Mudanças sempre levam um pouco de nós... mesmo que seja pouco e, pior, parece que leva o melhor. Mais uma vez me mudei, e desta vez foi de casa e coração. Não trouxe nada de novo, nada de volta, apenas deixei. Queria não doer tanto quando sentisse algo partir. Dos restos que ficaram, sobrevivem aqui, em mim.. E por mim, eu espalharia como cinzas, as histórias que me acabaram e não morreram sem mim. Pela sala, as lembranças macias ficariam sentadas no sofá, lá é que está meu peso. Antes de nunca mais voltar, olharia, disfarçadamente, para os amores não tentados, para os amigos disperdiçados, para as palavras não ditas, para todos os arrependimentos... Depois tornariam-se cemitérios; No quarto empilharia as lembranças, os perdões esquecidos, os beijos que apenas em sonhos foram meus, e se foram.. Ficaria o travesseiro que tanto perguntou a minha cabeça onde era que você estava, por não eu ser sempre sozinha.; No corredor eu guardei as promessas de um futuro seguro, as apostas de um amor imaturo, os segredos de um incansável espírito lutador e todas as imperfeições de uma aprendiz. Na cozinha guardei meu coração. Prometi que, mesmo que não servisse de alimento a mais ninguém, apenas me sustentaria. No quintal, espalhei o resto, tudo aquilo que em mim sobrava. Sei que não irei perder demais, apenas o suficiente pra me fazer contente. Tenho o que me bastar, se me faltar, tenho como alcançar. Aliás, sempre que eu quiser tudo de volta, irei buscar.
(Rosseane Ribeiro)

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