Fingi não me importar com tanta ausência quando eu, calada, implorava aos pensamentos que atormentassem-lhe com uma vontade imensa de largar tudo e, simplesmente, querer estar ao lado de alguém que pudesse descansar até a alma em braços, porque era essa a minha vontade;
Tantas outras vezes eu fingi ser tão menos o quanto - pra alguém- eu não queria acreditar que fosse. Pois, na verdade, eu queria ser muito, ao menos ser algo mais que desejo, que pudesse ser mais que vontade, e depois lembrança, pois é uma pena, um dia ela também se vai..
Fingi me interessar por carnavais, coqueteis, Deus..., só pra não ter a certeza de que éramos, talvez, a dose perfeita de nós, e assim disfarçava não gostar das mesmas coisas; Fingi, dolorosas vezes, que não sabia amar, para que não soubesse e percebesse que eu era tão sua quanto mais assim quissesses;
Outras vezes fingi gostar de mentiras ditas ao pé do ouvido, descendo até o umbigo, só por ter medo da verdade. Ou da mentira mesmo, sabe-se lá... Fingi tanto que te perdi que, inevitalvelmente, eu ainda tenho a certeza de que não. Talvez eu ainda morra só de vontade de acreditar que era isso o que eu não queria.
(Rosseane Ribeiro)

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