Jardineiro fiel
Ninguém ao certo entendia,
mas preferiam deixar assim ser:
Sempre aquele velho senhor,
logo que o sol ascendia,
dedicava horas e horas
de seus últimos dias
cuidando de seu jardim.
Era tanto apreço
que por mais trêmulos
fossem seus gestos,
aparava cada ponta,
aguava cada pétala
com tamanha paciência e zelo
de quem tece uma fina colcha.
E assim o era,
jardineiro fiel da colcha
de retalhos de sua vida,
de um amor que já deu sua despedida
e que em seus últimos dias,
fez com que sementes ganhassem vida,
e assim florescessem no peito
daquele que aqui ainda permanecia,
regando uma doce lembrança
do amor que ainda existia.
Suzianne Santos
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