domingo, 9 de julho de 2017

ENSINAMENTOS




Eu olhei para ela, e já sabia.
Sabia desde o primeiro momento,
Não precisava ninguém me dizer.
Suas mentiras não adiantariam,
Porque eu sabia desde o começo
Eu sempre soube.
Não me venha com ladainha, com essa de
Sou homem pra casar
Estou sabendo de tudo
Ou quase tudo
Porque sou dessas que sentem
Até a garganta
E vou esculpindo estranhos modos de sentir
Aperfeiçoando meu estrangulamento
Enquanto meu rosto toma a forma da inadiável certeza
Porque eu sei, eu sinto, eu sempre soube
Não adiantava essa cara de
Tenho palavra
Tem palavra mas tem pau
Tem pau e eu ressentimento
Porque fui ensinada a sentir e a amarrar a saia
Cruzar as pernas, feito moça de família.
Porque as outras são paridas do vento,
Eu não. Tenho a modéstia de setnri até a indecência.
Eu sempre soube
E agora pouco estou ligando para ensinamentos.


VANESSA TEODORO TRAJANO

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Logradouro.

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No Brasil existem diferentes tipos de moradia:
Casas, sobrados
Barracos, palafitas;
Todas com paredes
Telhados e fitas.
Em geral habita gente
Viva, que não morre,
Que vence a fome
Longa e tardia;
O frio, o calor
O estresse, o rancor.

William Feitosa

terça-feira, 27 de junho de 2017

Mas como é a saudade: trechos

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Mas como?

Como pode, mal ter ido
e eu ficar assim como
se fosse um mês de distância?

Como se eu tivesse tão longe do te olhar, do teu riso.
Eu tô ao ponto de chegar ao ultimo nível.
De querer mergulhar até o fundo da capacidade de amar uma pessoa.

Pra me fazer luz se teu caminho for escuro;
ou pra me fazer sombra, se for sol pela frente.

André Café

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Minha mente, inimiga pessoal

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Minha mente,
Inimiga pessoal

Traça caminhos para meus passos em falso
E cada beira de poema pelas esquinas
Anima e retira a cor num baile miragem
Operando o silêncio praquilo que nem fora

Eu quero canto e versos,
E colho paradoxos e letras inacabadas
Amores de tarde fria, numa nostalgia impertinente
Sufocos secos embebidos de outrora

Diariamente no dúbio suspiro
De resistir ao não pensar,
Pensando em evitar vil sabotagem,
Para milhagem por nova memória

André Café

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Negras tormentas podemos ser

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Negras tormentas podemos ser,
pelo abalo necessário dessas estruturas;
não há cura para esse sistema,
endemia de exploração

Nosso povo é sempre a mira,
nossa resposta sempre crime
seguir assim então por quê?
se esse modo reside em nossa 'tração'

Nossa força para nosso mundo,
nosso esforço para o invisível
nossa mente para o possível
caminhar em revolução

André Café



Manda notícias

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Manda notícias!

Fala das rotas situações que tanto te afligem,
nesse diário louco de sobrevivência
que nenhuma ciência encontrou solução

Me diz o que se passa,
do acordar ao anoitecer do teu peito,
pode me falar coisas óbvias,
pode soltar todas tuas prisões,
fala daquilo que te emociona
e você guardou no esquecimento.

Eu também tenho todos problemas,
eu choro, eu sinto ódio desse sistema;
um pouco de mim não sabe lidar,
mas um muito deseja que não temas,
pela mesma razão de saber que com você
não estou sozinho.

Pois me fala, me escreve ou mentaliza
pra que a gente atenue as corridas e desesperos,
num costurar de apoio e de cuidado
me fala, mesmo que se faça apenas silêncio
de nossos abraços, dos nossos temperos,
que amenizam nossos desassossegos

André Café

Nossa própria força destruidora

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Risco ...
perambulando pelas vias;
veias rasgadas, vidas veladas
de forma sutil, ser natural,
com perversidade opressora

O olho, o soco, a mira arma o mesmo rosto
Tá na pele da farda, tem o sangue nas mãos.
Extermínio é parcela que fecha conta
para o resultado calado do mundo bom cidadão

Não somos crias para o mundo das clarezas
somos então números, aparências, porcentagem,
ao som de palmas marcadas de limpeza,
sobre mesas que decidem nossos rumos

Não há caminho por essas estruturas,
não há sentido de se aquecer em miragem
é nossa própria força destruidora
que nos levará para além dos muros.

