei e senti os teus não beijos
eu marquei o dia para não te ver,
eu deixei a carta em outro endereço,
eu me interesso pelo que você não quer saber

Eu queria apontar 'proutro' rumo
e deixar tua sombra na saudade
eu desejo que tu andes longe de mim
para que eu me engane com mais sobriedade

André Café


Sobreaviso

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O teu riso e minha prisão,
desde que vi então, me apaixonei
e já o não sei é resquício
daquilo que jaz, quando fito
o infinito, num instante;
é o grito errante, que murmura o silêncio
paro, penso e leve
 eu sou regojizo
do sonho qual embriaguez;
do simples olhar, talvez,
da cena, de sobreaviso

André Café

Faz tempo que poesia


Não sei quando eu perdi a explosão da vida,
e meu corpo em cada canto e extremo
ou em cada passo de silêncio
sentia, porquanto exauria, a necessidade de ser

E fui, como na centelha sem fim,
mas no fim, num apagar das sombras,
amuei, quase comedido em dizer
que aquilo era eu sendo, deixando de ser

Não sei se são as velhas rotas,
ou tortos caminhos que me despeço
ao tempo, uns amigos vão ao longe
e fazem trajetórias de ciclo,
sou eu, meu âmago e o infinito
circulando na velocidade mil
se estendendo até o reduzido sentido de humano ser

André Café


quarta-feira, 28 de março de 2018




Tirando o óbvio
O que já foi dito
Proclamado
Escrito, digitado
Desejado e contido
O que mais tenho para tirar
No gesto mais nobre enquanto ser humano
Tenho a me despir
Desnudo sim, a qualquer instante
Mas despir minh'alma perante teus olhos
Sem nenhum pudor

Victor Barbosa

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Da condição do eu

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O devir é perambulo,
quase se deixa supor;
na verdade é sufoco,
quando se põe em favor.

O reflexo ou o númeno
não sei dizer.
se trafego num mar infinito,
ou se o dito é razão do querer

Passo a peso, ponto fraco
me fortaleço e arrebato;
num alto e baixo som de mim
é meu ser em si que mais maltrato.

André Café


Da vontade humana

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Muito se risca ao vício da humanidade;
sou arte porque existo,
ou no existo, sou arte
qual parte da miúde do ser,
é crescer sem toda vontade?

O que move e lamenta,
respirar é sofrer, acordar é sofrer,
o devir é ideal ou mais sentir?
O que devo subsumir da pequena plenitude
que arde a cada inspiração poética?

Eu, o nosso, moral e ética,
num baile de sutil melodia
arranca a garganta do medo
e se indaga? Em qual pedaço senil,
está a lógica de ser em si, pueril?

Façamos as perguntas, no romper do silêncio;
com, para e além da ciência, do infinito limite
de se sobressair em parametrizar:
nem de longe a realidade é resposta;
representa, o que está na percepção imposta

André Café

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Poesia largada

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Chovem as letras
da queda d'alma
de minha subversão.

O contrário pelo pranto,
marcado no papel
aquém da mirração.

É verso ou avesso,
no passo sem eixo
da má versão.

Que ri e que chora,
recorta e descola
do peito à canção.

André Café

Longe de mim

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Foi só o tempo do lume no frio chão de asfalto,
apagar todo e qualquer rastro de caminho à ti.
Arrasto-me num rasgar perdido de veredas e sertões,
para cada milhagem mais tarde de ti.

Desce o rumo, perde o prumo e a poesia,
ou se encontro o fio da prosa no verso da estrada.
Se não for tristeza, é só paisagem tardia,
no fim do dia as vozes dizem que não é nada.

E a selva se concretiza no fim,
eu, as minhas incertezas e o dia que segue.
Dor e prazer num misto frevo em frenesi,
pra qualquer ilusão de pavor que me carregue...

Longe de mim

André Café


sábado, 23 de dezembro de 2017

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Eu me apaixonei por aquela moça;
ainda não sei o porquê, ainda não sei o saber,
não me fiz conhecer, num incipiente caminho.
nos caracóis que brilham, na sua tez que mira,
no olhar furtivo de cada manhã,
no mergulho exaustivo de viver,
Eu me apaixonei por aquela moça, ponto a ponto,
por tudo e por nada,
sem saber sua voz, vez, vivaz
eu só sei que por demais,
é paixão por aquela moça,
intrépida, altiva, certeira,
Eu me apaixonei por aquela moça, sem eira na beira,
Eu, você e o tempo,
as margens do cais de um porto longínquo
onde só eu aterrisso;
lá na morada do íntimo,
no lugar do sentir
Eu me apaixonei por aquela moça,
na letra do samba, na frase da prosa,
em polvorosa, em plenitude,
tato e som, sonho e realidade,
eu nem sei da realidade;
Eu me apaixonei por aquela moça, saudade.

