sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O conservador




O conservador conversa no banheiro
mija sem pegar no pau
dita o erro
aplaude o certo
chega no horário
usa gravata combinando
odeia amoral
o cinto, amarra-o
o cinto está acima do umbigo
em casa não se ouve um gemido
ovo mexido do lado direito do prato
arroz à grega do lado esquerdo do prato
abaixo, ocupando outro espaço,
a salada.
O prato forma um gráfico.

O conservador conserva a fila certa no banco
conserva a burocracia
conserva o seu cargo de última importância?
O conservador em conservas não erra
conserva a norma culta da língua.
O conservador dá risada de quem diz ocêê.
O conservador também diz ocêê?
Em casa, à noite, ele trepa sem meter.

línguavaginacudedo

O conservador mostra o regulamento da cidade
para todos
viverem bem e sem medo.
É preciso conservar o conservador
quando o conservador morrer
é preciso empalhá-lo, passar verniz e fazê-lo totem.
O conservador reza, tem pressa
ele segura em sua mão um terço
na outra mão, ele segura um garfo
e na outra mão, ele segura um copo.
O conservador não revela o que há no copo
é segredo.
O conservador tem três braços
ele é sobre-humano.
O conservador divaga: A moral.
Eu divago: Cara de Pau Brasil.

Do poeta José Augusto Sampaio
Publicado no livro O outro lado do olho, em 2010
Está à venda no www.agbook.com.br
Mais informações em joseaugustosampaio.blogspot.com
Contato: guto.sampaio83@gmail.com
Facebook: josé Augusto Sampaio

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