segunda-feira, 4 de junho de 2012

Manifesto anti-luz


Sem função ou origem vampiresca
mas do vale dos esquecidos aos encontrados, nas sombras e na neve
me serve a sujeira e o descontente
e não me alumia o ourives do condado escolhido
Eu quero é luz neon ou negra, ou da cor do nada, ou dar cor a tudo
inclusive ao absurdo
não me esquivo do lumiar, mas dele, não faz crescer a planta, nem aquecer corações
só de luz vazia, não vive o dia, não semeia vida e conspirações
Meu grito é no escuro, me acabo no verde, sou impuro no azul
devoro a anti-luz contra a luz da iluminação embebida de ego
Alumia nos tons de marfim e sangue, desague do pedestal, aí então
ou não,
devoraremos e arrotaremos a criativa poesia carne.

André Café

Diante do espelho


Sou o que escrevo, sou humano, sou simples.
Sou uma pessoa que busca a perfeição, mas sei que nunca conquistarei a mesma...
Mas nunca desistirei!
Sou o Dhiogo, Sou nada...
Sou um homem, uma criança, um ser que em muitos momentos é abandonado pela vida.
Sou nada na vastidão do tudo!
Verdade...
Sou a busca constante de algo.
Estou constituindo raízes...
Vou buscar o que falta em mim!
E encontrarei.
Pode crê!

Dhiogo José Caetano

Consequência


Desfio assuntos a noite toda
Descubro linhas
Dou nó em pensamentos
Desafio lembranças com cantos
E no canto revelo-te toda minha gana por ti
Essa fome insaciável por seu corpo
Alegria de ouvir sua voz me pedindo mais
Pressa em percorrer-te toda
 Calma para ouvir-te
Satisfação em fazer-te carinho
E o medo disso tudo acabar

Bernardo Moraes

Onipresente


Atua na mente
atualmente sente
onipresente:

DESPREZO

por convicção;
por conveniência;
por humanidade

André Café

Nó


As Vezes um nó na garganta!
As Vezes um nó na alma!
E Sempre quiser desfaço o nó do seu vestido
E podemos nos dar um nó na cama!

Bernardo Moraes

Malditas pupilas


O sol se foi, o breu da noite possui meu coração.
O torpor de minha alma me aquece
Lembranças, fotos, um eco.
Eu não sei ainda ao certo o que se tem
Só sei que minhas pupilas tremem

Hévllen Motta

Prólogo Socrático do Encontro IV - gênese de angústia imaterial


Não me transportava para condição qualquer de anunciação de salvação
Não me realocava novamente entre os pares de carne e origem
Não me suturavam os restos de ranços calcados na história
o fervor, sobretudo amargo, nascia de e por conseguinte existência, incerteza

A hora, sem precisão de ser ou acontecer, mirava nos sentidos
e neste campo, a imagem de Epizêuxis brincava com a minha distinção
de espaço, de nexo e de loucura; alternadamente insana e pura
Na mão, o copo de rum tremulava fumegante
Uma dose desfibriladora sem efeito, o ardor do peito incitava pane

- Creio não ser mais uma companhia para este jogo. Com sua permissão retiro-me.

- Poderás seguir nobre Pensador. Vá e caminhe sobre suas convicções e aflições. Pode ir, daqui vejo o inoperante esforço de não pisar em solo da humanidade. Assisto de camarote esta luta.

- Agradecido. - Porém envolto em devaneios mais replicantes e nefastos. Com o passo duro, meu corpo, minha alma alcança a epopeia de desconhecimento a partir do vasto mundo observado. Eu, sigo, obtuso e cádmio, para onde o gelo se encerra.

Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan

Detalhes


Sei, eu não sou forte o bastante pra te ver com outra pessoa.
Fiquei sabendo por aí que você está feliz, que vive muito bem nos braços de outro alguém, que nem lembra mais dos meus carinhos.
Pensa que eu também não te tenho mais nos meus pensamentos, confesso isso me traz um forte amargor ao coração, prefiro não lembrar, eu optei por isso... Preferi sofrer as consequências de viver longe de você do que a dor de te ter, que por sinal não sei qual é a pior.
Mas eu finjo muito bem, eu sei que você sabe, eu também percebo quando desvia o olhar eu vejo aquele olhar de 'suas pupilas tremem' que eu mais amo, e aquele toque que... Ah vou parar de falar disso, só resolvi te dizer, pois está uma lua linda aqui fora e eu me lembrei de um filme que nós gostávamos, sim eu adorava te admirar quando você fazia comentários sobre os filmes.
Sinto-me forçada a esquecer dos detalhes, sim os malditos detalhes.
É 'detalhe' que me incomoda em você, em nós, em tudo.
Pois esse tempo todo vivemos nos detalhes.
Mas que seja assim, o fim chega mesmo quando não acaba

Hévllen Motta

Sonho


"Eu faço do pranto força, raiva e vontade. Faço da respiração compasso, a cada passo. Não olho para trás com saudade, olho como aprendiz, com certeza e clareza do que fiz. Não me iludo, no fundo, gostaria, mas não o faço. (Será?)

Entre manhãs quentes de solidão, e noites frias de carinho e atenção eu sumo em mim, e a mim permaneço... Calmo ou agitado, em alerta ou espanto. Não! Não vou mais me agarrar aos passos dados, me agarrarei aos dados futuros.

No meu mundo atual, não há sono suficiente, pureza clara, ou sonho limpo. Tudo é cinza, até que se prove do contrário."

Hugo Jardel

Sopro mudança


Sopro mudança
para tudo; quimera
sou eu, lembrança

André Café

Sabotagem e torpor


Pra onde?
De que forma?
Eu preciso desligar o verbo importar
Talvez assim acalme sequiosa agonia transplantada da mente ao coração
ação devastadora entre o suspiro e a flor azul
nem toda cosmogonia me absorve angústias
A voz advinda das profundezas do silêncio
Ensurdecedora, cala a coletividade
A compreensão do outo ... há compreensão para com o outro?
Assim segue a humanidade e sua tortura
Sabotagem e torpor
Pelo amor da imobilidade


André Café

Parcelas suspensas no mundo do ar: Pro dia acabar


Nascido no roxo mundo
de alegorias e canções encantadas
flutua o novelo absurdo
de sonhos e sinas marcadas

O olho mirando o Sol
vermelho sangue em vista
A copa em meu lençol
calor andando em pista

Mas o puro nascido em trevas
mas o muro de resiliências
mas do mais que se perde na relva
mas do turvo de onipresença

O novo sente, crê e inspira
conspirações e inocência
Puro sujo, o novo vira
o absurdo em vivência

De lá pra cá apenas aspectos
espectros de esperança, na dança contínua
que segue a sina dos desesperados
pelo ar, para o ar de incertezas
sem traços algum de nobrezas
pro dia acabar acabado

André Café

E diante dessa contradição ideológica*


No deslize de meu discurso mais inflamado
no ápice da minha exaltação pura de verdade política
no ensejo erudito, rebuscado e fundamentado na crítica
REPRIMO
Intransigentemente

André Café

*Jardim da Política - Tom Zé

domingo, 3 de junho de 2012

Rasga a carne
em mil pedaços
E se faz inteiro.


(Mayara Valença)

Síndrome do Pânico




Sei que é difícil entender essas coisas que se passam comigo. Que coisas? Eu nem sei que nome se dá a elas. Pânico, horror, desespero; tudo isso faz parte de um temor ainda maior à minha sanidade. Não sei a que propósito elas vem, ou se ao menos existe um. A única coisa que consigo detectar quando nos confrontamos é que sou suficientemente frágil para elas me abaterem em algum impacto, por ínfimo que seja. Tenho medo do que a frequência dessa onda de pavor possa vir a fazer, pois se a minha estabilidade é tênue para esmorecer diante aos pequenos eventos da vida, o que dirá enfrentada aos abalos de grande porte – estarei eu sucumbida na fúria de um pensamento em total desordem?

Não gosto de parar pra pensar nessas possíveis resoluções do destino. Antes disso me ponho de braços esguios a prender-me contra a corrente. Ainda não descobri qual a melhor maneira de lidar com esses espasmos repentinos que me deixam à margem da minha própria história, mas por enquanto finjo que não há problema algum. E assim fingida vou às ruas distribuindo sorrisos e esbanjando a racionalidade que eu não tenho. Quanto mais acreditam que sou normal, eu mesma vou crendo nisso.

