quarta-feira, 30 de maio de 2012

Coqueta Bailando Painting - Coqueta Bailando Fine Art Print - Oscar Galvan

Tanta atenção à fala
quando as cordas vocais me amarram.
Deixa-me expressar pelo corpo, leve e livre, como uma transcrição sem palavras da alma, os sentimentos pelos sentidos. Dança solta e baila a vida.

(Mayara Valença)

Sentimentos espelhados


Mas que destino é esse, hein?
Destino de ficar só?
Destino que nos prega peças.
Sina?
Não, não precisa tanto drama!
Falta de sorte?
Não seria bem isso.
Bruxaria?
Dificilmente.
Exigências demais?
Também não.
Incompatibilidades e pronto.
Né, Oswaldo?
Não as mesmas incompatibilidades de outrora,
Mas ainda sim incompatíveis.
Ou igualdades?
Talvez igualdades.
Igualdades de sentimentos.
Mas também de receios.
Medos espelhados...
Em experiências espelhadas.
De pessoas espelhadas.
E agora...
Espelho quebrado?
Não diria assim...
Porque tudo tem que ser destruído
Quando não segue o curso óbvio?
Há outras vivências.
Há muitas construções!
Tudo por vir.
Quanta pretensão em finalizar o que ainda mal iniciou!
Mal...
Bem iniciou, eu diria.
Porque um sentimento assim não é ruim.
Porque um bem querer assim não é ruim.
Muito além do habitual.
Muito além do óbvio.
Muito além do racional.
Não era mesmo pra acontecer diferente...
Não sei porque não vimos isso desde o começo.
Mas eu sei.
Deslumbramento.
Muito deslumbre e brilho
Pra pouca razão.
E quem disse que a razão reina agora?
O coração é que fala mais alto.
Só que corações cansados.
Fadigados do passado.
Mas ainda corações!
Solidão? Que nada!
Ainda há tanto por vir.
E como falar em solidão
Em meio a tanta coletividade?
Almas abertas a amar,
A coletivizar,
A compartilhar.
Não há muito espaço para tristezas.
E a vida, como sempre
Continua!
Sigamos.
Juntos.

Hercília Raquel

O que o cu tem a ver com as calças V


O medo e a contramão
(o que o cu tem a ver com as calças V)


O lápis e o motivo partem
do mesmo princípio...

Cascalho,
pó,
galhos e só...

E o desejo aumenta.

Sem sentido e contramão
Ou tem-se medo da cidade
ou tem-se boca para devorá-la.

- Ao inferno todas as vísceras digestórias!

E se aumenta meu desejo:
Atropelar todos os carros...

Quem tem cu tem medo
e vai ter gente comendo
bosta.

                                                                                    

Salvador, Biblioteca-dos-sem-livros, 09 de abril de 2012

Inefável maldito

SAMAMBAIA VERDE SAMAMBAIA



Em suas longas folhas, uma longa história pra contar.
Uma planta, uma herança da minha avó.
Há mais de cinquenta anos, a sua beleza verde encanta a nossa casa.
Trazendo esperança no desenrolar de suas folhas.
De forma plena ela encanta...
Nela a lembrança de um passado ainda presente.
Ontem a minha amada avó cultivava a linda samambaia.
Hoje sou o guardião da verde samambaia.
Simplesmente uma planta, mas um elemento da família...
Em suas folhas rabo de peixe se eterniza a vida...
A memória tornasse sempre presente.
O passado é constantemente revivido no desenrolar de suas longas folhas.
Mas no contexto não podemos esquecer que estamos falando de uma simples samambaia.
Uma planta que traz o verde como elemento principal da sua consagração.
Nossa samambaia!
Lembrança, passado, vida, presente, memória e uma linda história.
Nossa história eternizada naquelas longas folhas verdes.
Samambaia verdemente samambaia...


(Dhiogo Caetano)

Haikais e coisis e tais III


I
Conto, história
dança, minha infância
doce memória

II
Falo poema
letra que retrata
as duras penas

III
Plano perdeito
tem que ter sabotagem
plano do peito

IV
Céu estrelado
É dia! de fantasia,
o olho lombrado

V
Ponto, espera
no ar, tudo Promorar
Ninguém Primavera


André Café

terça-feira, 29 de maio de 2012

Afeto, Afago e Costela:


-Só presta se for de muito,
Que de muito é que transborda!
E se transborda, faz tumulto...
E pinga, e pinga no mundo.

Pois que pingue até que encharque!

-Bora, Menina.
Calça a chinela,
se desarruma,
e vai pegar chuva...

Laelia Carvalhedo

Arte



toda arte é arte
toda vida é vida
tudo passa,nada fica
todos partem,tudo se parte

somos todos,imensos
somos todos e inteiros
e ninguém é a metade
nenhuma parte de ninguém

visto que á vista é bem melhor
e que á prazo nada vejo
procurei ontem o amanhã

tendo em vista a vida
investi no futuro
e o que ganhei ainda espero.


