terça-feira, 15 de maio de 2012

Breve diálogo do acaso entre as prisões do mundo inferior


- Quem vem lá?
- Apenas um visitante errante.
- Não há visitas por estas prisões. E ainda com ousadia de infestar com esse cheiro asqueroso de carne humana o Tártaro! O que dirá ao seu algoz?
- Digo que não há como desvencilhar-me de fedor nefasto e de tamanho asco. E em contradição a sua convicção, me faço aqui pela urgência de um convite.
-  ... Estás a andar por aqui sem guia, sozinho, perâmbulo.
- Não há necessidade de guias quando o nível de tortura é gradativo. A cada isntante, sei qual o próximo passo, apesar de me entorpecer analisando algumas cenas.
- E onde pretendes chegar?
- Se não me engano, o espaço desconectado do tempo e sentido é meu eminente destino.
- Hum ... o Duque de Copas afinal. Sou conhecedor de sua estadia.
- Então não me tolherás no meio caminho?
- Não, eu não o farei. É vontade do Rei sua presença. Mas diga: como permanece incólume vendo o mar de infortúnios e desesperos daqui?
- Digo-lhe nobre demônio: Aqui não há novidade que já não tenha vivenciado na Terra. Acredito que se este é o desenrolar das almas humanas, então assim será. Confesso por vezes, surpresa em não me surpreender. Contudo, não há nada de novo.
- Não reside em ti o sentimento de clemência?
- Por que deveria explorar sentimento inócuo e inexpressivo? Se quiser, colha minh' alma e verás obliterada vontade e verossimilhança no que digo.
- Sem necessidade. Pode seguir.
- Agradecido.
- Este era um homem que podia ser desestabilizado e enlouquecido; é um homem que me provoca medo...

(...)

- Nada tema, Radamanto.


Duque de Copoas no caminho de Epizêuxis Semântica

Um comentário:

  1. *0* que é isso doido, Radamanto? Acaso são relatos de sua vida Duque? brincando, muito interessante a forma como você pega uma situação, um encontro neste local, sério doido, acho irado os escritos

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