Sócrates e seu Demônio, de Eugéne Delacroix |
Na vista, cúpula de soberbos, inocentes e incautos; senhores de sapiência elevada e de nula compreensão de vida.
Amedrontados e incertos do escárnio pensado dos deuses, não tiveram dúvida a Cicuta saída; vida;
que me tolhe ao passo de amar e de renegar aquilo que amo.
Algo me aquecia no sentido de posterior reflexão, ão de dar a face na parede e se embeber de dúvidas e ressignificações.
Então a isso, convicto e consciente, brindo, o gole certeiro, turvo ... (...)
- ... Sinto meu corpo formigar. Acaso o veneno não fizera sua parte? Espere ... meu corpo está sem pulsação; sinto os olhos abertos, mas cá não vejo em que recinto me fecho. O que é este recinto?
- Nobre pensador, filósofo conspirador e transruptor de consciências. Bem vindo a não existência.
- Quem fala aos meus ouvidos estas palavras serpentadas?
- Perdão a minha falta de zelo e consideração ao não me apresentar. Sou eu o princípio do fim e o fim do princípio; sou eu lume, metal, enxofre e agonia; o átomo do sem dia; eu sou o senhor da terra sem esperança; do óleo fervido na pele daqueles que se perdem em vida ... poderia dar definições mil, para dizer, muito prazer caro Sócrates; sou Satan.
- Não me recordo do seu nome em história, mas do que dizes sei bem do que se trata. Minh'alma foi debandada e esquecida no inferno afinal. Este é meu destino por convicção.
- Há equívocos nas suas lamúrias. Talvez hoje seja seu dia mais feliz. Nobre pensador, aqui é a não existência. Não atravessara ainda o caminho da vida para morte. Estamos no ápice desta transformação.
- Mas como isso é possível?
- Para mim, trata-se de mera brincadeira conseguir tal fato.
- ... o que um ser tão maligno pretende com isso?
- Ora, ora nobre pensador, é claro que iria contar os meus anseios. Mas suas lamentações são de um teor humano e fraco tão depressivos. Não sei ao certo se devo continuar.
- Numa situação como esta, apesar de não saber como um ser bestial raciocina esta realidade, e, não saber o que é esta realidade impossível, afeta consideravelmente meu raciocínio. Mas me coloca num eixo em que tenho apenas uma consideração: minha matriz é humana e na humanidade reside o saber e o não saber, elementos que em um por vir, provocarão outras atitudes aos homens.
- Este é o ponto em questão meu nobre pensador. E para isso eu vim até aqui. Sabe, o fato de você continuar e aceitar o fadado destino, me inquietou. Havia uma esfera infernal preparada para recebê-lo. Eu estava contando com o prazer de sue sofrimento, mas o que de fato aconteceu abortou minhas expectativas. E cá estou com um outro desígnio para ti.
- O que seria tão importante para minha passagem ser interrompida?
- Não é questão de importância, apenas de desejos e prazeres. Venha em vida conhecer o inferno nobre pensador. Quero que veja a evolução do tempo e do espaço em energia e as conjecturações e impossibilidades da raça humana. Venha ver o que você almeja de futuro e ver se é isso mesmo.
- Queres que curve minhas convicções ao teu prazer ... cada jogo que o demônio faz por sangria.
- Ora nobre pensador. A vida a ti retornará. Não serás um sofredor que deve pagar pelos feitos em vida em minhas pradarias. Observará, passará por cima da carnificina. Terá um universo de labor para suas meditações e reflexões.
- Senhor, a isto não me empolgo, algumas leis devem ser sentidas e obedecidas. Se caos é este o destino de muitos, que se siga este percalço. Mas, me interessa o universo que desconheço, para não sabê-lo mais ainda. Esta é minha vontade. Irei.
- Sábia decisão pensador. Ressalvo-lhe apenas de três condições?
- Quais sejam?
- Não retornarás a Terra, nem insurgirá revelia à ilogia do inferno e terás sessões de jogos no instante de minha vontade.
- De certo.
- Vamos transmutar este espaço ...
Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan
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