Rafael Lima

Sim pirilim!


No som clarim,
riso é meu aviso
de sim pirilim

Simples é assim
cheio, sem o receio
alegria carmim

Canto além do fim
Bia, Mário e folia,
o sorrir em mim

No som de tac e tlim
vivo, sempre altivo
em sim pirilim

André Café

Prelúdio de Copas II - Parada na adega do inferno

Bosch - Death of The Reprobate

Sequioso por apenas um instante de deleite
ao sabor do Château Mouton-Rothschild 1945
apenas consumação adicional para os gozos encontrados nesta viagem
mas jaz garrafa vazia em prisões anteriores; ao que vejo uma taverna

O recinto adornado do escuro, ausência quase completa de luminosidade
destilava-se do fígado de um boi, o sangue servido a almas sedentas e vorazes em um proto balcão.
Ao fundo, garrafas, um velho com a cabeça baixa, fumando alguma substância que provocava fumaça azul

- O Senhor não é daqui não. Tem certeza que está no lugar certo?

- Ora, ora, ora. qual não é minha supresa ao ver também que aqui reside outro humano vivo. Mesmo de fronte decaída reconheço você. Saudações! Que peculiar encontro esse. Diga-me: está é a saída para sua menoridade? Fostes covardes ou preguiçoso?

- Caçoa de minha pessoa porque? Não estás aqui também participando de balbúrdia e anencefalia desvairada?

- Engana-se nobre pensador. Não estou em presente ou futuro, nem dimensão e espaço. Sou sóbrio sobrevoando vocês bestas que se degladiam por um pedaço de carne morta.

- Também não estou neste Universo Duque de Copas. Não vê que ainda vivo? Nã vê também que reflito a condição humana?

- Não me encha de lamúrias meu caro. Como sua razão pura explica esta realidade? E mais: como você se retrai e esconde nesta indiferença e nos resultados que interpretações de seus 'juízos analíticos' não tenha contribuído para o que vemos agora? Caro e nobre pensador, se quiser mortificar-se e ser apagado da história, faça-o você mesmo. Ou sustente e assuma riscos do outrora, agora e por vir. Se queres cair neste lamaçal nefasto se sentir para além do que a sua razão não concebe, faça-o. Neste exato momento. Verás que é experiência o subjetivo e sua alegoria terá circulação lógica em si. (...) mas antes de ir, uma garrafa de Château d’Yquem, 1784. E um brinde a moralidade do desespero!


Duque de Copas no caminho de Epizêuxis Semântica

-

Prólogo Socrático do Encontro III - Devaneio entre o torpor e a quimera, sem determinação espacial


O caminho ascendente não se impregna
o enigma do equilíbrio não emociona ou fomenta
o abismo de virtudes vãs e pagãs não se sustenta
alimenta, reacende o que fora mito esquecido

Leviatã ...

Tensão entre o estado de latência natural
o suave arcabouço que incita confiança
é lembrança para o por vir repetido
curtido no sangue e na fome:
não apagara o lume da iniquidade
que invade silenciosamente, mente e consciência

Daquilo que ao inferno é pertencente
realoca-se, toma-se à imagem Antropormófica

(...)

Do que li e do que vi, eterna distância

- Esta com sorte nobre pensador ...

- Não creio na sorte. Nestes tempos, inertes e inexistentes, digo acaso condicionado.  - um gole de rum, próxima partida.


Sócrates jogando poker em Cocytus em devaneios e reminiscências. Satan observa

Concreto 3


O meu peito livre arbítrio
revogando o discreto
meu sibilo é apito
pra assustar o maldito
que eleva o concreto

Coração está sucinto
no amor que está disperto
mas poema é recinto
faz tristeza, eu não minto
pranto é destino certo

revelia de granito
por um pouco de afeto
no sufoco do que é dito
refazendo-se no pito
veio a origem do concreto

teu torpor é infinito
mas saída está por perto
não se crê mas neste mito
iluminado veredicto
do poeta não completo

André Café

Haikai da ressaca


Virando a noite
gole, vem, me degole
no teu açoite

André Café

Compassadamente


Tum! tum! tum! tum!
demarcando o compasso
o marca-passo do coração
em drão, drão, drão, drão
martelando a cabeça
que indefesa, caí em tentação
tum! tum! na parede ao lado, do lado de dentro, na vida a fora
Melodia angustiante, que relata obliterante
essa vida descompassada

André Café

O ócio do tempo


Na noite em silêncio tranquilo,
que acalenta o espírito 
inquieto, a mente vagueia
 em uma devaneio
daqueles de colorir cauda de sereia
de aprumar o cabelo ao vento
de jazir um surto dionísico frente ao espelho... 


