quarta-feira, 4 de outubro de 2017

O abandono na terra de ninguém

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Se falo, se permito;
abono, ou admito,
um tato de granito,
não ouve o que fito,
nem é pra ser bonito
e irrito.
sou desconhecido na terra de ninguém

Aquilo que 'lastro'
fluiu pelo escuro;
ergueu-se um muro
e lá no muturo,
se faz o apuro
e eu, impuro?
sou desconhecido na terra de ninguém

Pra que então os fatos,
ou tantos relatos,
que ilustram os atos
de tudo que acato,
minha marca no asfalto
do mesmo sapato
sou desconhecido na terra de ninguém

E a insônia faz medo,
e o amigo vai cedo,
e se apontam os dedos,
e se acaba o ledo,
e desalinha o enredo,
e se rotula o nego
sou desconhecido na terra de ninguém

André Café

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

... ainda serão

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Dum dia que aguardo o ônibus
vindo no atraso, cansado;
chega como alívio duplo:
da volta pra casa e do desligamento

Mas não me deixo faltar o olhar:
ainda, pelas paradas tão cheias,
tanta gente por ir
pra quantas distancias, ainda serão

O passo fixo, o olho na janela d'alma,
como já disse em outra poemática.
Uma jornada que apaga o 'trabalho'
ora terapia, ora tomada de consciência

O retorno é reflexão,
lugar de pensares do trabalhador.
é quase ciência;
numa essência passagem de dor

André Café

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Desconstruindo Amélia / Parte 2

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Quiseram-me Barbie,
Mas Barbie eu não podia ser
Barbies são artificiais e idênticas
E eu não,
Eu era gente.
Quiseram-me prendada,
Domesticada,
Pura e santa,
Rainha do lar.
Mas eu quebrei todos os pratos
E esqueci do sal na comida.
Quiseram-me donzela,
Moldada,
Amélia,
Serva, Outra
E submissa.
Quiseram-me corpo
Quiseram-me tudo e esqueceram-se de mim.
Mas eu não,
Eu fui por onde eu quis
E fui de quem eu quis
(inclusive minha):
Do ler, do ser e do desprender.
Experimentei, senti e tive toda a percepção
Quis desbravar e desbravei
Quis desconstruir e desconstruí
Quis ser aquilo que exatamente fui
E não deixei que me pegassem pelo braço.
Eu me rebelei quando eu quis
Voei por mundos que, de tão meus,
Não quiseram mais nada de mim
Além de me ter em tonalidade própria á minha expectativa
Na incansável sede de repetir
Que uma mulher livre é um exército, meu chapa.


(Mara Raysa 1/08/2017)

segunda-feira, 31 de julho de 2017

terça-feira, 25 de julho de 2017

Os primeiros minutos do dia em desemprego

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Me bate um desespero nato,
que não enche prato que já está vazio
depois da noite arrepio,
amanheço ausente, tez que não se sente

É tempo quente, frio d'alma,
que nunca acalma, o torpor esguio
é sobre não dormir a fio,
nesse desatino de dor permanente

E como passatempo o dia,
nessa letargia vinda do mercado
a gente olha para o lado
e não vê o caldo de toda riqueza

Mas onde está essa beleza
e prosperidade, nem deixou recado
nem mesmo aquele bem bolado
é o dissabor de tanta tristeza

Capitalismo yes, usando seus pés,
pra matar a fome
e mata, todos os famintos,
em qualquer recinto de legalidade

Esmaga de uma vez, eu, todos vocês,
nome e sobrenome
conforme o bandolim, vem lá do mainstream,
o fim da humanidade

André Café

Ao sabor do que é preciso

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Era por mais uma vez viajante,
corsário de seu tempo e vida,
passageiro sereno em um mar de caos

Na busca acesa e incensante,
por um cais de porto seguro,
que seja além e também o futuro

Por ondas de malefícios,
sal roendo as entranhas,
predadores ao sabor da espreita

Passam sóis e ré menores,
no balanço às vezes sem destino,
flutua a caravela em fantasia

Onde está meu porto
para que sul ruma o norte?
para onde não se depende de sorte

Meu cais tem tesouros
calmaria talvez, e quiçá
instância de um vida simples

Mas dele me afasto
o barco não pede suplício
há uma luz mais longe?