André Café




quinta-feira, 20 de abril de 2017

Resenha do Capital

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Não desenvolvo, não me esforço
em produzir o que consumo
mas quero todo insumo
que não me deixa mal.

Não tenho 'a força'
que valora o que vendo
mas até te repreendo
se você fizer igual.

Eu não trabalho,
Eu apenas especulo
o meu labor é nulo
mas acumulo de geral.

Não vem com essa
de pedir uma melhoria
não tem reforma que um dia
desintegre o capital.

Não sou dos bobos
tenho sempre ao meu lado
o 'camarada' estado
que torna tudo legal.

Nascemos juntos
e sempre assim seremos
um e o outro querendo
ganhar sobre o laboral.

Pra sempre unidos
não importa erguer a taça
toda eleição é farsa
só modula o serviçal.

Pois continuem
a dançar na passeata
que nenhum nó se desata
tudo fica no normal.

Façamos isso
vou fazer o que eu sei
Todo roubo vira lei
no clima neoliberal.

Faça silêncio
e aperte o parafuso
aquele que ta confuso
logo irá pro espiral.

Mas pera lá
não usem da violência
até a esquerda 'sensa'
é contra o radical.

Que diabo é isso?
pra quê esses molotovs
vou puxar o meu revólver
e a força policial.

Mas que doidice
se defendem com firmeza
eu já tô na incerteza
de como vai ser o final.

Coffee

Sonha

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Tenho todos os bons sonhos do mundo,
para um momento único,
de um tempo destilado
em afeto e trabalho
sendo o todo do traçado.

Este sonho sonha o mundo
e o mundo sonha junto
mesmo que a vida, engodo;
no diário de resistência
se almeja o sonho o tempo todo.

O que se fala; o que se diz
do sonhador, de ser utópico
mas por aí que o 'caminhado',
torna o sonho força motriz:

Sublevando todo explorado,
ao rebelar-se, organizado,
em unidade, radicalizado
pra quem sonha o mundo
e o quê o mundo sonha
sejam rapidamente alcançados.

Coffee

Labor de revolução

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Quero todos Janeiros possíveis,
para toda possibilidade de organização
mesmo que o tempo mude,
que o mundo desintegra
e se refaça em mesma formação.

A todo vapor, acesa a chama
incessante, incansável, incólume
e lume contempla palavra, ação, desígnio
quero todos janeiros possíveis
para não querer mais nada.

É sempre tempo do necessário,
toda hora é momento de conspiração
versa o poema pelo avesso da história
e para jamais se tirar da memória
o labor indispensável de revolução.

Coffee

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Se ligue

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Sufoco

pelas janelas cerradas nas celas que nos encontramos,
encarceradas e encarcerados ...
no auge do tóxico consumo máximo, no mínimo nexo lógico.

Ilhas caladas, vagando no oceano fluído
no início, sem fluxo
mas ordeiramente orientado

Sufrágio, silêncio, cilada, silêncio, socorro, silêncio, silêncio ...

Em cada desatino, repousam urros, vozes fortes
aparentemente "cansadas", reside o piro, o óleo e o motor
É correr no risco, para o inflame,
para que lume e chame e enxame
tudo em luz e lucidez

Silêncio? Se ligue

André Café

Que assim 'chuva'

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É pelo imprevisto, com visto para ser criança novamente
é pelo atropelo de empurrar tudo pra mais tarde
é na vida seca que se pede a chuva
como cura, vindo cara e necessária

Em cada fileira de lágrimas
goteja cura, pra dor que não se vê
com o pé no asfalto piscina
pipocando de bem querer

É no desaviso, ou no atraso, que se para
demonizando, mas resplandecendo o momento
parece que brinca com refletir o tempo
e a gente se lembra de tudo o que deixara

Um poema que diz nada ou que não atiça
mas que veio, feito insight, me abraçar

Enquanto o canto do telhado ensaia alto
aguando o tempo e os problemas; e a chuva, passar

André Café

Pa lavra

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Eu, calabouço de culpa última imediata
não se sabe onde desata o pranto a cair
e rir do impossível é remédio doce
apetece mas anuncia o silêncio do devir