O nada que muda rumos, 
um tempo perdido e insoluto
cabendo a matéria de ser em plena quietude... 
Eis aí a verdade universal transcendendo
preguiçosa e malemolente,
girando no espaço e zumbindo no ouvido 
criando o tal do ócio criativo
e fazendo de mim uma má poetisa.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Mar & Cia


Resgata-me no passo de outra estrada,
jornada em dois tons de matas ciliares...
Teus cílios. Perdi-me um pouco em teus olhares,
desvios de percurso, pequenos mal estares
causados pelo espanto do rosto no reflexo.

A lágrima de um reinado, nem quisera
esconder de todo mundo que o peito dói,
a alma sem amparo, sem reparo, dói,
não bate calada, descompassa meu coração.

Barquinho sem rumo, sabe que não encontra
deriva que o aceite, ou lhe deságue,
rios de fantasia, de poesia que invadem
as portas de outras casas que não eram minhas.



PERICLITANTE TRAJETO



VOCÊ NEM TEM IDEIA DO QUE ESTOU A TE FALAR
E NESSA CAMINHADA QUERES ME ACOMPANHAR?
CREIO QUE NÃO, SEU PÉ FINCADO DIZ CONTRÁRIO
POSSO PARECER BOBO, E SOU, MAS NÃO OTÁRIO!

SEM NENHUMA REVOLTA OU QUESTÕES MENORES
NÃO PROCURES PARA LHO REVELAR, PORMENORES
TENHA CONVICÇÃO QUE ASSIM PODE-SE ENTREVER
ALGUMAS CONCLUSÕES POSSÍVEIS, COMPREENDER

A VIDA PASSA EM NOSSAS VISTAS A TODO INSTANTE
ENVOLVENTE E SEDUTORA, TOCA À BOCA TATEANTE
ILUSÃO, AGORA MAIS NÃO, AINDA MUITO À FRENTE
QUERO O FUTURO, POR ISSO SIGO RUMO DIFERENTE

O QUE PASSOU ATÉ IMPORTA, FICA, MAS SEGUINDO
VOU NESSE LONGO, PERICLITANTE TRAJETO INFINDO
ENCONTRAR A MIM MESMO NO COSMOS, NOVO LAR

POR ALDERON MARQUES
DIA 28/05/2012

DOMINÓ



 
DÓ MIM DÓ
DORMINDO
DOMINGO
DOMINO
DOMINÓ
DOMINGO
DORMINDO
NÓ MIM NÓ


POR ALDERON MARQUES
DIA 28/05/2012

Escute aí


Tá pronta para ouvir ?
Tá sentada ?
Venha me escutar.


Me desculpe, mas hoje é o dia
que eu preciso de ti
para poder falar.


Estou necessitado de colo,
carinho e compreensão.
As coisas não caminham como eu gostaria,
mas muito obrigado pela sua atenção.


Tens sido de suma importância,
pois sei que com você posso contar,
seja para beber, falar duzias de palavrão,
seja apenas para poder chorar.


E amigos são assim,
amigos são para essas coisas,
chorar com o choro, sorrir o sorriso,
partilhar a angustia, e adiantar o amigo.


Não querem saber porque
mas pulam dentro da roda,
e se algo a um amigo do peito incomoda
incomoda a você também.


Ah ...
Era o que eu precisava hoje,
de um colo amigo,
para ouvir um desabafo,
chorar um pouco
e dar uma gás,
fazer ver que a vida é vivida
se mirando o que tem para a frente
e não se lamentando o que ficou para traz.

Tayago

Sem jeito


É que eu não levo jeito,
Ele é meio torto ,meio bobo...
Não levo jeito pro teu jogo
meu jeito e seu trejeito
com todo respeito
tem tanto efeito
Bagunça,arruma
mas sou eu quem não levo jeito
Perdoa esse meu defeito
Essa coisa sem jeito
Acho que não aprendi direito
Mas tudo é tão bem feito
Na vida tudo é tão perfeito
e gente complica de um jeito
E mesmo sem jeito eu tento
mais uma vez.


Letícia Paganoto

Primeira a cair


Eu queria chorar,
mas está difícil,
nem para isso,
tenho disposição.


A lágrima não cai,
não deseja percorrer meu rosto,
e escondido no desgosto,
ela cisma em ficar.


O choro que devia libertar,
fica preso
e prende a tudo e todos,
inclusive a mim
dentro de mim mesmo.


O riso que viria depois,
com alguém fazendo palhaçadas,
está na sola do pé
correndo de mim.


Queria apenas que a primeira viesse a cair,
porque sei que depois da primeira outras virão,
me farão respirar, suspirar, parar, pausar e
ousar.


Mas ela ainda fica presa,
nos olhos e na garganta,
e a dor, imensa, tamanha,
faz que não consiga perceber
o quanto já caminhei
sem a primeira derramar.


Porém de hoje não passa,
porque é chegada a hora
as lágrimas descem,
ao passo que penso,
e vejo o quanto ainda é necessário seguir.

Tayago