Um farol que ora perto ora invisível
envia sinais fugaz, silenciosos
mas seu reflexo ativa
meu olhar,
meu peito,
minha luz

Não há garantias de tesouros,
não é um cais de calmaria
há caminhos tortuosos,
a suor, lágrima e medo,
medo do desconhecido,
mas muito mais do que não pode ser

Ruma barco,
cortando as águas feito navalha,
reparte o sangue tinto vinho
na delicia de chegar

No cais não há garantias de felicidades
mas é no teu cais que preciso
por todas histórias, me aportar

André Café

domingo, 9 de julho de 2017

ENSINAMENTOS




Eu olhei para ela, e já sabia.
Sabia desde o primeiro momento,
Não precisava ninguém me dizer.
Suas mentiras não adiantariam,
Porque eu sabia desde o começo
Eu sempre soube.
Não me venha com ladainha, com essa de
Sou homem pra casar
Estou sabendo de tudo
Ou quase tudo
Porque sou dessas que sentem
Até a garganta
E vou esculpindo estranhos modos de sentir
Aperfeiçoando meu estrangulamento
Enquanto meu rosto toma a forma da inadiável certeza
Porque eu sei, eu sinto, eu sempre soube
Não adiantava essa cara de
Tenho palavra
Tem palavra mas tem pau
Tem pau e eu ressentimento
Porque fui ensinada a sentir e a amarrar a saia
Cruzar as pernas, feito moça de família.
Porque as outras são paridas do vento,
Eu não. Tenho a modéstia de setnri até a indecência.
Eu sempre soube
E agora pouco estou ligando para ensinamentos.


VANESSA TEODORO TRAJANO

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Logradouro.

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No Brasil existem diferentes tipos de moradia:
Casas, sobrados
Barracos, palafitas;
Todas com paredes
Telhados e fitas.
Em geral habita gente
Viva, que não morre,
Que vence a fome
Longa e tardia;
O frio, o calor
O estresse, o rancor.

William Feitosa

terça-feira, 27 de junho de 2017

Mas como é a saudade: trechos

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Mas como?

Como pode, mal ter ido
e eu ficar assim como
se fosse um mês de distância?

Como se eu tivesse tão longe do te olhar, do teu riso.
Eu tô ao ponto de chegar ao ultimo nível.
De querer mergulhar até o fundo da capacidade de amar uma pessoa.

Pra me fazer luz se teu caminho for escuro;
ou pra me fazer sombra, se for sol pela frente.

André Café

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Minha mente, inimiga pessoal

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Minha mente,
Inimiga pessoal

Traça caminhos para meus passos em falso
E cada beira de poema pelas esquinas
Anima e retira a cor num baile miragem
Operando o silêncio praquilo que nem fora

Eu quero canto e versos,
E colho paradoxos e letras inacabadas
Amores de tarde fria, numa nostalgia impertinente
Sufocos secos embebidos de outrora

Diariamente no dúbio suspiro
De resistir ao não pensar,
Pensando em evitar vil sabotagem,
Para milhagem por nova memória

André Café

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Negras tormentas podemos ser

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Negras tormentas podemos ser,
pelo abalo necessário dessas estruturas;
não há cura para esse sistema,
endemia de exploração

Nosso povo é sempre a mira,
nossa resposta sempre crime
seguir assim então por quê?
se esse modo reside em nossa 'tração'

Nossa força para nosso mundo,
nosso esforço para o invisível
nossa mente para o possível
caminhar em revolução

André Café



Manda notícias

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Manda notícias!

Fala das rotas situações que tanto te afligem,
nesse diário louco de sobrevivência
que nenhuma ciência encontrou solução

Me diz o que se passa,
do acordar ao anoitecer do teu peito,
pode me falar coisas óbvias,
pode soltar todas tuas prisões,
fala daquilo que te emociona
e você guardou no esquecimento.

Eu também tenho todos problemas,
eu choro, eu sinto ódio desse sistema;
um pouco de mim não sabe lidar,
mas um muito deseja que não temas,
pela mesma razão de saber que com você
não estou sozinho.

Pois me fala, me escreve ou mentaliza
pra que a gente atenue as corridas e desesperos,
num costurar de apoio e de cuidado
me fala, mesmo que se faça apenas silêncio
de nossos abraços, dos nossos temperos,
que amenizam nossos desassossegos

André Café

Nossa própria força destruidora

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Risco ...
perambulando pelas vias;
veias rasgadas, vidas veladas
de forma sutil, ser natural,
com perversidade opressora

O olho, o soco, a mira arma o mesmo rosto
Tá na pele da farda, tem o sangue nas mãos.
Extermínio é parcela que fecha conta
para o resultado calado do mundo bom cidadão

Não somos crias para o mundo das clarezas
somos então números, aparências, porcentagem,
ao som de palmas marcadas de limpeza,
sobre mesas que decidem nossos rumos

Não há caminho por essas estruturas,
não há sentido de se aquecer em miragem
é nossa própria força destruidora
que nos levará para além dos muros.