Palavras travam batalhas entre os dentes
e a morte a mil pela garganta
sopra-se o silêncio e suspira-se em sinapse
com a gélida alegria dos porquês de quem canta

André Café

Aresta

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De dias que me esqueço
como conto da vida é difícil de decantar
o risco, longe do papel e tinta
cada traço olvidado de marcar

Diluindo, no último vagão, no meio da viagem, ao acordar,
para frente para sempre, no pestanejar ao ligar ou sucumbir,
ao esfacelar, devorar, comer, aspirar ou dirimir
cada silabada poética ao acaso

Recolho os retalhos recontado
e há dias não sou poema
e havia uma poética aresta
entrelaçada no âmago daquilo que se foi, ou não será.

André Café

Se acaso eu contar

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Se acaso cantador cerrou
a sua voz no fim do ardor
o verso diz: silenciou
pra se esquecer do que ficou

Enquanto o canto encanta a cor
do canto frio onde se deixou
a carta vinho tinto sangue dor
do conto assunto assalto o amor

E o frio, piro u-se calor
o fogo afeta até a tenra 'bruta flor
do quereres' te quero afaga meu pavor
e cala-me depressa como teu torpor

André Café

Sobre 8 Efeitos

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Já te falei do infinito,
do limite que se quebra
para além do sentir poesia.

E lá se foram tantos "raiar o dia"
numa mistura que imita a beleza mais complexa
em seus tracejos, desejos e delitos.

E já somos dito, no envolvimento de emanações
um salto, um surto, um solto junto abraço
no enlaço em que se cala a solidão.

Então já extrai de tudo o que é ruim, o bom
no doce querer ver a vida pelas nuances
caminhando ao sabor do tempo, sobre as reinações da felicidade.

Poesia ao infinito, oito, mito, mirração
do peito que arde afeto e alegria
sejamos a filosofia de nossa tensão

André Café

segunda-feira, 20 de março de 2017

Crença


Para Maria Bárbara 


Sabe o sabor de ser vitória
Maria de avós, Bárbara de menina
Nasce e já faz história
Vive e já tem carinho

Sobra de amor tanto quanto possa
Resta o que mais se ilumina
Trata de pouco a pouco
o que é de posse

Iansã, mãe-virgem diaspórica
Ivone Lara na enfermaria
Cuidados da mente, arteterapia

Era quase noite , saberes do dia
Cabelos preenchem a história
Pulso a pulso constrói o fluxo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Meu fuá


Já teve feira cantada, já quis versar a feira,
mas sentir sua levada, até de madrugada,
é a melhor maneira

Na cidade que respiro, viajo sem sair do chão,
é tamanha saudade, que sacode e invade,
os átrios do coração

Mas por que falar dela, tão famosa no mundo,
de Gonzaga a Sapucaia, nem me atrevo a ser da laia
de poetas tão profundos

Mas só o que sinto e quero dizer contente,
estando longe ou perto, errado ou certo
tu não sai da minha mente

Dos fim de festas,chegando junto com o raiar
pra um caldinho, café com bolinho,
ou panelada pra devorar

Ver as barracas e quitandas surgindo bem cedo
carne pra comer, maria isabel por fazer
fazem parte do enredo

Ou acompanhar a vó pelas bancas coloridas,
ver e ouvir o povo, do mais ao velho ao novo,
lutadoras e lutadores da vida

E minha velhinha que passa com alegria,
entre alho, carneiro e alface; feijão sempre verde e tomate
faz do mercado uma terapia

Vou, pra seguir aprendendo com seu arejado,
a papear e rever, pra comprar e viver,
as maravilhas de um mercado

André Café
,




Olho nu


Pelo tortuoso passo, tracejo malfeito
entre anos de suor e exploração,
cada pegada doída, ardendo até o peito,
queimando temprano plano e solução

Catadores, engraxates, errantes,
professores da vida e do mundo,
praças de casa, abrigos sufocantes
calejados num baque profundo

Cada pedaço de história, memória perdida,
madrugada de medo, amanheço o dia?
na vitrine a promoção; pelo chão, a cegueira

O 'invisível' sistema, ceifador "cauto" de vidas,
pela dor, fome, traumas,entre as noites frias
celebra a evolução, em eiras e beiras

André Café