Vanessa Teodoro Trajano

p.s: me desculpem a obviedade do título desta prosa, mas é  que ultimamente ando muito sem criatividade para dar nome às coisas.

sábado, 2 de junho de 2012

VICISSITUDES





EU SOU COMO OS ESPELHOS

QUE REFLETEM ECOS PARELHOS

EU SOU COMO A RODA GIGANTE

PERMEADA DE INTENSO INSTANTE

EU SOU COMO RABO DE CALANGO

MESMO CORTADO AINDA SARANGO

EU SOU COMO A CONSTELAÇÃO

QUE PARTE E FICA NA ESTAÇÃO

EU SOU COMO O IDIOTA

AUTÊNTICO EM SUA DERROTA

EU SOU COMO O SEM SENTIDO

MAIS FALA MENOS COMPREENDIDO

EU SOU COMO A SECA VIDA

REFERENCIALMENTE ALUDIDA

EU SOU COMO ÁRVORE FRONDOSA

DE MUITA POESIA E POUCA PROSA

EU SOU COMO O MENINO MAIS VELHO

SIMPLÓRIO PERGUNTADOR ARTELHO

EU SOU COMO O MENINO MAIS NOVO

SILÊNCIO MORTAL DO NOSSO POVO

EU SOU COMO O INFERNO

QUEIMA CORPOS, FRIO DE INVERNO

EU SOU COMO O CÉU

ALIMENTA ALMAS AO ESCARCÉU

EU SOU COMO A FARINHA

MOLHADA SAINDO DE LINHA

LONGE DE PERO VAZ DE CAMINHA

VICISSITUDES... NINGUÉM ADIVINHA


Por ALDERON MARQUES
DIA 02/06/2012

E daí que dá?

Linha obtusa, eletrocardiogramática,
contorno de um céu impuro, de tosse
densa névoa que seu corpo recobre
acompanha, em sombra laranja, o caminhar.


Eis que o tempo, ainda que exíguo
Capaz de prolongar os mais desérticos sofreres
Traz-me a branca nuvem, poética, letrada
Flutuante nas notas que dedilha
inconstante nos arroubos de falácias
estonteante
A cada passo
que dá.




Raíssa Cagliari completamente louca; 01/02

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Vadias ou não vadias – meandros de uma ‘’boca suja’’ ou de uma cultura machista?



Como toda boa história, iniciar com “era uma vez” também é preciso para entender os pormenores de como uma palavra nos é intrinsicamente posta e de como esta pode mobilizar e fragmentar. Assim, tudo começa com um instinto selvagem, que depois, à luz da razão, ganha cores, roupas e atribui valores a diferenças sexuais entre pessoas com mentes iguais.
Cada ser, subjetivo em essência, produz internamente uma racionalidade de acordo com o seu ambiente de interações sociais. Seja na família, na rua ou nas instituições, nosso pensamento e formações identitárias são resultados do que nos é colocado como predominante na balança do certo e errado, e da maneira como questionamos dentro de nós tais aspectos.
Agora, voltando ao inicio da história, era uma vez moças chamadas de Amélia que ficavam em casa tendo que fazer comida boa, se ocorria alguma briga, era feio alguém meter a colher e ai delas se falassem, pois lá vinha mais papinho de mulher que não sabe o que é amar. Suas diversões se limitavam a grupos de boas moças e hoje, já podem se dar ao desfrute moderno de sair sozinhas e beberem, mas pouco, pois é feio mulher bêbada, e se sairem de saia ou vestido curto (que desvairadas) querem ser estupradas e putas lhe cabe a denominação, agora, se forem utéis para mídia, não há problema, pois todos gritas vivas à sociedade das mulheres frutas!...
OPA!! Calma, alguém troca a bateria, que a luz da racionalidade está quase de partida! Essas falas são do cotidiano popular, nas quais não importa o certo e errado de éticas e postulações legais, mas o certo e errado que nossa cultura enraizadamente machista nos traz.
Uma palavra, um gesto e toda a interpretação dos demais sobre isso remete à que sexo me pertenço e me defino. Vadiar masculinamente traz a figura do malandro, homem esperto e com charme a transportar. Entretanto, para a mulher é feio, sujo, é não ter dignidade e respeitar as demais mulheres. Mas por que é feio? Quem disso isso? Por que para um é bom e para outro é mau?
Não é questão de manter uma boca limpa e a boa imagem feminina para sociedade, mas entra em cena a base social, costumes e valores que herdamos de nossos pais, meios de comunicação e de uma sociedade que tem o sujeito masculino como centro da imagem ideal de reprodução social (homem denominado como chefe da família, mesmo quando é a mulher que sustenta financeiramente e afetivamente) e de reprodução sexual (é a mulher que gera vida, mas é o homem que pode ser livre para exercer sua virilidade e escolher o que fazer ou não fazer com seu corpo).
Antes de ser uma questão de sexualidade e de nomes bonitos ou feios, é uma questão cultural e de desigualdades construídas ao longo da história da sociedade. O diferente chama à diferenciação e é mais prático culpabilizar um individuo por sua condição de desigualdade do que analisar o que se encontra à sua volta. A cada mulher que se autodenomina vadia, veja o que está para além do aparente verbalmente para não cometer o erro de responder com violência a violência moral e social que já é posta diariamente no ser mulher.
Não deixe que as falas já contadas tantas vezes em tantas histórias se repitam em sua boca. Falar de luta feminista é falar de luta histórica contra costumes que dualiza tudo em dois sexos, enquanto que o que define são nossos cérebros. A mobilização contra desigualdades de gênero vêm para questionar valores colocados de forma natural que reproduzimos e acabamos agredindo a nós mesmos. Essa história atual não é vadiagem, não é promiscuidade, mas de liberdade e equidade, seja o nome que lhe for dado.

