terça-feira, 12 de novembro de 2019

O bem mais precioso

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Do alto-falante oficial,
esbravejam engasgadas palavras em conservas;
é um "fica tudo como está", "é seguir pra desenvolver",
é "um bem comum" estrangeiro ...

Alardeiam, esperneiam, aos quatros cantos,
de nova ordem, de proteção, de pátria, de lugar divino.

Nem o mais tenro menino ouve, nenhum lugar ecoa o sibilo,
nem baixas frequências reproduzem este brado.

As ruas sem beiras, com canções e flores,
a passos assertivos, à marcha fulminante, ao porto escondido,
as veias abertas, dos grilhões vencidos, do prazer demorado,
em uníssona voz, ao algoz agora arrependido, num tempo sem perdões.

Os inimigos espreitam; mas há força, num mútuo fazer ebulição.

André Café

domingo, 27 de outubro de 2019

Resumo




Cena e sangue em uma meia-noite fugaz;
o corpo náufrago na timidez insólita,
a ver navios num silêncio de espasmos ...

Vermelho inferno, tingido de fogo e sabor;
nas horas de réquiem desarranjado,
segundos, percalços, palavras que presumo.

Tinto, amarga ternura no sal de lágrimas;
talvez, anterior tão lógica desistência,
pela deselegância de qualquer aprumo.

Tempestivo gole de equívoco;
temperadas formas que me resumo.

André Café

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Sonhos

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Todos os sonhos do mundo,
como uma mensagem clichê de fim de ano,
palpitam nas últimas badaladas em meio peito.
Caberiam agora, neste solo fúnebre?
Venceriam, nestes términos tristes?

Alcançaram, ainda vivos, outra época,
que talvez desconheça a fina flor do mutualismo;
vagueiam, quiçá, atrás de uma canção solene, mas ao mesmo tempo, arrebatadora,
que possa ser um silvo para os gritos de um mundo outro, desabrochar de cinzas e metal;
mesmo que a secura inflame o peito
na vontade de não respirar.

A dor e o tempo, o caso e a solitude, remédio e o preço,
a febre e o laço, o sumo e vazio, o encalço e o espaço.
Para qual terra, para qual gente compartilhar este punhado maltrapilho de amanhã?
Cessa o pensar, no autômato andar, que podem sugerir o último silêncio ...
ou o começo do fim, no fim do começo.

André Café

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Nunca só

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Não cabe pensar só na distância,
mesmo que ela devore as horas de "sabência"
há de se ter serenidade,
nas inquietudes que correm pela vida.

No expresso só, mas nunca sozinho,
são várias talhas pelo caminho,
os ombros são o peso de cada irmandade,
carregada com orgulho nos altos e descidas.

Ferve o tempo, trazendo desafios,
um gole de café, ou o prumo do alambique,
pra que clarifique a mente e o organismo,
nunca só, sempre audível no pé da mente,
as força e camaradagem, dos que resistem ainda.

André Café e Glauco

sábado, 31 de agosto de 2019

Ali verve

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Passos arrastados pelo vão do porém;
cacos pequenos trazidos a tona,
é só mais uma surpresa cotidiana,
no impulso de se dizer amém.

Segue o tracejado clamando sabedoria;
tatuadas rotas, na tez tacanha,
mesmo a resposta dada se acanha,
pois grita na veia o sorvo de poesia.

Risca e se imagina, letra após tempo;
mais marcas indesejadas em sorriso,
sóbria, pinga seco o regozijo,
esfarelando o alicerce firmamento.

André Café

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Invencível

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Um arrepio de chuva e sabor,
torpor, adormecido em sobressalto,
não esperava ver mais um amanhã,
montando a vida para o próximo ato.

Enquanto as criaturas que nos perseguem,
medo, dor, desesperança e sofrimento
orbitam no sono profundo,
vamos até a boca do mundo
olhar para o infinito em movimento
e catar bons punhados de coragem.

Tudo dela em explosão
mas a carne amua a ferida;
somos sós? Não neste lugar:
Há ênfase no cuidar;
na camaradagem despida,
existe arder de ousadia e paixão.