André Café

Processo

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Como se possível fosse o infinito do mar,
atender as minhas preces e salgar cada pedaço de terra,
encharcando de maresia, cada velha olaria antes vibrante
quisera eu, mergulhar no lodo de mistura brilhante.

Junto do barro e da salina, moldar-me mais sabor;
do vento, do equilíbrio, do preparo e do sentido.
talhar cada parte, seivar cada lágrima, unir cada ponte
quisera eu, untar-me no cerrado e Sol escaldante.

Do perfeito processo, os enganos surgiriam,
mas fui feito a tez da perfeição, como o mundo gira assim?
arrasa em pedacinhos, explora em demasia, destrói a fantasia
quisera eu, migalhas de sentimentos no dia a dia

André Café

Reencontro o ponto

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Estes ares nada me atiçam pelo verso;
e não foi falta de milhagem,
ou mesmo de aprofundo:
no escuro do cimento e asfalto
o poder, o frio seco, e um sem tato.

Outrora distante, sem pensar em cidades
caçando o ardor no peito de quem passa na rua
à toa, são milhões de histórias,
trajetos entrecortados de ternura e tristeza;
só um gole de cerveja trás leveza?

As vias não falam o que penso escutar,
o silêncio que me grita é alto e claro breu
sou eu ou são todas as coisas?
Me mova, qualquer fita em embaraço,
para quem grita, fiar o meu abraço

André Café, dias sem poemar

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

A moça estacionada

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Vicente do Rego Monteiro - mulher sentada



A moça descansa,
enquanto a dança dá voltas no salão;
ela finge ou se desvia, não interessa o sentido
o que vale é o repouso, pra reunir agito.

Moça, olhos firmes, pousa, trança
na tez noturna e taciturna, exclamação!
nos gestos calmos, calados em ruídos,
sabe-se lá o que pensa, ou o que faz nascer o sorriso.

Harmonicamente andança,
o corpo em transe, no canto do colchão
a moça se lança, mergulho, alívio,
das grades do mundo, das garras dos ritos.

André Café

Sem mestre

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Um sopro vil que aprisiona,
expulsa o verso ao artigo
científico, vos digo:
meça em sua cabeça
apenas verdades inacabadas

André Café

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

O abandono na terra de ninguém

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Se falo, se permito;
abono, ou admito,
um tato de granito,
não ouve o que fito,
nem é pra ser bonito
e irrito.
sou desconhecido na terra de ninguém

Aquilo que 'lastro'
fluiu pelo escuro;
ergueu-se um muro
e lá no muturo,
se faz o apuro
e eu, impuro?
sou desconhecido na terra de ninguém

Pra que então os fatos,
ou tantos relatos,
que ilustram os atos
de tudo que acato,
minha marca no asfalto
do mesmo sapato
sou desconhecido na terra de ninguém

E a insônia faz medo,
e o amigo vai cedo,
e se apontam os dedos,
e se acaba o ledo,
e desalinha o enredo,
e se rotula o nego
sou desconhecido na terra de ninguém

André Café

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

... ainda serão

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Dum dia que aguardo o ônibus
vindo no atraso, cansado;
chega como alívio duplo:
da volta pra casa e do desligamento

Mas não me deixo faltar o olhar:
ainda, pelas paradas tão cheias,
tanta gente por ir
pra quantas distancias, ainda serão

O passo fixo, o olho na janela d'alma,
como já disse em outra poemática.
Uma jornada que apaga o 'trabalho'
ora terapia, ora tomada de consciência

O retorno é reflexão,
lugar de pensares do trabalhador.
é quase ciência;
numa essência passagem de dor

André Café

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Desconstruindo Amélia / Parte 2

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Quiseram-me Barbie,
Mas Barbie eu não podia ser
Barbies são artificiais e idênticas
E eu não,
Eu era gente.
Quiseram-me prendada,
Domesticada,
Pura e santa,
Rainha do lar.
Mas eu quebrei todos os pratos
E esqueci do sal na comida.
Quiseram-me donzela,
Moldada,
Amélia,
Serva, Outra
E submissa.
Quiseram-me corpo
Quiseram-me tudo e esqueceram-se de mim.
Mas eu não,
Eu fui por onde eu quis
E fui de quem eu quis
(inclusive minha):
Do ler, do ser e do desprender.
Experimentei, senti e tive toda a percepção
Quis desbravar e desbravei
Quis desconstruir e desconstruí
Quis ser aquilo que exatamente fui
E não deixei que me pegassem pelo braço.
Eu me rebelei quando eu quis
Voei por mundos que, de tão meus,
Não quiseram mais nada de mim
Além de me ter em tonalidade própria á minha expectativa
Na incansável sede de repetir
Que uma mulher livre é um exército, meu chapa.


(Mara Raysa 1/08/2017)