sábado, 12 de novembro de 2011

Cordel da Perfídia



Uma mulher amava um homem,
Mas o homem nem lhe via mulher.
Mulher então pagou feitiço,
Chá de calcinha e raiz forte,
Reza até pra Padim Ciço
Pacto de sangue com Dona Morte
E PUF!,
o Homem caiu submisso.
Mulher pegou Homem foi de jeito!
Num teve macumba que desfizesse efeito...

Homem viu que Mulher era fogo,
E ele pra casa não levava desaforo!
Desentendido do mal acontecido
E apaixonado como ele tava
Foi logo derrubando a graça
E fazendo cena no meio da praça:
-Mulher, venha cá, me tire desse sofrimento!
Lhe dou casa, costela e acolhimento,
Mulher, lhe peço em casamento!

Viraram Dona Mulher e Seu Homem.
Mulher pegou jeito na vida,
Escondeu seu fogo, fez jardim
Plantou margarida,
E todo dia preparava as mesmas carnes para Seu Homem.
As MESMAS carnes...
-E quanta carne.

A mesma carne todo dia,
Mas Seu Homem se lambuzava do mesmo jeito!

Mas o cão que sempre atenta
Fez Dona mulher perder o amor
E junto com ele o pudor;
Até suas carnes quiseram murchar!
Andava descontente:
Não de ouro,nem de roupa,
Mas sim de Gente.

Dona Mulher fez diferente
Foi parida de carnes decentes
E não tem homem que agüente
Olhar pra ela sem sentir prazer...

Mas Seu Homem andava dormente
E, desacordado e sem saber,
Tomou veneno saliente
Que Dona mulher lhe deu ao cochilar

E dali pra frente ele dormiria
Para à noite ela perambular
E de suas carnes ser servida
Até outro homem se apaixonar

Mas eis que o efeito passou,
Seu Homem já acordado se invocou
Laçou Dona Mulher de jeito
Deu-lhe uma baita duma pressão,
E depois da discussão
Se embebedou em seus peitos
E disse nunca mais dormir!

Pra ver Dona Mulher sorrir
Ia trabalhar, viver e respirar
Pra tudo que Dona Mulher desejar,
Desde que sua carne ele voltasse a provar.

(Parceria poética entre Laelia Carvalhedo e Rosseane Ribeiro)

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Oração

    Dai-me a alegria
    Do poema de cada dia.

    E que ao longo do caminho
    Às almas eu distribua

    Minha porção de poesia,
    Sem que ela diminua...
    Poesia tanta e tão minha,
    Que por uma eucaristia

    Possa eu fazê-la sua...
    "Eis minha carne e meu sangue!"

    A minha carne e o mau sangue
    Em toda ardente impureza

    Deste humano coração...
    Mas, ó Coração Divino,

    Deixai-me dar o meu vinho
    Deixai-me dar o meu pão!

    Que mal faz uma canção?
    Basta que tenha beleza...

    Mário Quintana

    Comungando versos com Rosseane e Laelia. jm

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