Um arrepio de chuva ao sabor
é sol e sal, pelos lábios tingidos
uma manhã de ferro e desafios
num lado a lado invencível.

André Café

Caleidoscópio

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A clara tez, firmeza em luz;
furtiva ao tato, resiliente.
Ora beijo, ora nunca mais,
ora cais de porto, nau fugaz.

Intensa ao tango e vinho;
um sapateado e até breve.
Tão logo, tal longo caminho,
escondido em dose de carinho.

Enevoado em sombra e distância,
fluxo "me aperte" e "me condene".
Um passo a mais, sabor da dança,
é o pulso ardor de intemperança.

André Café

sábado, 3 de agosto de 2019

Par

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Despedaço;
cada naco, num descompasso,
se ardis, cadafalso;
se feliz, desatado, desalinho, ao avesso

Só me teço em incerteza,
cada parte é arte e fim
miro os olhos, estremeço
em todo meu corpo, falta um traçado de mim

André Café

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Um cisco

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Enxergar aquilo que nego,consumir, dirimir, um engodo ensejado;
tantos versos cantados, em bustos que perecem
e carregam junto o povo, numa dança de oportunidades.

Cantam ao longe: uma preciosidade encrustada no nada;
riqueza e diversidade a troco de sangue, suor, saraivadas e concreto
é tão brando meu grito, apenas cisco de outros rabiscos,
alardeando que o nada é o progresso, é o manejo de vidas, é o pacto defecto.

Pulsa, remonta, esquadrinha, do eixo ao entorno,
encastela-se o voo em corações ocos, âmago da rendição
nego, contradito: o que é dito e paz, capataz do medo,
um cisco, num areal excessivo, ao ponto de explosão.

André Café

Deserto fanático

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Cede ao frio forasteiro;
num abrasar de reminiscência
amuada cada nota de sonho,
cada ponto de existência.

Copo meio cheio, vento vazio,
trépido olhar em ilusão de sobriedade;
enquanto o por do sol evapora a tarde,
lânguida lágrima soluça a verdade.

Não sou eu o mentiroso,
alardearam o fim da história;
num verso, que não cabe o tempo
o rasgo num trago, por fim de memória.

André Café

terça-feira, 30 de julho de 2019

Temperança

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Supressão de tempo, pra trazer alegria,
apressar das horas pelo chegar do dia;
dois mil quilômetros aqui da esquina,
seguir a sina, no envolver de fantasia.

Saudade não é medida;  pesa os ombros a distância
no deleite de ambrosia, tem limite a temperança,
faz de agosto meu dezembro, um capricho de esperança
pois no abraço da menina, o meu peito ainda dança

André Café

Disco riscado do olhar antigo

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Turista da terra natal,
entre voos, meses e saudades ...
Sentado a beira da braça, uma cerveja sincera,
ardor daquele fim de tarde, a nostalgia em pauta.

O contraste do quase poema, encerrado no caos social,
minha cidade romantizada no precipício neoliberal,
medo, fuga, pés descalços na fonte pública, fome e solidão;
macio farpado em cada gole gélido.

Tempos que não sentia o aperto do calor,
mas sempre o desejo de ver a menina ainda sorrindo.
Cai o dia, esperanças resistem, o tráfego continua;
Um embaralhado triste, duma cidade em riste, enquanto o povo amua

Sou só mais um, no vai e volta, a ter lembrança, do passado sepultado.

André Café

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Cegueira de antevisão

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Em cada traço de chão,
tem rabisco dum desconhecido
Por onde andar? Para que seguir?
No afã de Torre de Marfim,
há prantos e enganos em segredo.

É um risco de medo,
num receio audível;
e a proa empurra ao incerto.
Maré contrária, desejo renitente,
há mais seguro no intangível.

Passo, piso marcado de fé,
pelas entranhas torcidas de zelo;
é passe, puro, desafio latente
que brota na cegueira de antevisão,
dos trilhos do eu no espelho.

