terça-feira, 4 de outubro de 2011

Herança nordestina



Como guerreiro nordestino que sou
Do cangaço, luta de extrema valentia
A mim competia algum traço ficar
No espaldar do encalço premente
Um siso dormente depois do dia ardil
Invertido, um funil num canto lúgubre

Da afiada peixeira, lembrando a trincheira
Sangue jorrando no sol do meio dia
Em sua companhia, mais forte me torno
Já cansado retorno para o pedaço de chão
Velho torrão que brotou sem cor
Mata aberta pelo facão nada virgem

E hoje em plena selva-cidade pedrada
Na rua, na estrada outras construções
A ética dos guerreiros a muito ultrapassada
Reiterados assomos hostis ao bel prazer
Me pergunto, o que posso eu fazer
Senão me utilizar desta humilde faca?

Não mato ninguém, nem finco, nem assusto
Pedaço de arbusto nem um pouco corta
Segurança fugídia é o que também busco
Inevitável herança do nordestino viril
Desta gleba do meu pobre brasil, varonil
Sei muito bem, que não retornarás mais

(Alderon Marques)

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