Suzianne Santos

Poema sobre prazer




Hei de me embriagar nos véus da tua alma
Descobrir todos os teus segredos eloquentes
E desvendar teus mistérios
Do tardar da velhice
E no auge da tua juventude

Inundar-me nos teus lábios adocicados
E desmaiar no envolto dos teus braços
Ah, quanto prazer!

Vamos sentir, fluir
Nesse oceano de desejos carnais
O sentimentalismo que aflora na pele
Acabaremos todos os tristes ais
Atracaremos no próximo cais

E da terra nos tornaremos pó
Depois ser levantada a aurora
Exacerbada do nosso prazer.


(Gabi)

Parcelas suspensas no mundo do ar - A Esquina do Mar



No grito uma luz
o parto da liberdade
as asas de saudade
meu espirito conduz
vejo olhos que reluz
em fitas azuis, o mar
me acorda em sonho
nos poemas me componho
em raios para iluminar

Um risco dum passo
faz desenho no chão
lenço do meu perdão
na dança foi pisado
finalmente libertado
do ódio do coração
nas cortinas do clarão
do candeeiro iluminado
tem mandinga, é magia
é choque de energia
do espirito cremado

guardo o teu retrato
no plástico da carteira
onde a pedra certeira
vi voando pelo ar
rasgou o bucho do mar
pegou no meio do ponteiro
o tempo roda ligeiro
e começa a desmanchar

Outro grito se espalha
era morte anunciada
da gíria de quebrada
pelos cantos rasteja
buscando o que deseja
talvez uma mente nova
depois deitar na cova
onde a morte festeja

me perdi em alto mar
me soltou o carcereiro
transformei-me mensageiro
de misterios explicar
bala de doce vou atirar
no mar eu quero ladeira
encontrar esquina e beira
onde possa me encostar

quando tentaram me matar
tomaram meu caderno
meu chapéu, meu terno
a sandália e meu pandeiro
o cigarro derradeiro
e o silencio da madrugada
sem eles não sou nada
Uma carta sem carteiro

Eu já fiz lona de circo
armada com corrente
no picadeiro a semente
em contorções pra germinar
os segredos vão brotar
um galhinho vai crescendo
para o mundo vai dizendo
que vai se multiplicar
com a terra e o ar,
a chuva e o vento
junta tudo, elemento
vai correndo se espichar

Na guerrilha
perdi parte da visão
trabalho quase cego
sou escravo, não nego
tenho calos em mão
de roçado e percussão
experimento, sou matéria
evaporo em ideia
em químicas de solução

(MarcoFoyce)