André Café

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Muta





Não quero ver sentidos novos em roupas velhas
se necessário for, retalhem-se para o desconhecido
não há necessidade de agasalhos para frio
a chuva é quente, queima a língua e arde os brios

A gente existe e metamorfose,
sem porquês para inércia na história;
sem talvez para muros e fronteiras,
nem eiras para tingir de memórias

É sopro intenso e forte,
pra todo sul de um norte
Ruínas antes perdidas
são barro de base erguida
da nau que aponta à sorte.

André Café

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Poesia que outrora

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Um poeta dorme;

No papel aceso, as letras garrafais.
Ferro e fogo distorcido,
cura em ódio, pelo turno de viver
Não dá mais pra anoitecer.

No rascunho grafitado em murais,
o verso valente no coral corrido;
firme, fugaz, direto, sedento,
contra o crivo legal de silenciamento.

Com fábulas despedaçadas dos vitrais,
o corre poético que outrora esquecido,
revive no fronte, teimoso em reerguer
a força invencível, do todo querer.

André Café

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Negras tormentas agora

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Já se aperta demais o sufoco,
duma vida financeirizada;
aos holofotes, a ilusão da corte
da fuga ás estruturas, negada.

É mais que um edifício,
maior que uma lei;
mais forte que uma ideologia,
imane e imune a qualquer rei

Não nos apetece o abraço das correntes,
não nos enaltece o sacrifício do labor;
não nos interessa a pedagogia do carrasco,
não nos importa medir o terror.

A validade se esconde em cada mente,
em toda história e capacidade,
de olhar para o fato e, de fé, negá-lo,
com toda a pompa da sociedade

O fogo é transformador,
a vontade é destruição,
passo firme, com amor,
no euforia de monção.

Não haverá mais correntes;
se findará toda dominação,
seremos nós, as torrrentes
do curso da revolução

André Café

Sem pesadelos

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Rasga-se a pele para metrar o espaço de fala,
livre de julgo, e aponta sem medo,
incoerentemente justo,
humanamente intolerante.

Cada passo de diálogo,
uma pá de terra;
jogando nas valas o sangue negro e nativo,
o corre é se manter vivo, pelos desvios.

A face não oculta, no jornal familiar,
aparente é o fato, a densidade é fútil;
enquanto isso a carne sangra
ao sabor do ritual mercado

Doce amargor legal,
a morte se anuncia aos de sempre,
mas nem sempre se é criatura que não morde;
jaz o turno do silêncio

Quimera fascista, o algoz ao horizonte
cada grito findado será nossa fonte,
e nenhuma palavra será dita;
sem rendição, sem pesadelos
para nenhum caminho ser 'reandado'.


André Café

terça-feira, 7 de agosto de 2018

12

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Sempre falamos saudade,
e seguimos lembranças.
Não há erro, é presença,
que expressa nossa verdade.

Doze anos, de doses insistentes,
que enxergam a magia em letras soltas,
que percorrem a permissão por tantas rotas,
fazendo da coletividade algo presente.

Poesia, verso, canção, história contada, silêncio falante.
do pouco, do rito, da prosa e liberdade,
não se pretende ser a verdade,
mas produzir, pra fazer gerar o canto popular, adelante.

André Café

Indelével

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A gente te chamava de menina,
acreditando na dança que sempre seria eterna
e na folia que permaneceria,
fazendo você pequena pela eternidade.

Talvez até seja, mas o mundo devora idades,
o sistema se alimenta de sangue e suor,
nós seguimos, pra sobreviver, enquanto você se fez ideia
para quando sentíssemos saudades.

Passa história, vão e vem pessoas,
concreto, asfalto, cinza e calor;
nada parece convite, tudo parece granito;
que se desprende no grito da lembrança

E sempre vem; sempre gera, pra um suspiro de liberdade;
você, eu, nós, a cidade, o coreto, o passeio, o sem fim.
Mais uma vez no ligamos, mais uma vez nos abraçamos.
O sentido de finitude se esvai e permanece a convicção

Vem e vão destinos,
mas o que grudou nossas inquietudes
é indelével

André Café