André Café




quinta-feira, 20 de abril de 2017

Resenha do Capital

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Não desenvolvo, não me esforço
em produzir o que consumo
mas quero todo insumo
que não me deixa mal.

Não tenho 'a força'
que valora o que vendo
mas até te repreendo
se você fizer igual.

Eu não trabalho,
Eu apenas especulo
o meu labor é nulo
mas acumulo de geral.

Não vem com essa
de pedir uma melhoria
não tem reforma que um dia
desintegre o capital.

Não sou dos bobos
tenho sempre ao meu lado
o 'camarada' estado
que torna tudo legal.

Nascemos juntos
e sempre assim seremos
um e o outro querendo
ganhar sobre o laboral.

Pra sempre unidos
não importa erguer a taça
toda eleição é farsa
só modula o serviçal.

Pois continuem
a dançar na passeata
que nenhum nó se desata
tudo fica no normal.

Façamos isso
vou fazer o que eu sei
Todo roubo vira lei
no clima neoliberal.

Faça silêncio
e aperte o parafuso
aquele que ta confuso
logo irá pro espiral.

Mas pera lá
não usem da violência
até a esquerda 'sensa'
é contra o radical.

Que diabo é isso?
pra quê esses molotovs
vou puxar o meu revólver
e a força policial.

Mas que doidice
se defendem com firmeza
eu já tô na incerteza
de como vai ser o final.

Coffee

Sonha

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Tenho todos os bons sonhos do mundo,
para um momento único,
de um tempo destilado
em afeto e trabalho
sendo o todo do traçado.

Este sonho sonha o mundo
e o mundo sonha junto
mesmo que a vida, engodo;
no diário de resistência
se almeja o sonho o tempo todo.

O que se fala; o que se diz
do sonhador, de ser utópico
mas por aí que o 'caminhado',
torna o sonho força motriz:

Sublevando todo explorado,
ao rebelar-se, organizado,
em unidade, radicalizado
pra quem sonha o mundo
e o quê o mundo sonha
sejam rapidamente alcançados.

Coffee

Labor de revolução

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Quero todos Janeiros possíveis,
para toda possibilidade de organização
mesmo que o tempo mude,
que o mundo desintegra
e se refaça em mesma formação.

A todo vapor, acesa a chama
incessante, incansável, incólume
e lume contempla palavra, ação, desígnio
quero todos janeiros possíveis
para não querer mais nada.

É sempre tempo do necessário,
toda hora é momento de conspiração
versa o poema pelo avesso da história
e para jamais se tirar da memória
o labor indispensável de revolução.

Coffee

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Se ligue

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Sufoco

pelas janelas cerradas nas celas que nos encontramos,
encarceradas e encarcerados ...
no auge do tóxico consumo máximo, no mínimo nexo lógico.

Ilhas caladas, vagando no oceano fluído
no início, sem fluxo
mas ordeiramente orientado

Sufrágio, silêncio, cilada, silêncio, socorro, silêncio, silêncio ...

Em cada desatino, repousam urros, vozes fortes
aparentemente "cansadas", reside o piro, o óleo e o motor
É correr no risco, para o inflame,
para que lume e chame e enxame
tudo em luz e lucidez

Silêncio? Se ligue

André Café

Que assim 'chuva'

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É pelo imprevisto, com visto para ser criança novamente
é pelo atropelo de empurrar tudo pra mais tarde
é na vida seca que se pede a chuva
como cura, vindo cara e necessária

Em cada fileira de lágrimas
goteja cura, pra dor que não se vê
com o pé no asfalto piscina
pipocando de bem querer

É no desaviso, ou no atraso, que se para
demonizando, mas resplandecendo o momento
parece que brinca com refletir o tempo
e a gente se lembra de tudo o que deixara

Um poema que diz nada ou que não atiça
mas que veio, feito insight, me abraçar

Enquanto o canto do telhado ensaia alto
aguando o tempo e os problemas; e a chuva, passar

André Café

Pa lavra

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Eu, calabouço de culpa última imediata
não se sabe onde desata o pranto a cair
e rir do impossível é remédio doce
apetece mas anuncia o silêncio do devir

Palavras travam batalhas entre os dentes
e a morte a mil pela garganta
sopra-se o silêncio e suspira-se em sinapse
com a gélida alegria dos porquês de quem canta

André Café